segunda-feira, 17 de junho de 2013

A construção de um museu...é um desafio suculento para quem trabalha com museologia.



Raridades do Itamaraty, do Banco Central e outros órgãos públicos comporão exposições e acervo, segundo MinC




A decisão de abrir um novo museu federal causa também uma curiosa corrida nos meios curatoriais do País: a instituição, que poderá aglutinar as "joias da coroa" do governo, é um desafio suculento para quem trabalha com museologia. Quem deverá decidir o nome do novo diretor do museu é Angelo Oswaldo, ex-prefeito de Ouro Preto e ex-presidente do Iphan, que deve assumir nos próximos dias a gestão do Instituto Brasileiro de Museus.
No momento, o Museu Nacional, que tem 5 anos de funcionamento modesto, abriga a exposição Gilberto Gil 70 Anos. Fica na Esplanada dos Ministérios Setor Cultural Sul, Lote 2. Seu atual diretor é Wagner Barja, também chefe do Sistema de Museus do Distrito Federal. Barja colabora com a transição, mas não deve seguir como gestor da nova instituição - segundo o ministério, ele deve retornar para o Museu de Arte de Brasília (MAB), que está em vias de ter um novo projeto arquitetônico iniciado.
"Quem ficar à frente do museu terá de encarar todos os desafios que ele trará para dar uma alta visibilidade à arte do País, porque é um museu que nasce com a obrigação de mostrar o que é o Brasil nesse novo momento histórico", afirmou Eneida Braga, do Ibram. Ela diz que ainda não há estimativa orçamentária e recursos necessários para a criação do novo MNR.
Por conta da reforma do MAB, fechado havia 7 anos, o Museu Nacional da República, cujo acervo conta atualmente com cerca de 500 peças, "incorporou" 1.300 obras do outro museu. Esse lote de obras contém pinturas valiosas, como um trabalho de Beatriz Milhazes avaliado em cerca de US$ 1,8 milhão (R$ 3 milhões). Segundo o Ibram, as obras não vão ficar, retornarão ao acervo do MAB.
Em abril, a ministra Marta Suplicy firmou uma parceria de quatro anos entre o ministério, o Museu Nacional da República e o Victoria and Albert Museum, de Londres. O acordo previa a vinda para o Museu Nacional da República de uma exposição do museu britânico sobre design, arquitetura, moda, ciência e tecnologia, entre a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. A exposição está confirmada, segundo o Ibram.
Martin Roth, diretor do Victoria and Albert Museum, afirmou que a mostra seria feita sob encomenda para o local. "É um espaço lindo e com uma estética incrível, mas não é neutro, não é funcional, não é um cubo branco", disse. Segundo o Ibram, as exposições e a transferência de funções serão gradativas, "a cidade vai sentindo aos poucos".
Está tudo ainda no início, em debate. A primeira reunião sobre o tema foi no dia 16 de maio entre a ministra Marta Suplicy e o governador Agnelo Queiroz. A partir daí, foi montado um grupo de trabalho no Ibram que irá fazer o levantamento de obras e o processo de transição. Os encontros do grupo começaram este mês. O projeto é a médio prazo e os trabalhos serão feitos de forma conjunta com o governo do Distrito Federal.
Para assumir o Ibram (que foi dirigido, desde sua fundação, por José do Nascimento Júnior), foi indicado Angelo Oswaldo, mas o processo dele está em exame na Casa Civil, e não há um prazo para sua efetivação. Ainda assim, Oswaldo participou da reunião que definiu a passagem do MNR para o governo federal (além dele, estava presente também o secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira).
A ministra explicou que a ideia de trazer o museu para a gestão do MinC visa a tornar acessível aos cidadãos as obras de arte que estão "quase em segredo" em repartições, como o Ministério da Educação, universidades federais, embaixadas, instituições financeiras. Os bancos federais têm acervos avaliados em mais de R$ 100 milhões (a Caixa Econômica Federal possui cerca de 2 mil obras)
Só o Itamaraty, por exemplo, segundo levantamento feito pelo Iphan em 2008, possui mais de mil itens - pertencem às Relações Exteriores, entre outros, os quadros O Grito do Ipiranga, de Pedro Américo, e Coroação de Dom Pedro I pelo Bispo do Rio de Janeiro, do francês Jean-Baptiste Debret, além de obras de Athos Bulcão, Maria Martins, Portinari, Sérgio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e Jorge Zalszupin. "Não adianta termos obras maravilhosas se o cidadão não puder usufruir", afirmou o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.

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