domingo, 18 de dezembro de 2011

Mercado aquecido atrai estudantes para curso de Museologia

Mas o carioca Nathan da Silva Marinho, 19 anos, costuma brincar que, em breve, quem vai viver do passado é ele, e com orgulho. Estudante de Museologia na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o estudante do terceiro semestre se debruça em livros de história, arte e restauração de acervos para, em breve, comemorar com um diploma o Dia do Museólogo, celebrado neste domingo, 18 de dezembro, e também realizar seu sonho: trabalhar no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O diretor do curso de Museologia da Unirio, Ivan Coelho de Sá, explica que, como o nome já evidencia, museólogos vivem de museus. De acordo com ele, o curso prepara o estudante para o mercado da arte, história e conservação. Classificação, conservação e exposição de peças de valor histórico, artístico, cultural e científico também são missões da profissão que, segundo Coelho de Sá, tem o dever social de "transmitir conhecimentos e desenvolver ações culturais por meio de acervos".
A importância do curso, porém, é relativamente nova. O professor, também museólogo, explica que foi a partir da reestruturação da área museológica, feita pelo Governo Federal, que veio a valorização acadêmica. No ano de 2009, o Estatuto de Museus entrou em vigor com uma lei que define regras para preservação, conservação e restauração dos acervos. No mesmo ano, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao Ministério da Cultura, foi fundado com o objetivo de coordenar a Política Nacional de Museus, sendo que uma das iniciativas foi a de exigir diploma de Museólogo para quem deseja trabalhar em instituições de preservação histórica. Depois disso, todas as vagas para o curso da Unirio - 100 por ano - têm sido preenchidas. "Os índices de evasão têm diminuído gradativamente", destaca Coelho de Sá.
"Tudo isso foi essencial para valorizar a profissão", completa. O diretor do curso da Unirio afirma que o museólogo é o profissional mais completo para atuar nesta área, pois o historiador sai da faculdade com conhecimento em questão de conteúdo, mas não sabe lidar com a parte prática de um museu, que consiste em arquivar, preservar, catalogar. Já o arquivologista é o contrário: sabe a prática, mas não tem aprofundamento de conteúdo.
O estudante Nathan da Silva Marinho caiu de paraquedas nesta faculdade. "Eu queria História, não passei. Então decidi optar por Museologia e consegui pelo Enem", conta, relatando que considera o fato uma questão de sorte. "Eu me identifiquei muito com o curso. Se eu tivesse passado em História, teria cursado. Mas não seria um profissional tão completo para trabalhar em um museu", diz, destacando a disciplina de História da Arte como a sua preferida. "Mas também adoro a área de restauração de acervos", completa.
Já Glória Gelmini, 21 anos, descobriu sua vocação na infância. "Desde pequena eu tenho paixão por museus, não tinha dúvida do que eu queria", conta a universitária do 7º semestre da Unirio. Prestes a se formar, a carioca pretende continuar os estudos fazendo uma pós-graduação. "Quero ter mais certeza da área mercadológica que quero seguir. Mas o que mais me agrada é a área de pesquisa, conservação e documentação", conta.
Atualmente, a maioria das universidades federais e estaduais do País já oferece o bacharelado em museologia. Em todas, o curso tem duração de 4 anos e abrange disciplinas como história, geologia, paleontologia, história do Brasil, história contemporânea, filosofia, restauração de obras, arquivologia e mais. "Precisamos preparar o aluno em duas frentes: conteúdo histórico e prática para saber lidar com a demanda manual de um museu", define Coelho de Sá.
Outro atrativo atual do curso é a alta demanda mercadológica. O diretor explica que nunca se precisou tanto de museólogos como agora. Depois que o Estatuto de Museus foi criado e diversas iniciativas públicas foram feitas para investir no setor, a demanda por museólogos cresceu. Conforme informações do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), existem cerca de 3 mil museus no Brasil, todos em busca de profissionais preparados. "Anualmente, o Ibram abre concurso com mais de 50 vagas destinadas a museólogos para trabalho em instituições como o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e a Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, entre outros", diz o diretor do curso da Unirio. Centros culturais de empresas, fundações, institutos de pesquisa e galerias de arte são outras possibilidades de emprego.
"Além disso, com as inovações tecnológicas, abriu-se um novo campo de trabalho: os museus virtuais e as exposições de acervos na internet", completa Coelho. As cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro são as que mais oferecem emprego devido à concentração de museus e centros culturais. Mas, na Bahia e em Minas Gerais, o museólogo também pode encontrar boas ofertas, em razão da tradição desses locais em preservar a memória histórica.

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Joãosinho Trinta é velado em Museu do Maranhão

O corpo do carnavalesco Joãosinho Trinta está sendo velado desde as 15h de hoje no Museu Histórico e Artístico do Maranhão, no centro de São Luís (MA). Dezenas de pessoas foram ao local para dar um último adeus ao artista maranhense, que morreu na manhã deste sábado em virtude de um choque séptico, pneumonia e infecção urinária, depois de ficar 14 dias internado em uma UTI de um hospital na capital maranhense.
Ao velório foram pessoas comuns com a dona de casa Maria do Carmo Souza. Ela disse que sempre gostou do trabalho do carnavalesco porque ele trazia beleza a uma das festas populares que ela mais gostava. "Sempre assistia o desfile das escolas de samba para ver o que ele tinha feito", disse.
Amanhã pela manhã deverá ser rezada uma missa de corpo presente em homenagem ao carnavalesco e às 13h30 será feito outro culto.
Mais tarde, à noite, o corpo será transladado em um cortejo para o Teatro Arthur Azevedo, onde será velado a noite inteira, até a hora do seu enterro, na manhã de segunda-feira, no cemitério do Gavião, localizado no bairro onde estão as principais agremiações carnavalescas de São Luís.
O puxador de samba enredo da escola de samba carioca Beija Flor, Neguinho da Beija Flor, chega a São Luís na madrugada deste domingo para o velório e o enterro.
Também chegam a São Luís nesta madrugada para dar adeus ao carnavalesco Selminha Sorriso e Claudinho, porta-bandeira e mestre-sala da Beija-Flor. Joãosinho Trinta ganhou os títulos de 1976, 1977, 1978, 1980 e 1983, além de dois vice-campeonatos, em 1986 e 1989, pela escola de samba carioca.

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