domingo, 1 de dezembro de 2013

Exposições portuguesas em Seul em museu desenhado por Siza Vieira

Três exposições portuguesas - de arquitectura, escultura, pintura, tapeçaria, vídeo e desenho - foram inauguradas no fim de semana num museu de Seul desenhado por Siza Vieira, numa das maiores acções do género promovidas por Portugal na Coreia do Sul.

As exposições ocupam os três pisos do novo Mimesis Art Nimesis Museum, um edifício de 3.600 metros quadrados, construído entre 2006 e 2009 em Paju Book City, e que o embaixador de Portugal em Seul, António Quinteiro Nobre, qualificou como "um símbolo dos contactos" entre os dois países.

Propriedade da editora sul-coreana Open Books, o Mimesis Art Museum - desenhado por Siza Vieira, em colaboração com Carlos Castanheira e Kim June-song - iniciou há apenas alguns meses a sua programação regular, mas esta série de exposições é a primeira a ocupar todo o espaço da instituição.

Trata-se de uma iniciativa da Embaixada de Portugal na Coreia do Sul, realizada com o apoio do Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, e decorrerá até 09 de Fevereiro de 2014.

Duas das exposições, intituladas "Santo António" e "Merging Aestthetics", são novas e os seus autores estiveram presentes na inauguração, juntamente com o director do museu.

A primeira é constituída por uma instalação vídeo de João Pedro Rodrigues e desenhos de João Rui Guerra da Mata, e a segunda reúne escultura, pintura e tapeçaria de Mário Lopes.

A terceira, já apresentada no Japão, Brasil e Portugal, mostra 15 projectos construídos nos últimos cinco anos por oito ateliês de arquitectos portugueses. Chama-se "Tradição e Inovação".

Siza Vieira, 80 anos, ganhou em 1992 o Pritzker Prize, conhecido como o 'Nobel da Arquitectura'.

O Mimesis Art Museum, considerado "um dos mais emblemáticos projectos" de Siza Vieira, é a capa do livro de 500 páginas que a editora alemã Taschen dedicou este ano ao mestre português.

Lusa/SOL


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Museu da Tolerância recria vida da família de Anne Frank

Mostra é considerada uma das mais completas sobre a moça que morreu nas mãos dos nazistas, em um campo de concentração.

O Museu da Tolerância, em Los Angeles, no estado americano da Califórnia, abriu uma exposição permanente da história de Anne Frank, a moça que morreu nas mãos dos nazistas, em um campo de concentração na Alemanha. A mostra é considerada uma das mais completas, como mostra o correspondente Jorge Pontual.

A exposição é um mergulho no mundo da jovem Anne Frank. Começa por Frankfurt, na Alemanha, onde ela nasceu, em 1929. O pai, Otto, oficial alemão na Primeira Guerra, se tornou um homem de negócios bem sucedido. Com a subida de Adolf Hitler ao poder, em 1933, tudo mudou. Os nazistas passaram a perseguir os judeus. A família Frank fugiu para a Holanda, e Otto abriu uma fábrica em Amsterdã.

Em 1940, o exército nazista invadiu o país. Muitos judeus passaram a viver em esconderijos, com a ajuda de amigos holandeses. Com mais quatro judeus, a família de Anne Frank se escondeu nos fundos do prédio onde ficava a empresa do pai dela em Amsterdã. A entrada era atrás de uma estante. A exposição nos convida a entrar e experimentar o que eles viveram nesse esconderijo, por dois anos, até serem capturados pelos nazistas.

A recriação da vida da família - pai, mãe e duas filhas - com atores é dramática. O pai dera a Anne um pequeno diário onde ela passou a anotar tudo o que lhe vinha à cabeça. A exposição inclui uma cópia fiel do diário de Anne Frank. O original, considerado um dos documentos mais importantes do século XX, está sob a guarda do governo holandês.

