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sábado, 10 de agosto de 2013

Museus receberão R$ 17 milhões para se preparar para a Copa


Além do edital de R$ 18 milhões para programação cultural, MinC anuncia verba do Fundo Nacional de Cultura para requalificar instituições nas cidades-sede Mapeamento feito pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) havia estimado a necessidade em R$ 244 milhões

RIO - No mesmo dia em que lançou um edital no valor de R$ 18,8 milhões para cobrir a programação cultural da Copa do Mundo, nesta quinta-feira, o Ministério da Cultura (MinC) anunciou que o Fundo Nacional de Cultura liberará R$ 17 milhões para financiar o projeto Legado Museal, que visa a qualificação, modernização e promoção de museus nas 12 cidades-sede e num raio de 200 quilômetros em torno delas.

Desse total, R$ 9 milhões têm previsão de liberação até o fim do ano, destaca o MinC. O anúncio foi feito a dois dias do início da 23ª Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (Icom), que começa no sábado e vai até o dia 17, reunindo no Rio diretores de museus de todo o mundo.

Raio-x das necessidades

O valor anunciado pelo ministério na quinta-feira fica, no entanto, bem abaixo do considerado ideal pelo próprio Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Desde 2008, o órgão trabalha na elaboração do projeto Legado Museal e, depois de elencar as necessidades dos 737 museus que ficam no perímetro delimitado pelo projeto, concluiu que seriam necessários ao menos R$ 244 milhões para deixá-los tinindo para a Copa do Mundo. O valor seria arrecadado num esforço conjunto selado entre governos federal, estaduais e municipais.

— Só na cidade do Rio de Janeiro, o investimento previsto era de R$ 50 milhões. Esse valor atenderia cerca de 20 instituições — lembra José do Nascimento Júnior, que, até o início do ano, presidiu o Ibram. — Setenta por cento seriam usados para recuperar a infraestrutura dos museus, e 30%, para a programação. Só o Museu Nacional de Belas Artes necessita pelo menos R$ 14 milhões para terminar o restauro da cúpula central e do edifício como um todo.

No Museu da República, o anúncio do ministério também reverberou. Magaly Cabral, que dirige a instituição federal, afirma que, para deixar o museu pronto para a Copa do Mundo, seriam necessários mais de R$ 6 milhões.

— São R$ 5 milhões só para as obras na fachada, na estrutura do Palácio do Catete. Para dotar o museu de um sistema de segurança com câmeras, outro R$ 1 milhão. E ainda precisaríamos de verba para a comunicação com o público que virá ao Rio: imprimir folhetos e republicar o guia do museu em versão bilíngue.

Para Magaly, o mais fundamental, no entanto, é que todo o recurso destinado ao aprimoramento dos museus para a Copa saia a tempo, senão, segundo ela, “nada fica pronto”.

Vera de Alencar, diretora dos Museus Castro Maia, contribui para o raio-x das necessidades das instituições federais do Rio de Janeiro.

— No Museu do Açude, precisamos de R$ 1 milhão de infraestrutura, acessibilidade e segurança. No Museu da Chácara do Céu, R$ 4 milhões para terminar o anexo. E essas ações não estão só no planejamento. Já viraram projeto.

Ângelo Oswaldo, atual presidente do Ibram, pediu paciência e comemorou o anúncio:

— Não podemos levar tudo para o lado negativo. O anúncio é excelente. Os R$ 17 milhões do Fundo Nacional de Cultura são só o primeiro passo. Ainda serão anunciados patrocínios e o PAC das cidades históricas. Até a Copa injetaremos R$ 100 milhões nos museus brasileiros.






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