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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Ibram alerta museus sobre quadrilha que roubou obras em São Paulo

O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) vem, desde a sua criação, desenvolvendo ações que visam ao aprimoramento da segurança nos museus. Diante da recente atuação da quadrilha que roubou 15 volumes de obras raras do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo, o Ibram considera de suma importância divulgar amplamente ações que podem ser adotadas pelos museus de forma preventiva, para ampliar a segurança.
São elas:
- Indicar um técnico responsável pela organização e condução das ações concernentes à segurança, independente da existência de um setor específico de segurança na unidade.
- Implantar um Manual Interno de Segurança que sistematize ações cotidianas nesta área, tais como competências e responsabilidades de cada membro do corpo funcional do museu, normas de controle de acesso e política de controle de chaves.  
- Elaborar planos de segurança com foco em incêndios, roubos, furtos, enchentes e retirada de funcionários, públicos e acervos em caso de ocorrências.
- Aproximar o museu de órgãos de segurança pública, especialmente o corpo de bombeiros, as polícias civil e militar e a defesa civil.
A médio prazo, é importante que o museu implante uma programação de treinamentos sistemáticos dos funcionários para assegurar a condução das atividades de segurança. Além de aparelhar o museu de recursos tecnológicos e operacionais voltados diariamente ao problema da segurança dos acervos, das instalações, do público e dos funcionários.
Todos os servidores, independente de sua atuação direta ou indireta com a questão da segurança, devem, frequentemente, receber orientações e treinamentos sobre procedimentos preventivos e sobre as medidas a serem tomadas em casos de emergência. Isso é importante até mesmo para elevar a consciência interna sobre os riscos e alterar os hábitos prejudiciais à segurança.
O museu também deve conhecer a rotina e a freqüência de treinamentos dos funcionários e empresas terceirizados e tomar a iniciativa de orientá-los quanto a necessidade de se preocupar com a segurança.
Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos
Como parte integrante do conjunto de ações implantadas pelo Ibram para aperfeiçoar medidas de segurança nos museus brasileiros, o Ibram criou o Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos. 
Em funcionamento desde dezembro de 2010, o cadastro reúne informações sobre os acervos desaparecidos pertencentes aos museus localizados em todo o território nacional, com o objetivo de possibilitar o rastreamento, a localização e a recuperação desses bens.
As informações são compartilhadas com organismos de segurança pública e de controle aduaneiro, e com comerciantes de antiguidades, de artes e de artefatos culturais em geral.
Ao perceber o desaparecimento de um bem, o museu deve entrar imediatamente em contato com a Coordenação de Patrimônio Museológico (Departamento de Processos Museais), do Ibram, pelo endereço eletrônico bensdesaparecidos@museus.gov.br ou pelos telefones
             (61) 3521-4410       ou             (61) 3521-4426      .
Mais informações acesse: http://www.museus.gov.br/desaparecidos/
Fonte: Ascom/Ibram

Exposições relembram 50 anos de morte de Cândido Portinari

Museu de Brodowski expõe réplicas de "Guerra e Paz". Escola de Ribeirão exibe biografia do pintor.


Há mais de 50 anos um pintor desobedecia as recomendações médicas para realizar aquela que considerou a sua obra-prima. Mesmo sabendo que morreria por intoxicação, Cândido Portinari pegou a paleta de tintas proibidas e pintou dois painéis com 14 metros de altura como se fossem quadros de cavalete. Portinari faleceu em 06 de fevereiro de 1962, entregando à Organização das Nações Unidas (ONU) o seu maior legado de amor à arte: as obras "Guerra e Paz".
No cinqüentenário de morte do artista, o Museu Casa de Portinari promove uma série de atividades paralelas à primeira exposição dos painéis “Guerra e Paz” restaurados, que ocorre no Memorial da América Latina em São Paulo.
Na casa onde o pintor morou durante a infância, em Brodowski, serão exibidas reportagens produzidas pela EPTV sobre a restauração das obras. Os visitantes também poderão conferir os estudos feitos por Portinari antes da produção de “Guerra e Paz” e ver de perto réplicas dos murais.
A gerente do Museu Casa de Portinari, Cristiane Maria Patrici, acredita que as atividades aproximam o público do artista, principalmente pelo caráter didático-educativo. “A programação tem como objetivo valorizar o público do interior, que fica à margem dos principais circuitos de exposições de arte”, afirma.
Já em Ribeirão Preto, acontece até o dia 24 de fevereiro na Escola do Amanhã a exposição "Portinari: vida e obra". Os 25 painéis expostos apresentam imagens das principais obras do pintor e dados biográficos sobre Portinari, que também foi poeta.
Museu Casa de Portinari (exibição reportagens da EPTV e réplicas de "Guerra e Paz")
Quando: 07 de fevereiro a 21 de abril
Onde: Praça Candido Portinari, nº 298 – Centro – Brodowski
Informações:             (16) 3664-4284      
Entrada gratuita
Classificação: Livre
Escola do Amanhã (Portinari: Vida e Obra)
Quando: 06 a 24 de fevereiro
Onde: Praça Rudolf Steiner, nº 8 - Jardim São Luiz – Ribeirão Preto
Informações:             (16) 3623-0344      
Entrada gratuita
Classificação: Livre

Produção indígena é alvo de pesquisa

O aproveitamento sustentável dos recursos naturais de aldeias indígenas no Maranhão e no Pará é o objetivo de projeto de pesquisa desenvolvido no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Biodiversidade, mantido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi.


