sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Construção de cinco novos museus na Esplanada dos Ministérios

Natalia Emerich_Brasília 247 – Brasília é a sexta cidade brasileira com o maior número de museus. Estudo divulgado na quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) aponta 60 instituições dedicadas à memória. Segundo o governo do Distrito Federal (GDF), atualmente o número está em 66. E poderá ficar ainda maior com o projeto Esplanada dos Museus, que prevê a construção de cinco novos. A boa colocação no ranking e as expectativas de ampliação, porém, ofuscam a realidade dos museus de Brasília, como a falta de infraestrutura, verba e cuidado com os acervos da cidade.


Mais museus e mais problemas

Mais museus e mais problemas Foto: Andressa Anholete / 247

A capital, que tem 66 salas, poderá ganhar outras cinco. Mas os acervos já existentes sofrem com a falta de estrutura e recursos


A pesquisa mostra ainda que a capital está em quarto lugar na média de habitantes por museu, são 4.932 pessoas para cada unidade. A maioria dos locais abertos à visitação está concentrada no centro da cidade. O Memorial dos Povos Indígenas, localizado no Eixo Monumental, é um deles. Durante dois meses a última exposição, Séculos Indígenas no Brasil, atraiu mais de 10 mil visitantes. Mas os problemas de infraestrutura são proporcionais ao sucesso de público: a pintura está velha, falta segurança contra acidentes com o acervo e até água enferrujada sai das torneiras, devido ao sistema hidráulico defasado.

Para a pedagoga e ex-secretária de Cultura do DF, Maria de Souza Duarte, porém, é necessário investir nas instituições existentes antes de pensar em novas edificações. “Temos um número bastante razoável de museus, mas quase ninguém conhece”, afirma. “É necessário criar planos de funcionamento que tenham dinâmica cultural, instiguem a participação de visitantes e sejam atrativos.”

O memorial indígena é só um dos exemplos. Guardador de um dos maiores acervos de arte contemporânea do Brasil, com mais de 3 mil peças, o Museu das Artes de Brasília (MAB) (foto) está fechado desde 2007. O motivo: o prédio de origem, localizado ao lado da Concha Acústica, não tem condições – climatização e segurança – ideais para comportar as obras. “Queremos reabrir, mas o local onde está instalado atualmente não é adequado”, justifica o subsecretário do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da Secretaria de Cultura do DF, José Delvinei Santos.

O subsecretário conta que o Ministério Público do DF determinou que o MAB fosse reaberto, mas não há recursos necessários para a revitalização. Atualmente o acervo do museu encontra-se guardado, em condições ideais, em um depósito no Museu Nacional da República, mas é fechado para visitação. “O MAB é uma referência, não pode ficar escondido ou abandonado”, afirma Santos.

De acordo com Delvinei, um levantamento feito por engenheiros e arquitetos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aponta que para recuperar o patrimônio histórico do DF são necessários cerca de R$ 200 milhões. Do valor, a metade é para revitalizar museus. A lista de lugares a serem reformados inclui, entre outros, o Memorial dos Povos Indígenas, o Museu da Cidade, o Museu Vivo da Memória Candanga, o Catetinho e o próprio Museu Nacional da República, inaugurado em dezembro de 2006. Entre as principais mudanças estão o investimento em segurança e a adaptação para acessibilidade adequada.

Apesar da preocupação, a prioridade do GDF é a construção de cinco novos museus na Esplanada dos Ministérios: dos Esportes, de Artes das Américas, da Democracia, da Biodiversidade e da Diversidade Cultural. “Se o Ministério da Cultura (MinC) avaliou que é praxe as capitais do mundo inteiro terem uma esplanada de museus, não podemos fugir ao padrão”, argumenta Santos. “O foco era resolver os problemas locais, mas ganhamos um presente, que são os novos museus.”

O novo complexo museológico terá salas de exposição e de concertos, livraria, restaurante e estacionamento subterrâneo. O objetivo é resgatar e conservar aspectos que contribuíram para a formação da identidade brasileira. Sem local definido, algumas das sugestões para a edificação dos monumentos são a região entre o Centro de Convenções e o Palácio do Buriti – Setor de Divulgação Cultural – e a área situada depois do bandeirão – ao lado do Bosque dos Constituintes, na Praça dos Três Poderes.

