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sábado, 16 de março de 2013

Repaginado, museu da cegueira é reaberto




Totalmente repaginado e com cara de museu, o Centro de Memória Dorina Nowill - fundado pela professora brasileira que ficou cega aos 17 anos - reabre as portas hoje. O acervo da fundação, exposto desde 2002, agora ganha um espaço próprio e totalmente acessível.
A exposição convida o visitante a experimentar uma viagem sensorial e interativa, cheia de recursos sonoros e olfativos. É possível "enxergar" como um cego, seja por meio de equipamentos modernos - como uma caneta que, apontada para os objetos, conta o que eles são -, seja por meio dos tradicionais livros em braile, que tanto ajudaram e continuam ajudando os deficientes visuais.
"O objetivo é transformar este local no primeiro centro de referência histórica da inclusão de pessoas com deficiência visual no Brasil, dando ao circuito cultural da cidade de São Paulo uma proposta totalmente inclusiva, que agrega acessibilidade, cultura e educação", explica a curadora do espaço, Viviane Sarraf.
As peças e recursos de exposição interativos mostram a trajetória dos cegos no Brasil, com a evolução das ferramentas e equipamentos que os auxiliam a ter uma vida independente e ativa. "No início, os deficientes visuais sofriam com falta de perspectiva e preconceito. Hoje em dia, há muitas possibilidades de inclusão", compara Viviane.
Visitas. O tour começa por uma réplica da sala de trabalho de Dorina Nowill, com mobília, objetos e livros que originalmente pertenceram à professora (leia mais sobre ela no quadro ao lado). Há até porta-retratos com fotos de familiares sobre a mesa. "Ela gostava de receber os visitantes em sua sala, então a gente mantém essa tradição", diz a curadora.
No espaço que concentra a maior parte da exposição, há dispositivos de áudio onde podem ser ouvidos trechos de livros falados com a tecnologia de cada época, década a década, dos anos 1970 até a atualidade. Ao lado, as mídias que também evoluíram - de grandes fitas e gravadores arcaicos que eram emprestados pela fundação aos deficientes até os CDs com gravações feitas em arquivos MP3.
Tradicional e moderno. Os equipamentos também são bem interessantes. Há regletes - uma variação do aparelho de escrita inventado por Louis Braille, espécie de gabarito utilizado para escrever, à mão, em braile -, máquinas de escrever em braile de todos os tipos, das antigas às modernas, além de computadores equipados com softwares modernos de leitura.
Uma das invenções mais curiosas do acervo é uma engenhoca americana dos anos 1960 que, com uma pequena câmera, transforma textos em relevo para que o cego possa sentir as palavras. Mais recente, um equipamento inventado no Brasil lê as cores - e pode ser usado pelo cego para escolher roupas ou mesmo identificar notas de dinheiro.
Em outro espaço do museu, há uma reprodução do ambiente doméstico do deficiente visual. Um relógio adaptado permite uma leitura táctil das horas, pelo relevo. Joias, batons e esmaltes também ganharam identificação em braile. E há a seção das bengalas, desde as mais antigas, muitas improvisadas, até as leves, coloridas e modernas.
Percorrer o espaço, mais do que entender o dia a dia dos deficientes visuais, permite ao visitante se aproximar dessa realidade - o que facilita a convivência e amplia a acessibilidade.
Mas a visita não precisa acabar aí. Depois de conhecer o Centro de Memória, fica o convite para ver os outros espaços da Fundação: a gráfica em braile, a biblioteca e os estúdios de gravação de livros falados, entre outros, sempre com mediadores prontos para explicar a atividade.
fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,repaginado-museu-da-cegueira-e-reaberto-,1007075,0.htm

Marta vai aos EUA conhecer modelos para museu

Washington, 15 - Com uma visita de cinco dias a Washington e a Nova York, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, tomou para si a tarefa de conhecer experiências locais que possam contribuir para a instalação do Museu da Memória Afrodescendente, em Brasília. Emendas ao Orçamento de 2013 já permitiram reservar R$ 12,5 milhões para o projeto, enquanto museus e bibliotecas históricas do País continuam, como descreveu a própria ministra, com recursos "baixíssimos e ridículos".


