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segunda-feira, 7 de maio de 2012

O movimento Não Foi Acidente lutará sempre por mais educação de trânsito e campanhas de conscientização,

 http://naofoiacidente.org/site/assine/


INFELIZMENTE, ISSO É FATO
Nosso governo gasta R$ 8 bi/ano em uma guerra que enfrentamos diariamente no Brasil: as imprudências no trânsito. São cerca de 40 mil vítimas de acidentes de transporte por ano. Dessas, 40% são decorrentes do álcool na direção. É também a principal causa morte de crianças de 1 a 14 anos em nosso país.

Rafael Baltresca teve a mãe e a irmã mortas no dia 17/09/11, vítimas de um atropelamento por um carro em alta velocidade, em São Paulo. O atropelador, Marcos Alexandre Martins, se recusou a fazer o exame do bafômetro, mas fez exame de sangue. No B.O., testemunhas afirmam que Marcos estava completamente embriagado. Frente a esta situação e à realidade que o Brasil enfrenta, Rafael Baltresca criou o movimento Não Foi Acidente, com o objetivo de mudar as leis brasileiras que abrem tantas portas para a impunidade.

fonte:
http://naofoiacidente.org/site/assine/



Casa onde viveu o escritor Monteiro Lobato vira museu no interior de São Paulo



O museu é uma casa antiga com pé-direito alto. Em uma das salas, logo na entrada, móveis e objetos que pertenceram à família do escritor


Estrategicamente localizada entre a romântica Campos do Jordão, na serra, a litorânea Ubatuba e ainda  apenas 130 quilômetros distante da capital paulista, Taubaté carrega o título de capital nacional da literatura infantil. Logo na entrada da cidade uma estátua explica o conceito ao exibir o seu mais ilustre filho ao lado de seu mais famoso personagem. Um gigante Monteiro Lobato em concreto - acompanhado por uma graciosa boneca Emília - dá as boas-vindas a quem chega. 


Imensa área verde atrai famílias nos fins de semana. O acesso é gratuito

O escritor nasceu em Taubaté, em 18 de abril de 1882, e passou dias memoráveis de sua infância na propriedade do avô materno, o Visconde de Tremembé. O local, um casarão em meio a uma  extensa área coberta por frondosas árvores frutíferas,  inspirou a criação dos personagens Tia Nastácia, Visconde de Sabugosa, Dona Benta, Marquês de Rabicó, Cuca, Saci, Pedrinho, Narizinho e Emília, a boneca que fala.

Sim, o Sítio do Picapau Amarelo existiu mesmo e em 1962 foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo, dando lugar ao que hoje é chamado de Museu Monteiro Lobato. 


O escritor morou nesse casarão, na cidade de Taubaté, até os 12 anos. Atualmente, o local abriga um museu

Memória
O museu é uma casa antiga com pé-direito alto. Em uma das salas, logo na entrada, móveis e objetos que pertenceram à família do escritor. No ambiente seguinte, uma exposição iconográfica conta a trajetória de Lobato. Na cozinha, elementos antigos como chaleiras, pilões, moedores e fogão a lenha transportam a imaginação do visitante para um tempo em que Dona Benta serviria um bolo quentinho a seus netos.

O espaço ainda abriga um teatro e uma biblioteca infantil com as obras de Monteiro Lobato. Há programação de oficinas de artes para o público infantil, brincadeiras, peças teatrais com os personagens imortalizados pelo autor e outras atividades disponíveis no site oficial do museu: www.museumonteirolobato. com.br.

Do lado de fora, uma área verde de 18 mil metros quadrados é um convite para um piquenique ou uma das mais gostosas travessuras de criança: subir em árvores. A entrada é gratuita e tudo isso é permitido no local.

Quem brincou muito por lá foi a paulista Mariana De Paula, de 7 anos. Levada pela  avó Fausta Batista, a pequena Mariana aproveitou as atividades especiais da Semana Monteiro Lobato,  que ocorre sempre no período do aniversário do escritor, em 18 de abril. “Venho brincar às vezes e gosto muito”, garante.

Gente grande 
O escritor taubateano não atrai apenas os pequeninos. Aqueles que cresceram imaginando como seria o sítio que dava vida ao Visconde de Sabugosa, ao Saci, à Cuca e à boneca Emília se encantam ao descobrir que o lugar é real. Uma dessas fãs é a jornalista mineira Iara Siqueira, 23 anos. “Comecei a gostar do Lobato quando fiz um teatro na escola, eu tinha 10 anos e fui o Visconde de Sabugosa. A partir daí li todos os livros infantis e a maioria para adultos”, conta.