A Esplanada dos Museus é uma parceria entre os governos federal e local. Caberá ao GDF fornecer os terrenos, enquanto o MinC será responsável pela captação de recursos e pelo estabelecimento de parcerias para as construções. O orçamento ainda não está definido. De acordo com o projeto, dois museus estarão prontos até 2014 e os outros três serão finalizados até 2017. A pesquisa reflete o trabalho conjunto entre os governos local e federal: 68,4% dos museus do DF são públicos, dos quais 42,1% estão vinculados ao governo federal.

A expectativa do governo com o projeto Esplanada dos Museus é deixar um legado cultural para Brasília após a Copa do Mundo de 2014, para suprir a agenda de eventos que a capital tem até 2017.

Censo para museus
O estudo realizado pelo Ibram pesquisou 1,5 mil instituições, que responderam ao questionário do Cadastro Nacional de Museus (CNM). Os dados analisados foram coletados até setembro de 2010. De acordo com o CNM, os museus mapeados no Brasil totalizam 3.025. A cidade com o maior número de unidades é São Paulo, com 132, e Campinas ficou em último lugar, com apenas 23.

Os dados da pesquisa e do relatório feitos pelo Ibram/Minc estão na publicação Museu em Números, dividida em dois volumes.


fonte:
http://www.brasil247.com.br/pt/247/brasilia247/25227/Mais-museus-e-mais-problemas.htm

Museu Afro guarda parte da história negra de Sergipe


Um prédio do século XIX que guarda grandes tesouros da cultura negra em Sergipe. Esse é o Museu Afro-Brasileiro, localizado na cidade de Laranjeiras, berço da negritude sergipana. O prédio, que servia como comércio e residência da família Brandão, tem hoje direção do Estado e é gerenciado pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), que procura sempre atrair mais visitantes para conhecer parte da história de Sergipe.

Com peças que datam até do século XVII, distribuídas em salas que remontam da economia açucareira aos objetos de tortura, passando pela forte religiosidade dos afrodescendentes, o Museu Afro conta de forma particular parte da luta dos negros que viveram em Sergipe no período da escravidão.

Segundo a secretária de Estado da Cultura, Eloísa Galdino, o Museu Afro é uma unidade muito importante no quadro da Secult, principalmente pelo fato de mostrar de forma significante um capítulo tão importante da comunidade negra no Brasil. “No museu Afro é possível sentir através das suas peças a alma da cultura negra em Sergipe. Lá, nós podemos ter noção de como os afrodescendentes sofreram por um longo período da nossa história e de como eles lutaram pela liberdade”, destaca a gestora.

Em cada sala, parte da história

Ao adentrar o Museu Afro-brasileiro de Sergipe, o visitante recebe algumas orientações e começa uma visitação rica em história e busca pela consciência negra. A primeira passagem é pela sala de economia açucareira, um local onde é possível observar itens que serviram para movimentar a economia na época. Lá, é possível ver de perto moendas de cana, café e mandioca, pilões, carros de boi, entre outros utensílios.

Logo depois os visitantes são encaminhados à sala dos aparelhos de tortura, um local onde é possível sentir de perto o quanto os afrodescendentes sofreram no período de escravidão. Objetos como mordaças, palmatórias, chibatas, bolas de ferro e troncos remontam a história que é lembrada pelos estagiários que fazem as visitas guiadas.

Segundo a diretora do museu, Maria Helena, as peças encontradas na unidade museal vieram de várias partes de Sergipe, mas predominantemente dos antigos engenhos localizados em Laranjeiras. “Temos peças do Engenho do Povoado Varzinhas e da comunidade da Muçuca, ambos em Laranjeiras. Há também utensílios que remontam a religiosidade que vieram de dois conhecidos terreiros da cidade: o ‘Filhos de Obá’ e o ‘Oxosi Tauamim’. Vale lembrar que as peças de mobiliário vieram também de engenhos da cidade de Malhador”, explica.

Percorrendo um pouco mais as dependências do museu, os visitantes chegam a uma sala repleta de utensílios de cozinha, onde é possível ver objetos, móveis e até uma indumentária utilizados no século XIX também nos engenhos sergipanos.

A religiosidade é aflorada nas outras salas. O sincretismo religioso toma espaço e manequins vestindo belas indumentárias que já foram utilizadas em terreiros e retratam orixás como Exú, Yemanjá, Oxalá, Nanã, Iansã, Oxum, Oxumaré, Obaluyaê, Xangô, Ogum, Oxossi.
Plano de recuperação das unidades
Durante um encontro ocorrido no mês de junho, o governador Marcelo Déda entregou ao secretário executivo do Ministério da Cultura (MinC), Vitor Ortiz, o Plano de Recuperação dos Espaços Culturais de Sergipe que contém um descritivo técnico de todas as intervenções estruturais necessárias para a conservação e manutenção dos espaços culturais gerenciados pela Secult. Entre essas unidades estão o Museu Afro-brasileiro, que caso este plano seja aprovado pelo Governo Federal, terá uma grande reforma em sua estrutura física, além da renovação do acervo.