O Museu da Memória Afrodescendente é uma ideia de quase 20 anos. Nasceu com a doação do Distrito Federal de um terreno no Lago Sul de Brasília à Fundação Palmares, como homenagem à primeira visita do então presidente da África do Sul, Nelson Mandela, ao Brasil. Desde então, naquele lugar há apenas uma pedra fundamental.


Segundo Marta, o museu terá os objetivos de "contar a história" dos negros no Brasil e de sua contribuição para a formação da identidade nacional valendo-se de alta tecnologia e recursos virtuais. A inspiração será o Museu da Língua Portuguesa, de São Paulo. O custo será definido depois da elaboração do projeto arquitetônico. Marta quer, pelo menos, ver a obra iniciada neste governo de Dilma Rousseff, para afastar o risco de recuo na próxima gestão.

"Essa história não foi contada direito ainda", afirmou Marta. "E nós vamos dar para o negro um lugar nobre de Brasília", completou, ao referir-se à construção do museu no Lago Sul, o metro-quadrado mais caro da capital brasileira.

A ministra da Cultura visitou nesta sexta, em Washington, o Museu do Holocausto e o Newseum e conservaria com a equipe responsável pelo Museu Nacional de História e Cultura Afroamericana, em construção na capital americana. Hoje, ela estará no Museu Nacional de Artes Africanas. Em Nova York, na próxima semana, Marta irá ao Museu de Arte Moderna (MoMA) e o Schomburg Center, que pesquisa a cultura negra.

O Ministério da Cultura está em discussão com o Victoria & Albert Museum, em Londres, para receber suas exposições já montadas. Elas seriam exibidas em museus brasileiros durante 2014, por conta da Copa do Mundo. A ministra adiantou o interesse brasileiro em exposições de história grego-romana e dispensou a necessidade de envio de obras autênticas. "Certamente, essas peças estão em um porão do V&A Museum e, mesmo que não sejam originais, não há nada parecido no Brasil", afirmou. "Não vou achar ruim se vier uma cópia da Diana."

Vale Cultura


Marta Suplicy insistiu nesta sexta que não aceitará o uso do Vale Cultura para o pagamento de TV por assinatura e que "não há a menor chance" de esse benefício se estender para os jogos eletrônicos. "Sou uma pessoa aberta a questionamentos, mas não sou ping-pong", afirmou. O Vale Cultura foi criado pelo governo em dezembro passado. Segundo Marta, ainda não há clareza sobre como as pessoas pretendem gastar o vale de R$ 50 por mês para trabalhadores com remuneração de até cinco salários mínimos.
fonte:
http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/03/15/interna_politica,357696/marta-vai-aos-eua-conhecer-modelos-para-museu.shtml

