terça-feira, 30 de outubro de 2012

Aproveite o horário de verão e visite museus até mais tarde


Desde o domingo passado (21/10), e até 17 de fevereiro de 2013, os relógios dos paulistanos funcionam de acordo com o horário de verão. Ao atrasar o pôr do sol, a medida cria novas oportunidades para se aproveitar a cidade à luz do dia.

Selecionamos os dias em que os museus ampliam o horário de visitas. Às quartas e às sextas, por exemplo, é possível ver as obras da 30ª Bienal até as 21h. Saiba mais sobre as atrações sugeridas:

30ª Bienal de São Paulo
Às quartas e às sextas, o pavilhão da Bienal permite a entrada dos visitantes até as 21h. Além de apreciar conjuntos de obras de 111 artistas, é possível aproveitar a programação paralela. Nesta sexta-feira (dia 26), às 19h, o Coletivo de Literatura da Agência Solano de Andrade e o Sarau do Binho participam de um encontro aberto. Na quarta (dia 31), também às 19h, estão programadas performances de dança e de música espalhadas pelos andares da Bienal.

Av. Pedro Álvares Cabral, s/no, portão 10, parque Ibirapuera, região sul, tel. 5576-7640. Ter., qui., sáb. e dom.: 9h às 18h (c/ permanência até as 19h). Qua. e sex.: 9h às 21h (c/ permanência até as 22h). Dia 28: 12h às 18h (c/ permanência até as 19h). Até 9/12. Livre. Estac. (R$ 3 p/ 2 h, sistema zona azul - portão 3). Grátis.
Shirley Baker/Divulgação
"Observadores - Fotógrafos da Cena Britânica" segue em cartaz no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso
"Observadores - Fotógrafos da Cena Britânica" segue em cartaz no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso

Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso
Em plena avenida Paulista, o Centro Cultural Fiesp é boa opção para quem quer esperar o trânsito acalmar. Em cartaz, a ótima coletiva "Observadores - Fotógrafos da Cena Britânica desde 1930 até Hoje" reúne 240 imagens de 36 artistas. O visitante da exposição pode não se dar conta do anoitecer até o horário de fechamento, às 20h. O local também recebe a mostra "Nelson Rodrigues 100 Anos".
Av. Paulista, 1.313, Bela Vista, região central, tel. 3146-7406. Seg.: 11h às 20h. Ter. a sáb.: 10h às 20h. Dom.: 10h às 19h. Livre. GRÁTIS

Casa das Rosas
O casarão abriga agenda cultural agitada, com saraus, lançamentos de livros, exposições e espetáculos. O jardim de rosas e as mesas ao ar livre do café Il Pastaio são agradáveis opções para desfrutar o entardecer na avenida Paulista.
Av. Paulista, 37, Bela Vista, região central, tel. 3285-6986. Ter. a sáb.: 10h às 22h. Dom.: 10h às 18h. Dia 28: fechado. Livre. Estac. (R$ 11 p/ 3 h, na al. Santos, 74 - convênio). GRÁTIS
Lucas Lima/Folhapress
Aberto de terça a domingo até as 21h, o CCBB inaugura "Planos de Fuga", mostra dedicada à produção contemporânea
Aberto de terça a domingo até as 21h, o CCBB inaugura "Planos de Fuga", mostra dedicada à produção contemporânea

Centro Cultural Banco do Brasil
Depois de abrigar a concorrida mostra "Impressionismo", o CCBB vai receber, a partir de amanhã (dia 27), nova coletiva dedicada à arte contemporânea. Quem quiser apreciar as obras de artistas como Cildo Meireles e Gordon Matta-Clark sem lotação das salas poderá visitar "Planos de Fuga - Uma Exposição em Obras" em horários alternativos, já que o espaço recebe o público até as 21h.
R. Álvares Penteado, 112, região central, tel. 3113-3651. Ter. a dom.: 9h às 21h. Livre. Estac. (R$ 15 p/ 5 h, na r. da Consolação, 228 c/ serviço de van grátis até o CCBB). GRÁTIS

Instituto Tomie Ohtake
Individuais de Paulo Bruscky e Asger Jorn, ambas em cartaz até domingo (dia 28), e de Thom Mayne, em exposição até 4/11, são os destaques do instituto dedicado à arte nacional e internacional que recebe visitas até as 20h.
Complexo Ohtake Cultural - r. Coropés, 88, Pinheiros, tel. 2245-1900. Ter. a dom.: 11h às 20h. Dia 28: 12h às 20h. Livre. Estac. c/ manob.
(R$ 11 a 1ª h). GRÁTIS

Masp
Já o Masp tem horário estendido apenas às quintas, quando as exposições podem ser vistas até as 20h. Além das obras de sua coleção, merecem destaque as mostras "Luzes do Norte", com desenhos e gravuras do Renascimento alemão vindos do acervo do Louvre, e "Luz Instantânea", que conta com polaroides do cineasta russo Andrei Tarkóvski.
Av. Paulista, 1.578, Bela Vista, região central, tel. 3251-5644. Ter., qua. e sex. a dom.: 10h às 18h. Qui.: 10h às 20h. Até 25/11. Livre. Ingr.: R$ 15 (grátis p/ menores de dez e maiores de 60 anos, e ter.).

