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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Oi Futuro abre edital para seleção de projetos culturais


Cultura - Patrocinios Culturais

A seleção contempla as categorias artes visuais, artes cênicas, música, audiovisual, dança, transmídia (artes integradas com uso de tecnologias multiplataforma) e pensamento (seminários, encontros, ciclos de palestras e cursos). As categorias cultura popular, espaços culturais, patrimônio cultural, além de publicação e documentação concorrem à concessão de patrocínio fora da programação dos espaços do Oi Futuro.

Oi Futuro abre edital para seleção de projetos culturais

 








O resultado será divulgado no site do Oi Futuro, em data a ser definida.
Para inscrever projetos e ter acesso ao regulamento,http://www.oifuturo.org.br/cultura/patrocinios/
Como parte do suporte oferecido aos  proponentes, o Oi Futuro oferece um linha gratuita para esclarecer dúvidas. O 0800 030 08 05 funcionará de segunda a sábado das 9h as 21h. O serviço não funcionará aos domingos e feriados.
http://www.oifuturo.org.br/noticias/noticia.php?id=9766&/oi_futuro_abre_edital_para_selecao_de_projetos_culturais

Fonte: Oi Futuro

Ecomuseu de Maranguape comemora seis anos com vasta programação



Na próxima quinta-feira (11), o Ceará estará em festa. O Ecomuseu de Maranguape irá comemorar seu sexto aniversário e quem ganha é a comunidade. A programação extensa irá agradar os visitantes. Inicialmente, será apresentado o Projeto Agente Jovem do Patrimônio Cultural, onde adolescentes capacitados e mobilizados ajudarão na preservação do patrimônio histórico, cultural e ecológico existente no distrito de Cachoeira.
Ecomuseu de Maranguape realiza várias ações socio-culturais / Foto: promoview.com.br


Destaca-se na grade outras atividades como a segunda edição da Feira de Tecnologias Sociais, o Festival do Minuto de Maranguape, apresentações culturais, a tradicional farinhada e uma feirinha, com produtos e artesanatos locais.

O Ecomuseu é voltado para a conscientização ambiental, investindo em projetos de proteção ao meio ambiente, desenvolvimento local e proteção da educação patrimonial do distrito de Cachoeira.  Em parceria com outras organizações locais, executa um dos quatro projetos apoiados no Ceará pelo Fundo Juntos pela Educação.


 A iniciativa visa a educação e desenvolvimento integral de crianças e adolescentes da comunidade, disponibilizando biblioteca itinerante e uma comunidade de aprendizagem, que conta com lousa digital, teleconversação e vários recursos tecnológicos. Para maiores informações, acesse www.juntospelaeducacao.com.br.


O Guia Cuca é um portal onde você encontra lazer, entretenimento e conhecimento. Seja bem vindo ao Guia Cuca - Cultura e Curiosidades! A gente compartilha, você curte! Curta nossa página no facebook e também o vídeo de apresentação do site!

fonte:

Revolução feminina na aldeia do Morro dos Cavalos: Eunice Antunes é a primeira mulher cacique



Eleita em fevereiro deste ano, índia guarani se junta às outras 11 mulheres caciques de todo o país