Na ocasião, o governador Marcelo Déda, afirmou que a ideia de buscar cada vez mais parcerias com o Ministério da Cultura consolida a nova dinâmica dada à gestão cultural desde o governo Lula. “Tivemos uma mudança de paradigma no eixo de desenvolvimento cultural do país com o governo Lula. A ministra Ana de Hollanda, com esse intuito de buscar cada vez mais se aproximar das necessidades culturais dos estados e municípios, demonstra a concretização do objetivo de beneficiar cada vez mais o patrimônio e a produção cultural no país no governo da presidenta Dilma Rousseff”, sentenciou o governador.

O Museu Afro-Brasileiro de Sergipe funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 17h.

fonte:
http://www.faxaju.com.br/viz_conteudo.asp?id=128424

MuBE exibe o lado político de Botero

Artista colombiano tem 67 obras reunidas no museu, todas retratando a guerrilha no país

Conhecido popularmente por retratar personagens obesos, Fernando Botero, 79 anos, volta hoje a São Paulo com a exposição "Dores da Colômbia", que já havia passado pela cidade em 2007. Estão reunidas no MuBE 67 obras de teor político, que foram doadas pelo artista ao Museu Nacional da Colômbia em 2004 e 2005.

As seis aquarelas, 25 pinturas e 36 desenhos mostram abusos sofridos pelos colombianos como consequência da ação violenta de grupos guerrilheiros, políticos e paramilitares em guerra causada pelo narcotráfico. O conflito já resultou no exílio de 1,5 milhão de colombianos nas últimas décadas.

As figuras bonachonas de Botero, nestas obras, sofrem torturas, são mortas e choram, mas com as mesmas cores vibrantes que marcam toda a trajetória do artista.

A curadoria é do próprio Museu Nacional da Colômbia, localizado na capital, Bogotá. De acordo com a diretora do museu, Maria Victoria Robayo, a mostra se integra a um programa de exposições itinerantes, que tem como um de seus objetivos funcionar como apelo para evitar que os horrores da guerra se repitam.

"Botero disse várias vezes que, apesar de não residir na Colômbia há mais de 40 anos, sente-se muito próximo de seu povo. Trata-se de um convite à reflexão sobre as circunstâncias dolorosas que violam os direitos humanos neste país", explica a curadora Maria Robayo.

Há duas semanas o artista colombiano radicado na França tornou-se autor da obra latino-americana mais cara já negociada em um leilão. A escultura "Dancers" (2007), foi arrematada por US$ 1,7 milhão na casa Christie's de Nova York.

'La Muerte en la Catedral' (2002) está entre as obras, que incluem aquarelas, pinturas e desenhos 

fonte:
http://www.destakjornal.com.br/readContent.aspx?id=17,117535 

Pampadromaeus barberenai - A descoberta de um novo dinossauro foi apresentada na ULBRA

Foi apresentado na manhã desta quinta-feira (24/11) o resultado da pesquisa sobre uma espécie de dinossauro descoberta em 2004 em Agudo, na região Central do Rio Grande do Sul. O fóssil descoberto tem 228 milhões de anos e após a classificação, o animal recebeu o nome de Pampadromaeus barberenai, que em uma tradução livre do grego significa corredor do pampa, além de homenagear o paleontólogo Mário Costa Barberena. 

Pampadromaeus-barberenaiConfira ainda:

- Onde foi achado o fóssil
- A identificação de um novo dinossauro
- A importância científica de Pampadromaeus
- Endereço das imagens disponibilizadas
- Reconstruindo Pampadromaeus barberenai

Onde foi achado o fóssil Pampadromaeus barberenai?

O esqueleto de Pampadromaeus barberenai foi encontrado em rochas sedimentares do Período Triássico da Formação Santa Maria, que datam de 228 milhões de anos atrás, e que afloram em um pequeno açude, nas vizinhanças do município de Agudo, na região Central do estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil. O fóssil foi encontrado em 2004 e coletado pelo paleontólogo da Universidade Luterana do Brasil - ULBRA, Dr. Sergio Furtado Cabreira.

