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domingo, 27 de novembro de 2011

( Ana Lidia... ) Pinda: Museu Histórico expõe em fotos os 100 anos da Fazenda Coruputuba

A Fazenda Coruputuba sempre atraiu visitantes em tempos passados, devido à exuberância do ambiente, com seus lagos e uma comunidade amistosa e obreira. No local, durante o período em que a indústria de papel e celulose pertencia ao Grupo Cícero Prado, existia uma colônia formada apenas por funcionários da empresa, que chegou a ter 800 famílias residentes, o equivalente a uma cidade de 5 mil habitantes.

Imagem(s): Divulgação
Vista de cima, igreja de Nossa Senhora Aparecida, na Fazenda Coruputuba


No local, segundo conta em seus relatos Maria do Carmo dos Santos Gomes, Carminha,  ex-funcionária da fábrica e uma das lideranças de comunidade da fazenda, tinha tudo o que o morador precisava, sem que tivesse que ir até o centro da cidade. Havia farmácia, açougue, pronto-socorro com médico e enfermeiros, lazer, cinema, religiosidade, e um grande clube de futebol, a A.A. Esportiva Industrial, que foi Campeã Amadora do Estado de São Paulo, em 1975.

Para comemorar o comemora o centenário da Fazenda Coruputuba, o Museu Histórico e Pedagógico Dom Pedro I e Dona Leopoldina programou uma homenagem com a exposição de grande parte do acervo documental da fazenda. A mostra teve início na quinta-feira, 24/11, e descreve com antigas imagens o empreendedorismo do fundador da empresa, Dr. Cícero da Silva Prado.

INTERATIVIDADE:
Todos os visitantes poderão registrar suas opiniões, comentários e lembranças no Livro do Centenário de Coruputuba.

OBJETOS EXPOSTOS:
Busto de Cícero Prado – obra de E. de Giusto – com placa de oferecimento dos funcionários em 1935 – Este busto estava colocado originalmente em pedestal diante da Igreja de Coruputuba.
Busto de Martinho Prado Júnior (Martinico Prado) – feito em 1890 em Milão, Itália.

Mapa demonstrativo das propriedades da Cia. Agrícola e Industrial Cícero Prado. Mostra as fazendas Coruputuba, Sapucaia, Albertina, Santa Cecília, Floresta, Serrano, Campista e Vaticano. Desenhado por D. Nicoletti em março de 1948 [?].
Presépio da Igreja de Coruputuba – O mesmo presépio que era montado todos os anos e fazia o encantamento das crianças do bairro.

FOTOS EXPOSTAS:
200 reproduções fotográficas, tamanho A3 e A4, retratando as festas religiosas, eventos escolares, locais de Coruputuba, grupos de pessoas, eventos esportivos e culturais.

DOCUMENTOS ENCADERNADOS, PARA SEREM FOLHEADOS PELO PÚBLICO:
A Associação de São José – livro de assentamentos da Associação, que tinha por objetivo a manutenção da Igreja de Nossa Senhora Aparecida, através de festas e outras atividades para arrecadação de fundos – 1969 a 1978.

Documentos avulsos da Igreja – Permissão do Bispo de Taubaté para celebração de missas – 1959 – e outros documentos avulsos.

Livro de marcação de missas – 1951 a 1961. Anotações sobre missas encomendadas: data, quem encomendou e por alma de quem.
Registros de batizados em Coruputuba – 1951 a 1959. Blocos contendo as segundas vias dos registros de batizados.

Relatórios das missas – 1960 a 1973. Anotações sobre datas das missas celebradas, número de comunhões distribuídas e outros informes.
Genealogia da família Silva Prado. Dados obtidos no site:


História de Coruputuba – 1911 – 1968. Livro produzido na Cia. Cícero Prado em 1968 contando a evolução do empreendimento, desde a aquisição das terras em 1911 e a implantação da agropecuária até o desenvolvimento da indústria.

Escritura de constituição da Companhia Agrícola e Industrial Coruputuba. Datado de 28/06/1929, o documento de constituição da empresa foi assinado por Cícero da Silva Prado, Jorge Alves Lima, Alberto Simi, Olegario de Almeida Filho, Paulo Guzzo, Pedro Luiz Pereira de Souza e Antonio Alves de Lima Junior. Contém a descrição dos imóveis e suas confrontações.

