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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

EDITAL PARA BOLSAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA



EDITAL no. 12/2011 – Projeto  O Corpo, entre Arte e Medicina: um
levantamento iconográfico e bibliográfico:  Edital de Processo Seletivo para
concessão de Bolsas de Iniciação Científica.

A Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo – FapUNIFESP, com o objetivo de apoiar o projeto O Corpo, entre Arte e Medicina: um levantamento iconográfico e bibliográfico, torna pública a abertura da inscrição destinada a selecionar 4 (quatro) bolsistas de Iniciação Científica, pelo período de 1
(hum) ano cada, conforme segue: 3 (três) bolsas para o campus Guarulhos e 1 (uma) para o campus São Paulo.

1. Público-Alvo: Estudantes da Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
e da Escola Paulista de Medicina.

2. Valor da bolsa: R$ 360,00 (trezentos e sessenta reais) ao mês.

3. Coordenador do Projeto:  Prof. Dr. Osvaldo Fontes Filho – Departamento
de História da Arte/Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – UNIFESP.

4. Natureza do Projeto
Investigação dos modos pelos quais as artes visuais e o saber médico pensam e representam o corpo em diferentes momentos da história moderna e contemporânea. O motivo do corpo, onipresente nas construções do imaginário e do intelecto, solicita conhecimentos de natureza  variada. Razão porque será solicitado dos alunos-bolsistas o percurso por uma  bibliografia heterogênea, interrogativa do corpo em seus protocolos imagéticos e conceituais: textos de história da arte e da medicina, de antropologia, de sociologia, de
psicologia/psicanálise, de literatura e de filosofia. À pesquisa de tal textualidade, onde o corpo é assumido na diversidade de seus motivos (paixões, sensações, obsessões, patologias e estetismos de toda ordem),
acrescentar-se-á a solicitação por uma ampla documentação iconográfica: dos tratados renascentistas de anatomia aos documentos  de uma recente corporeidade virtualizada. No envolvimento, pois, com fontes imagéticas e textuais tributárias de saberes diversos, tratar-se-á de focalizar a profícua, e ainda pouco explorada, história de colaborações entre representação artística e investigação médica. O escopo último da pesquisa será o de produzir uma síntese da cultura visual (na forma de um banco de  imagens digitalizadas) em torno do corpo, de suas evidenciações científicas a certas apropriações artísticas, passando pelos múltiplos protocolos sociais de sua normalização/normatização, idealização, anatemização, espetacularização. A pesquisa abriga assim tanto modos de representações do universo da Medicina nas Artes Visuais quanto as contribuições do saber  médico para o imaginário contemporâneo em torno do corpo. Assim caracterizado, o Projeto atuará em três frentes de trabalho: a. Lições de anatomia: o corpo nascente da ciência O primeiro aluno-bolsista será solicitado a examinar a nova cultura visual surgida entre os séculos XV e XVII em torno da ciência da anatomia.  Para tanto, importará inicialmente identificar na iconografia de fundo vesaliano os estilemas visuais ─ gestualidades e disposições espaciais ─ mais recorrentes de
uma transferência simbólica entre a corporeidade aristotélica dos medievais e a corporeidade perspéctica própria às modernas exigências de racionalidade e de experimentação. Serão assim evidenciados novos dispositivos de espacialidade: procedimentos de disposição dos corpos, de sua decupagem, em favor de
representações sintéticas; técnicas de transparência e de detalhamento; modos diagramáticos próprios a ilustrar princípios estruturais, mecânicos e fisiológicos. Em vista do conseqüente repertório imagético produzido, o aluno será instado a caracterizar metamorfoses do olhar, a identificar situações escópicas próprias a uma nascente: interpretação analítica do real.
 
b. Fisiognomonias e patognomonias: o corpo de paixões e dor O segundo aluno-bolsista será solicitado a percorrer sistemáticas de representação do patológico entre os séculos XVII e XIX.  Em território
relativamente inexplorado, aquele das metamorfoses  históricas da pele como superfície de projeção das paixões e, consequentemente, das linguagens visuais, seu esforço será o de repertoriar a ampla  cultura visual desenvolvida em torno dos estudos fisiognomônicos. A partir das teorias de Charles Le Brun,
Johann Caspar Lavater, Franz Joseph Gall e Johann Gaspar Spurzheim, o aluno procurará pelos indícios de um saber que emigra das artes figurativas e dos estudos de fisiologia diretamente para a patognomonia, para a frenologia e para a criminologia, ciências que nascem no século XIX em torno de figuras como
Cesare Lombroso, François Galton, Alphonse Bertillon.  Observará, ainda, como a ciência da primatologia de Petrus Camper ou as teorias da evolução de Darwin e de Lamarck influenciaram amplamente o imaginário  do século XIX. Por fim, nas nascentes terapias da histeria e da alienação de Philippe Pinel, Jean-Etienne
Dominique Esquirol e Jean-Martin Charcot, dentre outros, o aluno reconhecerá e repertoriará rica iconografia, amplamente tributária do registro fotográfico do corpo.

