quinta-feira, 18 de abril de 2013

70 anos do Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB)

O Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), que fica em Belo Horizonte, guarda parte significativa da história da cidade. Inaugurado em 1943, tem a função de recolher e preservar itens que contribuam para a compreensão da dinâmica sócio-histórica da cidade. No dia 17 de abril, o Museu completa 70 anos e comemora a data de uma maneira especial. A gestora do museu, Célia Regina Araujo Alves, conta como será a cerimônia. "O nosso objetivo é lançar a programação especial do MHAB para 2013. Os fundadores do Museu Histórico e pessoas que atuaram na sua formação serão homenageadas com a entrega de placas".

A secretária-executiva do Ministério da Cultura, Jeanine Pires, participará como convidada da cerimônia de comemoração, nesta quarta-feira, às 10h30.
Ainda estão previstas a apresentação do selo comemorativo MHAB 70 anos e a apresentação do novo auditório e do plano de restauração do museu, o primeiro a ser inaugurado na cidade de Belo Horizonte.


O acervo

Quem visita o museu encontra um acervo de cerca de 70 mil itens que contam a história da cidade, em suas origens, ainda Arraial do Curral Del Rei. A finalidade é tornar público o acesso aos bens culturais preservados, fomentando a participação dos cidadãos na construção da memória e do conhecimento sobre a cidade.

Segundo Célia Alves, os visitantes podem apreciar três exposições que trazem reflexões sobre o cotidiano da cidade. No Casarão (construção rural do final do século XIX) está a mostra A Casa e a cidade: construção do espaço doméstico, social e da lembrança em Belo Horizonte, que apresenta a história e os aspectos do cotidiano da capital mineira, iniciando nas ruas e casa do Arraial do Curral Del Rei e estendendo-se até a metrópole contemporânea.

No prédio-sede está a exposição Belo Horizonte F.C. – Trajetórias do futebol na Capital Mineira, que narra a história do futebol na cidade. Já no foyer do Auditório pode ser conhecida a história do samba e do carnaval em Belo Horizonte, na mostra Narrativas.

O Museu também oferece aos visitantes atividades de educação patrimonial relacionadas à proteção de bens culturais e à valorização de acervos sobre a história local e a memória social da cidade, além de intervenções museais fora da sede. Há ainda eventos de difusão cultural em seu palco ao ar livre e no auditório.

Situado no bairro Cidade Jardim, o conjunto arquitetônico compreende um casarão secular, sede da antiga Fazenda do Leitão, construída em 1883, e o moderno edifício-sede, inaugurado em dezembro de 1998. Na área externa, estão os abrigos para o bonde elétrico e a locomotiva a vapor, o palco ao ar livre e os jardins concebidos como local de educação e lazer.


A história

As origens do MHAB datam de 1935, quando o jornalista e escritor Abílio Barreto foi convidado a organizar o Arquivo Geral da Prefeitura. Ele passou a recolher documentos e objetos que deveriam integrar o futuro museu da história da cidade e, a partir de 1941, reuniu acervos de forma mais sistemática e em diferentes suportes, selecionados segundo duas grandes seções: peças originárias do antigo Arraial do Curral del Rei e peças relativas à nova capital.

Paralelamente, promoveu-se a restauração do prédio escolhido para sediar o Museu: a casa da antiga Fazenda do Leitão, remanescente arquitetônico dos arredores do Arraial do Curral del Rei. Em 18 de fevereiro de 1943, a instituição foi finalmente inaugurada, com a denominação de Museu Histórico de Belo Horizonte. Em 1967, recebeu a denominação atual, em homenagem a seu idealizador e primeiro diretor.

Com o objetivo de imprimir uma abordagem museológica mais dinâmica, abrangente e sintonizada com as demandas culturais contemporâneas, o MHAB iniciou, a partir de 1993, amplo processo de revitalização institucional, que proporcionou a construção de seu edifício-sede, voltado para a Av. Prudente de Morais, e promoveu a reformulação de sua política de atuação.

"Desde 2003, o MHAB tem se colocado como Museu da Cidade, o que significa tratar das múltiplas memórias de Belo Horizonte", conclui a gestora do museu, Célia Alves, que acrescenta como desafios para os próximos anos "a manutenção da qualidade dos trabalhos e a criação de novas reservas técnicas para acolher novos acervos".
(Texto: Rosiene Assunção
Foto: Eugênio Sávio)

fonte:
http://www.cultura.gov.br/noticias-destaques/-/asset_publisher/OiKX3xlR9iTn/content/70-anos-do-museu-historico-abilio-barreto-mhab-/10883

No Museu do Vaqueiro



Há tempo que Paulo Balá programava uma ida ao Museu do Vaqueiro, me metendo na excursão até à Fazenda Bom Fim, de Marcos Lopes, em cujos tabuleiros, além do Forró da Lua e a mata ao lado para a pega do boi, tem agora o museu. Foi inaugurado em dezembro do ano passado, um projeto que ele trabalhava há mais de dez anos. Segunda-feira agora aconteceu a visita. Pegamos a estrada, coisa das três da tarde: Paulo, Cassiano Bezerra, Peri Lamartine e eu. Os três vaqueiros, derrubadores de boi. Eu, não. Mas tenho um neto, Tibério, que já pratica o esporte da vaquejada pelas ribeiras do Potengi. De Natal até o Bom Fim não dá 40 minutos.

