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sábado, 23 de julho de 2011

Bienal de São Paulo convoca população para criar identidade visual

A identidade visual da 30ª Bienal de São Paulo, que acontece em setembro de 2012, será criada por um coletivo de artistas que será selecionado por meio de inscrições na internet abertas a todos os interessados, desde que sejam maiores de idade e residentes no Brasil.

Em uma iniciativa inédita da Fundação Bienal anunciada na manhã desta quarta-feira (20/7), em São Paulo, o grupo que criará o material de comunicação da mostra, que inclui o cartaz, catálogos, guias, site e aplicativos para celulares e tablets, será escolhido através de um processo seletivo que não se limita a designers ou artistas plásticos.
As incrições serão abertas em 1º de agosto, no site www.bienal.org.br, e terminam em 2 de setembro. Os participantes terão de apresentar uma proposta de trabalho, que inclui imagens de referência, um texto conceitual e uma proposta de desenvolvimento, além de um currículo resumido.
Serão escolhidas 12 pessoas por uma equipe que inclui os curadores da 30 Bienal – Luis Perez-Oramas, André Severo, Tobi Maier e Isabela Villanueva -, o curador do projeto educacional e um representante da área de design e comunicação da Fundação Bienal. Também participam do grupo de avaliação os designers brasileiros Elaine Ramos, Daniel Trench e Jair de Souza e a dupla de designers holandeses Armand Mevis e Linda Van Deursen.
“A iniciativa da convocatória é fruto da proposta curatorial da 30 Bienal, cujo tema é “A iminência das poéticas”. A seleção tem como fim não a escolha de um projeto vencedor, mas sim a participação em workshop no qual o coletivo criará a identidade visual desta exposição”, explicou André Stolarski, coordenador geral de comunicação da Fundação Bienal, sobre a iniciativa que subverte a tradição dos concursos de cartazes realizados em várias edições da mostra para criar um processo de criação coletiva aberto à sociedade e em diálogo constante com curadoria da mostra.
As doze pessoas escolhidas irão participar de um workshop entre os dias 3 e 7 de outubro no Centro Universitário do Senac em São Paulo, sob a orientação da mesma equipe responsável pela seleção dos projetos inscritos. A participação será remunerada por um valor ainda não definido e todos os participantes, inclusive os orietadores, serão creditados como autores. Deste encontro entre os selecionados, os curadores da Bienal e os designers convidados, surgirá a identidade visual da exposição, que inclui material de divulgação impresso, espacial, publicitário e online.
“A identidade visual da Bienal também é uma plataforma poética. É por meio dela que a mostra fala e se apresenta ao mundo. Seria uma contradição não conceber a identidade visual desta Bienal em conjunto com seu tema. Também entendemos que a Bienal acontece no Brasil e temos que começar falando com o lugar, com a sociedade brasileira, em vez de impor uma ideia. A conovocatória é uma forma de materializar a polifonia que caracteriza a arte contemporânea. A soma dos encontros é o que vai produzir esta Bienal”, afirma o curador-chefe da mostra, Luiz Perez-Oramas.

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Reunião para criar o Museu do Imigrante da Região Serrana


- Associação de Amigos do Museu e programa para discutir a importância do espaço

Nesta terça-feira, interessados na instalação do Museu do Imigrante da Região Serrana se encontraram no Hotel Várzea para discutir as ações necessárias para a implantação do museu, já aprovado em lei estadual desde 2002 e uma das promessas do governo do Estado dentro dos projetos de investimentos nas cidades afetadas pelas chuvas de janeiro. Participaram do encontro, Elenora Nobre e Luciene Figueiredo, da Superintendência de Museus (SMU); Lúcia Ibrahim, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram); Márcia Bibiane, da Secretaria de Museus do Estado; Morgana Eneile, assessora do Ministério da Cultura; Edite Sidi e Marcio de Paula, da Soarte; Regina Rebello, do serviço de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do município, o ex-secretário de Cultura de Teresópolis Wanderley Peres, responsável pelo Pró-Memória Teresópolis e o autor da lei que instituiu o Mires, deputado Nilton Salomão.

Além de compartilhar conhecimentos sobre as potencialidades do novo espaço cultural, o grupo também decidiu a realização de um seminário, programado para o dia 1 de outubro, onde serão expostos painéis que provocarão o interesse do público para a questão da memória regional e a criação de uma associação de amigos do museu. “Mais do que o acervo das famílias de imigrantes, Teresópolis tem ainda viva a memória desses imigrantes, então é preciso criar um grupo de trabalho para poder identificar como aconteceu essa imigração para Teresópolis, como vieram os italianos, os alemães, os suíços, quando eles chegaram, quem são os descendentes destas famílias... É muito comum encontrarmos uma pessoa com um sobrenome e ela não sabe a sua origem. Fazer o teresopolitano conhecer-se como parte da história de um município será o grande ganho social e cultural que esse museu vai oferecer”, lembrou Wanderley Peres, que toca o projeto Pró-Memória Teresópolis.

Segundo Morgana Eneile, do Ibram, o Ministério da Cultura tem várias linhas de atuação de apoio criação de novos museus principalmente em cidades e regiões onde eles ainda não estão devidamente instalados enquanto equipamentos, que é o caso de Teresópolis que até hoje não tem um espaço museológico de fato. “Creio que dentro da proposta de expansão de museus no país já seria de interesse do Ministério e da nossa instituição vinculada ao Instituto Brasileiro de Museus apoiar essa iniciativa dos moradores da cidade, dos vários interessados na criação do museu”, lembrou.