imgCarol Macário
@carolmacario_nd
FLORIANÓPOLIS
Rosane Lima / ND
Vaidosa, Eunice Antunes se encheu de adereços para sair bonita na foto
Kunhangue Rembiapo é uma expressão guarani. Significa “trabalho das mulheres” e faz sentido no atual contexto da aldeia M’Bya Guarani do Morro dos Cavalos, há 20 Km de Florianópolis. Desde os 5.000 anos de ocupação tupi-guarani na região, pela primeira vez uma mulher assumiu o posto de cacique da aldeia. Eunice Antunes, 33 anos, foi eleita em fevereiro deste ano, com as bênçãos de seu povo e de Nhanderú – o deus sol e guardião dos guaranis. Como uma mãe cautelosa, vem transformando a vida dos seus filhos por meio de uma silenciosa revolução cultural de revalorização das tradições ancestrais.    
De estatura baixa, pele morena e cabelos pretos, Nice sempre sorri com desconfiança. Ela é crítica quanto a tudo que possa de alguma maneira interferir no bom andamento da sua comunidade. Esse senso de não-aceitação com o que lhe é imposto a levou a ser a primeira guarani da região a concluir um curso universitário. Ela foi também a primeira mulher a se tornar professora, e agora a primeira a ser cacique.
“Imaginei sim ser cacique, mas não aos 33 anos. Pensava que seria só quando fosse velhinha”, diz. Na cultura guarani, a mulher foi desde sempre educada para servir, cuidar dos filhos, sem participar das tomadas de decisão. “Mas aprendi com meu pai que a educação deveria ser algo democrático.”
Única mulher com ensino médio completo na época em que começou a dar aulas na escola da aldeia, Nice deparou-se com uma coordenação pedagógica que não primava pela valorização dos saberes guaranis na educação dos jovens. “Foi então que comecei a confrontar e a questionar”. Até que finalmente ganhou a razão. Foi desses confrontos em defesa dos direitos do seu povo que a jovem índia descobriu a vocação de líder.
Mãe de todos
Adão Antunes, ou Karai Tataendy (Karai = líder; Tataendy = chama de fogo) é o escritor da aldeia. Já publicou um livro sobre o folclore do seu povo. Na opinião dele a jovem cacique está fazendo um bom trabalho. “A gente vê que agora está tudo tranquilo. A mulher trabalha a lei como se todos fossem filhos, é como uma mãe.”
Eunice Antunes foi eleita cacique porque a comunidade estava insatisfeita com o antigo líder, Teófilo Gonçalves. “Hoje eu tenho o apoio de todos e não sofro nenhum tipo de preconceito”, diz. Natural de uma aldeia próxima à cidade de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, ela veio para a Grande Florianópolis com a família – o marido, filhos, pai, mãe e irmãos – no ano 2000. Primeiro morou na aldeia Massiambu, em Palhoça, depois foi para o Morro dos Cavalos, morou ainda na aldeia de Biguaçu e finalmente voltou ao Morro dos Cavalos.
Sua casa foi recém reformada, assim como quase todas as casas da aldeia. Agora é de madeira, sem frestas por onde antes entrava vento e o ruído dos caminhões que transitam na BR-101. Tem dois quartos, uma sala conjugada com a cozinha, onde um fogão a lenha e outro de seis bocas ocupam a parede lateral. Na sala, a parede é decorada com quadros, fotografias dos irmãos e dos filhos e um desenho a lápis do rosto do seu pai, tudo com rendas de tecido sintético no fundo. Uma TV de 29 polegadas e dois sofás antigos complementam a decoração.
Nice tem três filhos, um de 16 anos, outro de 11 e o caçula de seis. É vaidosa. Na hora de posar para a foto, correu para o quarto buscar seus adereços e parecer bonita. “Eu tenho várias coisas aqui para me arrumar.” Voltou com brincos de penas e um cocar feminino. “Os homens usam o cocar com as penas para cima. As mulheres usam as penas na horizontal”, ensina.
Sua rotina mudou de fevereiro para cá. “Antes eu passava as minhas ideias para os homens, já hoje eu é que tenho que tomar as decisões”, declara.
Melhorias para a população guarani
A população da aldeia do Morro dos Cavalos tem aproximadamente 200 moradores, divididos em 37 famílias. Até o ano passado, a média era de 120 pessoas. A terra indígena é demarcada desde a ponte do rio Massiambu até a ponte do rio Brito, no município de Palhoça, e ocupa os dois lados da rodovia BR-101. O tamanho total é de 1.983 hectares (embora Nice defenda que o número correto é 1.988 hectares, “o mesmo número do ano da atual constituição brasileira” avisa ela). A Funai (Fundação Nacional do Índio) iniciou o processo de demarcação da área somente em 2001.
