Listen to the text.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Minas Gerais era um dos poucos estados brasileiros a orgulhar-se de possuir um museu dedicado à educação

Museu da Escola, que funcionava na Praça da Liberdade, foi transferido para o Bairro Gameleira


Minas Gerais era um dos poucos estados brasileiros a orgulhar-se de possuir um museu dedicado à educação, num prédio imponente da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, onde funcionava a extinta Secretaria de Estado da Educação. Com acervo importante de cerca de 6 mil peças, entre mobiliários, objetos escolares, livros, cadernos, cartazes, cartilhas, mapoteca, manuais de ensino, fotografias, documentos textuais e arquivos de depoimentos orais, vindos de várias coleções, a instituição contava com público cativo em busca de estudo, pesquisa e reflexão. O Museu da Escola foi fechado para dar lugar, em 2010, ao Museu das Minas e do Metal. “Foi um dos paradoxos mais loucos que presenciei na vida. Arrancaram um museu para colocar outro. Tiraram a educação de lá”, reclama a socióloga e professora da Faculdade de Educação da UFMG Inês Teixeira. 

O antigo espaço, como foi idealizado, deixou saudade e uma ferida aberta no setor da educação e da memória em Minas. A história remonta a 1990, quando, dentro das comemorações do Ano Internacional da Alfabetização, foi realizada uma exposição sobre a educação no Centro Cultural UFMG, na capital mineira. Além de atingir grande repercussão, a mostra despertou para necessidade de se pensar um museu dedicado ao tema. A tarefa, liderada pela educadora Ana Maria Casasanta, em colaboração com o professor Raimundo Nonato Fernandes, ganhou adeptos até que, em 1994, foi inaugurado o pioneiro Museu da Escola, o primeiro do gênero da América Latina. “Surgia no lugar certísssimo: o prédio da antiga Secretaria de Educação, no Palácio da Educação, local de fácil acesso de todos, na Praça da Liberdade”, lembra a ex-diretora do Museu de Arte da Pampulha Priscila Freire. Ela mesma doou todo seu acervo sobre educação para o novo museu. 

O projeto do Circuito Cultural Praça da Liberdade foi lançado em 2009 sem considerar a presença do Museu da Escola. A instituição foi retirada do local de origem e, desde então, o acervo iniciou um processo de transferência que dura até hoje. Permaneceu um tempo num espaço bem menor no Instituto de Educação, entre 2007 e 2011, até ser mais uma vez transferido para outro prédio provisório no Magistra, a escola de formação e desenvolvimento profissional de educadores de Minas Gerais, no Bairro Gameleira. A história não chegou ao fim. “A meta é reformar um casarão no próprio local e transferir definitivamente o museu. Aí sim, terá sede definitiva. Hoje não tem o apelo arquitetônico de antes. Meu papel é tentar recuperar a história que perdemos”, afirma Ângela Dalben, diretora do Magistra. Ainda não há verba garantida para a realização do projeto. 

As críticas atuais ao Museu da Escola não são somente relacionadas à arquitetura. Instalado no edifício dentro do Magistra, o formato não manteve a mesma força do projeto original. “Chamaram o escritor Bartolomeu Campos de Queirós (que morreu em janeiro deste ano) para organizar a exposição. O resultado até tem certa graça, mas, infelizmente, não ficou direito. Carece de uma museologia elaborada por um profissional da área e de melhores instalações. A parede é de tijolo furado e, para escondê-la, instalaram uma cortina, o que não é adequado. Para completar, o acervo não está devidamente identificado”, aponta Priscila Freire. Entre várias outras peças, ela doou uma preciosidade: um exercício de francês feito pela sua avó, no século 19. Quando visitou o novo museu, o material estava sem identificação. “Fiquei danada da vida”, conta ela, que imediatamente enviou uma carta aos responsáveis reclamando da situação. 

Orgulho Enquanto funcionou na Praça da Liberdade, o Museu da Escola marcou época. “Vivi uma emoção em Barcelona, na Espanha, em 2004, quando ouvi o depoimento de uma pesquisadora de Santa Catarina citando, orgulhosa, a importância de o Brasil ter um museu dedicado à escola em Belo Horizonte”, lembra Inês Teixeira. Segundo ela, enquanto funcionou no endereço original, o museu cumpria a função. “Era um local para visitar o acervo, as exposições, para promoção de oficinas e para consulta à biblioteca de referência. Ou seja, era um verdadeiro centro cultural. Não perdemos só um museu tudo que imaginávamos para um circuito cultural estava lá”, reforça. A inauguração do Magistra, há três meses, ocorreu justamente para tentar reparar a situação. “Foi feito para preencher o papel de centro de formação que era desempenhado antigamente na Praça da Liberdade”, conta Ângela Dalben. 

O desafio da gestora será mais amplo. A começar pela reconceituação do acervo do Museu da Escola. “O conjunto de peças é rico, bonito e possibilita uma ação pedagógica extensa. Os objetos falam por si mesmos em relação à história da educação em Minas e no Brasil. Precisamos retrabalhar o acervo para recuperar a valorização do professor que está em sua própria história”, avalia Ângela. Além de encontrar uma solução definitiva para o Museu da Escola e para a biblioteca, que também funcionava no prédio da Praça da Liberdade, a diretora pretende dar um futuro mais promissor para o Museu Pedagógico e Laboratório Leopoldo Cathoud, antes instalado no Instituto de Educação, e cujo acervo necessita de cuidados urgentes. Criado em 1946, é formado por cerca de 5 mil peças, entre equipamentos de física, química, astronomia, amostras mineralógicas, zoológicas, botânicas e paleontológicas. Transferido para o Magistra, está em pequena parte exposto, mas carece de verba para voltar a ser apreciado em sua plenitude pelo visitante. 
 