Iara visitou o sítio pela primeira vez em março deste ano e conta que chorou emocionada. “Era a casa que eu via nos livros, eram os óculos do Lobato, era a cozinha de onde saíam as gostosuras da Tia Nastácia. Era como se cada estátua  estivesse viva. Mesmo com 23 anos eu sei que os sonhos de criança não morrem”.

fonte:
http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/casa-onde-viveu-o-escritor-monteiro-lobato-vira-no-interior-de-sao-paulo/

Creio em Tupã

Escrevo daqui de Tupã, uma cidade no oeste de São Paulo, onde passei a semana ouvindo as pessoas falarem com o delicioso ‘r’ caipira. Talvez o ex-ministro José Dirceu, quando dobra a língua para pronunciar o ‘r’ de seu nome, não saiba que está usando uma língua indígena. Mas está. Esse ‘r’ denominado pelos linguistas de ‘r’ retroflexo, vem de língua do tronco Jê que deixou suas marcas fortes no sotaque do português regional. Ninguém fala assim em Portugal.

José Dirceu, da mesma forma que o ex-governador Orestes Quérrrcia, podem não saber que o ‘r’ deles é dos índios, mas a universidade sabe, porque a Unicamp  já andou pesquisando o assunto.Acontece que os conhecimentos contidos nas teses e dissertações acadêmicas ficam, quase sempre, escondidos do grande público, que não toma conhecimento do inventário sobre as significativas contribuições das culturas indígenas para a formação da identidade brasileira. Afinal, quem somos nós, os brasileiros? Esse foi um dos temas que me trouxe a Tupã, onde se realizou, de 30 de abril a 3 de maio, o primeiro Encontro Paulista sobre Questões Indígenas e Museus e o terceiro  Seminário sobre Museus, Identidades e Patrimônio Cultural, promovido pelo Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE). Fui convidado a trocar figurinhas com índios de várias etnias e com pesquisadores e gestores culturais de todo o Brasil, além de especialistas da Argentina, México, Estados Unidos e Itália.

O que fazer para que o conhecimento produzido pelos centros de pesquisa não fique escondido? Diferentes foros abordam o papel da escola, da universidade, da mídia, do cinema, das igrejas, dos sindicatos nesse processo. Mas aqui, nestes dois eventos, se tratava de  discutir o papel dos museus, incluindo os museus universitários, o que conduz necessariamente a um conjunto de indagações sobre: memória, patrimônio, identidade, formação de coleções etnográficas, conservação e exposição dentro do espaço dos museus, curadoria, políticas públicas, estrutura de organização e funcionamento da instituição, estudo da reação e do comportamento do público.

Poder do Museu
Ficamos sabendo, por exemplo, através de um diagnóstico realizado pelo Sistema Estadual de Museus, (Sisem/SP) que existem 415 museus em São Paulo, entre os quais está o Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuire, em Tupã, que sediou o seminário. Inaugurado em 1966, este museu possui 38 mil peças de diferentes culturas indígenas do Brasil, incluindo objetos da cultura material  dos Kaingang e Krenak, que ainda hoje habitam a região.
 
A cidade de Tupã, fundada em 1929 pelo empresário pernambucano Luiz de Souza Leão em terras que foram tomadas dos índios, escolheu para seu museu histórico o nome da índia Vanuire, que desempenhou papel importante nas relações entre índios e a sociedade regional envolvente. Ela veio do Paraná, mas não se sabe quando, nem exatamente de onde. O que se sabe é que morreu em 1918, na aldeia Kaingang de Icatu, na região de Araçatuba.

Depois de muita violência dos bugreiros contra os índios, Vanuire decidiu pacificar os “brancos”. Conta-se que ela subia num tronco de jequitibá com dez metros de altura, onde permanecia do nascer do dia ao cair da tarde, entoando canções em favor da paz. Desta forma, com a música, ela pacificou os invasores de sua terra: no dia 19 de março de 1912 foi assinado uma espécie de armistício entre os Kaingang e os bugreiros.

O Museu Índia Vanuire incorporou em suas atividades os índios que habitam hoje a região e que compareceram ao evento para tomar conhecimento de experiências de outras partes do Brasil e de outros países. Discutiu-se, por exemplo, os museus indígenas do Ceará, entre os quais o Museu Cacique Sotero dos Índios Canindé, o Museu Maguta, dos Ticuna no Alto Solimões e o Museu Kuahi, dos índios do Oiapoque. Além disso, foram feitos relatos sobre museus comunitários no México e museus etnográficos na Argentina e nos Estados Unidos.

Os índios estão incorporando rapidamente ao seu discurso um conjunto de conceitos – ‘patrimônio’, ‘reserva técnica’, ‘restauração’ e outros que fazem parte da literatura especializada. Eles descobriram o museu e estão aprendendo como fazê-lo. Não está longe o dia em que haverá índios especializados nesta área, com curso universitário, como já ocorre no Canadá.

O conceito de ‘museu’, que vem sendo refinado pelos museólogos, tem sido também discutido pelos índios. Quase todos identificam a instituição como um lugar de conhecimento, de pesquisa, de estudo, de guardiã da memória. No entanto, os índios, agora, não aceitam mais passivamente que os museus construídos por não índios tenham o monopólio do discurso histórico que lhes diz respeito. Querem deixar de ser apenas um objeto musealizável e serem também – eles próprios – agentes organizadores de sua memória.