RJ: Justiça determina que índios deixem prédio do Museu do Índio


Índios têm 72 horas para deixar o local de acordo com decisão da Justiça Federal


Uma decisão da Justiça Federal determinou que os índios que ocupam o prédio do antigo Museu do Índio - ao lado do Maracanã - desocupem o imóvel em 72 horas, contadas a partir da tarde desta sexta-feira. O governo do Rio havia entrado na Justiça com um mandado de imissão de posse do prédio, comprado da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O defensor público da União Daniel Macedo ingressou no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) com um recurso de agravo de instrumento, tentando reverter a situação. Macedo teme que, esgotados os meios jurídicos, possa haver resistência dos índios em sair do imóvel. “A minha leitura é que os índios querem resistir. Se isso acontecer, pode haver um banho de sangue ou até ocorrer a morte de um índio, o que certamente vai macular a imagem do País no exterior”, disse o defensor público, que prega uma saída pacífica e dentro da lei.
O líder indígena Afonso Apurinã confirmou o recebimento da ação judicial, mas disse que não assinou o documento, por falta de garantias do governo.
 “O governador (Sérgio Cabral) não deu nenhuma garantia para nós. Não tem nenhum documento que garanta a nossa segurança. A gente não aceitou. Neste sábado vamos fazer um protesto, às 10h, com uma caminhada da Praça Saens Peña até o Maracanã. O clima está muito difícil. Se não for houver um acordo, a polícia poderá tirar todo mundo, a partir de segunda-feira. Se o governador quiser fazer alguma coisa com a gente, que seja documentado: o que ele quer fazer, onde vai ser e quando as obras começarão”, disse.
Apurinã criticou o fato de ter sido veiculada notícia, na última semana, de que o governo aceitaria dividir o espaço do imóvel entre os índios e o planejado Museu Olímpico, o que depois foi negado. “Semana passada eles falaram uma coisa, agora falaram outra. Por isso a gente não confia em ninguém”, ressaltou.
Secretaria nega ter feito proposta
A Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos negou, por meio de sua assessoria, que tenha sido feita proposta de dividir o prédio com os índios. A proposta para os índios saírem do imóvel inclui um pouso provisório, o transporte dos bens, alimentação, aluguel social, criação de um centro de referência dos povos indígenas e de um conselho estadual de direitos indígenas.
O governo do Estado ofereceu moradia provisória aos índios em 30 quartos de um hotel no centro. Mas o defensor público da União Daniel Macedo vistoriou o hotel e considerou o local indigno. “Não faz parte da cultura indígena ficar preso em um quarto de hotel de meia estrela, comendo quentinha três vezes por dia”.
O imóvel em disputa foi construído no século 19 e abrigou o Serviço de Proteção ao Índio, comandado pelo marechal Cândido Rondon. Posteriormente, o local foi transformado em Museu do Índio e teve entre seus diretores o antropólogo Darcy Ribeiro. Ficou abandonado e foi ocupado por índios de diversas etnias em 2007, que desejam transformar o local em um centro cultural indígena. O governo do Rio cogitou demolir o prédio, como parte das obras de reforma do Maracanã, mas depois mudou de ideia e planeja instalar no local um Museu Olímpico.

fonte:
http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/rj-justica-determina-que-indios-deixem-predio-do-museu-do-indio,24b67d1b2b07d310VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

Afinal, para que servem os museus?






Para refletir - As instituições museológicas de Florianópolis atendem à suas finalidades sociais?