Durante todo o ano de 2006, o fóssil, que se encontrava dentro de um bloco de arenito de aproximadamente 220 quilogramas, foi preparado para a sua primeira aparição pública. Em 14 de dezembro de 2006, o dinossauro, tombado pelo Museu de Ciências Naturais da Universidade como ULBRA-PVT016, foi divulgado para todo o mundo. Mas, esta seria uma divulgação inicial, uma vez que o fóssil ainda não tinha sido estudado e publicado em uma revista científica de paleontologia.

O município de Agudo é um centro de emigrantes alemães e tem a sua economia baseada na agricultura. A região concentra um grande número de pequenos afloramentos fossilíferos Triássicos que datam de 250 até 200 milhões de anos atrás e que têm se tornado referência internacional pelos importantes achados de fósseis de dinossauros e de diversos outros grupos de vertebrados.

A importância dos fósseis desta região é tamanha que levou à criação da chamada “Rota Paleontológica”, uma associação de municípios que busca o desenvolvimento futuro da paleontologia e do turismo regional baseado na criação de museus, laboratórios e parques paleontológicos. Os municípios de Agudo, Faxinal do Soturno, Dona Francisca e São João do Polêsine formam um quadrilátero de terrenos fossilíferos importantes, onde são encontrados incríveis fósseis de répteis, dicinodontes, cinodontes, proto-mamíferos e dinossauros ancestrais. Estes materiais fósseis ajudam os pesquisadores de todo o mundo a encontrarem respostas para a origem dos mamíferos, dos dinossauros e das aves.

Pampadromaeus-barberenai-2A descoberta de um novo dinossauro

O pequeno dinossauro tinha apenas 50 centímetros de altura e 120 centímetros de comprimento, e teria um peso aproximadamente de 15 quilogramas. Chama a atenção que este é um dos mais bem conservados fósseis de dinossauros encontrados até então em todo o mundo. Trabalhados com as mais qualificadas técnicas de preparação e cuidado, os ossos e dentes de ULBRA-PVT016 parecem pertencer a um animal que tenha morrido há poucos anos.

Nos últimos anos foi formada uma equipe com diversos paleontólogos brasileiros para analisar, classificar e publicar os resultados dos estudos do pequeno dinossauro. A equipe coordenada pelo pesquisador Dr. Sergio Cabreira (ULBRA Canoas) é formada pelos pesquisadores doutores Cesar Leandro Schultz e Marina Bento Soares (Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS), Max Cardoso Langer e Jonathas Bittencourt (Universidade de São Paulo - USP) e Daniel Fortier (Universidade de Minas Gerais - UFMG), além do biólogo e mestrando Lúcio Roberto da Silva (ULBRA Cachoeira do Sul).

O trabalho de descrição foi publicado na revista Naturwissenchaften, da Alemanha, no dia 15 de novembro de 2011. O pequeno dinossauro passa a ser chamado de Pampadromaeus barberenai e é reconhecido como um dos mais importantes fósseis no estudo da origem dos dinossauros.

O nome genérico Pampadromaeus é uma referência direta às pradarias do sul do Brasil e deriva da palavra indígena pampa, relativa aos campos que são uma paisagem típica do Estado gaúcho, e o sufixo grego dromaeus: que se refere a corredor. Então, este dinossaurinho seria um dos mais antigos animais a correr pelas planícies do sul do Brasil. O nome de espécie – barberenai – é uma homenagem ao grande pesquisador e paleontólogo brasileiro Mario Costa Barberena, um dos fundadores do Programa de Pós-graduação em Paleontologia do Instituto de Geociências da UFRGS.

A importância científica de Pampadromaeus

Pampadromaeus barberenai representa um dos mais antigos membros da linhagem dos sauropodomorfos, grupo de dinossauros de pescoço longo caracterizado pelo hábito tipicamente herbívoro e pelo grande tamanho de alguns de seus membros, como os saurópodos titanossauros (comuns no período Cretáceo brasileiro). O Pampadromaeus, entretanto, tinha pouco mais de 1,2 metros de comprimento e se alimentaria de pequenos animais e insetos e algum vegetal (hábito denominado onívoro).

O fóssil Pampadromaeus corresponde ao esqueleto desarticulado de um único indivíduo, e por isso o animal pôde ser reconstituído de forma praticamente completa.

Uma das feições mais interessantes do Pampadromaeus é que ele também compartilha muitas características anatômicas com dinossauros do grupo dos terópodos, os famosos bípedes carnívoros Tyrannosaurus rex e no Velociraptor mongoliensis e que existiram a apenas 75 milhões de anos atrás.

