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sábado, 11 de dezembro de 2010

Olá pessoas,

Aproveitei a dica da nossa querida colega Michele e fui conferir a Semana De Valorização do Patrimônio Histórico e Cultural da Cidade de São Paulo, na Galeria Olido entre os dias 8 e 10 de dezembro de 2010. Um resumo para vocês.

08 de dezembro

No primeiro dia o tema que mais gerou polêmica foi a questão das atividades culturais no centro antigo de São Paulo, grandes multidões, mas o objetivo não é fazer com que as pessoas conheçam o centro? Gerou um grande debate. O Vale do Anhangabaú também foi bastante comentado.

09 de dezembro

Um tema muito atual foi debatido: Acessibilidade. Silvana Cambiaghi, presidente da CPA Comissão permanente de acessibilidade e Gemma Pons, Coordenadora da USP/COESF falaram com credibilidade e conhecimento sobre o assunto. Por um lado é necessário garantir o acesso ao patrimônio a todos, por outro lado, como fazer isso sem descaracterizar o patrimônio e o mais difícil ainda, fazer isso em um bem tombado? O mais importante é ser muito flexível e usar toda a criatividade para garantir o acesso a pessoas portadoras de necessidades especiais, isso inclui também algumas situações que todos nós enfrentaremos algum dia, pois todos seremos idosos daqui alguns anos, não é mesmo?

Carlos Faggin, conselheiro do CONDEPHAAT e Ana Beatriz Galvão, do IPHAN falaram sobre a catástrofe que destruiu boa parte do patrimônio de São Luiz do Paraitinga. Muito interessante e essencial as ações de capacitação da população que peneirou toda aquela lama para procurar o acervo e o resultado foi muito produtivo, com a recuperação de partes de muitos objetos museológicos e também gerou uma polêmica: o que foi destruído deverá ser reconstruído de outra forma, por exemplo a Igreja Matriz que era de taipa e que foi destruída, ou deverá respeitar a vontade dos moradores e reconstruir uma Igreja idêntica a que foi destruída?

O que mais me chamou a atenção, sem dúvida foi uma instituição que eu nunca tinha ouvido falar:
O Escudo Azul. Maria Isabel Garcia, do arquivo Histórico Municipal e membro do comitê paulista do Escudo Azul falou com grandeza dessa maravilhosa instituição que foi criada quando um balão que caiu no Centro Cultural São Paulo destruiu parte do acervo e várias pessoas da área, identificaram que era necessário capacitar as pessoas de como agir nessas situações de sinistros, o que salvar primeiro, como salvar e formaram o Escudo Azul, cujos membros são voluntários.

10 de dezembro


Ufa como andei! O último dia foi marcado por visitas técnicas ao canteiro de obras do Teatro Municipal e do Solar da Marquesa.
No Municipal não pudemos tirar fotos, porém a seguir um resumo da ópera:
A conservação e restauração é por materiais (metal, vidro, madeira, etc) e pontual, pois, por exemplo os douramentos tinham diversos tipos de fungos e cada ação tem que ser pontual. Alguns vidros foram trocados e um dos grandes problemas foi o chumbo utilizado nos vitrais, pois o chumbo tem uma vida útil de aproximadamente 70 anos e estava todo deteriorado. A reconstituição da cor da parede original foi interessante: não tem fotos para fazer comparações, porém em algumas revistas antigas a cor das paredes eram descritas como um branco meio sujo, tiveram que retirar toda a tinta que oxidou e estava amarelada aplicada em restaurações antigas. Com certeza o grande desafio foi o arenito, que absorve água da chuva e umidade e nesse caso a degradação é de dentro para fora. O processo foi matar os fungos, retirar a água de dentro e aplicar uma substância isolante. Nos elementos decorativos de arenito, o projeto teve que ser revisto, pois eles perceberam que ao aplicar silicato para isolar os elementos decorativos da água, uma substância que não tem como remover mais, estava modificando as sombras das máscaras, ou seja estava interferindo nas obras. também se falou em chuva ácida e poluição, os vilões dos elementos de cobre.


Já no Solar da Marquesa pudemos tirar muitas fotos e na questão da conservação foi pensado um projeto para demonstrar as diversas mudanças no tipo de construção que São Paulo passou. O Solar era duas casas que se transformaram numa única casa, morou um bispo (a expressão “Reclame ao bispo” rsrsr), pela marquesa e pela Congás que fez diversas intervenções no local.

É interessante a preocupação em não criar o falso histórico, pois foram encontradas diversas pinturas nas paredes, porém se optou por deixar apenas os fragmentos encontrados e não reconstituir algo que eles não sabiam como era realmente.

Pudemos encontrar na casa diversas paredes que os responsáveis pela obra deixaram de propósito expostas para demonstrar os diversos tipos de constituição da casa ao longo dos anos e as transformações pelas quais São Paulo passou: foram encontradas paredes de pau-a-pique, 3 tipos diferentes de taipa, alvenaria, entre outros.

Duas observações: um dos vilões em comum do Teatro Municipal e do Solar da Marquesa foi o ilustre e terrível cupim e gente, como tinha arquiteto nesse evento!

Um detalhe interessante, na caminhada do Teatro Municipal até o Solar da Marquesa foi encontrar essa obra de Di Cavalcanti no Edifício Triângulo


Sei que escrevi muito, mas quis compartilhar um pouco com vocês e maiores informações sobre os assuntos abordados no evento vocês encontram nos sites abaixo:

http://www.escudoazul.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/pessoa_com_deficiencia/cpa/index.php?p=16265

http://www.museudacidade.sp.gov.br/solardamarquesadesantos.php

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/teatromunicipal/

http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaInicial.do;jsessionid=94B0AA9944C2F9070E0CE026155B7A5C

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/conpresp/

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/habitacao/cohab/

http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.fe8f17d002247c2c53bbcfeae2308ca0/?vgnextoid=963c6ed1306b0210VgnVCM1000002e03c80aRCRD

http://www.novaluzsp.com.br

bjus,

Cris