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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Museu Belas Artes exibe projeto de Design Inclusivo

São Paulo - O sistema prisional brasileiro está no limite. Com capacidade para abrigar 299 mil presos, hoje existem mais de 470 mil pessoas nas cadeias. Destas, 45% não completaram o ensino fundamental, apontam dados do Departamento Penitenciário Nacional. Por isso, um dos maiores problemas enfrentados pelos governos é a reinserção dessas pessoas no mercado de trabalho, para que não voltem a praticar delitos. Há diversas iniciativas governamentais, de ONGs e de entidades no sentido de incluir os presos egressos.

Uma delas é o projeto que resultou na exposiçãomovBA – Movimento para um Design Inclusivo*, inaugurada nesta segunda feira, 05/11, no Museu Belas Artes de São Paulo. A mostra exibe peças criadas por alunos de Arquitetura e Urbanismo e executadas por reeducandos nas oficinas do Centro de Progressão Penitenciária de Hortolândia. O trabalho é fruto da parceria firmada entre o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo e a FUNAP - Fundação “Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel”, vinculada à SAP – Secretaria da Administração Penitenciária.


O objetivo da iniciativa é dar sentido a materiais nobres e promover a interação, aprendizagem profissional e integração social. Além disso, criar protótipos de acordo com as demandas sociais por design de móveis, observando os custos, as dimensões e o aproveitamento de descartes, além de privilegiar a inclusão no processo construtivo. Preocupados também com o uso dos materiais, os alunos desenharam móveis ecológicos produzidos a partir de pallets, madeira reaproveitável e outros materiais recicláveis, obtidos a partir do descarte de resíduos da indústria de móveis.
Após a exposição, que termina em 13/11, o mobiliário será destinado a habitações de interesse social, atendendo populações carentes.
EXPOSIÇÃO “movBA”
Data: de 5 a 13/11, das 10h às 20h
Local: Museu Belas Artes de São Paulo Sede Núcleo de Design – Unidade 3
Endereço: Rua José Antonio Coelho, 879, Vila Mariana – São Paulo/SP
Exposição gratuita.

MAE revela bastidores do museu em “Reserva Técnica Visitável”



O Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP inaugurou a Reserva Técnica Visitável: Revelando os Bastidores de um Museu, que abriga uma coleção de arqueologia amazônica e possibilita que o público conheça os procedimentos curatoriais desenvolvidos por um museu.
Durante as últimas semanas foram atendidos diversos públicos no espaço, entre eles os alunos do Programa de Pós Graduação em Arqueologia do MAE. Os interessados nas visitas orientadas devem entrar em contato com Cida Andrade através do telefone (11) 3091-4905 ou email stm@usp.br.
Os encontros são gratuitos e ocorrem nas quartas-feiras, das 14h30 às 16h30 ou de sexta-feira, das 9h30 às 11h30.
Mais informações: site www.mae.usp.br

Pintor brasileiro João Batista da Costa ganha coletânea inédita


Um dos maiores pintores brasileiros do início do século XX, João Batista da Costa ganha, a partir desta quarta-feira (7), na sede da Academia Brasileira de Letras, a maior obra em homenagem ao seu trabalho. O livro João Batista da Costa, 120 Pinturas Selecionadas reúne obras do paisagista brasileiro espalhadas pelos principais museus do País, como Museu Nacional de Belas Artes, Museu Histórico Nacional, Museu de Arte de São Paulo, Pinacoteca, Museu Imperial de Petrópolis, além de coleções particulares.
O autor, Roberto Hugo da Costa Lins, ressalta o fato de o início da pesquisa ter relacionado cerca de 410 obras, para, em seguida, começar o trabalho de fotografia de 250 pinturas até que se chegasse ao número final de 120 obras para o livro, levando em conta importância histórica, ineditismo, temática e conservação.
"É surpreendente como as gerações mais novas conhecem pouco dos pintores desse período, preferindo artistas mais jovens", disse o Lins, médico-cardiologista, colecionador e apaixonado por arte.
"A criação de álbuns sobre a produção de pintores do passado é como fazer uma exposição de arte", prosseguiu Marcus Tadeu Daniel Ribeiro, do Comitê Brasileiro de História da Arte, que elogiou o trabalho do autor pelo cuidado na escolha das obras e no aconselhamento recebido por parte de especialistas na seleção das mesmas.
Com preferências por paisagens, Batista da Costa passou a infância praticamente na indigência, vivendo em um orfanato até ingressar, aos 12 anos de idade, na Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde se formou, em 1881. Depois disso, foi a Paris, onde permaneceu por quase uma década ampliando seus estudos.
O livro traz a marca forte de Batista da Costa como paisagista do Rio de Janeiro, na Região Serrana do Estado, e também de São Paulo e Minas Gerais, mas também mostra o lado de retratista do artista, com destaque para um quadro do Imperador Dom Pedro II.
"Batista da Costa impressiona pela técnica apurada em suas paisagens, embora a maior parte de sua obra seja completamente desconhecida pelo público", disse Roberto Hugo da Costa Lins. Para o especialista Marcus Tadeu Ribeiro, a obra do pintor, que recebeu diversos prêmios no Brasil e no exterior, merecia há tempos sair do ambiente acadêmico.
"Apesar de pouco conhecida, o interesse pela obra de um artista como Batista da Costa deve surgir também de pessoas que tenham verdadeiro interesse pela arte brasileira, exatamente pela riqueza que ela traz", exaltou Ribeiro.
O lançamento de João Batista da Costa, 120 Pinturas Selecionadas ocorre nesta quarta-feira (7), a partir das 17h, na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

