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sábado, 2 de novembro de 2013

O presidente do Ibram, Angelo Oswaldo, fala sobre a nova legislação - 'Há pessoas com medo, mas não é intervenção'

Em Barranquilla, Colômbia, para participar da sétima edição do Encontro Ibero-Americano de Museus (Ibermuseus), o presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Angelo Oswaldo, fez uma exposição ontem justamente sobre a nova legislação brasileira. Sua fala foi ouvida por 17 países presentes à convenção. Ele conversou por telefone com o Estado. Disse que quem se surpreendeu com a edição do decreto “está surpreso à toa”, porque a discussão já se arrasta há 10 anos, e afirmou que “o que foi instituído é uma medida excelente” para o patrimônio brasileiro.




Angelo Oswaldo. 'É uma legislação amplamente atendida'

Mineiro de Belo Horizonte, de 65 anos, Oswaldo é um dos maiores especialistas em museologia do País. Ex-secretário de Cultura de Minas e de Ouro Preto, presidiu o Iphan e também foi Ministro interino da Cultura do Brasil (1986 e 1987), na gestão de Celso Furtado.

Os críticos da lei dizem que o decreto que cria o direito de preferência configura uma intervenção estatal nas coleções privadas.

Na verdade, cria o direito de salvaguarda de determinados bens com o objetivo de acautelar esses bens. A intervenção do Estado já existe desde 1937, quando foi criado o tombamento e o Iphan. Já existe há 75 anos. O que estamos fazendo agora é determinar o interesse museológico. Não é desapropriação, não é bloqueio de bens. Não se trata de exercer o direito de preferência, isso quem faz é o leilão. É uma coisa inovadora na legislação brasileira, porque amplia a proteção dos bens culturais. Sem isso, coleções inteiras desapareceram e ninguém nunca mais as verá.

Se o decreto estivesse em vigor, o Abaporu teria ficado no Brasil?

Ele poderia ser vendido, mas não poderia deixar o País. O proprietário teria de ter pedido a autorização. A lei agora visa a proteção do bem e da memória do País, é como se fosse um sequestro, o bem fica acautelado.

E a coleção do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira? Poderia ter tido um outro destino?

Acredito que sim. Talvez se pudesse evitar a pulverização da coleção. Mas, primeiro, o dispositivo teria de ser aplicado à coleção dele. A decisão seria do Conselho do Patrimônio Museológico, que, agora, com a edição do decreto, está sendo implantado. Mas agora já há o bloqueio judicial (da coleção Edemar Cid Ferreira).

Essa lei foi amplamente discutida?

Amplamente. Começou em 2003, com reuniões e fóruns do chamado campo museal. Em 2009, teve um segundo lance, com a instituição do Ibram e a criação da lei. Agora, veio a regulamentação dela, que foi exaustivamente discutida nos últimos quatro anos. Demorou porque havia a necessidade da adoção de certas medidas que o Ibram não tinha condições, àquela altura, de implantar. Com a regulamentação, todo o arcabouço jurídico e legal da lei está plenamente assentado. Algumas pessoas têm medo, porque têm nas suas coleções o seu patrimônio econômico. Não estamos intervindo nesse direito, vivemos num Estado liberal.



fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,ha-pessoas-com-medo-mas-nao-e-intervencao,1092117,0.htm

Ocupações artísticas invadem o Museu de Arte da Pampulha neste fim de semana

"A performance parte da pesquisa e da vontade de experimentar uma exposição com caráter diferenciado para unir artistas de várias gerações que investem na linguagem", explica curadora do evento

Ocupações artísticas invadem o Museu de Arte da Pampulha neste fim de semana 


"A performance parte da pesquisa e da vontade de experimentar uma exposição com caráter diferenciado para unir artistas de várias gerações que investem na linguagem", explica curadora do evento

 

O público que visitar a nova exposição em cartaz no Museu de Arte da Pampulha (MAP) vai deparar com um desafio: em vez de encontrar obras de arte ocupando o espaço projetado por Oscar Niemeyer, assistirá a performances reunidas na mostra 'Outro olhar'. Trinta propostas escolhidas pelos curadores Ana Luísa Santos, Marco Paulo Rolla e Nathalia Larsen têm em comum o fato de relacionar corpo e espaço.

