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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Tese premiada pela Capes analisa produção, uso e preservação de manuscritos pintados do século 18



A tradição medieval dos manuscritos ornados – com pinturas e caligrafia caprichada, entre outros elementos – manteve-se com força no século 18 em Portugal e no Brasil, mesmo passado longo tempo do advento da imprensa. Documentos produzidos dessa forma conferiam distinção e, portanto, eram mais eficientes do ponto de vista da comunicação e tinham mais chances de serem preservados.

Para entender como se produziam, usavam e preservavam esses manuscritos, a professora Márcia Almada, da Escola de Belas-Artes, percorreu arquivos e bibliotecas de Brasil, Portugal e Espanha. O trabalho resultou na tese Das artes da pena e do pincel: caligrafia e pintura em manuscritos no século XVIII, defendida em 2011, e vencedora do Prêmio Capes de Tese da área de História. A solenidade de premiação será na próxima quinta, 13, em Brasília.

A partir do Tratado de caligrafia, publicado por Manoel de Andrade de Figueiredo em 1722, em Portugal, a pesquisadora buscou as referências para o trabalho dos profissionais da atividade escrita. “Cheguei então aos espanhóis, porque havia estreita ligação entre a caligrafia espanhola e a portuguesa, devido, em grande parte, ao bilinguismo que reinava na Península Ibérica”, conta Márcia Almada.

Ela acrescenta que na Espanha há grande quantidade de estudos que traçam as redes sociais de escrivães e calígrafos. Um grupo principal atuava em forte proximidade à Corte, e muitos eram amigos de Velásquez, Calderón de la Barca e Lope de Vega. Em Portugal, Manoel de Figueiredo ensinava a filhos de fidalgos e também frequentava os círculos do poder. Isso mostra, segundo Marcia, a importância da escrita adornada para a distinção social.

“Além desses calígrafos de elite, havia uma enormidade de outros profissionais que não se destacaram. E eles atendiam a uma demanda que não era apenas de grupos sociais mais favorecidos. A clientela incluía grupos de negros – escravos ou libertos – e pardos. Pessoas iletradas também valorizavam os manuscritos adornados”, salienta a professora do curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis.

Compromissos de irmandades
Para delimitar o universo de suas pesquisas, Marcia Almada escolheu os chamados “compromissos de irmandades”, estatutos de organizações que regiam a vida social e religiosa de grupos diversos. Os estudos mais aprofundados sobre os documentos levaram à categorização de três estilos principais encontrados nos manuscritos produzidos sob encomenda das irmandades de Minas Gerais, na primeira metade do século 18.

Outra forma de concentrar a investigação foi a opção pela análise dos trabalhos do calígrafo tratado na tese como “o calígrafo/pintor de Vila Rica” – como a maioria dos trabalhos não era assinada, os pesquisadores recorrem a formas alternativas para identificar os profissionais. A escolha foi motivada, entre outros fatores, pelo fato de que um manuscrito desse calígrafo, datado de 1725, revela forte influência do tratado de caligrafia de Manoel de Figueiredo, publicado apenas três anos antes.

“Isso me intrigou, porque esse intervalo era curto, na época, para que um profissional tivesse acesso, em Minas Gerais, a uma obra editada em Portugal. Ainda pretendo descobrir como ele tomou conhecimento do tratado, se teria encomendado um exemplar em Lisboa, ou mesmo se, na verdade, o pintor de Vila Rica teria sido português, recém-chegado ao Brasil”, explica Márcia. Ela conta também que encontrou em Portugal um outro manuscrito do mesmo autor realizado no mesmo ano de 1725, o que foi especialmente valioso para suas pesquisas. “Quase chorei quando descobri o documento”, ela diz. Em trabalhos realizados nove anos depois, “foi possível perceber o aprimoramento técnico, embora ele ainda usasse os mesmos padrões na caligrafia e nas pinturas.”

