terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Inaugurado ha 80 anos Museo do Ceará é considerado um dos mais importantes pontos de difusão da historia local.

Ele já é um senhor de idade. Aos 80 anos, carrega tanto os problemas físicos quanto o rico conteúdo típico das idades avançadas. Entre problemas e conquistas, o Museu do Ceará segue como uma das instituições mais importantes para a preservação e difusão da história do Estado.





O acervo do prédio conta com mais de 15 peças, nem todas expostas


Primeiro museu criado pelo governo estadual, hoje seu acervo chega a quase 15 mil peças, entre roupas, mobília, pinturas, fotografias, moedas, documentos, armas, objetos religiosos e outros artefatos - com destaque para as coleções de arqueologia e antropologia indígena e, claro, para o corpo empalhado do famoso Bode Ioiô.

Sede do Sistema Estadual de Museus (SEM-CE), o Museu do Ceará é um dos mais ativos, tanto pela programação de mostras temporárias e permanentes quanto de formação - desde a visitação de estudantes até a formação de professores e profissionais da área de museologia, além da manutenção de uma linha de publicações.

O impacto, porém, ocorre mesmo antes de entrar, no encontro com a fachada do Palacete Senador Alencar, que abriga o Museu. Construído em 1871 para sediar a Assembleia Provincial do Estado, o prédio destaca-se pela imponência das colunas, janelas e da escadaria interna, em estilo neoclássico.

O Palacete integra o conjunto de edificações do Centro histórico de Fortaleza, formado pela Igreja do Rosário, a Praça General Tibúrcio e o Palácio da Luz, entre outras. Antes de acolher o Museu do Ceará, foi ocupado pelo Liceu do Ceará, o Fórum, o Tribunal Regional Eleitoral, a Faculdade de Direito, a Biblioteca Pública, o Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras.

Início
À época denominado Museu Histórico do Ceará, a instituição foi criada em 3 de fevereiro de 1932, pelo decreto nº 479, como parte do Arquivo Público do Estado. Seu organizador e primeiro diretor foi o historiador Eusébio Néri Alves de Sousa, responsável pelo cargo até 1942.

A inauguração e abertura ao público, no entanto, aconteceram apenas no ano seguinte, quando passou a funcionar em um prédio na esquina das ruas 24 de Maio e Liberato Barroso. Em meados do ano seguinte, foi transferido para a Avenida Alberto Nepomuceno (vizinho à Praça da Sé, onde permaneceu até 1957). Até chegar ao Palacete, em 1990, o Museu do Ceará passou por outros três endereços.

Desde a gestão de Eusébio de Sousa - quando as propostas de exposições não seguiam recortes temáticos ou de espaço e tempo, mas resumiam-se à reunião tipológica de objetos - o trabalho desenvolvido no Museu avançou muito. Após ser desvinculado do Arquivo Público, foi filiado ainda ao Instituto do Ceará, quando é revestido de um caráter regional, com o objetivo de documentar fatos do Nordeste e, em especial, do Ceará.

O responsável pela transformação foi Raimundo Girão, que futuramente ocuparia a cadeira de diretor do Museu. Entre as mudanças empreendidas, ele incorporou ao acervo objetos do Museu do Instituto do Ceará, entre os quais a coleção Thomaz Pompeu Sobrinho. Também adquiriu a colação de antropologia indígena pertencente ao Museu Rocha. O trabalho de reorganização teve a importante colaboração da historiadora Valdelice Girão. Nesse momento, acontece o primeiro tombamento do acervo, em 1959.

Em 1966, o Museu passa a integrar a recém-criada Secretaria da Cultura do Estado. Cinco anos depois, a instituição é assumida pelo professor Osmírio de Oliveira Barreto, quando a relação com a comunidade foi substancialmente melhorada, através de projeto que levava apresentações do Museu para as escolas da Capital e Região Metropolitana de Fortaleza.

Entre as décadas de 90 e 2000, acontecem novas conquistas importantes para o Museu do Ceará, sob as gestões de diferentes diretores. Valéria Laena, por exemplo, iniciou um programa de restauração de algumas coleções e objetos do acervo. À época, também são criadas a Associação dos Amigos do Museu do Ceará, a reserva técnica (com peças do acervo que são revezadas em exposições) e o núcleo educativo.

Já a historiadora Berenice Abreu teve uma administração voltada a ações de cunho social, com trabalhos envolvendo crianças de rua e cursos de montagem de exposições e de formação de guias em bairros da periferia.