Museus servem à formação, à convivência e à construção de sentidos
Museus são como pontes, portas e janelas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes. A definição está na página do Ibram, o Instituto Brasileiro de Museus, e carrega uma carga conceitual subjetiva que convida à reflexão: afinal, para que servem esses cubos brancos, alguns muito velhos, outros tão modernos, que guardam resquícios do passado ou exemplares das nossas artes – as do ontem, do hoje e as possibilidades para o amanhã? A reflexão vai além: qual a função social dos museus? As instituições de Florianópolis estão cumprindo esse papel?
À parte as visitas das escolas e as aberturas de exposições, que reúnem em geral os mesmos rostos em brindes com vinho quente e barquetes, os principais museus da cidade contemplam o vazio. Muitas tardes o Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), um dos mais importantes do país, fica às moscas, como o próprio presidente da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), Joceli de Souza, chegou a admitir.  O que há presença é apenas obras de artes incompletas por não serem apreciadas por ninguém. “Uma boa exposição não é o suficiente”, provoca o diretor do departamento de processos museais do Ibram, Cícero Antônio Fonseca de Almeida, 50.
“É preciso questionar: os museus estão satisfeitos com suas salas vazias? Qual a solução? Trazer mostras internacionais, ou grandes grifes, como os impressionistas? O que está falhando é a comunicação?”, questiona o diretor. São perguntas que os administradores dos espaços museológicos deveriam fazer todos os dias. Alguns da cidade o fazem, procurando estabelecer diálogos interculturais. É o caso do museu Victor Meirelles e da Fundação Cultural Badesc (que não se caracteriza como museu por não ter acervo, mas se consolidou como um espaço de atividades culturais e mostras de arte contemporânea). Mas a situação ainda deixa a desejar, tanto por parte da população, que precisa urgentemente rever seus hábitos culturais, quanto por parte dos administradores públicos, que têm o dever de democratizar e principalmente estimular o deleite cultural.
Exposições são como as mídias dos museus
Até o começo deste ano, as exposições e atividades realizadas nos três principais museus administrados pela FCC (Fundação Catarinense de Cultura) em Florianópolis eram decididas sem o respaldo de uma comissão técnica e exclusiva para as especificidades de cada espaço. Em 24 de janeiro três portarias constituíram comissões de acervo e de pauta do Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), do MIS (Museu da Imagem e do Som) – os dois localizados dentro do CIC (Centro Integrado de Cultura) - e do MHSC (Museu Histórico de Santa Catarina) / Palácio Cruz e Sousa, no Centro.
A FCC estabeleceu prazo de 30 dias para compor uma comissão de pauta com oito pessoas. Até a última sexta-feira, 43 dias depois das portarias, a comissão ainda não estava formada, porque “algumas entidades convidadas a participar ainda não fizeram a indicação dos representantes”, segundo a assessoria de imprensa da Fundação. O prazo agora é até 15 de março.
A ausência de uma comissão de pautas regulamentada e a seleção por editais pode repercutir na visitação de espaço como o Masc, MIS e MHSC. As comissões, em geral, analisam os pedidos de exposição, relevância e duração de uma mostra em um museu, assim como podem opinar em atividades complementaresO fato de o CIC ter ficado fechado por quase três anos para reformas, que ainda não terminaram – ainda falta uma ala – também interrompeu uma rotina de visitação conquistada em décadas. A agenda da instituição está retomando aos poucos a agilidade de outros tempos.
 Diálogos interculturais
Para a diretora da divisão de museologia do museu de arqueologia e etnologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Cristina Castellano, os espaços museológicos, de maneira geral, devem não só contar a história de um povo ou a sua arte, como também problematizar questões contemporâneas. “Por exemplo, trazer questões da comunidade para dentro do museu por meio de outra linguagem, por exemplo, como debater a sexualidade feminina ao longo da história por meio de videoarte, uma performance teatral, de dança, de audioperformance”, diz. Nesse sentido, não bastam apenas exposições. É preciso sair do lugar comum e superar as livrescas mostras de texto e imagem, que já não provocam o público.
Em Florianópolis duas instituições se destacam por promoverem eventos de formação e estimularem o público a ficar mais próximo. O museu Victor Meirelles e a Fundação Cultural Badesc, ambos no Centro, provam que é possível manter um diálogo aberto entre passado e contemporaneidade.
