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sábado, 30 de novembro de 2013

Colecionadores pressionam e MinC pode mudar a lei


Estatuto dos Museus, segundo 'Estado' revelou, dá a governo prerrogativa de proteger e monitorar acervos privados


Divulgação
Angelo Oswaldo, presidente do Ibram

Reunidos quinta-feira à tarde na casa da galerista Luisa Strina, em São Paulo, colecionadores, marchands e artistas tiveram um encontro com Angelo Oswaldo, presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O clima entre colecionadores de arte e governo estava tenso desde o dia 31 de outubro, quando o Estado noticiou que o texto do decreto que regulamentou o Estatuto dos Museus dava ao governo a prerrogativa de tornar obras de arte e coleções privadas de interesse público (a partir de agora, se selecionadas por comissão federal, dependem de autorização do Estado brasileiro para serem movimentadas, restauradas ou vendidas).

O pintor Antonio Henrique Amaral, o colecionador João Carlos Figueiredo Ferraz, a marchand Alessandra Villaça, representantes do Itaú Cultural e da Escola Parque Lage, entre muitos outros profissionais ligados ao mercado, participaram do encontro. Angelo Oswaldo levou dois técnicos do Ibram para explicar o decreto.

O mercado de arte exigia que o governo limasse do decreto “mal entendidos e desencontros”, além de exigências burocratizantes. Por exemplo: pela nova lei, uma obra só poderia sair de um museu como o Masp, por exemplo, para outro País, após autorizações tanto do Iphan como do Ibram.

Ao final, houve avanços dos dois lados. Os colecionadores reconheceram que “o espírito da lei é bom para a cultura”, porque a criação de um banco de dados sobre todas as obras importantes do País é algo que está previsto na própria Constituição; por outro lado, o governo reconheceu que há campos no decreto “que podem criar entendimentos confusos” e comprometeu-se a editar uma instrução normativa mudando o polêmico decreto.

Ainda há dúvidas sobre como ficará a relação do governo com os acervos privados. A declaração de interesse público é questionada pelos colecionadores, que decidiram criar um grupo de trabalho para propor mudanças a Angelo Oswaldo.

Em cerimônia ontem no Museu Lasar Segall, em São Paulo, a ministra Marta Suplicy rebateu a alegação de que o decreto promove uma “venezuelização” do mercado de arte no Brasil. Afirmou tratar-se de um exagero e disse que, com “pequenos ajustes”, lei ficará adequada.

fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,colecionadores-pressionam-e-minc-pode-mudar-a-lei,1102270,0.htm

Neto de Lasar Segall doa 110 obras do avô para o museu que seu pai ajudou a criar

Entre os trabalhos está uma tela fundamental: um autorretrato de 1930 em que artista se pinta como um negro; veja imagens

Seguindo a tradição familiar, Mário Lasar Segall, neto do pintor, doou ontem ao museu que leva o nome do avô 110 obras do artista. Entre elas está uma tela fundamental, segundo o diretor da instituição, Jorge Schwartz, um autorretrato de 1930 em que Lasar Segall se pinta como um negro, audácia numa sociedade ainda conservadora e racista como a brasileira – e que um ano antes promoveu no Rio um congresso de eugenia justamente contra os imigrantes, vistos como "um perigo capaz de frustrar por contaminação" o "aprimoramento da raça brasileira". O retrato é tão ou mais relevante se lembrarmos que em 1930 crescia na Alemanha um movimento totalitário e racista liderado por Adolf Hitler. Segall, judeu de origem lituana, morava em Paris, na época. Foi naquele ano que nasceu seu segundo filho, Oscar. O autorretrato, portanto, reflete o sentimento de um homem deslocado, indesejado na Europa dominada pelo fascismo e ainda pouco à vontade no país para o qual retornaria em 1932.

Outro momento familiar importante para o pintor acontecera em 1927, quando seu pai Abel Segall morreu, em São Paulo. Entre as obras doadas ontem ao Museu Lasar Segall – 12 pinturas (quatro sobre tela e oito sobre papel), 18 gravuras e 80 desenhos – está um grafite em que o pintor retrata o pai no leito de morte, antecipando em 20 anos o procedimento do artista Flávio de Carvalho, que desenhou a mãe Ophelia morrendo de câncer (Série Trágica), em 1947.