A partir de 2000, o historiador Régis Lopes assume a direção do Museu, marcada por um programa integrado de atividades, entre elas a criação do laboratório de Museu e memória na História Social, pesquisas sobre o acervo e a montagem da exposição de longa duração "Ceará: história no plural".

Hoje uma das principais exibições permanentes do Museu, é composta por oito módulos temáticos, a exemplo de "Memórias do Museu" (com documentos sobre a trajetória da instituição); "Artes da escrita" (com peças relacionadas a escritores cearenses); "Escravidão e abolicionismo"; "Padre Cícero: mito e rito"; "Caldeirão: fé e trabalho" (com objetos que pertenceram ao líder da comunidade religiosa, beato José Lourenço); e "Fortaleza: imagens da cidade" (onde fica o tal Bode Ioiô).

Outro destaque oriundo da gestão de Lopes foi o Memorial Frei Tito, inaugurado em 2002, com objetos e documentos relacionados à vida do religioso que lutou contra o Regime Militar.

Em 2008, a historiadora Cristina Rodrigues Holanda assume o cargo, de cujo trabalho destaca-se a realização de novas exposições e a aproximação de reivindicações de grupos étnicos e tradicionais - estratégia que rendeu publicações específicas, seminários e a reorganização de um módulo sobre povos indígenas, pertencente à exposição de longa duração "Ceará: história no plural".



FONTE  DIARIO DO NORDESTE


Você conhece o Encontro com Educadores do Memorial da Resistência?



Portugal quer captar os melhores talentos - É você o empreendedor que procuramos?

Transformar ideias inovadoras em negócios. É esta a meta do projeto Energia de Portugal.




Numa iniciativa inédita, o Grupo Impresa, a EDP, a Caixa Geral de Depósito e a Sage Portugal unem-se para encontrar os melhores empreendedores. Numa altura em que o desemprego atinge os 14%, apostar numa boa ideia pode ser a chave para abrir uma empresa de sucesso e trocar as voltas à crise.  
O projeto pretende fomentar uma mudança de atitude, demonstrar a importância da criação de novos negócios e desmistificar as dificuldades inerentes ao processo de lançamento de empresas. O Energia de Portugal quer captar os melhores talentos, juntá-los em 50 equipas e desenvolver ideias de negócio.   
Durante quatro meses - com a organização da Fábrica de Startups e o apoio de mais de duas dezenas de mentores com larga experiência profissional - os selecionados seguirão uma metodologia que traduzirá as ideias em modelos de negócio que, através da interação com os clientes-alvo, estarão prontos para atrair financiamento junto de investidores - business angels e empresas de capital de risco - dispostos a aplicar o seu dinheiro em projetos com potencial. 

Como candidatar-se


Basta ter mais de 18 anos, residir em Portugal e ter iniciativa e vontade de iniciar um projeto novo. As candidaturas ficam, no entanto, vedadas a marcas comerciais ou empresas.  
A organização acredita que as equipas equilibradas e complementares são a chave de sucesso. Por isso, procuramos quatro perfis diferentes de candidatos. O visionário, para quem os grandes desafios são as ideias e o networking, que gosta de elaborar planos de trabalho, liderar equipas e mantê-las motivadas; o comercial, que transmita com facilidade o valor acrescentado de um produto ou serviço aos clientes, investidores e parceiros; o técnico, que transforma sonhos em realidade, arquiteta e desenvolve ideias; e o designer, que transforma as ideias em algo que as pessoas gostam de ver ou usar.  
Se acha que encaixa num destes perfis, vá ao site www.energiadeportugal.com, a partir de 29 de fevereiro, e preencha o formulário. Como não se trata de um concurso de ideias, mas sim de empreendedores, não precisa de ter uma ideia de negócio para participar, mas tem de ter vontade de trabalhar num projeto ambicioso. 
Queremos que chegue ao fim do projeto com condições para arrancar com uma startup - uma ideia já transformada num modelo de negócio validado e com financiamento.  
A 14 de abril, depois de selecionados e informados por email, os candidatos terão 90 segundos para apresentar a ideia e formar uma equipa. A partir daí terá muito trabalho pela frente durante oito sábados nos bootcamps (ver caixa), um programa intenso de desenvolvimento de uma ideia. Dito de outra forma, o objetivo é mitigar os riscos de fracasso da empresa, assegurando que o produto ou serviço tem clientes antes de avançar.  
Qualquer pessoa pode tentar lançar uma startup, mas apenas 200 poderão contar com a experiência da Fábrica de Startups e o know how dos mentores do Energia de Portugal



Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/e-voce-o-empreendedor-que-procuramos=f707472#ixzz1ngXKP3Tp

Artesanato da Bahia ganha certificação



O primeiro selo de certificação do produto artesanal no país, em âmbito governamental, é da Bahia. O selo Bahia Feita à Mão diferencia e valoriza o artesanato local.

