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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Museu A Cidade do Açúcar, no Funchal, dá lugar a galeria de arte

O Museu A Cidade do Açúcar, no Funchal, vai dar a uma galeria de arte, numa adaptação orçada em 111 mil euros que arranca este mês, disse à agência Lusa o vice-presidente da câmara, Pedro Calado.
"Achamos que é um espaço nobre, está no centro do Funchal, tem muita dignidade e, cientes de que no concelho não havia neste momento nenhuma galeria de arte que estivesse a funcionar para além do salão nobre do teatro municipal, achámos conveniente utilizar este espaço para fazer essa galeria municipal", explicou Pedro Calado.
O autarca salientou que o espaço pretende ser uma "alternativa" ao teatro Baltazar Dias, mas também aumentar a "capacidade de resposta" do município: "As solicitações são tantas e o salão nobre tem as suas limitações", justificou.
"Vamos tentar ter aqui uma alternativa que seja digna e que também honre os trabalhos que nos são dados a conhecer", referiu Pedro Calado, que nada adiantou sobre a exposição inaugural da galeria municipal, cuja abertura se prevê no final de setembro ou início de outubro.
Os trabalhos contemplam a reparação do revestimento das paredes, pavimentos, tetos falsos, instalações sanitárias e elevador, e a renovação dos sistemas elétricos, iluminação, sistemas de segurança contra incêndios e de ventilação, áreas danificadas no temporal de 20 de fevereiro de 2010.
"São as características do próprio museu, estamos a uma cota muito abaixo do nível da estrada", esclareceu, observando que, por ocasião daquela intempérie, cerca de "90 por cento da área de exposição ficou inundada", provocando prejuízos que ascenderam a 350 mil euros.
As 80 peças - 30 gravuras e 50 objetos - foram tratadas e recuperadas no núcleo de arqueologia do município, trabalho já "praticamente" concluído, informou o responsável, acrescentando que este acervo vai ser transferido para outro museu.
O Museu A Cidade do Açúcar, instalado na Praça Colombo, foi inaugurado em 1996 para dar a conhecer a história da indústria açucareira na cidade do Funchal e na ilha, entre os séculos XV e XIX, conhecida como "ciclo do ouro branco", uma "das épocas mais marcantes" da Madeira, disse à Lusa a responsável, Carla Gouveia.
Segundo a técnica, o museu nasceu no mesmo espaço onde antes se ergueram as casas do mercador flamengo João Esmeraldo, que se instalou na Madeira no século XV para produzir e negociar açúcar.
Nesta área, escavações arqueológicas que antecederam a abertura do museu colocaram a descoberto fragmentos de porcelana chinesa e faiança portuguesa, ânforas, cachimbos, bilhas, moedas, e fragmentos de formas de açúcar entre muitos outros objetos, que passaram a integrar o museu, desativado desde o temporal, mas que tem assegurado os serviços educativos.
Estas e outras peças, como um brasão de armas da cidade em cantaria, datado de 1758, onde surgem os pães de açúcar, como símbolo da economia do concelho, deverão ser, de novo, objeto de exposição, agora no Museu Henrique e Francisco Franco, também na cidade do Funchal, a partir do próximo ano.

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