“No que diz respeito às exposições com curadoria da equipe, um dos critérios é  buscar novos sentidos para o acervo”, afirma o historiador e curador Fernando Boppré, ex-chefe de serviço do museu Victor Meirelles. Nessa instituição as exposições ocorrem via seleção por edital público, além das mostras feitas com curadoria da equipe. O museu funciona num sobrado antigo onde nasceu Victor Meirelles (1832 – 1903), e possui um acervo com obras do artista e de outros de sua época, mas dá lugar também para a linguagem contemporânea nas artes e aos artistas de fora do Estado.
Já o presidente da FCC, Joceli de Souza, que responde pelos administradores dos museus do Estado na Capital, acredita que os espaços devem valorizar os artistas locais. “A gente procura valorizar e dar atenção aos artistas da terra”, afirma, reforçando a ideia de priorizar espaço no Masc, MIS e MHSC aos artistas que produzam em Santa Catarina. “Acho que não pode ser nem uma coisa, nem outra. Há um papel histórico do que se espera dos museus, de que serão guardadores de sua essência. Isso não significa que a agenda não possa dialogar. Não vamos fazer xenofobia. A abertura é inclusive uma atitude menos provinciana”, contrapõe o diretor de processos museais do Ibram, Cícero Antônio Fonseca de Almeida.
“O trânsito intercultural é muito contemporâneo hoje”, continua Almeida. “O conhecimento das outras formas alimenta o pensamento crítico.” Ele também discorre sobre a prática de seleção de mostras por editais. “Isso tem sido um caminho, é uma prática democrática e republicana, uma forma de as agendas serem transparentes. As mostras não podem ser decididas por alguém sentado na cadeira.”
Formação de público
Os museus têm papel educativo na sociedade. Objetos e textos devem apenar ser pretextos para que se faça a construção da informação e do pensamento crítico. A Fundação Cultural Badesc, criada em 2006, desde o começo contou com editais para seleção de mostras em seu espaço e uma comissão julgadora composta por três membros, renovada a cada ano. Em 2012 sediou 11 exposições – o Masc sediou oito.
Mas a quantidade de mostras é um detalhe diante da rotina semanal de atividades nas áreas de artes, cinema, música e literatura. “Todos eventos são gratuitos, o que garante a presença e a formação de público e o acesso irrestrito. As pessoas tem carência por atividades de qualidade. É sempre complexo saber se estamos ou não cumprindo o papel, mas cabe ressaltar a satisfação manifestada por quem frequenta a casa em relação às atividades oferecidas”, afirma Lena Peixer, diretora de artes da Fundação.
Atividades culturais como essas poderiam ser uma alternativa para que exposições de longa duração se reciclem. É o caso da exposição “Guerra do Contestado: 100 anos de Memórias e Narrativas”, que começou no dia 22 de outubro de 2012 no MHSC e foi prorrogada até 2 de junho de 2013. Além de longa, o espaço não propôs uma agenda de discussões e reflexões acerca da exposição com o público em geral, em somente um encontro para estudantes de museologia e o curador da mostra. “Por isso é preciso criar mecanismos de discussão e debate da agenda contemporânea”, diz Cícero Antônio Fonseca de Almeida. O passado precisa ser debatido para repensar o que se quer no futuro.
Saiba Mais
- Segundo o Ibram, existem cerca de 3.000 museus em todo o mundo. Infelizmente, a maioria nas regiões de maior concentração de renda.
- Masc tem agenda de exposições fechada até dezembro com os artistas Clara Fernandes (até 31/3), Lair Leoni Bernardoni (12/4 a 12/5), AsBEA (22/5 – 16/6),0 Flávia Fernandes (26/6 a 28/7), Tércio da Gama (7/8 a 8/9), Luciano Martins (25/9 a 27/10) e 11º Salão Victor Meirelles (até janeiro de 2014)
- As atividades no MHSC para as próximas semanas são relacionadas ao Dia Internacional da Mulher (celebrado na sexta, 8/3) e às atividades da Maratona Cultural de Florianópolis, entre 22 e 24/3
- O Mis foi reativado no ano passado, e atualmente sedia a exposição “Os Tesouros do Cinema” – Making Off do Filme “O Tesouro do Morro da Igreja”.
- A Fundação Cultural Badesc tem atividades diárias, de segunda a sexta, que englobam atividades de cinema, literatura, artes visuais e música.
- No âmbito municipal, a galeria Pedro Paulo Vecchietti, vinculada à Fundação Franklin Cascaes, conta com uma agenda morna de atividades e mostras.
- O museu Victor Meirelles, além de visitas mediadas, realiza o Projeto Agenda Cultural, que opera como um espaço aberto à discussão sobre arte, cultura e patrimônio na contemporaneidade, com oficinas, palestras, exibições de filmes, concertos musicais, entre outras atividades
Publicado em 10/03-10:18 por: Carol Macário. 
Atualizado em 16/03-11:11
fonte:
http://www.ndonline.com.br/florianopolis/plural/55421-afinal-para-que-servem-os-museus.html