Também tem como objetivo proteger de cópias e falsificações o produto artesanal criado e desenvolvido na Bahia, com respeito ao meio ambiente e fidelidade às raízes culturais e simbologias típicas do Estado.
O selo foi concebido pelo Instituto Mauá em parceria com o Ibametro, Sebrae/BA e o Programa do Artesanato Brasileiro – PAB, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A cada ano o artesão poderá inscrever até dois (02) produtos em apenas uma tipologia. É imprescindível estar em dia com a Carteira de Identificação do Artesão, emitida pelo próprio Mauá, e atender às exigências do edital. O Selo de certificação tem validade de três anos.


fonte:
babel das artes

Museu Histórico de Ningbo / Wang Shu, Amateur Architecture Studio

A concepção do projeto se baseou na reutilização de pedras e tijolos artesanais de construções demolidas, produzindo uma impressionante mistura entre diversos tipos de tijolos, pedras e concreto. O estudo profundo sobre a arquitetura vernácula chinesa é outro tema determinante para sua consolidação.




Museu de Literatura de Moscou mostra a arte de um pintor russo não conformista

Anatoly Zverev é considerado um dos pintores russos mais controversos do século XX. Alguns o chamavam de gênio, outros o viam como excêntrico e louco. Para mostrar quem foi este artista, o Museu de Literatura de Moscou montou a exposição intitulada "160 obras de Anatoly Zverev", que, segundo os organizadores, procura retratar a arte daquele que foi chamado de principal integrante do movimento pelo não-conformismo e fundador do expressionismo russo nos anos 60.
O pintor viveu entre 1931 e 1986 e deixou um acervo incalculável como diz frisa Rádio Voz da Rússia de Moscou: “Na realidade, ninguém sabe ao certo quantos quadros e gravuras deixou esse quase autodidata e não-conformista. O mundo da arte oficial da União Soviética não reconhecia Anatoly Zverev. No entanto, muitos artistas admiravam sinceramente seu talento. O famosíssimo pintor Robert Falk afirmava que ´cada traço de seu pincel é um tesouro, artistas de tal magnitude nascem uma vez em um século.´”
“A vida de Zverev é cheia de mistérios e lendas, de especulações absolutamente incríveis. Diz-se que sua vida era inquieta, contam-se histórias de dependência do álcool, há até quem diga que ele podia criar dezenas de trabalhos numa só noite. Para ele, era absolutamente irrelevante como, onde, com que e sobre o que criar: em pedaços de papel, cartazes velhos, folhas de calendário, pedaços de linóleo. Algumas linhas rápidas, mas muito precisas, uns traços, e nascia uma obra de arte, surpreendente, chocante, mas não deixando ninguém indiferente”, descreve a matéria da Voz da Rússia.
A exposição no Museu de Literatura resulta das telas cedidas pelo casal de colecionadores de arte Natália e Guennady Goldin, composta por pinturas e desenhos. Segundo Guennady Goldin, o “principal tesouro” da coleção são os trabalhos feitos por Zverev na década de 50, porque poucos deles restam e os que existem estão “espalhados entre muitas coleções”.

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Três vezes cidade-sede, Londres ganhará http://esportes.terra.com.br/jogos-olimpicos/londres-2012/noticias/0,,OI5635851-EI19410,00-Tres+vezes+cidadesede+Londres+ganhara+museu+olimpico+em.html olímpico em 2014