Como Pampadromaeus foi encontrado em rochas de 228 milhões de anos, isto indicaria que os primeiros sauropodomorfos e terópodos eram vertebrados muito semelhantes entre si, sendo difícil prever que originariam descendentes herbívoros (saurópodos) e carnívoros (terópodos), animais tão diferentes em termos de morfologia e hábitos.

Endereço das imagens disponibilizadas

Imagens de vídeo
http://www.youtube.com/watch?v=GfOkZc3tCO8

Fotografias da réplica
http://dl.dropbox.com/u/16052646/PAMPADROMAEUS%20BARBERENAI.rar

Fotografias do fóssil
http://dl.dropbox.com/u/16052646/ossos%20do%20Pampadromaeus%20barberenai.rar

Reconstruindo Pampadromaeus barberenai

Pampadromaeus barberenai recebeu tratamentos especiais para que a sua reconstrução se aproximasse. Os trabalhos de análises prévias incluíram radiografias e tomografias computadorizadas de diversas estruturas ósseas como vértebras, ossos longos e parte de um osso dentário. Entre as estruturas mais relevantes encontradas pelos pesquisadores está a presença de cavidades derivadas de pneumatização das vértebras e dos ossos como o fêmur e a tíbia.

Em Pampadromaeus estas cavidades aéreas atingiram partes do crânio, e também apareciam nas vértebras desde a região cervical até a cauda, e a maioria dos ossos do restante do esqueleto seria extremamente pneumatizada. Os ossos cranianos de Pampadromaeus (maxilar, jugal, nasal, lacrimal) também apresentavam fenestrações características resultantes de processos de desenvolvimento tardio de cavidades pneumáticas. Para os pesquisadores, estas cavidades quando presentes em um esqueleto animal podem servir como indicadores de um metabolismo mais ativo.

Em animais bípedes como dinossauros e aves estas estruturas teriam a função de diminuir o peso relativo das estruturas ósseas e também fariam parte do sistema respiratório, uma vez que estas cavidades se comunicavam entre si e constituíam um sistema de ventilação acessório. Ossos pneumatizados são mais leves e permitem acelerações e frenagens mais rápidas. Para a equipe que estudou Pampadromaeus isto claramente indicaria que a presença de ossos extremamente pneumatizados também seria uma evidência de que este pequeno dinossauro seria muito ágil e ativo, mesmo em condições climáticas mais frias e mesmo durante a noite.

Assim, os pesquisadores resolveram reconstruir Pampadromaeus como um dinossauro bípede, corredor e totalmente endotérmico e homeotérmico. A endotermia é a condição fisiológica que implica que, em um animal, o calor necessário à aceleração das funções biológicas é produzido no interior das próprias células.

Ao contrário, nos répteis, grande parte do calor necessário à “aceleração” das atividades bioquímicas vem da luz solar. Isto implica que os répteis são dependentes da radiação solar e precisam se aquecer ao sol ou buscar regiões de climas quentes para viver.

Estas características fisiológicas especiais dos dinossauros permitiram, em última análise, que eles dominassem o planeta desde o período Triássico até o final do Cretáceo a 65 milhões de anos atrás, quando se extinguiram após um impacto de meteoro sobre a superfície do planeta.

Desta maneira, a reconstrução de Pampadromaeus recebeu uma cobertura de penas primitivas e também uma coloração. As penas seriam basicamente constituídas como uma incipiente penugem, muito semelhantes àquelas que ainda hoje pode ser vistas cobrindo os filhotes das aves voadoras em geral e também das aves terrestres, todas elas parentes ainda vivos dos dinossauros.

Ainda, a coloração de Pampadromaeus apresenta certa semelhança com a de certos pequenos animais predadores, que precisam ficar ocultos em seu habitat, seja para poderem se aproximar de suas possíveis presas, seja para se esconderem de outros predadores de maior porte.

O paleo-escultor Ronaldo Gemerasca foi escolhido para fazer a réplica de Pampadromaeus, trabalho este que exigiu diversos testes dos materiais a serem utilizados. Ronaldo Gemerasca é funcionário da Fundação Paleobotânica do Estado do Rio Grande do Sul e muito conhecido no meio científico pela excelência dos seus trabalhos de modelagem de animais, plantas e ambientes. 


fonte:
http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&view=article&id=25079:pampadromaeus-barberenai-a-descoberta-de-um-novo-dinossauro-foi-apresentada-na-ulbra&catid=56:ciencia-e-tecnologia&Itemid=75