Esquecido por falta de vontade política, o Museu do Imigrante, está instituído por lei estadual desde 2002, projeto de lei do deputado Salomão. “A importância desse museu é primeiro preservar a história, permitir que jovens, alunos conheçam com mais detalhes a história da Região Serrana, mas ele tem um grande objetivo na área da economia, fazer com que Teresópolis se consolide cada vez mais como uma cidade distribuidora de turismo na região serrana. Hoje nas discussões nós vimos um outro ganho extraordinário que será a valorização e o exercício da cidadania a partir do conhecimento da história e com esse conhecimento, a preservação da cidade, o aumento do sentimento crítico de preservação ambiental, da história, então vivemos um dia histórico porque tivemos aqui o governo federal, o governo do estado e representantes da cultura de Teresópolis”, disse, lembrando que um dos espaços sugeridos para o Mires seria o prédio quase centenário do Hotel Várzea, sítio histórico de Teresópolis já tombado pela municipalidade.

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Museu de Angra inaugura exposição Faces da Moeda

A mostra poderá ser visitada até 16 de Outubro, na sala do Capítulo, no Museu de Angra do Heroísmo.

O Museu de Angra do Heroísmo promove hoje, pelas 17h00, o lançamento do catálogo da exposição intitulada “Faces da Moeda”, que se encontra patente na Sala do Capítulo desde 16 de Junho e poderá ser visitada até 16 de Outubro.
Na mesma ocasião, terá ainda lugar uma visita comentada à mesma exposição, realizada pelos numismatas do Núcleo Filatélico de Angra de Heroísmo, sendo as moedas expostas pretexto para uma conversa sobre as muitas histórias a elas associadas.
Os textos que compõem o referido catálogo abordam diferentes aspectos desta temática. Assim, o texto introdutório, da autoria da economista Paula Quadros, aborda a evolução dos valores económico e simbólico da moeda. Por sua vez, os textos de Helena Ormonde, directora do Museu de Angra do Heroísmo, e de Francisco Maduro-Dias, conservador responsável pela exposição em causa, dão conta do significado patrimonial das peças expostas, seleccionadas como as mais representativas de uma colecção de numismática adquirida em 2010.
De facto, estas evocam as dinâmicas e as problemáticas inerentes à vida material e económica dos Açores, ilustrando a vastidão de relações, percursos e vizinhanças de que a vida nestas ilhas tem sido construída, desde o povoamento.A exposição Faces da Moeda reveste-se de particular pertinência, já que Angra foi o único local dos arquipélagos atlânticos do Espaço Português a assistir à produção de moeda metálica por quase todos os principais processos, num longo percurso que começa logo no século XVI, com D. António I, o Prior do Crato, e vem até finais do século XIX, com as lutas liberais e as crises de oitocentos.

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Preservar a memória

A cultura brasileira saiu engrandecida com a realização da última semana nacional de museus, cuja atenção maior foi voltada para o tema "Museu e Memória". Engajaram-se no evento 994 instituições culturais do País, distribuídas por 502 municípios, sendo 356 estreantes, numa demonstração inequívoca do crescimento da iniciativa do Ministério da Cultura e do Instituto Brasileiro de Museus.

Esse esforço para tornar os museus instituições culturais atuantes se completou com as atenções dedicadas à memória nacional, relegada a plano inferior pela ausência de uma compreensão maior sobre o seu papel na preservação da cultura e da história dos povos. Nesse campo, o Brasil avançou quando, em 1937, o governo criou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), embora, nas gestões seguintes, tenha se verificado estagnação no setor.

O projeto concebido pelo então ministro da Educação, Gustavo Capanema, assessorado por uma equipe de vanguarda, deslanchou com o peso de grandes intelectuais no período, mas refluiu na conturbada política do pós-guerra. Entretanto, a semente bem plantada vingou preservando, embora parcialmente, um patrimônio vasto, fruto da diversidade da cultura nacional, livrando o País do risco de perder sua memória.

Mesmo tolhido pela burocracia, o Iphan mantém os vestígios materiais dos diversos ciclos evolutivos do País, resguardando seus valores e fomentando escolas encarregadas de repensar sua missão ao longo do tempo. Agora, o Ministério da Cultura tenta abrir, em versões pioneiras como a do Iphan, novos caminhos para os museus disseminados pelas diversas regiões brasileiras e difundir a consciência cívica para a preservação da memória nacional.

O Ceará tem sido palco, nos últimos dias, de fatos significativos nesse campo. Embora seus sítios históricos tombados reflitam a civilização do Couro, sem o fausto encontrado nas civilizações do Açúcar e do Ouro, nem por isso, seus monumentos deixam de merecer a ingente tarefa da preservação. É o que acaba de ocorrer em Icó, onde o Iphan, esgotados todos os recursos persuasivos para interromper a descaracterização de algumas edificações do centro da cidade, se viu obrigado a recorrer à Justiça e ganhou a causa.

Os proprietários dos imóveis descaracterizados se viram obrigados a desfazer as reformas "modernosas" e a restabelecer o padrão habitacional dos bens tombados. A decisão judicial alertou os demais proprietários de habitações tombadas como patrimônio histórico e artístico nacional, particularidade nem sempre levada em consideração por eles. Para a cidade, ficou também a lição do dever coletivo dos habitantes em relação às marcas históricas do Ceará de outrora.

Outro fato relevante ocorreu em Várzea Alegre, onde a Secretaria de Cultura do Estado e a Prefeitura local estão garantindo a preservação do acervo do padre Antônio Vieira, abrigando-o num centro cultural, com museu e biblioteca. Já foram iniciados os trabalhos de catalogação da obra desse intelectual, falecido em 2003, um exemplo a ser seguido por outros municípios antes que seus filhos ilustres caiam no esquecimento.


fonte:
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1015308