‘Agentes iletrados da escrita’
A pesquisa de Marcia Almada proporcionou uma série de descobertas relacionadas ao processo de produção dos manuscritos. A análise dos textos revelou, por exemplo, as diferenças com relação à grafia das palavras. “Era uma época de normatização do idioma, que viria a se consolidar no final do século 18, com as políticas educativas de Marquês de Pombal, e várias formas de escrever ainda eram aceitas. O ensino, incluindo os materiais, não tinha uniformidade”, explica a pesquisadora.

Márcia comenta também que não era preciso saber ler e escrever para trabalhar como calígrafo, e os próprios manuais previam que bastava saber desenhar. “Esses profissionais eram os agentes iletrados da escrita, que denominei ‘desenhistas iletrados’. Os manuais recomendavam que se usassem moldes e se recorresse a uma pessoa letrada para conferir o resultado final”, diz Marcia Almada.

A partir de 1761, ela conta, os documentos das irmandades seguiam para Lisboa, para aprovação dos órgãos administrativos, como o Conselho Ultramarino, que se encarregava dos domínios coloniais. Trabalhos bem executados, com capitulares bem desenhadas e tinta de boa qualidade, mostravam capacidade operativa das irmandades. “O prestígio conferido por um documento adornado corresponde à forte valorização, pela sociedade setecentista, da visualidade, como comprovam as igrejas, os cortejos e os monumentos efêmeros”, destaca Marcia Almada. Com bolsas da Fapemig e da Capes, ela pesquisou em instituições portuguesas como a Biblioteca Nacional de Lisboa, a Torre do Tombo – que guardam documentos da biblioteca real –, o Arquivo Histórico Ultramarino e a Universidade de Coimbra. Na Espanha, visitou a Biblioteca Nacional e a Biblioteca da Residência de Estudiantes, que guarda o acervo do antigo museu pedagógico e conserva uma coleção consistente de manuais de caligrafia, impressos e manuscritos. No Brasil, explorou sobretudo estantes e armários do Arquivo Público Mineiro e dos arquivos eclesiásticos de Ouro Preto, Mariana e São João del-Rey.

Múltiplos suportes
Entre os aspectos que garantem o caráter inovador da tese de Marcia Almada, ela ressalta a exploração dos compromissos de irmandades, que haviam sido mais estudados por historiadores, privilegiando o aspecto textual, e a metodologia que lança mão de suportes múltiplos do conhecimento, como a história cultural, a história da arte, a paleografia e história material.

Ela considera que dispõe hoje de um inventário muito relevante do repertório estético dos calígrafos que trabalhavam no Brasil, especialmente em Minas Gerais. E que esse material pode servir de ponto de partida para uma série de outros estudos, da análise química dos pigmentos à trajetória da cultura visual daqueles profissionais. “Ainda há muito o que estudar”, diz Marcia Almada, que ainda não definiu o caminho das investigações do pós-doutorado que será financiado pelo Prêmio Capes de Tese.

Tese: Das artes da pena e do pincel: caligrafia e pintura em manuscritos no século XVIII
De Márcia Almada
Orientadora: Júnia Ferreira Furtado
Defesa em 15 de julho de 2011
Programa de Pós-graduação em História

(Itamar Rigueira Jr.)

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Assim que disponível em formato digital, divulgaremos aqui o link para a obra!



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B I B L I O B E L A S

Encontro discute criação do Museu de Imagem e Som do Maranhão

SÃO LUÍS - Políticas Públicas para o Patrimônio Imagético e Sonoro do Maranhão: esse foi o tema da mesa-redonda realizada na última terça-feira, no XII Encontro Humanístico da Universidade Federal do Maranhão. O tema foi debatido no intuito de incentivar a preservação da memória fotográfica e audiovisual do Maranhão por meio de políticas públicas. Os participantes da Mesa foram os professores da UFMA, Alexandre Fernandes Corrêa, do departamento de Sociologia, e José Murilo Morais dos Santos, do departamento de Artes Visuais, além do técnico-administrativo da Secretaria Estadual de Cultura, Jeovah da Silva França. A coordenação da Mesa foi exercida pelo professor do departamento de Sociologia da UFMA, Adalberto Rizzo. 