MIS
O Museu da Imagem e do Som é ótima opção de visita para aproveitar o horário de verão. Além das exposições "A Louca Debaixo do Branco", de Fernanda Young, e "Mulheres do Brasil", de Gabriel Matarazzo, o museu conta mensalmente com eventos que ocupam sua área externa. As crianças poderão se divertir com a Maratona Infantil no dia 18/11. Já a festa Green Sunset terá sua próxima edição no dia 24/11, das 16h às 22h. Quem quiser estender o programa poderá aproveitar o restaurante Chez MIS.
Av. Europa, 158, Jardim Europa, região oeste, tel. 2117-4777. Ter. e qua.: 12h às 21h. Qui. e sex.: 12h às 20h. Sáb. e dom.: 11h às 20h. Dia 28: 13h30 às 20h. Até 18/11. Não recomendado para menores de 12 anos. Ingr.: R$ 4. Estac. (R$ 8 - convênio).
Divulgação
"Inabsência", obra "site specific" de Artur Lescher, pode ser vista na Pinacoteca do Estado, que funciona até às 22h na quinta
"Inabsência", obra "site specific" de Artur Lescher, pode ser vista na Pinacoteca do Estado, que funciona até às 22h na quinta

Pinacoteca do Estado
Próxima à estação Luz do metrô, a Pinacoteca prolonga seu funcionamento às quintas. Nesses dias, o visitante que ingressar após as 18h não paga a entrada e pode visitar as exposições até as 22h. Entre as mostras mais recentes há "Aberto Fechado", com peças de Lygia Pape, Jac Leirner e Antonio Dias, entre outros artistas. Também estão em cartaz a coletiva fotográfica "O Mais Parecido Possível - O Retrato" e a individual "Antonio Parreiras, Pinturas e Desenhos".
Pça. da Luz, 2, Bom Retiro, região central, tel. 3324-1007. Ter., qua. e sex. a dom.: 10h às 18h. Qui.: 10h às 22h. Dia 28: fechado. Livre. Ingr.: R$ 6 (grátis p/ menores de dez, maiores de 60 anos, qui., após as 18h, e sáb.). Ingr. combinado: R$ 6 (Estação Pinacoteca e Pinacoteca do Estado). CC: M e V. Estac. (R$ 5 p/ 3 h).

Museu da Língua Portuguesa
O museu fica aberto até as 22h na última terça do mês. Na terça (dia 30), o visitante poderá ter acesso apenas ao acervo permanente do museu já que, atualmente, não há nenhuma exposição temporária sobre escritores brasileiros em cartaz.
Estação da Luz - pça. da Luz, s/nº, Bom Retiro, região central, tel. 3326-0775. Ter. a dom.: 10h às 17h (c/ permanência até as 18h). Dia 28: fechado. Não recomendado para menores de 6 anos. Ingr.: R$ 6 (sáb. grátis).

Ecomuseu Santana
Inspirada nos grandes eventos que acontecem no Brasil – Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas de 2016, apresenta - CRIANÇA: Legado para 2020. - Espaço expositivo no PARQUE DA JUVENTUDE - Metro CARANDIRU - DIFERENTE - Aberto todos os dias. Entrada gratuita.
 


Antônio Luiz Nilo: A classe operária vai ao museu -MASP


Acaba de ser inaugurada no Masp a exposição Luzes do Norte que reúne desenhos e gravuras do Renascimento alemão, obras que pertencem ao acervo do Museu do Louvre. Sim, mas... e daí? 
Muitos diriam que esse é o tipo de notícia que só interessaria à crítica especializada ou ao insignificante nicho intelectual brasileiro. Ledo engano. O Brasil se tornou, nesses últimos anos, um dos maiores centros expositores do mundo, trazendo, com uma frequência cada vez maior, obras de mestres como Caravaggio, Escher e Modigliani para as principais capitais do país. 

O CCBB no Rio de Janeiro, por exemplo, tem hoje a 18ª maior audiência de arte do planeta, com 2,8 milhões de visitantes/ano. E a cidade já é comparada a Paris, Tóquio e Nova York no cenário artístico mundial. Capitais como São Paulo, Brasília e Porto Alegre também se destacam como promotoras de grandes exposições. 

E Salvador? Em Salvador, como todos sabem, o buraco é mais embaixo. E mais profundo. Aqui, excetuando a exposição de Rodin, que para os moldes baianos teve até uma boa repercussão, as artes plásticas ainda engatinham e sujam fraldas... assim como a música, o cinema e a literatura. Alguns reagiriam falando que, na verdade, quem não consome cultura é o povão. 