Produção indígena é alvo de pesquisa

O laboratório de práticas sustentáveis em terras indígenas próximas ao arco de desmatamento, coordenado por Claudia López, reúne diversas iniciativas de investigação. Dentre elas está uma pesquisa desenvolvida em nível de pós-graduação que faz levantamento de produtos florestais não-madeireiros em duas aldeias no Pará: Moikarakô na terra indígena Kayapó e Las Casas, na terra indígena do mesmo nome.

O estudo desenvolvido, no âmbito da etnobotânica, pela mestre Sol González Pérez, aborda aspectos do conhecimento e uso de recursos vegetais, assim como das possibilidades de comercialização e possível geração de renda através do artesanato. Pesquisas dessa natureza atendem demandas das próprias comunidades, encaminhadas por seus representantes aos cientistas que se dedicam a estudar populações indígenas.

De início, foi necessário fazer um mapeamento das principais áreas de coleta de sementes, fibras, cipós, além de plantas medicinais utilizadas na medicina tradicional dos índios. Para ambas as aldeias, o estudo foi direcionado às sementes usadas no artesanato. Quarenta e duas espécies de plantas fornecedoras de sementes foram levantadas: 32 em Moikarakô e 26 em Las Casas.

Embora 16 deste total de espécies sejam comuns às duas aldeias, é interessante destacar que entre os Kayapó o intercâmbio de matérias-primas de origem vegetal é uma atividade habitual entre os residentes das diferentes aldeias, e acontece devido à ausência ou presença dos recursos no entorno onde residem, e também como estratégia para reforçar laços sociais, muito importantes entre os índios.

Entre os Ka’apor da aldeia Las Casas, além das sementes utilizadas no artesanato, outros produtos florestais não madeireiros se destacaram. Entre eles, o pequi, do qual são consumidos os frutos; o buriti, cujas fibras são amplamente usadas no artesanato, e o babaçu, utilizado principalmente para a construção de casas (folhas) e para a extração de óleo (das amêndoas). Todas essas espécies são típicas do ambiente cerrado e sua coleta implica tanto na participação feminina (babaçu) e masculina (buriti) quanto na familiar (pequi).

SEMENTES

A utilização de sementes requer um longo processo de tratamento, envolvendo lavagem, secagem, perfuração e, ao final, a sua utilização associada a miçangas, fios de nylon e algodão adquiridos no comércio próximo. Nem sempre foi assim. O artesanato indígena usava materiais originais, fabricados por eles próprios como era o caso do fio de algodão. Os padrões dos desenhos em colares, por exemplo, também hoje mesclam materiais, mas nem por isso deixam de receber o que a pesquisadora denomina de assinatura Kayapó.

No sul do Pará na aldeia Las Casas, a produção de artesanato a partir de sementes é uma atividade predominantemente masculina, uma vez que são principalmente os homens que participam da etapa da coleta de sementes e produção dos colares. Isto não impede, porém, que a atividade venha se tornando familiar. Entre as atividades femininas se destacam os trabalhos feitos com miçangas. Independente da questão de gênero é preciso ressaltar que ao imprimir sua marca, os Kayapó, com seu estilo próprio, também aplicam valor diferenciado ao produto, explica Pascale de Robert, que juntamente com Márlia Coelho Ferreira, orienta o trabalho de mestrado de Sol.

Mas a etapa mais difícil ainda está por vir: a comercialização da produção. A distância dos centros urbanos e a impossibilidade de utilizar materiais hoje proibidos como penas, madeiras e fibras são dois empecilhos.

Dados os valores que alcançam o produto final, o público que tem poder aquisitivo não necessariamente se interessa pelos artefatos. Outro estudo realizado pela antropóloga Claudia López e sua orientanda, Marluce Araújo, entre o povo indígena Ka’apor da Terra Indígena Alto Turiaçu - MA, além da pesquisa acadêmica sobre a cultura material Ka’apor, busca alternativas de comercialização dos artefatos indígenas em Belém, mas o sistema de venda consignada -onde o produtor só recebe quando o artigo é vendido - sob o qual opera o Espaço São José Liberto - e que concentra uma variedade de artigos artesanais Ka’apor, traz dificuldades para as necessidades imediatas de geração de renda.

Ainda que do ponto de vista acadêmico, demandas por vias de comercialização não se constituam fundamentais, as parcerias institucionais facilitadas pelos que mais diretamente estão em contato com as comunidades, são formas legítimas de atuação. Assim, Claudia López menciona possibilidades de colaboração com a Funai para intermediar ação no campo da produção de artefatos indígenas. Há também proposta de alternativa de geração de renda com a demanda de implantação de um Museu de Arte Kayapó na aldeia Las Casas, visando à difusão da Cultura Kayapó.

A partir do método etnográfico, Marluce, sob orientação da antropóloga do Museu Goeldi, Claudia López, identificou em algumas viagens de campo, o potencial das espécies vegetais.

(Agência Museu Goeldi)

fonte:
http://diariodopara.diarioonline.com.br/N-150568-PRODUCAO+INDIGENA+E+ALVO+DE+PESQUISA.html