terça-feira, 8 de julho de 2014

Debate irá abordar o papel dos museus na construção social

Encontro aberto público será realizado no dia 14 de julho, na sede da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife (PE)

Os diálogos possíveis dentro e fora dos museus é tema do encontro que acontece na Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), sob a orientação do educador Alexandre Oliveira Gomes. O evento será realizado no dia 14 de julho, das 14h às 17h30, na Sala Caloutse Gulbenkian, na sede da Fundação, em Recife (PE).

Podem participar gestores, educadores de museus e sociais, professores, mediadores e público interessado. Durante o debate é preciso que os participantes levem um objeto pessoal e realizem leituras prévias indicadas pelo educador. Todo o material está disponível neste link.

O workshop é uma iniciativa do Projeto Museu Educador realizado pela Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Meca), da Fundação.

Sobre o educador

Alexandre Oliveira Gomes é educador de museus, graduado em História (UFC) e mestre em Antropologia (UFPE). Atualmente cursa o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPE, com bolsa de estudos do CNPq e pesquisa sobre os museus indígenas no Brasil.

Atuou como professor em Ciências Sociais da Universidade Regional do Cariri e também como professor do departamento de Antropologia e Museologia da UFPE. Desde 2000, trabalha em instituições museológicas nas áreas de mediação, pesquisa e gestão.

Alexandre possui experiência e interesse nas áreas de história e antropologia indígena, memória social, etnicidade e relações interétnicas, museus indígenas e comunitários, museologia social, políticas culturais e educacionais, gestão museológica e inventários participativos, patrimônio cultural e organização dos movimentos sociais.

Serviço
Evento: Objeto-gerador e o papel político da mediação: diálogos possíveis dentro e fora de espaços museais
Dia: 14/07/2014 Horário:  14h às 17h30 Local: Sala Calouste Gulbenkian - Fundação Joaquim Nabuco Av. Dezessete de Agosto, 2187 Casa Forte – Recife – PEContatos: (81)  30736333 / 30736331
Fonte:
Fundação Joaquim Nabuco 

Fonte @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.brasil.gov.br/educacao/2014/07/fundaj-promove-debate-sobre-o-papel-dos-museus-na-construcao-social
 

Museu Ferragamo, em Florença, é um dos mais visitados por brasileiros na Itália

O Museu Salvatore Ferragamo, em Florença, encomendou uma pesquisa para saber qual a nacionalidade dos seus principais frequentadores. E, para surpresa da instituição, depois dos italianos e dos franceses, os brasileiros ocupam a terceira posição como o povo que mais frequenta o lugar. A atual expo do museu, intitulada Equilibrium, de curadoria de Stefania Ricci e Sergio Risaliti, segue com número de brasileiros em alta em suas dependências. A Exposição que ficará até abril de 2015 se inspira na devoção de Salvatore Ferragamo ao estudo da anatomia do pé e é composta por nove salas divididas entre pinturas, esculturas, vídeos e fotografias. Os museus mais importantes do mundo e um grande número de galerias de arte participaram deste projeto.

O Museu Ferragamo fica em Florença, na Itália (Foto: Divulgação)
A exposição Equilibrium tem curadoria de Stefania Ricci e Sergio Risaliti  (Foto: Divulgação)

Excursão exclusiva na Rússia mostra museu dos ovos Fabergé

Hóspedes de cruzeiros da Crystal Cruises pelo norte da Europa no verão terão a oportunidade de fazer uma rara e exclusiva excursão terrestre. Durante a escala em São Petersburgo, na Rússia, passageiros participantes do tour poderão acessar áreas fechadas ao público do Fabergé Museum, que guarda algumas joias Fabergé, do famosos ovos de ouro. A excursão especial custa cerca de R$ 500 por pessoa e já foi oferecida em duas viagens. Agora, restam apenas duas: em 28 de julho e 7 de agosto.

A visita foi organizada a partir de um acordo com o Museu Fabergé de São Petersburgo, localizado no antigo Palácio Shuvalov. O próprio curador será o guia do seleto grupo de visitantes, que terão acesso à coleção imperial do bilionário russo Viktor Vekselberg, que inclui 15 dos 50 ovos remanescentes no mundo, criados pelo próprio joalheiro Carl Fabergé. Dos ovos em exibição estarão nove que pertenceram aos Romanov, última família tsarista russa, considerados os mais belos do joalheiro.



Além dos ovos Fabergé, o tour oferece a possibilidade de conferir obras de arte e mais de 4 mil peças antigas de decoração russas. Entre elas estão raros ornamentos religiosos em prata, pinturas e objetos no palácio Shuvalov, um local no centro histórico da cidade que foi restaurando após ser parcialmente destruído na Segunda Guerra Mundial.