Anne Frank revela um talento extraordinário para registrar o cotidiano e refletir sobre a tragédia vivida por sua família. Um documento com alcance universal.

Com a captura da família, Anne morreu de tifo num campo de concentração aos 15 anos, depois de perder a mãe e a irmã.

Anne Frank foi uma entre um milhão e meio de crianças judias mortas pelos nazistas, num total de seis milhões de vítimas do holocausto.

O diário guardado por uma amiga holandesa foi publicado depois da guerra por Otto Frank - o único sobrevivente da família. Tornou-se um dos livros mais lidos do mundo, superando 25 milhões de exemplares vendidos.

A diretora do Museu da Tolerância, Liebe Geft, diz que a história de Anne Frank nos ensina a sermos responsáveis a cada dia na luta contra a injustiça e o anti-semitismo, para impedir que tragédias como esta se repitam.


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Mina receberá museu e filme terá Banderas

Chile cria rota 'Los 33' para atrair turistas a local de resgate

Nos 60 quilômetros de curvas que ligam o centro de Copiapó à mina San José, há asfalto e placas novas. Os sinais com a inscrição "Circuito Los 33" querem transformar em atração turística o lugar de onde 33 mineiros escaparam, em 2010, após 69 dias de confinamento.

No dia 4, um pequeno museu será inaugurado a 50 metros da entrada da mina, para descrever as condições de vida a 700 metros de profundidade e como foi feito o resgate. Será um dos últimos legados do presidente Sebastián Piñera, que viu na época do resgate sua aprovação chegar a 57% - hoje, é de 32%, a pior de um líder chileno em fim de mandato.

Por enquanto, o mineiro Hernán Arraya, de 42 anos, faz as vezes de segurança do lugar, com 14 cachorros. Já teve 29 animais, mas eles foram retirados pelos proprietários por tentar morder os turistas. Arraya vive como ermitão no Atacama, o deserto mais seco do mundo, onde o tom marrom da paisagem só é quebrado por esporádicas plantações de uva irrigadas gota a gota, de água coletada no subsolo. Ele não tem TV, rádio ou eletricidade, "apenas uma lanterna". Seu celular, diz, só tem sinal no alto do morro que abrigou os mineiros.

Submetido ao silêncio absoluto na maior parte do dia, Arraya gosta de conversar e se esforça para agradar os "dois ou três" curiosos que chegam por dia. Dá pedras tiradas da mina e até deixa os insistentes avançarem 30 metros em lugar proibido. O lugar está inativo desde 2010. Os donos venderam outras minas e o custo do resgate, de US$ 22 milhões, ainda é discutido na Justiça. O acesso ficou mais restrito depois que uma TV local rompeu cordões de isolamento e gravou dentro da mina. "Foi um escândalo", diz o mineiro, que acompanhou o resgate dos mineiros pela TV.

A história "dos 33" será contada em um filme em que Antonio Banderas interpretará Mario Sepúlveda. Conhecido como "Super Mario", o piadista do grupo disse ao Estadoesperar que a obra "resolva a vida" de todos. "Éramos heróis, mas até agora, não ganhamos nada." / R.C.

Presidente do Ibram se reúne com galeristas

Ângelo Santos se comprometeu a levar à ministra da Cultura um documento com reivindicações do setor

Depois de uma reunião com artistas, agentes do mercado da arte e representantes de instituições culturais no último dia 29, em São Paulo, o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, se comprometeu a levar à ministra da Cultura, Marta Suplicy, um documento com reivindicações do setor que se preocupa com o impacto do decreto que regulamenta os museus sobre a circulação de obras de arte.

Por medida assinada pela presidente, qualquer obra no País torna-se de interesse público

Documento assinado pela presidente Dilma Rousseff em outubro, a medida determina que qualquer obra de arte no país pode ser declarada de interesse público, impondo restrições à sua venda, circulação e restauro. Desde outubro, a lei vem causando preocupação entre galeristas e colecionadores, que temem que o mercado de arte seja abalado pela lei.

