quarta-feira, 6 de julho de 2011

Exposições mostram a imagem da pobreza ao longo da História


A pobreza faz parte de todas as sociedades, mas a maneira como os pobres são tratados mudou ao longo dos tempos. Esse é o ponto central de duas exposições em Trier, na Alemanha.

 
A questão da pobreza é tão polêmica hoje quanto há milhares de anos, mas o que mudou foi o ponto de vista sobre o assunto. Numa grande exposição, o Museu da Cidade de Trier (Stadtmuseum Simeonstift Trier) e o Museu Estadual Renano de Trier (Rheinische Landesmuseum Trier) mostram como o tratamento dado à pobreza se modificou ao longo dos últimos 3.000 anos na Europa.
Pobres como caricaturas
O Rheinische Landesmuseum se dedica ao tema da pobreza na Antiguidade. Achados arqueológicos da Grécia e do Egito e do Império Romano documentam que, na época, a pobreza era considerada algo abominável e culpa própria, e era também motivo de escárnio.
Segundo o guia da exposição, Frank Unruh, os "pobres eram representados como anões engraçados, que brincavam com macacos do mesmo tamanho que eles; ou eram mostrados como pessoas com deficiências físicas que não correspondiam ao ideal saudável e, portanto, acabavam nas ruas".
Cidadãos ricos encomendavam tais figuras em bronze para tê-las como objetos de decoração em seu entorno. "A esse respeito, é difícil imaginar uma sociedade ainda mais repugnante", resumiu o arqueólogo.
O destaque da seção "Pobreza no Mundo Antigo" é todavia uma escultura em tamanho real que mostra uma idosa embriagada. Ela abraça uma jarra de vinho – uma cena de uma antiga festa que celebrava a bebida e era patrocinada pelos soberanos que, pelo prazer da "caridade", também permitiam a participação de pobres em tal festival. A figura em tamanho natural consterna o observador, pois o foco ali não está nos pobres e na sua situação de vida, mas no tratamento impiedoso que recebido pela cultura ocidental.
A imagem da pobreza
Perspectivas na arte e na sociedade – assim se intitula a exposição. Ela se baseia num amplo projeto de pesquisa interdisciplinar da Universidade de Trier sobre o tema alienação e pobreza.
Desde 2002, cientistas das áreas de História, História da Arte, Direito e Sociologia ocupam-se com questões em torno do tratamento e da solidariedade com os pobres atualmente. Migração, globalização e o questionamento das redes sociais se tornaram um campo central da discussão pública.
Pobreza na arte
A principal parte da exposição está no Museu da Cidade de Trier. Ali estão expostos 160 objetos desde a Idade Média, passando pelo período barroco até os dias de hoje: são pinturas, esculturas, trabalhos fotográficos e instalações sobre o tema pobreza provenientes de mais de 40 museus europeus, incluindo obras de Pieter Brueghel, Max Liebermann, Karl Hofer e Pablo Picasso.
A arte contemporânea está representada por Karin Powser, Christoph Schlingensief e Albrecht Wild. A exposição não segue uma cronologia, mas está dividida em cinco "perspectivas", em diferentes formas de ver o tema da "pobreza". Estas são a "Documentação", o "Apelo", e as seções "Ideal", "Estigma" e "Reforma".
Cada perspectiva é associada a uma cor de parede diferente, o que facilita a orientação e a classificação temática das obras de arte. Os objetos mostram o longo caminho percorrido desde o desprezo pelos pobres até o reconhecimento de sua dignidade e seu direito de participar do convívio social.
A arte como apelo
Desde a propagação do cristianismo, os pobres são considerados como parte da sociedade. A compaixão se tornou um dever. Obras como as pinturas em grande formato de Hans e Paul Vredeman de Vries Justiça e injustiça, de 1594/95, o retábuloCompartilhamento do manto, de 1502, ou a obra de Pieter Brueghel Os sete atos de misericórdia ilustram o dever de cuidar dos pobres.
No século 20, a responsabilidade pelos pobres passou a ocupar o primeiro plano. "Aqui estão principalmente trabalhos da década de 1920, como, por exemplo, de Max Beckmann, Käthe Kollwitz e Ernst Barlach", explicou Sonja Missfeldt, curadora da exposição no Museu da Cidade de Trier.
Segundo Missfeldt, "todos esses artistas se ocuparam bastante, de forma social e crítica, com o tema da pobreza. Eles questionaram a suposta década de ouro dos anos de 1920 e mostraram que nem tudo transcorria bem naquela época". Entre as obras expostas, estão a litografia A fome, de Max Beckmann, a escultura O grupo de famintos, de Ernst Barlach ou também cartazes com pedidos de doações.
Estranhos e pobreza
Escultura de Albrecht Wild: um mendingo pede esmolaEscultura de Albrecht Wild: um mendingo pede esmolaA noção de que a pobreza é culpa própria e que estranhos e necessitados devem ser tratados com suspeita está tão atual quanto nunca. A seção "Estigma" aborda tais exclusões. Ali se veem caricaturas que mostram a estigmatização de determinadas parcelas da população, mas também de comunidades religiosas. "Uma placa de alerta para ciganos" do século 17 servia para impedir que ciganos ultrapassassem as fronteiras de uma cidade onde não eram bem-vindos. Para Sonja Missfeldt, "o caráter estranho sempre significou um grande risco de pobreza".
Todo o segundo andar da exposição é dedicado ao tema da "redução da pobreza". As seções "Estigma" e "Reforma" se entrelaçam. As obras Mesa de Caridade, do século 16 ou o Pátio do orfanato em Amsterdã, de Max Liebermann – todos esses objetos documentam tentativas de combater a pobreza e a indigência.
No final da mostra, uma escultura provoca irritação. Apoiada quase na quina da parede da sala, encontra-se uma escultura de Albrecht Wild, em tamanho natural e bastante realista – um mendigo sentado e alguns trocados espalhados pelo chão.
Trata-se de esmolas jogadas por visitantes da exposição para o suposto mendigo. Sonja Missfeldt tira uma primeira conclusão: "Em si, as reações são muito positivas. Nós temos muitos visitantes e o tema desperta, aparentemente, grande interesse."
Autora: Gudrun Stegen (ca)
Revisão: Nádia Pontes

