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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Empreender para museus

No módulo 3 do Empreendedores Criativos, junto com Leonardo Brant, idealizador do programa, lançamos um desafio para nós mesmos de pesquisar, identificar  e conversar com outros empreendedores de nossa área de atuação para buscar referências, desenhos de negócios e caminhos possíveis para cada empreendimento. Fiquei muito feliz com a decisão do grupo porque, de alguma forma, mesmo sem saber, já havia me adiantado nesse propósito.




Tive o privilégio de conhecer durante o Seminário de Planejamento Estratégico do Circuito Cultural Praça da Liberdade em Belo Horizonte, Maria Ignez Mantovani , diretora fundadora da Expomus, uma empresa pioneira em soluções para o setor museológico. Ouvir a história de vida desta empreendedora e a da formação da Expomus me deixou demasiada curiosa a respeito de traços de uma organização que trabalha para museus.


Reforçando a colaboração, que destaca na crença da empresa, Maria Ignez, prontamente me ofereceu a entrevista abaixo:
Ana Paula - No Módulo 2 do Reality Show Empreendedores Criativos recebemos consultoria de especialistas da área de comunicação. Fomos provocados a deixar claro para consumidores e stakeholders nossa proposição de valor. Para mim, o principal valor do Mutz está em entregar novas formas de pensar, participar e experimentar os museus, isso, refletido na frase que deu título ao meu último post Quem vive de futuro é museu! E para você? Qual é a relação que os museus tem com o futuro?
Maria Ignez  - Musealizar é transformar o passado em presente, e o presente em futuro. Foi-se o tempo em que falar em museu era assunto de passado. Hoje, sem sombra de dúvida, é pauta para o futuro. Pergunto-me constantemente o que nos impede de definitivamente espanar este nome e retirar dele a última partícula de pó que possa ter restado. O mundo já consagrou o  Museu como a catedral do século XXI , é ele o grande ícone de nosso século, o signo de comunicação mais expressivo no cenário mundial. Não há arquiteto notável que não tenha projetado  ou queira projetar um dos grandes museus mundiais. As multidões que acorrem aos grandes museus evidenciam que já estamos há muito no centro da atenção da mídia. O fenômeno museu é um objeto de estudo na sociedade do conhecimento, assim como já é parao turismo, as ciências ambientais e tecnológicas.  Hoje é in pertencer ao board do MoMA de NY, é de bom tom ser sócio da associação de amigos da Pinacoteca, dá status ao idoso ser um voluntário do Metropolitan, é cult para um executivo de Wall Street ser advisor do Guggenheim para novos projetos, é estimulante para um grande escritório de advocacia de São Paulo ser consultor do ICOM para a Conferência Mundial de Museus. Tudo isso pro bono, pro status, pró realização pessoal, pró museu. Pergunto-me por que o passado é confortável e o presente tão instável? Por que o futuro é sempre ameaçador, é tido como incerto, se somos nós que desenhamos nosso futuro, no presente? Quando olhamos para o passado vemos  que podemos lembrar, celebrar, reviver, mas jamais mudar. Quando olhamos em direção ao futuro, ao contrário, vemos que ele ainda inexiste, está por ser escrito, pode ser co-criado, e nós somos agentes significativos desta co-criação. Ou seja, podemos mudar muitas situações em nossas vidas no presente, de forma a redesenhar nosso futuro. Isto de fato é algo muito estimulante, talvez seja a mola propulsora de nossas vidas, ou seja, ter o poder de construir o próprio futuro. Não tenho dúvidas de que talvez o enigma mais saboroso e desafiante do ser humano é ter o poder de lembrar o passado, construir o presente e desconhecer o futuro. Daí o Museu ser uma experiência que possa nos relacionar com o passado, no presente, para nos impulsionar em direção ao futuro. Não há sentido de memória se ela não for projetiva e colaborativa.

AP - A Expomus já nasceu como uma empresa destinada a atender museus e seus públicos mesmo em um tempo no qual não havia tantas oportunidades e incentivos para empreender e muito menos em um setor que era pouco visado para geração de novos negócios. O Mutz está nascendo em um tempo completamente diferente, com novos olhares sobre a oportunidade de empreender no setor de economia criativa e, em especial, para os museus.  