Como legado dos Jogos de 2012, Londres terá o seu próprio museu olímpico. Os planos são para que a construção seja situada ao lado da Torre Orbit, localizada no Parque Olímpico, ao leste da cidade. A partir de 2014, o museu poderá ser visitado e contará a história da capital inglesa como a primeira cidade a sediar os Jogos por três vezes (1908, 1948 e agora 2012).
"Acredito que o British Olympic Museum (Museu Olímpico Britânico) vai ser a maneira perfeita para garantir o espírito, emoção e as lembranças dos Jogos de Londres 2012. Isso pode inspirar as futuras gerações a seguirem os próprios sonhos", disse Colin Moynihan, presidente da Associação Britânica Olímpica (BOA).
Com o suporte da BOA, o museu terá uma galeria dos campeões, as construções dos locais, os esportes olímpicos de verão e inverno, além de um foco especial nos Jogos de 2012.
Londres 2012 no Terra
Terra, maior empresa de internet da América Latina, transmitirá ao vivo e em alta definição (HD) todas as modalidades dos Jogos Olímpicos de Londres, que serão realizados entre os dias 27 de julho e 12 de agosto de 2012. Com reportagens especiais e acompanhamento do dia a dia dos atletas, a cobertura contará com textos, vídeos, fotos, debates, participação do internauta e repercussão nas redes sociais.

O museu deverá ficar no Parque Olímpico de Londres . Foto: Getty Images
O museu deverá ficar no Parque Olímpico de Londres 



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Leda Catunda faz palestra sobre processo criativo em Campinas

Artista multimídia integra mostra "Zoom Latinoamericano" com a obra "Vida Animal", na CPFL Cultura
Leda CatundaApontada como um dos maiores talentos surgidos nos anos 80, a artista Leda Catunda – que integra a exposição “Zoom Latinoamericano – Coleção de Arte FEMSA” com a obra “Vida Animal”, em cartaz na Galeria de Arte da CPFL Cultura, até 8 de abril – ministra palestra na CPFL Cultura, em Campinas, nesta quinta-feira, 1º de março. A entrada é gratuita.
 
Com o tema “Percurso da Obra e Processo Criativo”, a artista desvenda seu olhar investigativo  sobre as artes visuais e sua percepção do contemporâneo.
 
A artista
 
Leda Catunda nasceu em São Paulo, onde formou-se em 1984 em Artes Plásticas na FAAP. Expõe desde 1981 em museus e galerias no Brasil e em diversos países.
 
A artista ganhou destaque nacional após participar da exposição “Como vai você, Geração 80?”, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 1984. A partir desta exposição, conquistou o mercado e a crítica de arte, a ponto de se tornar uma celebridade estampada em capas de revistas e jornais. Além de pintora, artista multimídia e gravadora, Catunda lecionou na FAAP de 1986 a meados da década de 90.
 
Leda apresenta um percurso que contabiliza três Bienais de São Paulo (1983, 1985 e 1994) e grandes mostras coletivas como “Modernidade” (Paris, 1987), “Artistas Latinos-Americanos do Século 20” (Museu de Arte Moderna de Nova York, 1993) e “Mostra do Redescobrimento” (São Paulo, 2000). Também fez doutorado em poéticas visuais na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, em 2001.
 
A artista investe na pintura como um meio ainda capaz de significar algo. Sua investigação no campo pictórico foca os limites entre a pintura e objeto. Ela chama atenção para a textura e a superfície dos materiais industrializados, tendo como acabamento o emprego de técnicas artesanais - como a costura - para adquirir originalidade, particularidade e identidade.

Serviço:

Palestra de Leda Catunda – “Percurso da Obra e Processo Criativo”
Local: Café Filosófico da CPFL Cultura Campinas. Rua Jorge Figueiredo Correa, 1.632, Chácara Primavera.             (19) 3756-8000       
Data: 1º de março 
Horário: 19 horas
Entrada: gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18 horas
 
Fonte: assessoria de imprensa

Conferência Rio+20: oportunidade e vitrine para o trabalho voluntário










Para dirigente do programa VNU, evento vai ajudar a mostrar a força da ação voluntária para o alcance do desenvolvimento sustentável


Jacob Said/Divulgação PNUD
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O programa de Voluntários das Nações Unidas (VNU) é administrado pelo PNUD e trabalha há mais de 40 anos na promoção do voluntariado. Por sua atuação, o VNU foi homenageado, no final de 2011, com o Troféu Beija-Flor, concedido pela ONG Rio Voluntário. O troféu reconhece pessoas e instituições que contribuem de forma significativa para a causa do voluntariado e o desenvolvimento. O VNU recebeu a distinção na categoria especial Rede.
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A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que movimentará a cidade do Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho, será um momento excepcional para que o trabalho voluntário mostre sua força e importância em eventos de grande porte. Essa é a opinião de Marco van der Ree, chefe da Área de Parcerias da Divisão de Parcerias e Comunicação do programa de Voluntários das Nações Unidas (VNU).