Em meio às questões de preservação da memória imagética e audiovisual do Maranhão, foi apresentada a ideia de criação do Museu de Imagem e Som do Maranhão (MIS-MA), projeto que servirá para a realização de pesquisa e produção audiovisual relacionada à cultura maranhense, além de agregar um rico acervo patrimonial do Estado. Para que o MIS seja consolidado, é necessário, segundo Jeovah França, ter um espaço adequado. “Já tem um espaço reservado para o museu, a antiga Casa do Artesão, mas o espaço é pequeno, além disso, temos carência de equipamentos, funcionários e, principalmente, da boa vontade política, que tem o poder de viabilizar a criação desse espaço e incentivar a participação dos estudantes e de toda a comunidade maranhense”, defende. 

Caso seja consolidada a criação do MIS-MA, o museu vai possuir acervos digitais de difusão da produção imagética e sonora maranhense, brasileira e internacional, além de promover festivais, mostras fotográficas de filmes e vídeos, seminários e ciclos de debate, dinamizando a cultura audiovisual no Maranhão. Para o professor Alexandre Correa, espaços como o MIS são necessários à sociedade, pois atuam como agente democratizador dos acervos patrimoniais. Na opinião dele, por meio do cinema, um recurso audiovisual, é possível recuperar o sentido das imagens que têm se perdido ao longo dos processos da evolução tecnológica. 

Na visão de Murilo Santos, o MIS, por ser um espaço de criação e difusão cultural, possibilita uma aproximação da sociedade com os bens imateriais do Estado e passa a ter um novo olhar sobre as “realidades aparentemente conhecidas”. 

Saiba + 

O XII Encontro Humanístico é uma iniciativa do Centro de Ciências Humanas da UFMA e está sendo realizado desde segunda-feira (3) e vai até a próxima sexta-feira. O tema do encontro é Patrimônio, Memória e Contemporaneidade, escolhido devido às comemorações dos 400 anos de São Luís, cidade que possui um rico acervo patrimonial histórico e cultural. O encontro discute a história, as dimensões culturais, sociais, econômicas e políticas da capital maranhense. 


fonte:
http://www.ufma.br/noticias/noticias.php?cod=41028

Pesquisadores propõem criação do Museu do Mar em Maceió



Reitor recebe grupo e inicia discussões sobre o novo projeto, que poderá ser instalado no Pontal da Barra

Nesta sexta-feira, 7, pesquisadores da área de Ciências do Mar estiveram reunidos com o reitor da da Universidade Federal de Alagoas, Eurico Lobo, para discutir a possibilidade de criação do Museu do Mar em Maceió. Estiveram presentes o pesquisador Ricardo Coutinho, do Instituto e Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira; a coordenadora do doutorado multidisciplinar em Meio Ambiente, Elza Neffa; além das professoras do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde da Ufal, Mônica Dorigo e Hilda Sovierzoski.
O Museu seria sediado no Pontal da Barra, onde está localizado atualmente o Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran). Em breve, o terreno será devolvido aos domínios da Marinha. Ele é visto pelos pesquisadores como uma oportunidade para o desenvolvimento científico da Ufal, em conjunto com o comando da Marinha e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia. “Trata-se de um projeto ainda em elaboração, mas que já demonstra o interesse mútuo das instituições envolvidas”, relatou Moreira.

Pesquisadores propõem criação do Museu do Mar em Maceió
Reitor Eurico Lôbo recebe comissão de pesqusiadores


fonte:
http://www.ufal.edu.br/noticias/2012/12/pesquisadores-propoem-criacao-do-museu-do-mar-em-maceio

Museu de Charles Dickens reabre as portas remodelado em Londres Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/boa-viagem/museu-de-charles-dickens-reabre-as-portas-remodelado-em-londres-6939631#ixzz2EkB5me6m © 1996 - 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.




