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sábado, 25 de junho de 2011

Moeda criativa - O artesanato como vitrine de Cipotânea (MG) na Festa do Milho

O artesanato como vitrine de Cipotânea na Festa do Milho
DA REDAÇÃO - Editoria Região - 25/06/11 - 07h45
 
O artesanato como vitrine de Cipotânea na Festa do Milho
O artesanato como vitrine de Cipotânea na Festa do Milho
Geraldo Trindade
Aproximando a Festa do Milho na cidade de Cipotânea, que terá neste ano de 2011 sua 29ª edição convido-os a se deter sobre o artesanato como fonte de sobrevivência para muitos, que lá vivem.
A atividade artesanal é muito antiga, há pelo menos meio milhão de anos o homem já fazia uso do fogo e sabia fabricar instrumentos.
No Brasil, nos primeiros anos de colonização foram instaladas oficinas artesanais, onde os artesãos tiveram o ensejo de desenvolverem suas habilidades. Através da Carta Régia de José I destruiu-se as oficinas e os artesãos são declarados fora da lei. Maria I seguiu a mesma atitude e perseguiu todas as formas artesanais do Brasil. Esta situação só se reverteu com a carta régia do príncipe Dom João em 1808, que anulou os alvarás proibidos de sua mãe e autorizou a atividade industrial caseira.
Inicialmente o que caracteriza o artesanato é a transformação da matéria-prima em objetos úteis, por meio de tradição familiar ou comunitária. O artesão é que faz esses objetos, ele utiliza da inteligência e de sua capacidade de criar e inovar, estabelecendo uma ligação inovadora entre o passado e o presente, possibilitando as gerações posteriores terem acesso a técnicas e experiências acumuladas no passado.
O artesanato é eminentemente uma manifestação comunitária. Em um primeiro momento os objetos produzidos têm uma função utilitária para o próprio artesão. Ele é também prático, pois surge da necessidade, além de sua aprendizagem se dar pela imitação, ou seja, vendo-se trabalhar.
O artesanato abrange valores importantes em nossa sociedade: social, possibilitando melhores condições de vida aos artesãos e funciona como elemento de equilíbrio social; artístico porque cada peça feita a mão é única, não se confunde com outra, mas é criada a partir da criatividade criadora do artesão-artista; pedagógico, possibilitando meios para a educação; moral, já que propicia ao aperfeiçoamento espiritual e moral do artesão, afastando de vícios e delinqüências; terapêutico, pois abranda a hostilidade e a personalidade agitada ou outros desvios; cultural porque por meio da peça têm-se traços da cultura, das tradições, dos símbolos, das crenças; e, psicológico, já que o artesão se sente valorizado com sua arte porque faz objetos que têm serventia.
Em Cipotânea o artesanato remete à figura do Pe. José Geraldo das Mercês, que se tornou pároco da referida cidade em 1939. Homem simples, alto, batina velha e gestos simples, de cabelos despenteados, mas com um largo e simpático sorriso estampado no rosto. Conhecida é a história de um mendigo, que ao pedir-lhe uma esmola, recebe deste a bolsa de dinheiro, mas que estava desprovida sem nem mesmo o padre saber. O pobre senhor, vendo a situação, tirou o pouco que tinha e depositou na bolsa. O padre sem saber, recebe a bolsa e sai satisfeito.
Além das lições de humildade e pobreza vividas por Pe. José Geraldo e que ficaram gravadas na memória dos cipotaneanos, seu ministério enriqueceu a cidade em outros aspectos, dentre eles: o artesanato e a devoção à São Caetano.
O sacerdote observara que o trabalho artesanal com a palha do milho efetuado naquela época somente por mulheres garantia um aumento na renda familiar. Porém, cada cesta era vendida por uma bagatela. No entanto, hoje as peças são vendidas baratas, favorecendo mais o atravessador. Padre José Geraldo chegava até mesmo a comprar o artesanato para estimular a confecção daquilo que muito tempo depois seria a salvação rentável de muitas famílias cipotaneanas.
A outra obra há ser ressaltada é a devoção à São Caetano, que Pe. José Geraldo admirava e conhecera a fundo por meio do estudo da biografia do santo da Divina Providência. Dia 7 de agosto está marcado no imaginário de todo cipotaneano de nascimento ou de coração.
De fato, em Cipotânea, a palha de milho virou moeda de troca e o artesanato proveniente da perspicácia e da criatividade dos xopotoenses virou tradição e cultura de um povo que não tem muito medo, mas segue em frente na esperança de que o futuro se entrelace com seus sonhos grandiosos e animadores.
NOTA DA REDAÇÃO: Geraldo Trindade é Bacharel em Filosofia pela FAM, mantém o blog: http://www.pensarparalelo.blogspot.com
O artesanato como vitrine de Cipotânea na Festa do Milho
A atividade artesanal é muito antiga, há pelo menos meio milhão de anos ...
O artesanato como vitrine de Cipotânea na Festa do Milho
...o homem já fazia uso do fogo e sabia fabricar instrumentos.