O neto do pintor, Mário, ressaltou a influência que seu pai Maurício teve em sua formação, incentivando-o a doar as obras. "Ele me ensinou que a arte só vale se for compartilhada", disse na cerimônia de doação, em que estavam presentes a ministra da Cultura, Marta Suplicy, o diretor do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Angelo Oswaldo, o secretário de Cultura do Estado, Marcelo Araújo, e o presidente do Conselho do museu, Celso Lafer.

Vale lembrar que a instituição, idealizada por Jenny Klabin Segall, mulher do pintor, foi criada pelos dois filhos, Oscar e Maurício, na antiga residência e ateliê do artista, com a doação de mais de 3 mil obras da família, que migraram para a esfera pública graças à consciência comunitária que Mário disse ter herdado do pai. Isso não escapou ao diretor do Ibram. Angelo Oswaldo classificou a data como especial por coincidir com a polêmica em torno do decreto 8.124, assinado pela presidente Dilma Rousseff, que veio regulamentar a Lei n.º 11.904, criadora do instituto que dirige. "Temos agora uma lei não para interditar qualquer coisa ou perturbar a salvaguarda dos bens artísticos", disse, numa clara referência aos bens culturais passíveis de musealização nas mãos de colecionadores particulares – como as 110 obras agora doadas ao Lasar Segall.

A ministra Marta Suplicy seguiu na mesma linha, lembrando que "a sociedade se assusta" de forma injustificada com a lei. "A política nacional dos museus insere o Brasil entre os países que defendem seu patrimônio cultural e foi discutida amplamente", disse. O Lasar Segall, integrado ao Ibram, único museu federal em São Paulo, será beneficiado, como revelou a ministra, com R$ 1,5 milhão para a reforma do telhado e do seu sistema elétrico. Os investimentos para restauração de museus deve chegar a R$ 20 milhões no próximo ano, bancados pela Petrobrás. Ela também anunciou a construção do Museu Afro-Brasileiro em Brasília, "para contar uma história não contada e resgatar a autoestima do povo negro".

Os museus já existentes, garante ela, não serão esquecidos. "Estamos batalhando para a digitalização do acervo de todos eles, mas esbarramos na lei de direitos autorais, que impede a circulação das imagens das obras." Um gesto de filantropia como o de Mário Lasar Segall pode servir de incentivo, ao disponibilizar peças raras do avô, criadas entre 1905 e 1955.



fonte:
http://estadao.br.msn.com/cultura/neto-de-lasar-segall-doa-110-obras-do-av%C3%B4-para-o-museu-que-seu-pai-ajudou-a-criar

 

Museu Itinerante busca atrair visitantes para acervo de Divinópolis

Museu da cidade fica na Praça da Catedral é pouco procurado. A versão itinerante vai percorrer pontos da cidade até dia 2 de dezembro.


Museu de fica na Divinópolis na Praça da Catedral
(Foto: Reprodução/TV Integração)

Foi criado em Divinópolis o projeto Museu Itinerante. O objetivo é despertar o interesse da população para conhecer o acervo histórico da cidade que fica reunido na Praça da Catedral. Por dia passam apenas uma média de 50 pessoas pelo local, um número considerado pequeno para uma cidade de cerca de 220 mil habitantes. “Acho que grande parte da população não tem o conhecimento e noção do grau de importância e o tamanho da história que o museu tem aqui em Divinópolis”, explicou o coordenador do museu, Weber Skaull.

Para tentar atrair os visitantes, durante o tempo que o museu fica aberto são tocada músicas na praça, lançadas há mais de 30 anos e agora o museu itinerante leva parte do acervo para vários pontos da cidade. Em uma faculdade os universitários tiveram a oportunidade de conhecer a evolução das maquinas de escrever e das filmadoras. “Há uma discussão muito séria no país sobre o direto a verdade, e o direito a memória. Se o cidadão não conhece e não se apropria da sua história ele não exerce sua cidadania plenamente”, afirmou o coordenador do curso de história, João Ricardo Pereira.

A ideia é levar ao público documentos, objetos e peças que fizeram parte do crescimento, cultural econômico e social de Divinópolis e da região Centro-Oeste.“Desperta em nós uma vontade de saber mais a respeito da cultura material em geral principalmente na primeira metade do século XX”, contou o universitário, George Rodrigues.
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O Museu itinerante vai percorrer vários pontos da cidade até o dia 2 de dezembro.Na Praça da Catedral o museu funciona de terça a sexta-feira das 7h30 às 17h30. No domingo, o horário de funcionamento é das 9h até 13h.


fonte:
http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2013/11/museu-itinerante-busca-atrair-visitantes-para-acervo-de-divinopolis.html