Ok, sou até da opinião que o povão tem limitações em qualquer lugar do mundo, basta observar o estrondoso sucesso de Paulo Coelho na França. Mas, na Bahia, a doença parece ser mais crítica. Aqui até a classe média alta, pretenso reduto da intelectualidade, cultiva hábitos, diríamos, culturalmente pouco saudáveis. O sucesso da literatura, por exemplo, não escapa da lista dos “10 mais” de autoajuda da Veja. O cinema, pièce de résistance da gastronomia cultural baiana, só consegue engordar as bilheterias de Mercenários e Crepúsculos. A música... bom, sobre música, é melhor a gente nem falar. 

Mas esqueçamos Salvador como exceção e voltemos ao tema. As exposições artísticas estão sendo cada vez mais consumidas no país. E isso se deve à boa fase da economia brasileira, à Rouanet e à ascensão da classe C. Isso mesmo, a classe C descobriu que pode, sim, ter acesso às grandes exposições artísticas e finalmente compreender esse universo até então inalcançável. O tema começa a ser explorado por um público que não pertence nem à classe realmente intelectualizada, capaz de decifrar os textos incompreensíveis dos críticos de arte, nem à classe de alto poder aquisitivo, que emburrece galopantemente. 

Essa nova classe economicamente ativa pode ter um novo olhar para a arte. Um olhar autêntico. Sem compromisso. Afinal, um quadro é para ser admirado. A técnica, o estilo ou a escola podem não ser assim tão importantes para uma apreciação legítima, honesta. Quem sabe a classe “C” não se transforme, daqui a alguns anos, na classe “Cultural” brasileira. Quem sabe?

Antônio Luiz Nilo é diretor de criação da Objectiva Comunicação.
fonte:

Pinacoteca prepara espaços e investe em parcerias



Desde os anos 1970, os museus se tornaram populares e, com seu sucesso, são hoje parte da indústria cultural, como diz o diretor técnico da Pinacoteca do Estado, Ivo Mesquita. "É extremamente positiva essa popularidade que trouxe recursos para as instituições museológicas", continua Mesquita, que em abril deste ano deixou o cargo de curador-chefe da Pinacoteca para dirigir o museu, considerado um dos principais do País. Com um orçamento de R$ 26 milhões previstos para 2012 e um cronograma de exposições e projetos em parceria com a Tate de Londres e MoMA de Nova York, entre outros, já definidos para até 2016, a instituição se prepara para aumentar ainda mais suas ações.



São muitos os desafios para o futuro da Pinacoteca do Estado, mesmo que seja um museu com estrutura estável, com programa de aquisições e que sempre "aparece bem na fotografia", como brinca Ivo Mesquita. Mantendo três espaços - o prédio central na Praça da Luz e a Estação Pinacoteca no Largo General Osório, que também abriga o Memorial da Resistência de São Paulo -; a instituição está trabalhando na criação de uma filial em Botucatu, no interior do Estado paulista. Há três anos a prefeitura da cidade teve a iniciativa de fazer uma parceria com a Pinacoteca e criar um espaço museológico em um de seus prédios, criado pelo arquiteto Ramos de Azevedo (1851-1928). O local será reformado e vai abrigar exposições de longa duração com obras do acervo do museu de São Paulo. "A Pinacoteca viu com bons olhos a possibilidade de mostrar sua coleção lá", afirma Mesquita.



A instituição, vinculada à Secretaria de Estado da Cultura e administrada pela organização social Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), terá também como "prioridade para os próximos cinco anos" construir outro edifício, na cidade de São Paulo, para exibir apenas suas obras de arte contemporânea (desde 2007, foram adquiridos cerca de 2 mil trabalhos). É um projeto que vem se arrastando há tempos - o museu apresenta, como um todo, menos de 10% de sua coleção. "Ainda não está definido um lugar, mas sem dúvida não queremos sair desta região (da Luz), que tem potencial e espaço", diz Ivo Mesquita. "Existe a história de que o novo prédio possa ser no espaço da escola (Prudente de Moraes), que pertence à Prefeitura, mas é necessário que ocorra a transferência dela para um outro edifício a ser reformado. É uma coisa complexa, a ser feita com a Secretaria de Educação da cidade, e você conhece o país em que vive, não é?", continua.



A Pinacoteca vem reestruturando sua diretoria e corpo administrativo desde abril, quando Marcelo Araujo, que dirigia o museu desde 2002, deixou o cargo para se tornar secretário de Estado da Cultura. Optando por um modelo de continuidade, a Apac transformou Ivo Mesquita, de 61 anos, de curador-chefe da instituição (desde 2007) em seu diretor técnico; manteve Miguel Gutierrez, de 60 anos, como responsável pela área financeira, e nomeou, no dia 15, Paulo Vicelli, de 32 anos, que trabalhava no Itaú Cultural, para o cargo de diretor de relações institucionais e captação de patrocínio. "As coisas foram crescendo de tal forma na Pinacoteca que minha vinda vem para fortalecer as relações com os patrocinadores e comecem a ser perenes", afirma Vicelli. Valéria Piccoli tornou-se curadora-chefe do museu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.