cidade com 6000 habitantes -
fonte:
http://www.barbacenaonline.com.br/noticias.php?c=6464&inf=37

Mazé Leite: O Brasil no ranking mundial de museus


Há dois meses, a revista britânica The Art Newspaper divulgou o resultado de uma pesquisa anual sobre o número de visitas a museus e exposições de arte mais visitados do mundo. Pela primeira vez, o Brasil ganha destaque entre as exposições e museus mais visitados do mundo, como a exposição “O Mundo Mágico de Escher” que atingiu um milhão de visitantes, somando Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo.

Por Mazé Leite

CCBB em São Paulo

Esta notícia é realmente surpreendente, mas – pode-se dizer – previsível, dentro do novo quadro político e social que atravessa o Brasil, desde que surgiu como uma das potências que crescem no mundo de hoje. O Brasil pós-presidente Lula, é o país onde o desemprego diminuiu, onde mais de vinte milhões de brasileiros tiveram alguma ascensão social, onde vemos aeroportos lotados de gente que “nunca antes na história deste país” tinha viajado de avião.

E é também, agora, o país onde seus museus passam a ser os mais frequentados do mundo!

As informações sobre o Brasil foram fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/Ministério da Cultura) à revista inglesa The Art Newspaper, especializada em artes. Claro está que o Museu do Louvre de Paris, o British Museum de Londres e o Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque ocupam os três primeiros lugares, mas o Centro Cultural Banco do Brasil ocupa o 14º, à frente de museus como o Reina Sofia de Madri e o Tate Britain de Londres, só para ficar em dois exemplos.

Nosso país agora também é reconhecido como detentor de cinco dos museus de arte mais visitados do mundo: os CCBB do Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, o MASP e a Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Essa pesquisa tem uma importância que não pode ser desprezada e só demonstra – mais uma vez – a altíssima importância que a Arte tem para as pessoas. Mesmo que apenas São Paulo, Rio e Brasília se destaquem nesse cenário mundial, é preciso reconhecer que os números da economia brasileira, favoráveis à prosperidade econômica de mais pessoas, sejam responsáveis pelo fato de que verdadeiras multidões queiram ir a museus e exposições, buscar preencher sua alma com o imenso prazer estético que as artes podem dar... Sim, o povo brasileiro é um povo que aspira crescimento econômico, mas aspira também a ver seu direito básico do acesso à cultura e às artes, garantido, incentivado, realizado!

Mais uma vez é preciso dizer que o governo brasileiro precisa – com urgência cada vez maior, dada a extrema importância das artes – investir mais do seu orçamento no setor! Fruição de Arte – da boa arte – não é um bem supérfluo ou destinado apenas aos endinheirados, ou a essa elite que se julga a única capaz de se emocionar com a 9ª Sinfonia de Beethoven ou com a música de Bach; ou com os quadros de Caravaggio, Rembrandt, Rubens, Cézanne; ou com as esculturas de Michelangelo, Bernini, Aleijadinho; ou com o teatro de Shakespeare, Molière e Artaud; ou com a literatura de Dostoievski, Goethe, Dante Alighieri, Balzac, Victor Hugo, Kafka; ou com a poesia de Camões, Walt Whitman, Fernando Pessoa, Carlos Drumond de Andrade...

Mais uma vez: é Direito do cidadão e Dever do Estado o acesso à Cultura. Mais uma vez: a crescente privatização – que se vê – desses espaços de produção, fruição e consumo de arte, é prejudicial à democratização do acesso a elas, e precisamos ampliar cada vez mais as filas dos brasileiros nas portas de teatros, cinemas, casas de show, centros culturais, museus, bibliotecas!

Não podemos esquecer que o Brasil possui quase três mil municípios que não têm um único centro cultural, um único museu! E que, por esse e por inúmeros outros motivos, o Estado brasileiro precisa investir em Arte, e apoiar os artistas.

Há milhões de músicos, atores, palhaços, cantores, cantadores, poetas, escritores, pintores, escultores, produtores de cultura espalhados por este imenso país sonhando com o dia em que a sua obra seja exposta de algum jeito à fruição pública e que ele – artista – veja que todo o esforço diário sobre o cavalete, o livro, a lona, o palco, a caneta... não foi em vão, pois chegou o grande momento em que ele pode abraçar e ser abraçado por seu povo, reconhecido pela beleza do que produz, pelo prazer que gera com o que cria, pela vida que dá, com a sua Arte.

Até chegar o dia em que a Arte brasileira também estará no topo do mundo!



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