A exposição do museu Índia Vanuire abre com uma frase do fundador da cidade de Tupã, Luiz de Souza Leão: ‘Creio em Tupã’, de sentido ambíguo, tanto se refere ao município, com seus empreendimentos e seus negócios, como pode também apontar para as culturas indígenas. Quérrrcia já morreu, mas o Dirrrceu, com a graça do bom Deus, está vivo, vivíssimo. Quem sabe se o museu cumprir seu papel informativo, Dirceu descobrirá a origem do ‘r’ caipira e passará a crer em Tupã. Ele e todos nós.


fonte:
http://blogs.d24am.com/taquiprati/2012/05/06/creio-em-tupa/



Governo quer mudar a impressão de que ir a museu é chato

Ir ao museu pode parecer um programa chato e pouco atraente para muitas pessoas. O presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), vinculado ao Ministério da Cultura, Gilberto Nascimento Júnior, admitiu à Agência Brasil (ABr) que a queixa é procedente. "Sinceramente? [Acho] que essas pessoas têm razão. Há vários museus que são muito chatos". Para mudar essa impressão será realizada, de de 16 a 20 de maio, a 10ª Semana dos Museus que envolve 1.114 instituições culturais em todo o país com a programação de 3.420 eventos, que vão desde visitas guiadas até apresentações de filmes e espetáculos.

A seguir, os principais trechos da entrevista de Nascimento à ABr.

ABr – É comum ouvir de algumas pessoas que ir ao museu é chato e pouco atraente. Quando o senhor escuta isso, o que lhe vem à mente?
Gilberto Nascimento Júnior – Sinceramente? [Acho] que essas pessoas têm razão. Há vários museus que são muito chatos. Existem vários museus que têm de ser repensados. Mas esse quadro tem melhorado. As instituições culturais têm revisto muitos aspectos e a questão sempre está em debate. Em 2012, completamos dez anos de [novas] políticas de infraestrutura de museus destinada a mudar um conjunto de situações.

ABr – Em geral, a queixa dos que atuam na área cultural é sobre a falta de investimentos. A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, disse que o orçamento de cerca de R$ 2 bilhões para este ano é o maior da história recente, mas o senhor acredita que ainda é insuficiente?

Nascimento – Infelizmente ainda não se compreendeu no país que investir em cultura deve estar entre as prioridades. Não há países com grandes economias que não investem em cultura. Precisamos, todos, aprender a enxergar a cultura de outra forma. O Brasil é a sexta economia mundial; graças aos esforços coletivos conquistamos mais igualdade social e a inclusão tem ocorrido, mas é preciso avançar.

ABr – É visando o que o senhor chama de "repensar" e "recriar" que ocorrerá a 10ª Semana dos Museus em todo o país?

Nascimento – Exatamente. A 10ª Semana dos Museus, cujo tema é Museus em um Mundo em Transformação: Novos Desafios, Novas Inspirações, pretende incentivar cada vez mais as pessoas para que conheçam e gostem da vida cultural. A programação envolve 1.114 museus e instituições culturais em todo o país em 3.420 eventos. São visitas guiadas, apresentações de filmes e espetáculos. O brasileiro sempre teve interesse em cultura, mas não tinha condições de vivenciar isso, agora com as novas políticas culturais essa situação tem sido modificada.

ABr – Dá para reverter uma má experiência com museus, por exemplo, a pessoa foi e não gostou?

Nascimento – São essas pessoas também que estão entre os nossos convidados da 10ª Semana dos Museus. Meu apelo é: mesmo aqueles que fizeram uma má visita a um museu, que por uma ou outra razão não gostaram, por favor, voltem e tentem novamente. Vale a pena. Vamos tentar e comemorar os dez anos de novas políticas culturais no país.

ABr – O Ibram dispõe de informações que as pessoas estão se interessando mais para ir aos museus e consumir cultura de forma geral?

Nascimento – Sim. O brasileiro sempre gostou de arte. Por exemplo, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) no Rio de Janeiro está entre as 12 instituições [culturais] mais visitadas no mundo. O interesse do brasileiro pela área cultural como um todo vem melhorando, o que inclui o consumo por cultura. Imagine quanto um trabalhador que tem família – mulher, marido e dois filhos, por exemplo – gasta para consumir cultura? É um custo alto. Os nossos esforços agora são para baratear cada vez mais e garantir que o brasileiro tenha mais acesso [à vida cultural]. Esse é um dos nossos desafios.

ABr – Consumir cultura também estimula um lado negativo que é o relacionado ao roubo de peças dos museus, volta e meia há relatos sobre isso. Como lidar com esse mercado negro?

Nascimento – Trabalhamos em parceria do Ibram com a Receita Federal e a Polícia Federal. Há um Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos por meio do qual estão registradas as obras e peças que não se encontram nas [respectivas] instituições. Qualquer um pode denunciar. Tentamos montar uma espécie de cadeia nacional de segurança para poder evitar e conter esses episódios [relativos aos roubos]. Existe ainda um trabalho de conscientização e integração com as polícias estaduais. Nada disso pode ser isolado.

fonte:
http://www.bonde.com.br/?id_bonde=1-12--24-20120506