Edição 2013 da Semana de Museus bate recorde de instituições participantes

As inscrições para a 11ª Semana de Museus, programada para acontecer entre 13 e 19 de maio, alcançou novo recorde de participação. No total, 1.252 instituições vão participar da temporada 2013 e organizar 3.911 atividades para comemorar O Dia Internacional dos Museus (18 de maio) em 535 municípios de todo o país – incluindo o Distrito Federal.
Este ano o tema da semana é Museus (Memória + Criatividade) = Mudança Social. O guia com toda a programação vai estar disponível online na primeira quinzena de abril. Saiba mais sobre a 11ª Semana de Museus.
Crescimento
1ª Semana de Museus (2003) teve a participação de 57 instituições que realizaram 270 eventos. Deste então, o número de instituições participantes só aumentou, o que demonstra o interesse da área em realizar uma programação comum em todo o país.
Uma pesquisa realizada pelo Ibram com as instituições participantes da 10ª Semana de Museus, em 2012, mostra a movimentação do setor e o aumento do público durante este período. A pesquisa revelou também o fortalecimento da imagem dos museus e o crescimento da visibilidade das instituições, fortalecendo o envolvimento da comunidade com as ações desenvolvidas e ampliando a integração com outros museus brasileiros.
A pesquisa revelou, ainda, que a 10ª Semana de Museus gerou 504 novos empregos durante sua realização, entre a contratação de palestrantes, curadores, monitores, músicos, atores, montadores de exposição e outros prestadores de serviços. Além disso, foram mobilizados 2.333 voluntários.
Texto: Ascom/Ibram

