segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Edifício Copan deve inaugurar museu até 2016 no terraço do prédio




Affonso de Oliveira, síndico do condomínio, reúne material há 20 anos.
Em 2012, o condomínio no Centro de SP registrou recorde de visitações.


Ponto turístico e marco da região central de São Paulo, o Edificio Copan, obra do arquiteto Oscar Niemeyer, morto em dezembro de 2012, abrigará um museu até 2016. Síndico do condomínio há 20 anos, Affonso Celso Prazeres de Oliveira armazena desde o início de sua gestão uma infinidade de documentos, peças, máquinas antigas e mais de duas mil fotografias que narram a biografia do edifício, projetado na década de 50. “Tem muita história que precisa ser contada”, defende ele.

Quando assumiu o cargo, Oliveira colocou cartazes pedindo contribuições aos moradores. “Muita gente participou doando revistas, jornais, fotos, e documentos antiquíssimos.” Guardado em um armário na sala da administração, há uma folha de caderno com assinatura de cotistas que compraram vagas na garagem do prédio. “Isso foi feito na primeira reunião do Copan”, conta.

O museu já tem sede e patrocinador, mas ainda levará tempo para ser inaugurado. A ideia é construir o espaço no terraço do prédio, uma das vistas mais cobiçadas da cidade. No ano passado, uma empresa italiana procurou a administração do Copan para vender serviços. Na conversa com os representantes, Oliveira falou sobre o projeto e rapidamente arrematou o primeiro patrocinador. “É só eu sinalizar que eles vêm para começar as obras e o estudo”.

Alunos do curso de arquitetura da Universidade de São Paulo (USP) também já manifestaram interesse em colaborar. Quando o museu deixar o plano das ideias e começar a ganhar corpo, o síndico deve ganhar a ajuda dos aspirantes a arquitetos para organizar e garimpar o material arquivado.

Salas localizadas entre os andares do edifício guardam máquinas de imprimir boletos de cobrança de aluguel, uma enceradeira de 1958, fichas de cadastro dos moradores de 1961, cadeiras e até tubulações antigas. Muitos objetos precisarão de uma boa limpeza antes de serem expostos. Por ora, vivem de pó. "Vamos restaurar essa enceradeira". diz.

Há seis anos Oliveira iniciou a modernização dos elevadores. Boa parte do que facilmente seria considerado lixo foi selecionada para virar obra de arte do museu. “Guardo tudo que documente a história desse condomínio”, explica.

Affonso de Oliveira pode encerrar seu trabalho como administrador, após 20 anos, em março de 2013. Ele evita falar sobre o assunto, e não revela se deseja permanecer no cargo. “A assembleia é que vai decidir". Entretanto, espera que os projetos por ele encabeçados e o sonho da construção do museu, caso ele deixe a função, sejam mantidos. “Consegui transformar o Copan em um laboratório.”

Em 2012, o condomínio registrou recorde de visitações. De março de 2012 a 28 de fevereiro deste ano, ele acredita que o número chegará a cinco mil pessoas, de 49 nacionalidades. “Nunca são os mesmos países interessados, mas em média registramos 52 nacionalidades. Em 2012, o número de visitas foi o mais alto registrado na nossa história.” França, Alemanha, Itália, EUA e Espanha são os principais países entre os turistas interessados em conhecer o edifício.

Antes de expor todo o acervo dos mais de 50 anos de Copan, Oliveira quer restaurar a fachada do prédio. Aguarda o processo de tombamento do edifício e espera conseguir apoio da Lei Rouanet. Segundo o administrador, um banco internacional já manifestou interesse em financiar a obra caso conquiste o incentivo federal. “O Copan ainda é uma história a ser contada. Há muito para se fazer”, pondera o síndico.


fonte:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/01/edificio-copan-deve-inaugurar-museu-ate-2016-no-terraco-do-predio.html