Enquanto isso, o departamento paulista da Ordem dos Advogados do Brasil estuda o decreto e deve emitir um parecer em dezembro dizendo ser inconstitucional a medida, por ferir o direito à propriedade privada e à privacidade, além de violar determinações da lei que regula direitos autorais.

Luisa Strina, galerista que cedeu sua casa para o encontro desta quinta, disse ter sido "muito boa" a reunião. "Ele foi muito receptivo e gentil", disse Strina, sobre o presidente do Ibram. "Tem muita chance disso ser superbom para nós. Agora vamos levantar os pontos que gostaríamos que fossem mudados e enviar para ele". Entre os pontos "nebulosos", nas palavras de Araújo Santos, falta esclarecer que tipo de obra pode, de fato, ser declarada de interesse público e o que isso implica, em especial no que tange à circulação da obra.

Galeristas

Alessandra d´Aloia, sócia da Fortes Vilaça, também esteve na reunião- aproveitaram o encontro para reforçar o lobby do setor pela redução de impostos que incidem sobre a importação de obras de arte, que no Brasil chegam, em média, a 50% do valor das peças. "Há pontos nebulosos que trouxeram grande inquietação, mas nós não queremos prejudicar o mercado", diz Araújo Santos à Folha. "É por isso que vamos acatar o documento com os pedidos do mercado. Também vou levar à ministra o pleito deles pela simplificação do sistema tributário para a circulação das obras de arte".

Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural e secretário-geral da Associação Nacional das Entidades Culturais, também esteve no encontro com o presidente do Ibram e deve liderar a elaboração do documento a ser enviado em até 15 dias para o Ministério da Cultura.

Um dos pontos do documento, segundo Saron, será pedir esclarecimentos sobre que obras serão declaradas de interesse público e que benefício ou prejuízo isso traz para o dono da peça. "Esse é um campo que tem de ser esclarecido, para não dificultar a circulação das obras e burocratizar ainda mais", diz Saron. "Vamos sugerir que tudo seja mais transparente". Também haverá pressão por parte do mercado de arte para que a nova comissão a ser formada pelo Ibram para determinar que obras serão ou não declaradas de interesse público tenham membros da sociedade civil, já que a previsão inicial é que só técnicos do órgão do MinC integrem o grupo.

Em evento no Museu Lasar Segall, em São Paulo, Araújo Santos e Marta Suplicy comentaram o decreto. O museu, que é ligado ao MinC, recebeu a doação de 110 obras da coleção particular de Mario Segall, neto de Lasar Segall. "Esse decreto não foi feito para interditar, proibir ou sequestrar obras", disse Santos.

Depois da cerimônia, em conversa com Eduardo Saron, Marta afirmou que observou "medo e inquietação desnecessários" em relação ao decreto. "Estão falando de um Brasil que não existe mais. Houve épocas em se invadiam terreiros. A Polícia Federal tem um acervo gigantesco de peças de terreiro. Hoje, o Brasil é outro, é um país democrático, que respeita a propriedade privada. Nós não vamos entrar na casa das pessoas pra pegar as obras", afirmou a ministra. "Estamos abertos para ouvir".

Araújo Santos disse que o MinC pensa em abrir uma chamada pública pela internet para ouvir sugestões da população. "Se chegarmos à conclusão de que alguma coisa mereça mais detalhamento, podemos fazer isso por meio de uma portaria". O presidente do Ibram afirmou ainda que a simplificação do sistema tributário para a circulação das obras depende de iniciativa do Ministério da Fazenda, e não do MinC, que, segundo ele, irá iniciar um diálogo sobre o tema com a pasta. "Vamos mostrar para a Fazenda que isso é positivo para o País".

JULIANA GRAGNANI E SILAS MARTÍ
FOLHAPRESS