Museu do Café de Santos completa 15 anos



Há muito tempo a Bolsa Official de Café não funciona mais onde funcionava, na esquina da Rua XV com a Frei Gaspar. Transferiu-se para São Paulo em 1957. Mas nem por isso a famosa rubiácea foi riscada do mapa de Santos. Peso pesado na balança comercial brasileira, perdeu apenas o monopólio de produto exportador, sendo agora obrigada a dividir o cais do porto especialmente com a soja, o suco de laranja, o açúcar.
Museu do Café fica na rua XV de Novembro, 95, no Centro Histórico de Santos – Foto: Anderson Bianchi
Museu do Café fica na rua XV de Novembro, 95, no Centro Histórico de Santos – Foto: Anderson Bianchi
Da Bolsa Official de Café sobraram o nome – estampado em letras douradas na fachada do edifício – e toda a herança da época em que ali se centralizava, organizava e controlava o mercado cafeeiro. Recordação cuidadosamente guardada no antigo palácio, que desde 1998 abriga o Museu do Café.
A instituição completou 15 anos de atividade na terça-feira (12/03) , com a agenda cheia. A programação festiva teve início na segunda-feira (11/03), quando seis atores caracterizados de personagens antigas caminharam pelo Centro Histórico, convidando a população para uma visita gratuita ao Museu, na terça-feira (12/03) e no domingo (17/03)
No sábado (16/03), às 16h, o Salão do Pregão receberá concerto da Orquestra Instituto Grupo Pão de Açúcar. Durante o sábado (16/03) e o domingo (17/03) os visitantes ainda poderão levar para casa uma foto de época. Entre 14h e 18h, vestimentas, acessórios e um cenário estarão disponíveis para que o público possa se caracterizar.
Devido às comemorações de aniversário o equipamento apresentará, no último sábado de cada mês, atrações como a ‘Visita Curiosa’ e ‘Um Olhar em Perspectiva’. Direcionada às crianças, a primeira consiste em monitoria sobre curiosidades e a história da Bolsa, após a qual a meninada deve expressar artisticamente o que aprendeu. A segunda tem como foco a arquitetura do prédio, com atividade fotográfica dos detalhes do prédio.
Arquitetura magnífica
O edifício do museu é um dos mais significativos do Centro Histórico de Santos. As torres ganham destaque no estilo eclético da construção. A dianteira é sustentada por oito colunas de granito rosa, que formam o átrio da fachada principal. Com uma bela vista para o porto, a torre da fachada posterior tem 40 m e conserva o relógio suíço que fazia a convocação para as sessões do pregão. Exibe quatro estátuas. Elas representam a Indústria, o Comércio, a Lavoura e a Navegação, atividades inseridas no contexto cafeeiro.
O Salão de Pregões ostenta a coroa e o cetro da beleza na arquitetura do prédio. Ali se realizavam as negociações de compra e venda do produto. O cadeirado circular em jacarandá dispõe de 81 poltronas, em que as 11 principais eram ocupadas pelo presidente e secretários. Nas demais, servidas por mesinhas redondas, sentavam-se os corretores oficiais. Produtores e exportadores assistiam às sessões de camarote desde o primeiro andar, sob a luz que partia do miolo das flores que decoram o teto quadriculado em estilo rococó.
Mármores vindos da Grécia, Espanha e Itália formam desenhos geométricos no piso. O teto é dominado por vitral de Benedicto Calixto. Bastante inovador, foi um dos primeiros a abordar a temática brasileira, focalizando as riquezas de três períodos da nossa história: o ouro da Colônia; a agricultura de café, cana-de-açúcar e algodão do Império; o comércio, a exportação e a modernização da República.
Do acervo também constam três quadros de Calixto, pendurados na parede atrás do cadeirado. O do meio retrata uma cena do que teria sido a fundação da vila de Santos, por volta de 1545. Os dois laterais remontam a duas datas diferentes do porto – 1822 e 1922 – com a transformação em função da rubiácea.
O Café e o Trabalho
Desenvolvida em três espaços distintos, a exposição permanente faz um balanço geral da “Trajetória do Café no Brasil” por meio de painéis fotográficos e objetos de trabalho.
Caminhando por assoalhados em marchetaria de madeira de lei brasileira, chega-se à sala “O Café e o Trabalho”. Enfatizando a mão-de-obra africana, negros podem ser vistos pela lente do fotógrafo Marc Ferraz, enquanto imigrantes japoneses posam em vagões de trens com destino à capital e ao interior paulista. Eles representam os povos da Ásia e da Europa para os quais o Brasil abriu os braços depois da abolição da escravatura.
Reproduções de pinturas de Antônio Ferrigno falam de duas fases de preparação do produto. Na ‘Colheita, mulheres de saias compridas e lenços na cabeça, ao lado de homens de barba e chapéus de palha provam que eram paus p’ra toda obra na faina de colher, peneirar e ensacar os grãos. Diante do quadro, os utensílios empregados: escada, rodo, vassoura, rastelo e plantador. Já na interpretação do ‘Beneficiamento’ vêm à baila as grandes máquinas que eram usadas na fase final e um trabalhador, agulha e linha em punho, fechando os sacos de estopa com costura ainda feita a mão.
Muitos artefatos eram confeccionados pelos próprios escravos. Diante do painel em que um negro, mãos ágeis nos trançados e tramas com palha e fibras, dedica-se ao artesanato de cestaria, descansam modelos de peneira, balaio e cestos ao lado do pilão e da gamela, artesanato em madeira.