Foi um dia e tanto. Imagine o prosear do doutor Paulo Balá trocando histórias com Peri, aqui e acolá aparteados por Cassiano reavivando a memória dos dois primos. Isso enquanto o carro ia pela BR-101 no rumo de São José de Mipibu, onde fica o feudo de Marcos Lopes, fazenda que se estica até a beira da Lagoa do Bomfim. Logo na entrada, a 1,5 km da rodovia (na altura da Polícia Rodoviária), está o museu, um espaço que não se limita apenas a réplica de um belo casarão do século 19 (Fazenda Poço Verde, da Serra de João do Vale, em Campo Grande) que ele construiu e nele instalou o Museu do Vaqueiro. Os seus arredores integram o projeto. A gente vai chegando e vendo a estátua de Luiz Gonzaga, erguida no pátio, saudando o visitante.

O projeto do museu seguiu todas as normas e exigências da museologia e teve o apoio da Cosern, através da Lei Câmara Cascudo. É um espaço cultural que precisa ser visto por todos que gostam e se interessam pelas coisas do sertão do Nordeste, cuja cultura está ali representado pela figura maior do vaqueiro, o primeiro a desbravar a caatinga, no rasto do boi, fixando o homem ao redor de seus currais. Você anda pelo casarão (tem sótão amplo) e vê as pegadas de Oswaldo Lamartine, Luís da Câmara Cascudo, Fabião das Queimadas, Newton Navarro, entre tantos figurões de nossas letras e artes, ao lado de outros artistas populares, cantadores e contadores de todas essas histórias do sertão. Belas fotografias em painéis bem expostos no interior do casarão e em seus alpendres. Toda a arte do couro: selas, arreios, chapéus, gibões, guarda-peitos, luvas, perneiras, sapatos, todo o encouramento do vaqueiro. Mais as esporas, os ferros de marcar o gado, os estribos, os loros, as esporas. Pela casa vê-se seus móveis, bancos toscos, os apetrechos da cozinha e de queijeira, os tachos, pilões, jarras de barro, panelas.

Ficamos encantados com o que vimos. O museu mantém uma escola de jovens sanfoneiros e entre suas relíquias tem uma sanfona doada por Dominguinhos, um projeto que reúne jovens daqueles sítios no aprendizado da música. Já era noite quando Marcos Lopes mandou botar a mesa num dos alpendres, um lanche bem sertanejo: sucos de cajá e mangaba, bolacha, tapioca com bastante coco, bolo de macaxeira e um carneirinho guisado, café. Delícia, gente! Aí, achando pouco, Marcos pegou a sua sanfona, Zé de Goreti, o pandeiro, e Coroné, o triângulo. Do trio, afinado, fomos brindados com a melhor – a verdadeira – música nordestina. De Luiz Gonzaga a Sivuca, passando por Jackson do Pandeiro e Elino Julião, dos que vou me lembrando agora. Lá fora se via a luz de Natal, não muito longe, tomando conta do céu. 


fonte:
http://tribunadonorte.com.br/noticia/no-museu-do-vaqueiro/247956

Brasília vai ter museu da cultura negra, diz ministra da Cultura



Brasília – O Ministério da Cultura vai se empenhar para a instalação de um museu, na capital federal, destinado a registrar a história e o legado deixado pelos negros na formação da população brasileira. "A capital da República tem o dever de registrar a influência da cultura negra em um país que tem 53% de sua população composta de afrodescendentes", disse hoje (17) a ministra da Cultura, Marta Suplicy. Ela ressaltou que vai "trabalhar pessoalmente" para que o projeto seja efetivado.

De acordo com a ministra, já existe um terreno para a construção do museu. Ele foi doado pelo então governador do Distrito Federal, Cristovão Buarque, mas "ficou esquecido durante muitos anos, tendo o governador Agnelo Queiroz firmado a redestinação". O terreno, segundo ela, está localizado em uma área nobre de Brasília, no Lago Sul.

Marta lembrou que foi durante a sua gestão na prefeitura de São Paulo que foi instalado na cidade um museu com o mesmo objetivo. Ele fica em uma área nobre da capital paulista, o bairro do Ibirapuera. "Foi escolhido o prédio mais bonito do lugar, a sede antiga da prefeitura", disse.