Ampliar o reconhecimento, segundo Ree, é um dos principais desafios que o voluntariado tem pela frente, especialmente no atual contexto, em que as discussões sobre a implantação de um modelo sustentável de desenvolvimento ganham força mundialmente. Para o dirigente, a ação voluntária, se melhor reconhecida, estimulada e fortalecida, pode contribuir fortemente com a construção desse novo paradigma.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista que Ree concedeu ao PNUD em recente passagem por Brasília. Fluente em português, conquistado depois de uma longa temporada morando e trabalhando no Brasil, o representante do VNU, que é holandês de origem, explicou como a Rio+20 pode contribuir e se beneficiar da ação voluntária. Ele também fez reflexões sobre os avanços e desafios do voluntariado em âmbito mundial.


2011 foi um ano especial para o voluntariado: a data marcou uma década desde que a ONU estabeleceu o Ano Internacional do Voluntariado (AIV+10). Quais as principais conquistas nesse período?
Bom, é um período bastante grande, mas eu acho que tivemos vários avanços nesses dez anos, tivemos um pouco mais de informação sobre como medir o que é o voluntariado, tivemos um pouco mais reconhecimento em nível global, mas fizemos justamente o AIV+10 porque ainda não tivemos conquistas suficientes e pensamos que o voluntariado ainda não foi suficientemente reconhecido em nível global. Em muitas sociedades, sim, tem mais reconhecimento, tem mais apoio do governo, tem mais apoio de entidades da sociedade civil, mas outros lugares ainda deixam muito a desejar quanto ao reconhecimento do que é o voluntariado e do que significa para a sociedade como um todo.


Entre as atividades realizadas em 2011 em comemoração ao AIV+10, há alguma em especial que o senhor destaque?
Uma coisa que nos deixou muito orgulhosos no VNU no ano passado foi o lançamento do primeiro relatório global sobre o voluntariado (State of the World’s Volunteerism Report), que foi lançado no dia 5 de dezembro, na Assembleia Geral, pela Administradora do PNUD, Helen Clark. O relatório fala sobre todos os aspectos do voluntariado em nível global - eu acho que não chegamos ao ponto de termos todas as informações necessárias, então tem um trabalho futuro a fazer, ainda mais pesquisas sobre o que significa o voluntariado - mas o relatório mostra o valor para a inclusão social, o valor do voluntariado para as pessoas, as comunidades, a coesão social, mostra como medir um pouco melhor o voluntariado dentro de estatísticas de certos países. Tivemos um trabalho com a John Hopkins University e a OIT nos últimos anos que mostra um pouco mais disso, e mostra o valor, mesmo, do voluntariado, um valor ético das pessoas, mostra que o voluntariado é uma coisa profundamente humana das pessoas, querendo ajudar o outro dentro da sua comunidade ou talvez muito além.


Que desafios ainda precisam ser enfrentados pelo voluntariado em âmbito global?
Eu acho que o que falta ainda é o reconhecimento, o que o voluntariado significa para a sociedade e o que significa dentro de um contexto de desenvolvimento sustentável. Podemos trabalhar mais com base na vontade humana das pessoas, ou seja, o voluntariado dentro de comunidades. Um exemplo muito interessante sobre isso foi um projeto na Índia que se chama Teach India. Foi um projeto de alfabetização de pessoas - adultos e crianças - de bairros pobres, populações pobres, e foi então gente de classe média, muitas vezes, com trabalho bom, com escolaridade universitária, que foi trabalhar nas escolas na periferia das cidades. Assim juntam-se as duas classes dessa sociedade indo trabalhar em conjunto, um ajudando ao outro. Assim é possível fortalecer a coesão social de uma comunidade.