As ocupações começam nesta sexta, às 19h, com 'O puxador', de Laura Lima. Um homem veste apenas tiras de tecido, atreladas à arquitetura do museu. O performer “puxará” colunas, numa tentativa de libertá-las do prédio. Outra ação, criada pela artista Agnes Farkasvolgyi, promete alterar a rotina do MAP. Presença ambulante, falante e generosa usa o corpo como suporte para servir, doar, oferecer e compartilhar, mas, sobretudo, trocar, conversar, interagir e relacionar.

Soul

A agenda continua sábado. Às 14h, Renato Negrão apresentará 'Indiferença'. Ele parte de um questionamento: é possível tratar da ideia de indiferença plasticamente?. A partir das 16h, o MAP ganha mais agito com a realização do projeto Quarteirão do soul. O movimento surgiu do reencontro de amigos que frequentavam bailes black realizados no Centro de BH nos anos 1970. Aqueles dançarinos e músicos passaram a se reunir na periferia, mas, pouco a pouco, fizeram o caminho inverso. Atualmente, suas animadas performances são atração nas ruas da Região Central da cidade.

Selecionada por edital, a exposição coloca em questão as diversas possibilidades de ocupação do espaço. De acordo com a curadora Ana Luísa Santos, a proposta indica a possibilidade de perceber a presença do corpo no museu e sua potencialidade, seja por meio do próprio acervo da instituição, seja por experiências vindas dos pesquisadores.

“A ideia é levar, trazer e experimentar a linguagem da performance no espaço do MAP. Ela parte da pesquisa e da vontade de experimentar uma exposição com caráter diferenciado para unir artistas de várias gerações que investem na linguagem”, explica Ana Luísa. Além de ações ao vivo, o projeto oferece palestras e debates às terças-feiras, às 15h30, abertos ao público.

OUTRA PRESENÇA
Ações performáticas. Museu de Arte da Pampulha. Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Pampulha. Abertura hoje, às 19h. Entrada franca. Informações: (31) 3277-7946.

Parque da Juventude recebe 18 museus em mostra inédita

Visitantes receberão passaportes que darão acesso gratuito para todos os museus da Secretaria da Cultura

Diferentes museus reunidos em um só espaço, com programação gratuita e variada. Assim será a Mostra de Museus, que será realizada dia 9 de novembro, no Parque da Juventude.

A ação tem por objetivo apresentar ao público as atividades e o conteúdo dos museus, criando uma relação maior entre as pessoas e os equipamentos culturais. Participam da mostra os museus Casa das Rosas, Casa Guilherme de Almeida, Catavento, Memorial da Resistência, Museu Afro Brasil, Museu da Casa Brasileira, MIS (Museu da Imagem e do Som), Museu da Imigração, Museu da Língua Portuguesa, Museu do Futebol, Museu de Arte Sacra, Estação Pinacoteca, Paço das Artes e Pinacoteca. A Mostra de Museus será também uma oportunidade de conhecer museus localizados em outras cidades do Estado, como o Museu do Café (Santos), Museu Índia Vanuíre (Tupã), Museu Felícia Leirner (Campos do Jordão) e Museu Casa de Portinari (Brodowski).

Quem visitar o evento poderá participar de oficinas, jogos, bate papo, exibição de filmes e contação de histórias, entre outras atividades. A programação inclui até o futebol de cinco - uma adaptação do esporte, jogado por pessoas cegas.

Mais Museus
Os visitantes receberão um passaporte que dá direito a uma entrada gratuita em cada um dos museus e que pode ser usado até novembro de 2014. A abertura oficial da Mostra de Museus acontecerá às 10h com a apresentação do Quinteto de Metais da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo). A programação do evento pode ser conferida no site da Secretaria da Cultura.

SERVIÇO
Mostra de Museus
9 de novembro (sábado), das 10h às 17h
Parque da Juventude (Av. Cruzeiro do Sul, 2.630 - Santana (ao lado do Metrô Carandiru)
Grátis
Mais informações no site da Secretaria da Cultura


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