Museu da Escola

Pioneiro no Brasil, conta a história da educação escolar de Minas Gerais. Entre as curiosidades do acervo destaca-se a réplica de uma sala de aula anterior à década de 1930, em que a “orelha de burro” e a palmatória, abolida em 1927, eram sinais de disciplina. Retrata vários momentos pelos quais a educação mineira passou, como a escola tradicional, a escola nova, o modelo pabae tecnicista e a escola contemporânea. Pouco gente sabe, mas, Minas foi pioneira em várias aspectos na educação brasileira desde os anos 1930, quando esteve à frente do país ao lançar a Escola de Aperfeiçoamento, projeto que contou com a participação e liderança de grandes educadores, como a russa Helena Antipoff. Entre as peças do museu, há carteiras e quadros negros. Ele pode ser visitado gratuitamente, no Magistra, Avenida Amazonas, 5.855, Gameleira, de segunda a sexta, das 9h às 17h. Informações: (31) 3379-8210. 
 
Análise da notícia 
Lição de casa 
 
Ao se pensar no Circuito Cultural Praça da Liberdade e se descartar a presença de uma instituição consolidada entre os espaços que seriam criados, sem discussão prévia com o setor cultural, educacional e artístico, o episódio deixou marcas profundas. O setor de educação se sentiu desvalorizado e a cultura perdeu um acervo significativo, num lugar privilegiado. As 6 mil peças dedicadas ao ensino representariam um desafio incrível para qualquer museólogo ou profissional da área criar um museu único no país. Basta ver a experiência de sucesso que o Museu da Língua Portuguesa tem protagonizado em São Paulo, ao trabalhar o novo idioma português em sua vasta expressividade.
 
Além disso, a ideia do circuito previa a valorização dos equipamentos já existentes, como a Biblioteca Pública e o Museu Mineiro, cuidado que não foi seguido no caso do Museu da Escola. A experiência com o Museu da Escola também é sintomática do que não se deve fazer com um acervo histórico. Ao mudar de endereço inúmeras vezes, as delicadas peças, por mais bem acondicionadas que possam estar, sofrem risco de danificação. Felizmente, o futuro parece ser promissor. Mas, ainda assim, não apagará as marcas dos equívocos cometidos.

fonte:
http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_7/2012/05/08/ficha_agitos/id_sessao=7&id_noticia=52792/ficha_agitos.shtml

Programa reúne 2 mil artesãos da agricultura familiar de 16 estados

Blusas de algodão da coleção Talentos do Brasil, do programa do Ministério Agrário. As peças são bordadas à mão em ponto cheio e também com a técnica do labirinto (o tecido é desfiado e retecido com agulha e linha)

O programa reúne 2 mil artesãos da agricultura familiar de 16 estados brasileiros. A produção de vestuário e acessórios de moda e decoração é orientada por designers e estilistas, entre eles Ronaldo Fraga, Jun Nakao e são desenvolvidas de acordo com a identidade cultural de cada região.

IMG_2362IMG_2358IMG_2350

A produção artesanal circula em feiras de negócios de moda nacionais e internacionais como Fashion Business (Rio de Janeiro), So Ethic (Paris, França) e Expo West Natural Products (Califórnia-EUA). 

As roupas e acessórios artesanais já desfilaram no Fashion Rio e no Minas Trend Preview. No badalado evento de Belo Horizonte, as artesãs se emocionaram ao arrancar tantos aplausos.

Fonte: Babel das Artes.

Dia do Artista Plástico


A data foi criada em homenagem a José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899), que nasceu no dia 8 de maio. Ele foi o primeiro artista brasileiro a retratar o homem em seu cotidiano.

Antes os artistas plásticos eram somente os pintores, os escultores, os ceramistas, os gravuristas, os desenhistas e os entalhadores. No entanto, quando a arte rompeu as barreiras da academia o artista foi além: começou a usar até mesmo o próprio corpo para se expressar sobre o mundo.  Além de infinitos recursos, o artista lança mão das novas tecnologias em suas criações.

Cabe ressaltar que artista não é exatamente um ser solitário como se propala.  Dependendo da dimensão e da complexidade da obra criada, pode necessitar trabalhar em parceria com engenheiros, mecânicos, fundidores, entre outros profissionais.

Pelo uso de uma infinita gama de recursos e pelo fato da arte extrapolar há tempos o conceito de estética, o artista plástico é chamado atualmente de artista visual.

almeida-junior12 almeida-junior11 almeida-junior10 almeida-junior9 almeida-junior8 almeida-junior5 almeida_junior6 Almeida Junior2 Almeida Junior1
Entre as obras de Almeida Jr. acima destacam-se: “As Lavadeiras” (1875), “Caipiras Negaceando” (1888), “Caipira Picando Fumo” (1893), “Amolação Interrompida (1894), “A Partida da Monção” (1898), e o “Violeiro” (1899). As imagens foram captadas do site Casa dos Violeiros.