Livro Caixa da Fazenda Coruputuba – 1923. Rigorosamente preenchido à mão, especifica todas as entradas e saídas de valores, com as respectivas

MUSEU HISTÓRICO E PEDAGÓGICO DOM PEDRO I E DONA LEOPOLDINA
Rua Marechal Deodoro, 260 – Centro – Tel. (12) 3648.1779, Pindamonhangaba – SP
Visitas de terça a sábado, das 8 às 17h  com entrada franca.

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edison mariotti

‘Não podemos mudar o passado, mas sim aprender com o vivido’

A jornalista Marcia Scantlebury, diretora do Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile foi vítima do terror promovido pelo Estado chileno, quando o ditador Augusto Pinochet esteve no poder após o golpe contra Salvador Allende. Em junho de 1975, ela estava com os filhos em casa, quando chegou uma patrulha da polícia política e a levou, vendada, para o que ela chama de “antessala do inferno”. “Eu me sentia suja, vazia e humilhada”. 
 
Rio de Janeiro – A jornalista Marcia Scantlebury, diretora do Museu da Memória e dos Direitos Humanos do Chile, esteve no Brasil na última semana e, sob o silêncio atento de um auditório lotado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, que acompanhava o primeiro seminário do Ciclo de Debates “Direitos Humanos, Justiça e Memória”, ilustrou com a sua própria experiência a importância de recontar a história da ditadura militar na América Latina. Marcia foi vítima do terror promovido pelo Estado chileno, quando o ditador Augusto Pinochet esteve no poder após o golpe contra Salvador Allende.

Em junho de 1975, ela estava com os filhos em casa, quando chegou uma patrulha da polícia política e a levou, vendada, para o que ela chama de “antessala do inferno”. “Eu me sentia suja, vazia e humilhada”. Era Tres Álamos, um dos centros de torturas mais famosos do Chile naquele período. “Este é o meu testemunho; só um de milhares de homens e mulheres que estiveram na resistência contra a tirania”.

Ela lembra que, assim como ocorreu no Brasil em relação à Comissão da Verdade – apesar de o projeto ter sido apresentado ainda no governo do ex-presidente Lula –, foi uma presidenta mulher e também ex-militante política perseguida pela ditadura que teve a iniciativa de criar o museu, que é visitado mensalmente por milhares de pessoas. “Não podemos mudar o nosso passado, mas podemos aprender com o vivido. Este é o nosso grande desafio”, ensina, citando a ex-presidenta chilena Michele Bachelet, quando lançou a pedra fundamental do museu em dezembro de 2008. Foi concluído em 2009. “A criação do museu deixou em descoberto o que antes permanecia silenciado”, resume a diretora.

Em um país ainda dividido, a presidenta Bachelet sabia das dificuldades de erguer o Museu. “A memória se constitui num território de disputa cultural e política. Se alguns têm a conveniência passar a página para uma hipotética conciliação nacional, a impossibilidade de estabelecer uma visão única [sobre a ditadura] não podia ser pretexto para dar respaldo ao ocorrido. O desafio era enfrentar o passado de violação sistemática de direitos humanos por parte do Estado chileno”, reconstrói Marcia Scantlebury, numa aproximação com o debate que ainda está sendo amadurecido no Brasil, mesmo após 26 anos do início do primeiro governo civil após a ditadura.

Marcia Scantlebury cita Primo Levi, escritor e militante italiano já falecido, ex-prisioneiro do campo de concentração de Auschwitz, para afirmar o compromisso dos que ficaram vivos para recontar a história: “que as palavras dos que já não podem falar encontrem um espaço, um âmbito de audição, uma representação no próprio presente”. O museu, segundo Scantlebury, vem coroar a resistência do povo chileno contra a ditadura. “A materialidade fala por si mesma. Denuncia e evidencia o sucedido”, descreve. 

Hoje, a maioria dos chilenos reconhece que o Estado violava direitos humanos e rechaçam o ocorrido. A ideia é que o projeto permaneça dialogando com os jovens, servindo de ponte entre o passado e o presente, além de debater questões atuais, como a vida de povos originários e imigrantes peruanos, a violência doméstica, entre outros temas.

O Ciclo de Debates “Direitos Humanos, Justiça e Memória” ainda tem atividades programadas para as cidades de São Paulo, Porto Alegre e Brasília. A Carta Maior fará a cobertura dos seminários. A programação completa está disponível no site da Flacso ( www.flacso.org.br ). 

fonte:
http://correiodobrasil.com.br/nao-podemos-mudar-o-passado-mas-sim-aprender-com-o-vivido/333803/