Quando se fala em desastres naturais, há a impressão de que sempre é preciso ajudar de alguma forma, seja fazendo doações, seja estando no local. Como o voluntariado se encaixa nesse contexto?
O que a gente vê é que quando tem desastres, sempre tem pessoas que querem ajudar e é importante apoiar, coordenar e organizar esse apoio. Então é importante canalizar a vontade humana das pessoas que querem ajudar e coordenar e organizar. Por isso, necessitamos de mais coordenação quando há desastres. O que deu para ver agora no Japão, no ano passado, depois do terremoto e do tsunami, dentro de um período de oito meses, eu acho que o dado foi que 800 mil voluntários foram ajudar a população nessa região no norte do Japão. Visitamos a região junto com a Coordenadora Executiva do VNU em novembro e realmente o lugar foi totalmente devastado. Mas deu para ver ao mesmo tempo a capacidade humana de querer ajudar. Eu vi um trabalho muito bonito lá em que os voluntários foram dentro do desastre procurar itens pessoais, inclusive fotos das pessoas, e foram limpando cada foto, registrando cada foto numa base de dados para que os sobreviventes pudessem encontrar suas fotos antigas. Então esse foi um trabalho muito grande, porque eles tinham necessidade, eram mais de 100 mil itens, então imagine o que é cadastrar todos os itens e depois ajudar as pessoas a reencontrar suas coisas é um trabalho muito grande e não tem recursos, muitas vezes.


O que pesa mais no processo de escolha de um voluntário pelo programa VNU: a qualificação profissional ou a motivação?
Ambas são importantes para o programa VNU. Nós temos quase oito mil voluntários por ano em 130 países, dos quais uns 2,5 mil são voluntários nacionais e o resto são voluntários internacionais. Para nós, o mais importante é que essas pessoas vão para o lugar onde eles vão fazer o seu trabalho voluntário, que é um trabalho voluntário de longo prazo – seis meses, um ano, dois anos, às vezes um pouco mais – que tenham a capacidade profissional para fazer o que eles têm a fazer. Não é um posto de treinamento, não é um estágio, por exemplo, realmente esses voluntários têm que ser profissionais. Ao mesmo tempo, sem a motivação do voluntário, eu acho que não vão poder fazer o trabalho. Se vão trabalhar numa missão de paz no leste do Congo, em situações muito complicadas, as pessoas têm que ter a motivação para fazer isso, não é suficiente somente ter a qualificação profissional, porque talvez não possam aguentar, mas se eles têm a motivação eles vão querer fazer.


Que papel o voluntariado terá na Rio+20 e nos próximos grandes eventos que ocorrerão no Brasil?
Essa é uma pergunta muito interessante e tem dois aspectos fundamentais. Um, que já falamos um pouco, é sobre a necessidade de reconhecimento, o que é o voluntariado dentro do contexto de desenvolvimento sustentável, a questão da Rio+20, e como isso poderia fazer parte das discussões dos estados membros das Nações Unidas. Uma das atividades do ano passado no contexto do AIV+10 foi a conferência do Departamento de Informações das Nações Unidas, que tem anualmente uma conferência para ONGs. Chamava-se Sociedades Sustentáveis, Cidadãos Responsáveis. Então aí tentamos ter uma discussão sobre o que significa a sociedade civil dentro do contexto de desenvolvimento sustentável, o que significa engajamento cívico dentro do contexto de desenvolvimento sustentável e o que significa voluntariado dentro do contexto de desenvolvimento sustentável. E saiu uma declaração muito grande, com muitas recomendações para a Rio+20. Então esperamos que a própria conferência vai levar em conta este documento como uma das sugestões para a Conferência e esperamos que essa questão seja muito mais discutida e faça parte do documento resultado da Rio+20, e que no futuro possamos trabalhar muito mais sobre o voluntariado e desenvolvimento sustentável.

A outra parte é a de que, como para qualquer evento grande, é preciso muitos voluntários. E muitas vezes isso não é visível ou não é reconhecido. Você tem as Olimpíadas, você tem conferências grandes e tem sempre muitos voluntários atrás ajudando, então o governo brasileiro também está trabalhando neste momento já num programa de mobilização de voluntários para a Rio+20 e isso teria componentes de discussão sobre desenvolvimento sustentável na cidade do Rio com populações carentes, nas favelas, com toda a população do Rio, e tentar ter pessoas das comunidades do Rio de Janeiro trabalhando como voluntários dentro da Conferência.


Há uma estimativa de quantos voluntários deverão atuar na Rio+20?
É complicado dizer agora o número de voluntários para a Rio+20, acho que o governo está pensando em três mil voluntários. Para as Olimpíadas em Pequim, que o VNU também, junto com o PNUD, trabalhou apoiando o comitê organizador, eu acho que houve mais de 100 mil voluntários. Então você pode ver que a nossa sociedade não funcionaria sem voluntários e esses eventos também precisam de um grande número deles.






Assista ao vídeo com a entrevista completa.
 
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fonte:
http://www.pnud.org.br/cidadania/reportagens/index.php?id01=3888&lay=cid