Segundo a ministra, grande parte do acervo do Museu Afro de São Paulo foi doada pelo colegionador Emanuel Araújo que fez um pedido especial à então prefeita Marta Suplicy: "Prefeita, não vá instalar o museu em um porão". Segundo ela, a resposta foi construir o museu em um lugar bonito. “É o que vai ocorrer também em Brasília", ressaltou a ministra da Cultura.

A ministra lembrou que dos 10 milhões de negros que foram retirados da África para trabalhar como escravos, 5 milhões vieram para o Brasil, e só entre 1700 e 1800 desembarcaram por aqui 2,5 milhões de negros. De acordo com Marta Suplicy, a ideia de montar o Museu Afro de Brasilia começou com a visita que fez à à Fundação Palmares, onde existe uma maquete do prédio.

"Toda a história tem que ser mostrada no museu da capital federal. Não deve ser somente o museu da dor, mas que conte a história da vinda dos negros, do que ocorreu nas lavouras, o processo da abolição, o resgate da autoestima desse povo que construiu o Brasil, pois a identidade brasileira é negra, na gastronomia, na música, nas danças e também na religião", disse.

Para a ministra da Cultura, o mais difícil para a instalação não é colocar peças à mostra, mas prover o museu de recursos tecnológicos para recuperar a história dos negros no Brasil. Segundo ela, nos Estados Unidos a população negra é composta por 13% dos americanos. No entanto, o país está construindo "um museu gigantesco, em frente ao Pentágono, em Washington, com investimento de US$ 500 milhões", destinado a registrar a história dos negros nos EUA.

Marta Suplicy esteve hoje na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, onde fez uma exposição das atividades desenvolvidas pelo Ministério da Cultura.


fonte:
http://www.jb.com.br/cultura/noticias/2013/04/17/brasilia-vai-ter-museu-da-cultura-negra-diz-ministra-da-cultura/

Museu em antiga colônia psiquiátrica é reaberto no Rio



O prédio modernista dos anos 1950 abrigou, durante décadas, pacientes com distúrbios psiquiátricos. Era a antiga Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, onde o artista sergipano Arthur Bispo do Rosário (1909-1989), diagnosticado esquizofrênico-paranoico, viveu durante quase 50 anos. O local possui desde 1982 um museu que, por não estar no eixo da zona sul carioca, ainda é pouco conhecido. Neste sábado, depois de mais de um ano fechado, o espaço reabre com galerias reformadas, uma programação especial e duas mostras coletivas de artistas que dialogam com a obra de Bispo.

"Todas as exposições partem da obra dele. Não tem que ser um museu com uma exposição permanente do Bispo. Tem que ter o pensamento permanente dele", afirma o curador Wilson Lazaro. A exposição "Sem Fronteiras" ocupa a galeria do Complexo Cultural Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea onde antes funcionava o refeitório do hospício, e traz obras de artistas convidados e do artista sergipano.

"O Bispo rompe com tudo. Rompe com a Academia, com a escola de arte, questiona a psiquiatria, utiliza a instituição. Ele foi o primeiro a fazer a reforma, por isso esse pensamento de não fronteira." Apesar de ser um paciente na colônia, era Bispo quem ditava suas próprias regras e inclusive mantinha a chave de suas celas-ateliê, onde, durante 50 anos, confeccionou seu acervo de 806 obras, guardado no local.

Entre elas, as "vitrine-fichário", que serão apresentadas pela primeira vez em conjunto: um mosaico em azul de nomes, cargos, situações do cotidiano, pessoas que passaram pela vida de Bispo ou que ele conheceu em suas leituras de exemplares da extinta revista "O Cruzeiro". "Ele fazia pesquisas. Isso não é loucura, é sintoma de tentar representar o cotidiano do universo dentro de uma obra."

Artistas convidados, como Anna Maria Maiolino, Cildo Meireles e Miroslaw Balka, estão presentes na mostra coletiva para mostrar os links com a construção do pensamento de Arthur Bispo do Rosário. O venezuelano Javier Téllez passou a infância visitando o hospício onde o pai, psiquiatra, trabalhava. Resgatou as memórias do contato que teve com os pacientes para criar um vídeo onde pessoas tentam atravessar a divisa entre o México e os Estados Unidos. A performance tem toda uma carga metafórica. O objetivo é ultrapassar a fronteira. Os atores são pacientes mentais.

O museu também detém a guarda de 470 obras de artistas que foram internos da Casa de Saúde Doutor Eiras, em Paracambi, a 80 quilômetros do Rio, instituição manicomial que sofreu um processo de intervenção estadual em 2000 e foi fechada no ano passado. Os trabalhos de 17 desses pacientes estarão reunidos na mostra coletiva "Ressucita-me", que ocupa outras duas galerias do Complexo Cultural. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

COMPLEXO MUSEU BISPO DO ROSÁRIO

Est. Rodrigues Caldas, 3.400. De 2ª a 6ª/ 10h às 17h. Tel. (21) 3432-2402. Grátis.