c. Corpos des-organizados, nos modernos e pós-modernos O terceiro aluno-bolsista será solicitado a repertoriar os usos por parte da arte mais recente de modernas tecnologias de imagem médicas. Procurará analisar as implicações filosófico-antropológicas de uma ênfase por parte das artes performáticas e da videoarte no acesso à interioridade orgânica. O diálogo sustentado com a imagética e as técnicas da Medicina moderna tem levado a arte contemporânea a repensar o estatuto cultural do corpo em suas
vicissitudes fisiológicas. Renovados rituais de evocação da corporeidade  mostram-na  ambivalente,  fluida, protética, tributária algo delirante das novíssimas tecnologias de escopia e de intervenção  das ciências médicas. O aluno procurará, pois, observar como a recente imagética do corpo é influenciada pelos novos modos de representação na  ciência: corpos monstruosos, referência aos desenvolvimentos da engenharia genética; mutilações e dissecações potencialmente ofensivas proposta em sua espetacularidade. Assim, serão visados modos de discriminar entre o simples apelo à eficácia cênica e as prerrogativas de um olhar afeito ao histórico de uma ciência meticulosa das dissecações. Por fim, o aluno procederá ao levantamento
de uma iconografia em clara desafecção dos discursos museológicos e dos contextos academicamente neutralizados: imagens de um corpo contemporâneo em nada afeito aos protocolos de estetização comumente mobilizados pela historiografia de arte.

5. Perfil do candidato ─ estar regularmente matriculado em um dos cursos de graduação do campus
Guarulhos ou da Escola Paulista de Medicina (EPM);
─ não ter bolsa concedida por outro órgão de fomento;
─ possuir habilidade de navegação em internet e em tratamento de imagens;
─ ter interesse em algum dos seguintes temas: história da arte e/ou da medicina, representações do corpo nas artes visuais e/ou nas ciências, antropologia visual, filosofia da arte e da ciência, ética da contemporaneidade,
tecnologias do olhar clínico, percepções do corpo enfermo e/ou anormal, invenção e representação do corpo somático, normas sócio-culturais do corpo e seus desvios, história e antropologia culturais das patologias, história políticosocial do corpo, tecnologias da imagem em saúde.
 
6. Atribuições do bolsista
─ levantamento bibliográfico e iconográfico em bases de dados, na rede Web e em bibliotecas universitárias;
─ elaboração de um banco de dados informatizado e disposição de um protocolo de buscas adaptado ao caráter pluridisciplinar da pesquisa;
─ participação regular nas atividades do grupo de pesquisa  Grafias e Iconografias do Corpo  (grupo formalmente inscrito no Diretório de Grupos  de Pesquisa do CNPq);
─ participação em reuniões periódicas com a coordenação do projeto;
─ organização de exposições regulares nos campi Guarulhos, Vila Clementino;
─ redação de ensaios para publicação em revistas de produção discente;
─ redação, ao término da bolsa, de Relatório Final de pesquisa.

7. Da Documentação e dos Procedimentos
O candidato deverá enviar para o e-mail  corpo@fapunifesp.edu.br:
─ Histórico Escolar UNIFESP (versão on-line)
─ Texto em formato Word 2003 de 1 a 2 páginas, digitado em espaço 1,5 (Times New Roman 12), contendo o nome do estudante, o curso de origem, o ano de ingresso,  e-mail e telefone para contato. O texto deve, inicialmente, justificar o interesse do candidato pela temática apresentada no Projeto
http://www.fapunifesp.edu.br/pdf/bolsaIcUnifesp.pdf .

em seguida, ao assinalar a Frente de Trabalho a que se candidata, o aluno deve argumentar teoricamente
sobre os motivos de sua escolha.