O território já está demarcado, mas não totalmente ocupado. E essa é uma das bandeiras da cacique. “Meu objetivo principal é a questão da terra, porque quando tivermos o registro poderemos ocupar e fortalecer nossa cultura”, garante ela, alegando que com mais espaço será possível, por exemplo, desenvolver a agricultura.
O que faz o cacique?
O cacique tem a função de atender as necessidades da comunidade. “Tem que levar as demandas da aldeia para fora e, da mesma forma, trazer o que é bom para dentro”, diz Eunice Antunes.
Ela explica que, antigamente, a organização indígena tinha o pajé, ou karaí, que era a principal liderança. Era ele quem dava ordens e quem recebia os ensinamentos de Nhanderú (deus sol) e repassava para o povo. “Depois do contato com os brancos é que se criou a figura do cacique”, conta. No começo, os caciques eram parte de uma estratégia dos guaranis para não serem mortos pelos brancos. Eles se entregavam para não morrer, e serviam como porta vozes, diziam a seu povo o que os brancos mandavam. Eram como executores.
Revolução feminista
Na chamada terceira era da revolução feminista – a primeira foi no século 19, depois nas décadas de 60 e 70 e atualmente a partir dos anos 1990 –, as mulheres índias também buscam se libertar dos padrões baseados na opressão masculina. “São 500 anos de contato com a cultura ocidental. E agora as indígenas também estão cobrando seus direitos”, afirma o cientista social João Mauricio Farias, 50, coordenador substituto da regional do litoral Sul da Funai.
Segundo ele, nos últimos dez anos começou a crescer a valorização das mulheres nas aldeias indígenas. “Elas estão se colocando num lugar diferente. Estão entrando para a universidade e os homens estão meio perplexos com essas mudanças”, comenta Farias.
De acordo com dados da Funai, os índios hoje representam 0,4 % da população brasileira, ou 800 mil pessoas, divididas em 220 diferentes povos que falam 180 línguas distintas. Desse total, existem atualmente 11 mulheres caciques em todo o Brasil. “Até mesmo a palavra cacica vem sendo construída para substituir cacique, aos moldes de presidenta”, diz o filósofo e estudioso Nuno Nunes, chefe de serviço de monitoramento ambiental e territorial da Funai.
A Índia Maria das Graças Soares de Araújo, 52, foi uma das primeiras caciques do Brasil. Há 12 anos está a frente de uma aldeia formada por 347 famílias da etnia Katokinn, na cidade de Pariconha, sertão de Alagoas. É a única cacique mulher dentre as 11 etnias que compõem a população indígena alagoana.
“Depois da revolução feminista mudou muito, principalmente entre os indígenas que vivem em aldeias próximas às cidades”, diz ela, por telefone, admirando-se com a distância entre Alagoas e Santa Catarina. Ela assumiu a chefia depois que o pai deixou o cargo. E optou por não ter filhos. “Acho que quando você nasce com uma vocação, nada te tira o foco. Além do mais, tenho muitos filhos postiços”, ri.
Lista de Mulheres Caciques
Tangará da Serra, MT
Gertrudes Rikbaktsa
Tangará da Serra, MT
Maria Manderu Oliveira Karajá – Iny Mahadu
Aldeia Arueira, MT
Aparecida Ana Lúcia Tawandê
Apurinã – Aldeia Tukumã, AM
Maria de Fátima Pereira
Tupi Guarani – Aldeia Nhamandu Mirim, RO
Dora Dina dos Santos Oliveira – Cacique e membro da AITG – Taningua.
Guarani Mbya – Aldeia Tekoarandu – Jaraguá, SP
Jandira Augusto Venício – Cacique e Conselheira substituta do Instituto Tekoarandu.
Paraxó Há Há Hãe, BA
Ilsa Rodrigues da Silva
Katokinn, AL
Maria das Graças Soares de Araújo
Tupinambá de Olivença, BA
Maria Valdelice Amaral de Jesus
Tupinambá, BA
Maria Ivonete Silva Amaral Souza
Amutina, Barra do Bugre, MT
Creuza Assoripa Umutina
(Dados da Funai)
Saiba mais
A indígena Creuza Assoripa Umutina, da etnia Amutina, no Matro Grosso, foi a primeira mulher indígena a ocupar o posto de cacique numa aldeia no Brasil, segundo a Funai. Em sete anos de liderança, levou benefícios para a aldeia como energia elétrica, escola de ensino médio com professores indígenas e com 20 computadores ligados à internet. Creusa também conseguiu melhorar a área de saúde. Uma parceria com a Funasa garantiu atendimento médico in loco.
Publicado em 11/08-00:44 por: Carol Macário. 
Atualizado em 08/10