RIO - O sóbrio casarão de quatro andares e fachada de pedras na Doughty Street, em Londres, onde o escritor Charles Dickens viveu vai reabrir suas portas na próxima segunda-feira. A reforma de 3 milhões de libras esterlinas (cerca de R$ 10,2 milhões) mudou a cara do Charles Dickens Museu, que passou anos à beira do abandono do grande público, sendo procurado apenas por estudiosos da obra do escritor. Uma silhueta do escritor, logo na entrada, é o exemplo da missão adotada pela nova administração do museu, trazer Dickens “de volta a vida”. Ele viveu naquele local entre 1837 e 1839, tempo curto, mas suficiente para que ele escrevesse ali obras clássicas como “Nicholas Nickleby” e “Oliver Twist” e visse nascer seus dois primeiros filhos.



Escritório de Charles Dickens no reformado museu dedicado ao escritor, em Londres
Foto: Sang Tan / AP

O “novo” museu agora tem audioguias, um centro de informações e um café, além de elevador e maior acessibilidade a pessoas com deficiência. O espaço abrirá suas portas também a exibições temporárias, como a do figurino do filme “Grandes esperanças”, adaptação do livro homônimo de Dickens e estrelado por Helena Bonham Carter e Ralph Fiennes.

Num dos cômodos no andar superior, visitantes podem escutar gravações de trechos de histórias escritas por Dickens gravadas pelo ator Simon Cllow e conhecer aspectos familiares poucos conhecidos mas que influenciaram algumas de suas futuras obras, como a morte trágica de sua cunhada Mary aos 17 anos. A sala de jantar azul, o quarto do casal, o antigo escritório, todos os cômodos foram reformados, mas sem manter a decoração da época, ajudando a recriar a história do jovem Dickens e da própria Londres de meados do século XIX, tão presente em sua obra.

O Charles Dickens Museum fica na 48 Doughty Street, em Londres. Os ingressos custarão 8 libras para adultos (crianças entre 6 e 16 anos pagam meia e maiores de 65 anos pagam 6 libras). A programação pode ser vista no site dickensmuseum.com.


Fonte: http://oglobo.globo.com/boa-viagem/museu-de-charles-dickens-reabre-as-portas-remodelado-em-londres-6939631#ixzz2EkAl5SOf 

Erguido no século 18, sobrado do museu da Sétima Vila do Ouro é reformado


Estrutura bicentenária que abriga o Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares começou a ser reformada

Estrutura bicentenária que abriga o Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares começou a ser reformada (Paulo Henrique Lobato/EM/D.A Press)

Pitangui – Fechado à visitação há cerca de duas décadas por negligência do poder público em investir na conservação de sua estrutura bicentenária, enfim o sobrado que abriga o Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares começou a ser reformado. O imóvel, erguido no fim do século 18, é um dos principais cartões-postais de Pitangui, a Sétima Vila do Ouro e cidade mãe de pelo menos 40 municípios do Centro-Oeste mineiro, como Pará de Minas, Nova Serrana, Bom Despacho, Itaúna e Divinópolis. A primeira etapa da obra – trocas do telhado, do forro e do piso e rebocos das paredes interna e externa – deve ser concluída no primeiro trimestre de 2013. O aporte, de R$ 246 mil, é bancado pelo erário municipal.

A segunda parte da restauração – construção de banheiros no porão, que será rebaixado em 70cm, e de um provável elevador – ainda não tem prazo para sair do papel, pois carece de projeto executivo e da chegada do prometido financiamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas. A restauração total está estimada em R$ 1 milhão. A última grande reforma no casarão, que tem dois andares e 17 cômodos, ocorreu na década de 1960. A torcida dos moradores de Pitangui, a 130 quilômetros de Belo Horizonte, é para que o museu seja reinaugurado antes de 2015, quando a cidade completará 300 anos.

A reinauguração do cartão-postal é a senha para que o rico acervo do museu sacro, que precisou ser transferido para um prédio vizinho ao Banco do Brasil para que não fosse alvo de quadrilhas especializadas em bens históricos, retorne ao imóvel colonial, tombado em 1959 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); e em 2008 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha). Parte do acervo é formado por mais de 70 peças sacras, algumas com mais de 200 anos. 