Livro 'João Batista da Costa, 120 Pinturas Selecionadas' reúne obras do paisagista brasileiro espalhados pelos principais museus do País . Foto: Divulgação
Livro 'João Batista da Costa, 120 Pinturas Selecionadas' reúne obras do paisagista brasileiro espalhados pelos principais museus do País 

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Obras de arte ganham nova regulamentação

Objetivo de menina é legalizar obras e tornar visíveis centenas de peças que estão trancadas em porões



A situação das obras de arte que entraram no Brasil de forma ilegal ou que fazem parte do pagamento de dívidas pela via judicial está prestes a sofrer uma reviravolta. Em Brasília, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) acerta com a Receita Federal os detalhes finais de uma espécie de anistia para peças que não pagaram impostos ao chegar ao país e que hoje integram coleções particulares de forma irregular. Além disso, o Senado se prepara para votar um projeto de lei que determina que todas as obras apreendidas em aduanas, envolvidas com problemas fiscais, que façam parte do pagamento de dívidas ou tenham sido abandonadas por seus proprietários sejam repassadas à União e distribuídas pelo Ibram aos museus do país.

O objetivo das duas medidas é semelhante: esvaziar porões, legalizar obras e tornar visíveis centenas de peças que os brasileiros simplesmente não podem admirar. Entre elas, estariam as que compõem o acervo do banqueiro Salvatore Cacciola, que jazem há exatos dez anos na reserva do Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio, sem poder ser expostas, e as do também banqueiro Edemar Cid Ferreira, que estão sob a guarda temporária do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP).

"A ideia da regularização é bem simples", adianta ao GLOBO José Nascimento Júnior, presidente do Ibram. "O colecionador vai pagar um imposto mais baixo e, em contrapartida, deverá expor a peça, já regularizada, em público por um certo período. Até o fim deste mês, a Receita vai apresentar o estudo de viabilidade que nós encomendamos em maio. Mas, como esse processo de regularização já ocorreu em outros setores econômicos e interessa a todos, estou tranquilo. Vai dar certo."

Por se tratar de um estudo, a Receita não comenta o assunto. Nascimento, por sua vez, conta que pelo menos 50 “colecionadores de grande porte” já demonstraram o desejo de aderir ao programa. Deles e de todos os outros interessados na regularização fiscal de obras, o Ibram exigirá a comprovação da compra da peça.

"É a única forma de evitar que a iniciativa acabe, sem querer, esquentando (legalizando) obras roubadas", explica.

Ainda segundo Nascimento, para que o projeto entre em vigor, não é necessário submetê-lo ao Congresso:

"Bastaria que a Receita Federal baixasse uma portaria com o aval dos ministérios da Cultura e da Fazenda."

Para isso, o presidente do Ibram trabalha há pelo menos seis meses.

R$ 1 mi gasto com coleção de Cacciola

Enquanto os detalhes dessa “anistia” são costurados, a Comissão de Educação e Cultura do Senado se prepara para analisar o projeto de lei 97/2011, da deputada federal Alice Portugal (PCdoB). O texto, que já passou pela Câmara dos Deputados e tem parecer positivo da Comissão de Justiça e Cidadania do Senado, está a um passo de ser enviado ao Executivo.