Paulo von Poser complementa sua exposição Floração, em cartaz no Museu de Arte Sacra de São Paulo

Paulo von Poser homenageia Nossa Senhora Aparecida com instalação no
Museu de Arte Sacra de São Paulo

Paulo von Poser complementa sua exposição Floração, em cartaz no Museu de Arte Sacra de São Paulo, instrumento da Secretaria de Estado da Cultura, inaugurando a instalação “Aparecida” no Jardim do Claustro do Mosteiro da Luz, criada pelo artista plástico em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, composta por escultura e objetos.

Em Floração, Paulo deu uma prévia do que estava elaborando para a segunda parte da mostra, exibindo pequenas imagens coloridas da Santa, entre monocromáticas e com desenhos feitos a mão.

“O tema desta proposta é a transparência e a presença de Nossa Senhora Aparecida no museu como ícone nacional, na dimensão deste jardim como um oásis da cidade”, diz Paulo von Poser. “Essa instalação tem como conceito básico a valorização da proporção, escala e características deste espaço histórico, propondo um percurso pelas imagens”, conclui.

Exposição: Paulo von Poser – Aparecidas

Curadoria: Haron Cohen

Abertura: 10 de outubro de 2012 – quarta-feira – às 19h
Período: 12 de outubro a 18 de novembro de 2012
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo – www.museuartesacra.org.br
            Avenida Tiradentes, 676 – Luz, São Paulo
            Tel.: (11) 3326.5393 – agendamento/ educativo para visitas monitoradas
Horário: terça a domingo, das 10 às 18h
Ingresso: R$ 6,00 (estudantes pagam meia); grátis aos sábados

No Museu de Arte de Joinville, em Santa Catarina, Pablo Lobato participa da mostra À deriva, com instalação que mostrou em BH no Museu Inimá de Paula.


Criou uma máquina que define o tempo de vida para trechos de arquivos seus

Artista mineiro Pablo Lobato é destaque no Brasil e no exterior 

Obra do cineasta e artista plástico está espalhada por diversas galerias pelo mundo

Bronze revirado, videoinstalação de Pablo Lobato em exposição no Brasil e no exterior


Tudo ao mesmo tempo agora. Não é exagero dizer que 2012 é o ano em que a obra do cineasta e artista plástico Pablo Lobato está pipocando pelo Brasil e o mundo. Diretor de pérolas como o curta Cerrar a porta (2002) e o longa Acidente (2006 – em parceria com Cao Guimarães), este ano, ele já fez mostras no Brasil, França, Bolívia e Uruguai e, no momento, contabiliza nada menos que seis exposições em cartaz no país e exterior. Apresenta videoinstalações, mostras fotográficas e site specific.

Pablo Lobato atribui o bom momento ao fato de ter se dedicado, nos últimos anos, aos trabalhos que trafegam entre o cinema e as artes plásticas. “Foi tudo natural, chega uma hora em que a obra começa a reverberar. Este está sendo um ano importante, em que tenho podido mostrar minha obra dentro e fora do país. Nunca pude mostrar minhas pesquisas em artes visuais em tantos lugares ao mesmo tempo, e é bom poder partilhar tudo isso”, comemora.

A videoinstalação Acidente integra a coletiva The storytellers: Narratives in international contemporary art, no Sternersen Museum, em Oslo, Noruega. Na mostra Via Brasil, no Wexner Center for The Arts, de Ohio, EUA, a videoinstalação Bronze revirado está no projeto específico de cinema e artes visuais e é apresentada, como conta Pablo, na sala Box, ao lado do filme O som ao redor, do pernambucano Cléber Mendonça. Na ShanghArt Gallery, em Xangai (China), o mineiro participa de coletiva com oito artistas brasileiros e chineses, também com Bronze revirado. Já na Colômbia, em El Paraqueadero, a mesma peça está sendo mostrada na exposição Poetas en tiempo de escasez.

No Museu de Arte de Joinville, em Santa Catarina, Pablo Lobato participa da mostra À deriva, com instalação que mostrou em BH no Museu Inimá de Paula. Criou uma máquina que define o tempo de vida para trechos de arquivos seus. “Diante da obra Expiração, você vê imagens que vão deixar de existir. É um convite à memória”, afirma. Também no museu brasileiro está a videoinstalação Bronze revirado. Quem quiser conhecer a obra em viagem um pouco mais curta pode dar um pulo a São Paulo e conferir a mostra Do corte, individual de Pablo Lobato na Luciana Brito Galeria. Lá, até o dia 27, além de Bronze revirado ele apresenta a videoinstalação Castell; duas séries de fotografia (Um a zero e Front light), além do site specific Escada, que criou especialmente para o espaço. “São móbiles de madeira parafusados em direção a uma janela onde são exibidas imagens de torres e igrejas do interior, frutos de pesquisas”, conta.