O próprio palácio é uma obra de arte e os participantes da excursão serão levados para salas dele que geralmente estão fechadas. É o caso de seu antigo salão de bailes, que já foi o maior de São Petersburgo, salas com ornamentos em prata feitos a mão e quartos privados do antigo dono, o Conde Shuvalov, onde hoje há exibições sobre os Romanov. Fãs de literatura russa poderão ver as ilustrações originais para o livro Os Irmãos Karamazov, de Dostoevsky, criadas por Boris Grigoriev.

A visita privada ao Museu Fabergé pode ser feita nos roteiros de 10 dias de Estocolmo, na Suécia, para Copenhague, na Dinamarca. Outras escalas ocorrem em Tallin, na Estônia, Helsinque, na Finlândia, Warnemünde e Rostock, na Alemanha, duas cidades que dão acesso a passeios por Berlim. Os preços partem de US$ 4.340 (R$ 9.556,25) por pessoa, mais taxas.

Obras de Carl Fabergé são expostas para poucos em excursão










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Ovos Fabergé antigos poderão ser vistos por poucos passageiros em excursão em São Petersburgo
 
fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://vidaeestilo.terra.com.br/turismo/cruzeiros/excursao-exclusiva-na-russia-mostra-museu-dos-ovos-faberge,c875a9b228217410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html

Identificado fóssil da maior ave que já existiu na Terra



Os pesquisadores calculam que a ave viveu há entre 28 e 24 milhões de anos 


Museu reconstruiu imagem de como seria a maior ave que já existiu na Terra Foto: Bruce Museum, Liz Bradford / AP

Cientistas identificaram fósseis de uma ave que, com uma extensão de mais de sete metros da ponta de uma asa para a outra, pode ser o maior pássaro que já existiu na Terra, informou nesta segunda-feira a revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Os fósseis foram encontradas em 1983 na Carolina do Sul (EUA) pelo voluntário James Malcom, do Museu de Charleston, durante escavações lideradas por Albert Sanders para a construção de um novo terminal do Aeroporto Internacional na cidade.

A criatura, batizada pelos cientistas como Pelagornis sandersi, provavelmente foi um planador extremamente eficiente, com asas longas e elegantes que o ajudavam a se manter no ar apesar de seu tamanho, segundo os pesquisadores.

A espécie era tão grande - duas vezes maior que o albatroz real, a maior ave conhecida até hoje - que os cientistas tiveram que retirar os fósseis com uma pá mecânica. "Somente o osso superior da asa era mais longo que meu braço", comentou Dan Ksepka, do Centro Nacional de Síntese Evolucionária em Durham, na Carolina do Norte. "O Pelagornis sandersi pode ter viajado distâncias enormes quando cruzava as águas oceânicas em busca de suas presas", acrescentou.

Cientistas tiveram que retirar os fósseis com uma pá mecânica Foto: Daniel Ksepka via Bruce Museum / AP

Os pesquisadores calculam que a ave viveu há entre 28 e 24 milhões de anos, isto é, depois da extinção dos dinossauros e antes dos primeiros seres humanos povoarem a Terra. Os pássaros habitaram todas partes do mundo durante dezenas de milhões de anos, mas desapareceram há cerca de três milhões de anos, durante o período plioceno.

Os paleontólogos não determinaram a causa de sua extinção. Os fósseis do Pelagornis sandersi incluem ossos ocos e finos, patas curtas e asas enormes, por meio dos quais se pode deduzir que a ave não era muito elegante em terra mas provavelmente era no ar.

A questão enfrentada pelos cientistas era determinar como um animal cujas dimensões e peso excediam o máximo considerado possível para as aves voadoras podia levantar o voo e se manter no ar.

Com a utilização de modelos para computador, os cientistas concluíram que o Pelagornis sandersi provavelmente decolava correndo ladeira abaixo com o uso do vento ou aproveitando as correntes de ar, como fazem as asas-deltas.

fonte|:  @edisonmariotti #edisonmariotti http://noticias.terra.com.br/ciencia/animais/identificado-fossil-da-possivel-maior-ave-que-ja-existiu-na-terra,5c5519e75c217410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

Bocetos de Belleza

Nos adentramos en el verano y con él, queramos o no, relajamos el ritmo de vida o lo intentamos al menos. En EVE, por esa misma razón, vamos a bajar el tono de la temática y extensión de nuestras entradas por el momento y hasta que el sol escampe. Aquí en el norte no durará mucho lo del sol. Este relajamiento de ritmo nos va a servir también para pensar y reflexionar sobre los temas con los que os bombardearemos durante el resto de año. Además, este es el tiempo en el que solemos, más que nunca, hacer nuestras visitas particulares a museos y tomar nota.





Durante estos días, os vamos a proponer que disfrutéis observando que se está haciendo de nuevo alrededor del mundo en museología y la museografía. Haremos recopilaciones, fundamentalmente en imágenes, de aquellos proyectos que en EVE consideramos dignos de mención. Nuestra sección Agendas Mundi de los viernes se quedará como está, este viernes le toca a Venezuela y seguiremos bajando hacia el sur. Pues hecho el preámbulo y deseando a todos un muy feliz verano o primavera, dependiendo del hemisferio, comenzamos con nuestro repaso.