Propostas
Há cálices e crucifixos de pratas, armas antigas, objetos dos séculos 19 e 20 e milhares de documentos. Também chamam atenção dezenas de imagens, como as de São Benedito de Santa Efigênia, ambas com cerca de 1,5m e que datam do início do século 18. “Há 22 imagens em processo de tombamento”, conta frei Manoel Ricardo da Rocha Fiúza, do Conselho Municipal do Patrimônio, Cultural e Turismo de Pitangui. Há poucos dias, ele visitou a obra e foi informado por um dos operários que os colegas haviam encontrado, em gretas do assoalho, quatro moedas fundidas em 1803. “Estão grafadas em latim e foram encaminhadas ao Instituto Histórico de Pitangui”, afirma o frei. Ao lado de vários moradores da cidade, ele elabora propostas que serão apresentadas à prefeitura para as comemorações dos três séculos da Sétima Vila. O encarregado de carpintaria João Aguiar de Castro, que trabalha na restauração do sobrado, torce para que o museu seja entregue à população antes do aniversário de 300 anos: “É importante para manter viva a história tanto da cidade quanto do país”. Entusiasmado com a reforma, ele revela que parte da parede de pau a pique de um dos cômodos será coberta apenas com vidro para que o público tenha uma noção dos materiais usados na época da construção do museu, que já abrigou a sede da prefeitura, do arquivo do Judiciário e da casa da Câmara e cadeia.

“Caminhar pelas dependências do casarão é como voltar ao passado, à medida que observamos as técnicas de construção aplicadas nas paredes de pau a pique, portais e telhado. Também ao imaginarmos quantas decisões importantes foram despachadas no sobrado. O museu é essencial para uma cidade histórica como Pitangui, para manter viva nossas origens, atrair visitantes e pesquisadores e, consequentemente, aquecer a economia do município”, avalia o turismólogo Leonardo Morato. Ele e o amigo Vandeir Santos doaram ao acervo do museu peças e fotografias antigas. “Vandeir doou um ponteiro de ferro, do século 18, encontrado, num trabalho de campo, no interior de uma mina de ouro desativada. Eu doei cinco documentos – cartas, petições, requerimentos – do mesmo século. O material foi pesquisado no Arquivo Histórico Ultramarino, em Lisboa. O Conselho Ultramarino tinha a função de orientar e auxiliar o rei de Portugal nos pareceres, leis e decisões relacionados às colônias portuguesas. Os assuntos e solicitações diversas dos cidadãos nas Capitanias no Brasil eram despachados para a Corte portuguesa, por intermédio das câmaras municipais”, diz Leonardo.

Religião e questões sociais
Os moradores contam que o sobrado teria sido construído a mando do major Joaquim Inácio, rico morador de Pitangui no século 18, para servir como residência do presidente da província mineira. Inácio sonhava que a Sétima Vila do Ouro pudesse algum dia ser a capital. O Museu Sacro Monsenhor Vicente Soares de Pitangui conta com um arquivo que revela curiosidades do passado inaceitáveis nos dias de hoje, como ações chamadas de penhora das almas. São documentos, datados da primeira metade do século 18, nos quais devedores asseguravam a própria alma como garantia em caso de não pagamento do débito. Os papéis mostram como questões sociais se misturavam com a economia e a religião daquela época. É preciso lembrar que no século 18 as compras de serviços e produtos por meio de pagamento a prazo eram comuns, pois havia grande escassez monetária. 

Documentos semelhantes já foram encontrados pela historiadora Cláudia Coimbra do Espírito Santo em Mariana e Ouro Preto, respectivamente a primeira e a segunda vilas do ouro no estado. Além de Pitangui, as demais são: Serro, São João-del Rei, Sabará e Caeté. É possível que novos documentos sejam incorporados ao acervo do museu. Isso porque os operários que trabalham na restauração do imóvel encontraram um cofre fechado no local. Ninguém tem o segredo, mas a expectativa é de que ele seja aberto nos próximos meses. A torcida é para que seu interior esteja recheado de papéis que ajudem a contar a história do município.

fonte:
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/12/11/interna_gerais,335978/erguido-no-seculo-18-sobrado-que-abriga-o-museu-da-setima-vila-do-ouro-comeca-a-ser-reformado.shtml