Se sancionado pela presidente Dilma Rousseff, destinará aos museus federais os bens de valor artístico, histórico e/ou cultural que já estão sob a guarda de órgãos e entidades da administração pública federal e da Justiça Federal. Ou seja: fixará um caminho onde não existe lei.

"O propósito desse projeto é assegurar o acesso da população às obras de arte apreendidas, que, em geral, se deterioram nos depósitos do Judiciário, do Banco Central e de outros órgãos do governo", explica a deputada, otimista. "Quem vai se insurgir contra um projeto dessa natureza? Só se for alguém disposto a defender interesses de condenados que tiveram arrestadas obras de arte que foram adquiridas sabe-se lá como."

Em miúdos: o projeto de lei de Alice Portugal permite que obras como as do acervo de Salvatore Cacciola, armazenado no MNBA há uma década, sejam incorporadas de uma vez por todas à coleção da casa, e que obras compradas pelo também banqueiro Edemar Cid Ferreira, que estão sob a guarda do MAC-USP, possam ser distribuídas pelo Ibram por outros museus do país e transformadas em catálogos e publicações, por exemplo.

"Hoje o MNBA é fiel depositário de cerca de 80 peças, fruto de sete apreensões da Polícia Federal, da Polícia Civil e da Justiça Federal", conta Mônica Xexéo, diretora do museu carioca. "Isso supõe um ônus imenso com climatização, segurança, técnicos e muito mais. Só com o acervo do Cacciola já gastamos mais de R$ 1 milhão."

Sem poder expor e sem receber nada pela guarda, o museu mantém em sua reserva técnica a pintura sem título de Manabu Mabe que ilustra esta página, desenhos de Milton Dacosta, Antonio Bandeira e Roberto Magalhães, e gravuras de Iberê Camargo e Cicero Dias. Todas compradas por Cacciola, condenado em 2005 por crimes de gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.

'É uma situação inacreditável. Um colecionador jamais poderia deixar suas obras aos cuidados do museu. Teria que ir a um banco e pagar pelo trabalho de manutenção e guarda. Mas uma pessoa com problemas judiciais tem essa estranha vantagem. O museu cuida do acervo dele com dinheiro público, sem poder exibir e, depois, ainda pode vir a ter que devolver tudo para ele", diz Mônica.

Pelas mesmas razões, o MAC-USP também apoia as duas iniciativas que tramitam em Brasília. Há sete anos, a instituição cuida de 1.500 peças do acervo fotográfico do ex-diretor do Banco Santos, condenado por crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, crime organizado e formação de quadrilha.

"Por decisão judicial, ao contrário do que ocorre no Rio, podemos fazer exposições com o acervo do Edemar, mas não podemos fazer publicações nem sabemos o destino final desse material. Ele não é nosso", explica Helouise Costa, curadora da instituição. "A dúvida gera uma imensa instabilidade nas pesquisas que são feitas aqui com esse acervo."

Segundo Helouise, entre as peças de Edemar há fotografias de ícones como Cindy Sherman, Thomas Farkas, Cartier-Bresson e Man Ray, material que hoje é alvo de pesquisa de pelo menos dez bolsistas.

"Não existem obras como essas em coleções públicas. Seria muito bom que essas medidas que tramitam em Brasília fossem adiante. Acabaria com essa situação delicada que vivemos: a de sermos obrigados a usar dinheiro público para cuidar de peças que não são nossas e que podem voltar para o domínio privado a qualquer momento. E os bolsistas não temeriam a perda do material de consulta."

O delegado da Polícia Federal Fabio Scliar, titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico (Delemaph), também comemora a movimentação em Brasília:

"Hoje, o destino dessas obras fica ao alvedrio da Justiça. O simples fato de ter gente se preocupando com isso é muito saudável. São bens de valor cultural. Precisam ser fruídos pela sociedade."

Em fevereiro, a PF foi à Argentina para resgatar gravuras originais de Henri Matisse que haviam sido roubadas de bibliotecas brasileiras. O material, avaliado em cerca de US$ 250 mil, está no MNBA desde então. Também não pode ser visto ou exposto.

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