8. Do cronograma do processo de seleção
8.1. Divulgação do Edital nos sites da FAP-UNIFESP e da EFLCH: 04/08/2011;
8.2. Período de inscrição: de 04/08/2011 a 29/08/2011;
8.3.  Divulgação da lista dos candidatos selecionados, horários e locais para a realização das entrevistas com Comissão Julgadora constituída de docentes da UNIFESP e/ou de outras Instituições: a partir de 31/08/2011; 8.4. Divulgação dos candidatos aprovados no Portal da FAP-UNIFESP
http://www.fapunifesp.edu.br/, a partir de 19/09/2011, cabendo aos Candidatos
a inteira responsabilidade de informarem-se da mesma.

Experiência na direção de museus


Dora Silveira quer contar a história de Niterói

A historiadora Dora Silveira, 56 anos, tem no currículo os museus mais importantes da cidade. Hoje ela dirige o Museu do Ingá, que recebe cerca de 500 visitas por mês. Dora defende o interesse dos brasileiros pela cultura e acredita que cada vez mais os museus vão fazer parte do cotidiano das pessoas. Apaixonada por história, arte e por Niterói, ela aposta no amor dos niteroienses para atrair público para exposições sobre a cidade.
Quais as exposições atuais do Museu do Ingá?    
Atualmente estamos com duas belíssimas exposições de arte. Uma da Anna Letícia Quadros, artista espetacular, uma das damas da gravura brasileira. A Anna é especialmente importante para Niterói porque foi coordenadora da oficina de gravura aqui do Museu do Ingá durante quase 30 anos. Ela formou grandes artistas na cidade. A exposição mostra o melhor da produção da artista. Também estamos com a exposição “Centopéia”, do grupo Ñ. É um coletivo de artistas que fazem interferências no acervo histórico, então as obras estão no circuito do Museu, no mobiliário, nas paredes... São duas vertentes da arte, o ofício milenar das gravuras e a arte contemporânea, que se integram muito bem nesse nosso espaço, que é uma mistura do tradicional e do moderno. A terceira exposição que está acontecendo é uma exibição de fotografias da campanha republicana do Nilo Peçanha, que é nosso patrono.
Além de arte, o Museu do Ingá também tem uma forte ligação com a história. 
O lado histórico do Museu está caminhando a passos largos. Nós desenvolvemos um trabalho muito criterioso. Nosso objetivo é dar um foco na história fluminense, que é valorizada na academia, mas tem pouca coisa publicada. A cada ano escolhemos um tema de importância histórica, realizamos um colóquio com especialistas, aberto ao público, e organizamos uma publicação baseada no encontro. Em 2009, por exemplo, elegemos o político Nilo Peçanha, que foi governador do estado do Rio de Janeiro e presidente da República. Reeditamos os discursos do Nilo durante a campanha da reação republicana e montamos o livro. O livro foi feito com o apoio da Imprensa Oficial e foi distribuído para bibliotecas e escolas do Brasil inteiro. Também montamos uma exposição sobre ele, utilizando as fotos de nosso arquivo e fotos doadas pela família da dona Anita Peçanha, esposa do Nilo. Ano passado fizemos o seminário sobre Amaral Peixoto, comemorando uma doação da Celina Vargas do Amaral Peixoto. Estamos com uma parte do acervo do comandante no Museu e o livro está em fase de produção. Esse ano o tema do colóquio foi Roberto Silveira e o trabalhismo no Estado do Rio e vamos editar outro livro.
O niteroiense tem interesse na sua própria história?
Acho que existe um grande interesse, mas faltam exposições. Eu tenho a ideia de fazer uma exposição sobre a história da cidade e tenho certeza que as pessoas vão querer ver. Niterói tem uma história linda a ser contada, como na época da primeira República, onde foram abertas as avenidas e ruas. Existem planos, história, inaugurações e imagens. A fotografia estava se tornando popular. É um período muito rico de imagens. Muita gente fala que o pessoal de Niterói é muito bairrista e eu tenho que concordar. Moramos numa cidade linda e temos orgulho daqui e interesse pela nossa história.
Você atuou nos primeiros anos do MAC. Como foi trabalhar no museu mais importante da cidade?
O MAC é o museu mais famoso do Brasil (risos)! Eu fui para lá para implantar o MAC, antes mesmo da inauguração. Fui convidada pelo Ítalo Campofiorito, que na época era secretário de cultura, porque eu tinha uma larga experiência em museus. Eu fiquei oito anos lá como diretora-executiva. O projeto é grandioso e o sucesso foi tão avassalador que pegou todos de surpresa: no ano da inauguração, houve um mês em que o público foi maior do que o do Maracanã. Nos seis primeiros meses eu trabalhava de domingo a domingo. Foi um período muito interessante porque nós conseguimos fazer exposições em arte contemporânea maravilhosas, desenvolvemos um sistema educativo muito bacana e recebemos visitas fantásticas. De críticos de arte importantíssimos às pessoas mais simples, todos ficavam encantados com o prédio e com as obras.
Os brasileiros se interessam por museus?
Eu acho que os museus evoluíram muito nos últimos 20 anos. Começamos a produzir exposições mais interessantes, tivemos mais atenção da imprensa, surgiram novas oportunidades e o público aumentou. O brasileiro não vai ao museu quando ele não tem nada a oferecer. Não adianta manter só o acervo. São necessárias exposições de curta duração para o museu pulsar. Os pequenos museus e que estão fora da cidade do Rio de Janeiro também sofrem com pouco espaço na mídia. Mas, se existe uma programação que chame, seduza, não tem dúvida: o museu enche.
Você começou a trabalhar em museus antes mesmo de se formar. Como surgiu a paixão pela arte?
Quando estava me formando em história na UFF, eu vim estagiar no Museu do Ingá. Trabalhei dois anos aqui, de 1978 a 1980, e depois fui para o Museu Antônio Parreiras. Trabalhei em vários projetos de artes e fui convidada para dirigir o Antônio Parreiras em 1991. Foi uma surpresa, eu que tinha trabalhado lá voltei para dirigi-lo. É um museu com todo um charme, era a casa do artista. Em 1995, eu comecei a trabalhar no MAC também. Eu brincava que viajava um século todo dia! Mas não tive como conciliar os dois e optei pelo MAC, onde fiquei de 1996 a 2004. Depois trabalhei na fundação Oscar Niemeyer e em 2007 fui convidada para trabalhar no Museu do Ingá. Eu estava voltando para onde tudo começou.
Quais são as atividades que o Museu oferece para o público?
Temos oficina de gravura, escultura, pintura, cerâmica e serigrafia, além de palestras sobre história da arte.