Outros utensílios acham-se expostos na sala: selecionadora manual, descascadora, torradores, moedores, filtros, coadores, balanças pequenas e a grande, chamada romana, destinada à pesagem das sacas que deveriam ter exatos 60 quilos. Pacotes de ene marcas do produto valorizam a demonstração, desde as mais conhecidas – Pilão, Moka, Pelé, Melitta etc – até latinhas lançadas pelo Museu do Café em comemorações especiais, como o Centenário da Imigração Japonesa (2008) e o Ano da França no Brasil (2009).
Na sala contígua, o Centro de Preservação, Pesquisa e Referência conta com biblioteca aberta ao público.
Café e Novas Rotas
O dinheiro do café bancou o novo tipo de transporte por ferrovias para o escoamento do grão, desde as fazendas do interior paulista até o porto de Santos. Na sala “Café e Novas Rotas ”, localizada no primeiro andar, um mapa chama a atenção pela quantidade de cidades servidas pelas linhas férreas. São mais de 100 municípios paulistas, desde São José do Rio Preto (norte) até Cajati (sul), desde Presidente Prudente (oeste) até Pindamonhangaba (leste).
Vitrines guardam objetos alusivos à atividade ferroviária, como lanterna, placas de localização, Caixa Postal das estações. Históricas, cinco reproduções de fotos revelam momentos e situações corriqueiras. Em uma delas, datada de 1930, japoneses com caras de poucos amigos enfrentam a câmera na hora do descanso. Em outra, mais dinâmica, colonos depositam as sacas em rudimentares vagões de carga. A terceira retrata uma preguiçosa maria fumaça estacionada diante da estação Serrinha Santa Clara, ao passo que outras duas apresentam vistas do porto.
A transformação da malha urbana santista e a pujança da economia é visualizada em ilustração e em maquete que rememora o centro da cidade em 1920. Ali se multiplicam as instituições financeiras – como o Banco Real do Canadá, Banco Alemão, National City Bank, Banca Italiana di Sconto, Caixa Econômica – ao lado de comissárias de despachos e empresas exportadoras – como a Trancoso Hermanos Cia. Ltda, Cia Comercial e Náutica, Junqueira, Neto e Cia, Hard Rand Co – nas vizinhanças do Paço Municipal, da Bolsa Official de Café, dos Correios e Telégrafos, da Câmara de Comércio etc.
O café enriqueceu o município de Santos. Belos hotéis como o Parque Balneário, palacetes de luxo como o que atualmente pertence à Unisantos, na Pompeia, vias para drenagem da água das chuvas, como o Canal 1, são fatos e versões ressaltados em painéis.
Também é relembrada a Rua XV de outrora, conhecida como Wall Street Brasileira. Ela era socialmente vetada à entrada de moças de família e senhoras de respeito por ser o local de bate-papo dos corretores, todos nos trinques em seus ternos de linho branco à espera da hora do pregão.
Santos e o porto
A relação umbilical da cidade com seu atracadouro é enfatizada na sala “Santos e o Porto”, onde o manequim de um estivador desperta logo o interesse. Trata-se de Jacinto. Com cinco sacas de 60 quilos nas costas – o que dá um total de 300 quilos – ele era imbatível nos concursos que os trabalhadores faziam para ver quem aguentava mais peso. Mas sustentar é uma coisa e carregar é outra. Embora recebessem pelo número de unidades carregadas, na estiagem para os porões dos navios eles só davam conta de uma ou duas sacas por vez. Marc Ferraz volta a assinar uma fotografia do porto em 1882.
Diante da ilustração de um organizado armazém de café, com sacas cuidadosamente dispostas lado a lado, um sinal de progresso é evidenciado pela máquina de costura, que livrou o trabalhador de furos e calos nos dedos. A grande balança romana continua a mesma. Rematando a mostra, uma pequena vitrine exibe xicrinhas de café com o logotipo das firmas : Pacaembu, Palheta, Sumatra, Pelé, Damasco, Top. Moóca, Ituano, Baronesa etc. Algumas são acompanhadas do pacote de café.
Mais dois espaços podem ser observados através de divisórias de madeira e vidro: um voltado ao setor administrativo e outro à degustação, já que a bebida precisa passar por uma prova de classificação, antes de ser negociada. Classificação essa realizada até hoje em mesas redondas giratórias apropriadas, com cerca de 10 pequenos vasilhames como xícaras cheias de café , que os provadores especializados experimentam, classificando o produto desde a melhor para a pior qualidade: mole (suave e adocicado), duro (suave), riado (leve sabor de iodofórmio) e rio (forte sabor de iodofórmio).
As crianças não foram esquecidas. Nos corredores entre as salas, o jogo da fazenda, o caça-palavras e o quebra-cabeça distraem a meninada, que ainda se diverte criando vegetais diferentes num brinquedo em que circunferências acrílicas, de vários tamanhos e sobrepostas, têm desenhos de partes das plantas, possibilitando diversas combinações.
E para fechar com chave de ouro a visita, nada melhor que uma passadinha pela cafeteria, onde se pode provar o melhor café tipo exportação do Brasil, além de doces, sorvetes e drinques à base do grão. Quem quiser levar pó de café para casa deve escolher entre os do Chapadão do Ferro, Alta Mogiana, Espírito Santo, Cerrado de Minas e Sul de Minas.
O Museu do Café, instituição da Secretaria da Cultura de São Paulo, fica na rua XV de Novembro, 95, no Centro Histórico. Seu horário de funcionamento é de terça-feira a sábado, das 9h às 17h, e nos domingos, das 10h e 17h. Os ingressos custam R$ 5,00. Estudantes e pessoas acima de 60 anos pagam meia-entrada.
Outras informações no site www.museudocafe.org.br