Para você, essa diferença determina algo importante que os empreendedores que pensam negócios para museus devam se atentar?
MI – De fato a Expomus foi criada em 1981, quando não se podia sequer pensar em negócios voltados a Museus. Museu era uma instituição de interesse público, na sua maioria vinculada ao Estado, com poucas incursões em fundações ou instituiçoes de direito privado como o MASP, ou o modelo dos Museus de Arte Moderna e a Bienal de SP. Para mim, pensar negócios para museus surgiu da necessidade de imprimir performance, inovação e qualidade num mundo que era regido pelo ritmo antigo do funcionalismo público. Eu acreditava, naquele momento, aos 27 anos,  no início da década de 1980, que seria possível empreender algo novo, mutante, que fosse concebido e gerido por projeto, ou seja, que a máquina estatal não deveria ser a única mola propulsora do desenvolvimento dos museus. Comecei a acreditar na noção de projeto, de algo que tinha início, meio, fim, metodologia, cronograma, conceitos claros e metas a serem atingidas. Aos poucos fomos experimentando, aprendendo e incorporando novas metodologias. O contato com o exterior foi primordial. Nos aventuramos na área de exposições internacionais e, a cada projeto desenvolvido em parceria com um Museu no exterior, fomos apreendendo novas formas de gestão, de planejamento e de desenvolvimento de projetos. Construímos uma equipe robusta e desenvolvemos stakeholders na área cultural para alicerçar nosso caminho. Estávamos inovando, mas não podíamos perder os laços com a área da cultura, com os próprios museus. A fórmula foi aprender e compartilhar com todos. Estreitamos relações com os museus brasileiros, com suas equipes, criamos oportunidade de formação recíproca. Capacitamos fornecedores no Brasil: empresas de embalagem e transporte, seguro, montadores, criadores gráficos, designers para os novos projetos que sonhávamos desenvolver. Tinhamos a noção de que precisariamos de uma cadeia produtiva articulada e com a possibilidade de prestar serviços de qualidade. Isto não existia e precisava ser criado. Acima de tudo, se eu puder dizer o que de fato motivou esta idéia de criação da EXPOMUS , sem dúvida foi a necessidade e a motivação de INOVAR. Por isso, penso que um novo empreendedor que queira pensar negócios para museus deve atentar, acima de tudo, para a inovação. Se o Museu é assunto de futuro, pensar e empreender para Museus requer visão, inovação e muita garra e disposição. A receita é olhar sempre para o horizonte, não voltar para copiar, mas ter sempre o estímulo de criar, de co-criar.

AP – Quais são as principais frentes e oportunidades de negócios para museus que os empreendedores criativos podem aproveitar?
MI - Hoje as frentes , as oportunidades de negócios para museus são infindáveis, mas certamente estão ligadas ao mundo da informação e do conhecimento. Sempre teremos demandas concretas no mundo dos museus que se relacionam com a preservação dos acervos, em razão do ser o sentido primordial. No entanto, na era da informação e do conhecimento as novas plataformas comunicacionais que os museus podem apresentar são um mundo novo a ser explorado e descoberto. Acho que a era da interatividade nos museus já passou, não estamos mais no “hands on”, mas sim no “minds on”. Ou seja, será empreendedor bem sucedido quem estiver hoje preocupado em compreender como experimentamos, como nos emocionamos, como nos emocionamos num Museu; isto passa por interagir com as motivações pessoais e não mais por segmentação de público. As novas mídias e a forma diametralmente oposta de navegação que as grandes interfaces proporcionam ao individuo nos dão indícios de que precisamos de novo inovar em museus. Inovar muito e continuamente!

fonte:
http://empreendedorescriativos.com.br/author/anapaula/

Reforma do Museu de Arte Sacra custará R$ 700 mil

Arte Sacra, na Luz, região central de São Paulo. O complexo, localizado na Avenida Tiradentes, construído por frei Galvão e conhecido local de peregrinação, é tombado e uma das poucas construções remanescentes do século 18 na cidade de São Paulo. Segundo a Secretaria de Estado da Cultura, serão investidos R$ 733 mil para reformar o telhado, que hoje tem problemas como goteiras, além das fachadas, que sofrem desgaste e estão bastante descascadas. A última reforma no local foi há cerca de 15 anos. A previsão é de que as obras durem pelo menos três meses. O museu e a igreja do mosteiro permanecerão abertos durante a execução da reforma.

O prédio foi construído em 1774 com a técnica de taipa, bastante comum na época - ainda há paredes internas que mostram como a terra foi usada para erguer paredes, juntamente com madeira (pau a pique). Na região não havia pedra nem cal. O estilo arquitetônico segue um padrão comum em mosteiros e outras casas da época, com portas e janelas amplas. Segundo o secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, a reforma é importante não só pela manutenção do patrimônio, mas pelo interesse despertado pelo Museu de Arte Sacra. "É um equipamento bastante visitado. Tem um acervo lindíssimo. É considerado um dos melhores acervos de arte sacra do Brasil", afirma Matarazzo.

Hoje, 38 mil pessoas passam por ano pelo museu. O acervo tem 4 mil peças, provenientes das principais igrejas e capelas do Brasil. A diretora Mari Marino afirma que a reforma ajuda na manutenção do acervo. 

fonte:
http://www.dci.com.br/Reforma-do-Museu-de-Arte-Sacra-custara-R$-700-mil-8-398767.html