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Homenagens à Jorge Amado: agenda cheia para o centenário



A cineasta Cecília Amado, neta de Jorge Amado, anunciou a data de lançamento do longa-metragem Capitães da Areia: 14 de outubro



Maior divulgador da cultura baiana no  mundo, o escritor Jorge Amado completaria 99 anos hoje. E como a vida e obra do autor foram extensas, as comemorações começam agora e vão até agosto de 2012. Hoje, a Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, realiza, às 10h30, assinatura de convênio para digitalização de jornais e revistas do acervo, além da realização de uma oferenda para Exu, orixá guardião da Casa. Também haverá uma homenagem musical do Olodum.


Ontem, a família apresentou as novidades que envolvem literatura, cinema, teatro e outras áreas. Para 2012, os Amado querem concretizar um desejo antigo: transformar em memorial a Casa do Rio Vermelho, onde Jorge Amado (1912-2001) e Zélia Gattai (1916-2008) moraram por quase 40 anos. “Estamos buscando uma forma de manter um museu viável, sem precisar de recurso público ou de empresas”, disse João Jorge Amado Filho, neto do escritor e representante da família na comissão do centenário, junto à cineasta Cecília Amado, também neta.

Cecília divulgou nova data de lançamento de seu primeiro longa-metragem, Capitães da Areia, baseado em livro homônimo do avô. O filme deve ser lançado nacionalmente dia 14 de outubro. 

Também foi divulgada a realização da mostra Jorge, Amado e Universal, que será aberta em março no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. De agosto a outubro, a mostra ocupa o casarão do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), para depois percorrer outras cidades brasileiras e do exterior.


Também são planejadas a publicação de materiais inéditos. Um deles reúne cartas inéditas trocadas entre Jorge e Zélia, sobretudo no exílio do autor na França, no final da década de 40. Visando popularizar as obras de Jorge Amado, a Companhia das Letras, editora que detém os direitos das obras do autor no Brasil, pretende lançar, em formato  bolso,  Mar Morto e O Compadre de Ogum.

Para o Natal deste ano, será lançada uma caixa especial As Mulheres de Jorge Amado, com Tieta do Agreste; Dona Flor e seus Dois Maridos; Gabriela, Cravo e Canela e Tereza Batista Cansada de Guerra.