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Curso de teoria museológica é realizado em Itu


As aulas serão ministradas por Emerson Ribeiro Castilho.
Museu da Música – Itu, por meio do Instituto Cultural da cidade, promoverá o primeiro módulo de um curso de teoria museológica entre os dias 27 e 29 de julho, das 13 às 18 horas. Clique aqui para conferir a programação completa
Uma das metas do treinamento, que é aberto a toda a comunidade interessada no tema, é discutir as teorias e ampliar a formação de técnicos em museus. O curso não exige formação na área.
O responsável pelo projeto é o museólogo ituano, Emerson Ribeiro Castilho, que atualmente está encerrando o Mestrado (UNIRIO) na área. Castilho possui bastante intimidade com as discussões mais recentes sobre a teoria museológica, tema que pretende abordar em contraponto a outras visões. 
O curso conta com apoio do Colégio Almeida Júnior, que abrigará o evento, e do portal Itu.com.br.  
Inscrições
O valor para se cadastrar no curso é de R$ 50 (R$ 40 para funcionários de museus e estudantes de graduação). As inscrições podem ser feitas através do preenchimento do formulário, que deve ser enviado posteriormente para o e-mail museudamusica@itu.com.br. Ou diretamente na sede do Museu. Os cadastros ficam abertos até o dia 22 de julho.
Curso de teoria museológica
O curso de teoria museológica, neste primeiro módulo, abrange os princípios básicos da museologia; tem como meta apresentar em linhas gerais o conceito museu e suas principais funções, explicar o surgimento da Museologia como campo disciplinar e os movimentos que resultaram no seu processo de consolidação.
Emerson Ribeiro Castilho
Museólogo formado pela Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO (2008). Tem experiência na área de Museologia, com ênfase em Museografia, Comunicação, Educação, Artes e Conservação.
Atualmente, é graduando do curso de História (UNIRIO), e mestrando da quinta turma do Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio PPG-PMUS.
Trabalha desde 2003 ligado a diversas instituições culturais cariocas, tais como: Instituto Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Fundação Eva Klabin (FEK), Museu Histórico Nacional, Museu Nacional de Belas Artes, Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro (CCBB-RJ), Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Instituto Oi Futuro, entre outras.

Participou do último encontro do Comitê de Museologia do ICOM para América Latina e Caribe – ICOFOMLAM, em Buenos Aires (2010) com a apresentação e publicação da pesquisa: Abordagens do Museu como Ato Criativo: Museu de Artes de São Paulo – Gênese e Lugar na Museologia Brasileira.
Museu da Música – Itu
Criado em 2007, o espaço pretende desencadear na região do Médio Tietê ações museológicas de pesquisa, preservação e comunicação dos referenciais musicais das diversas comunidades, contribuindo para o fortalecimento da cultura local, e consequentemente da cidadania, no encontro com seu passado e reconhecimento de seu papel social. O museu tem em seu acervo partituras, imagens e gravações que permitem o acesso das comunidades à sua memória musical. O espaço fica localizado na rua Floriano Peixoto, 480, Itu.

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