Atualmente, o cineasta se dedica à finalização do filme Ventos de Valls, que deriva de ação realizada na Espanha, em 2009, financiada pela Fundação John Simon Guggenheim (Nova York). Seu trabalho integra as coleções do Museu de Arte da Pampulha (BH), do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Porto Alegre) e do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba).

fonte:
http://www.divirta-se.uai.com.br/html/sessao_8/2012/10/07/ficha_cinema/id_sessao=8&id_noticia=59064/ficha_cinema.shtml

Exemplar original pode ser visto no Museu Alemão de München

Mais de cem anos de frustração

Em 1885, na cidade alemã de Meinnheim, Karl Benz produzia o primeiro carro, com propulsão de motor a gasolina, segundo ciclo termodinâmico Otto. Este exemplar original pode ser visto no Museu Alemão de München. Naquela época, ao ver que seu invento funcionava, Karl Benz, exultante, invadiu a cozinha de sua residência e participou à Frau Benz que havia produzido um veículo que andava sozinho, sem precisar ser puxado por cavalos. Para sua decepção, ao invés de receber os elogios, compatíveis com a sua excitação, ouviu a seguinte frase: “Por que você fez isto, se ainda existem cavalos à venda? Seu invento não tem futuro”. Foi o primeiro motorista frustrado do mundo.

Contrariando Frau Benz, seu invento frutificou e, como assustava os pedestres e os condutores dos veículos de tração animal, na Inglaterra foi editada a lei, conhecida como o “Red Flag Act”, que obrigava a que toda carruagem sem cavalos, com propulsão própria, fosse precedida por um homem a pé, portando uma bandeira vermelha, alertando a todos que atrás dele vinha um carro com propulsão própria, com a velocidade máxima de 10 milhas por hora.

Foram centenas de motoristas frustrados por esta limitação legal, e, mais ainda, o infeliz que portava a bandeira, segundo a foto que ilustra o fato, no livro The history of motor car, pois apresenta uma fisionomia bastante triste. Esta lei durou até 1896, quando a limitação de velocidade, agora em 20 milhas, passou a ser exigida por sinalização e pela consciência dos frustrados motoristas. Pelo número de acidentes e o perigo que representava, o novo invento foi tratado como caso de polícia até que, em 1926, nasceu, nos Estados Unidos, a engenharia dedicada ao tráfego, com o propósito de adaptar as cidades ao seu novo habitante. Em 1935, um oficial da Scotland Yard, diretor de trânsito em Londres, produzia um livro que ensinava a nova ciência, para controlar o trânsito, englobando o uso de todos os recursos de engenharia, filosofia, esclarecimento e policiamento .Nascia aí a ciência do controle do trânsito, inventada por Sir Alker Tripp, tentado minorar, através de medidas construtivas, a frustração dos motoristas, fruto das limitações impostas pelas restrições legais.

Em 1904, Henry Ford produzia o primeiro carro de autopropulsão nos Estados Unidos, que ele viria a popularizar com a produção em linha de montagem, em 1912. O sucesso de vendas alcançado, com o barateamento do seu produto, Henry Ford atribuía-o à vaidade e à preguiça inerentes ao ser humano. Estas reações levaram, rapidamente, nos dias atuais, à maior frustração do dono do carro de passeio: a falta de mobilidade urbana.Esta só pode ser resolvida com o racionamento do exíguo espaço urbano disponível conseguida com a racionalização do uso inteligente deste espaço. Exatamente como fez a indústria da construção civil, substituindo as habitações monofamiliares, pelas multifamiliares, os prédios de apartamentos, como opção inteligente para a utilização inteligente e econômica de espaço.

Sem esta solução, os motoristas de hoje voltaram a circular nas nossas cidades com a velocidade igual à dos idos de 1895. Que lhes sirva de triste consolo saber que esta frustração tem mais de cem anos, nasceu com o motorista do primeiro carro, um triciclo, com motor a gasolina, seu inventor, o alemão Karl Benz.



*Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - acfranco@globo.com