Fotografías: Chema Pastrana

Chema Pastrana es arquitecto y diseñador industrial que actualmente reside en Tokio. Es español de nacimiento, graduado con matrícula de honor en la carrera de arquitectura en la Universidad de Navarra (España). Se trasladó a Londres, donde estudió ingeniería mecánica e “innovación global” en Royal College of Art eImperial College London. Ha sido estudiante oyente en dos centros tan prestigiosos como son el Pratt Institute de Nueva York y la Keio University en Tokio, una de las más antiguas universidades de Japón. Nuestra intención es que conozcáis su trabajo, a nosotros nos ha impresionado. Sus estudios de arquitectura clásica son una belleza tanto en la forma como se muestran como aquello que representan…




Sito Web de Chema Pastrana: http://chemapastrana.com
  Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti · en MISCELÁNEA, OPINIÓN. ·

A morte indolor da arte

Em entrevista ao sobre Cultura, o crítico Ronaldo Brito fala dos ícones da arte moderna brasileira e sua repercussão no cenário internacional hoje.

Por: Henrique Kugler, Ciência Hoje/ RJ



É inegável a presença de artistas brasileiros em exposições internacionais, como a de Mira Schendel na Tate Modern, em Londres, no fim de 2013. (foto: Martin Beek – CC BY-NC-ND 2.0)

Quando o assunto é arte moderna, atire a primeira pedra quem jamais torceu o nariz diante das formas e cores aparentemente caóticas que marcaram a estética dominante no século 20. Salvador Dalí (1904-1989) que o diga. Em seu Libelo contra a arte moderna, o pintor catalão não economizaria impropérios aos críticos que se curvavam às vanguardas artísticas por mais “horrorosas” que fossem: “Diante dessa derrocada total dos meios de expressão, acreditou-se ter dado um passo adiante rumo à liberação da técnica pictórica; e cada fracasso foi batizado de economia, intensidade e plasticidade”.

Compreender o fazer artístico do último século demanda um olhar apurado. No Brasil, a arte moderna teve seus ícones – e seus grandes nomes são, agora, cada vez mais conhecidos no cenário internacional. Quem nos contextualiza a respeito é o crítico Ronaldo Brito, do Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Ele comenta sobre os caminhos e descaminhos da arte moderna. E, no embalo do raciocínio, explica as origens e consequências do regime de mercantilização sumária a que está submissa a arte de nosso tempo.





sobreCultura: A arte brasileira do século 20, cada vez mais, parece estar em evidência no cenário internacional. Essa percepção é correta?
Ronaldo Brito: Sim, é inegável. Multiplicam-se exposições internacionais de artistas brasileiros. Mira Schendel [1919-1988] teve uma recente exposição individual na Tate Modern, em Londres. Suas obras já foram expostas também no Museu de Arte Moderna de Nova York, assim como as de Lygia Clark [1920-1988]. Willis de Castro [1926-1988] e Hélio Oiticica [1937-1980] também são cada vez mais reconhecidos no exterior, entre vários outros exemplos. Quero crer que esse reconhecimento internacional seja pela qualidade e pela potência poética das obras. Por outro lado, é curioso que Iberê Camargo [1914-1994] ou Alfredo Volpi [1896-1988], segundo muitos os maiores pintores brasileiros, ainda não sejam amplamente conhecidos nem mesmo no Brasil.

Talvez por não explicitarem a noção de brasilidade – que é a praga nacional, uma retórica regressiva, um populismo que insiste em sobreviver. A ideia de brasilidade – tão cara, por exemplo, a pintores como Candido Portinari [1903-1962] e Emiliano Di Cavalcanti [1897-1976], baseia-se em um regionalismo que é negado pela verdadeira arte moderna brasileira, pois entra em conflito com o universalismo próprio de sua linguagem.

Também é o caso de Osvaldo Goeldi [1895-1961], um artista sensacional. Mas, até hoje, não há no país um museu dedicado à sua obra. Falta materialidade simbólica. Isto é, as obras não entram na corrente sanguínea do público. É inexplicável como o Brasil não metaboliza isso. Mas no exterior, sim, é inegável a crescente visibilidade de alguns de nossos artistas.



Essa visibilidade pode ser relacionada à crescente importância geopolítica que o Brasil protagoniza no mundo?
Acredito que não haja uma ligação direta de causa e efeito. O que aconteceu foi que, a partir dos anos 1980, a arte entrou no universo da indústria de massa – não pela aquisição particular de obras, mas pela sua inclusão no circuito da indústria do turismo e do entretenimento. Museus são as novas catedrais. Recebem quantidades enormes de visitantes, e em função disso são projetados.

Muitos museus na Europa já foram feitos pensando nessa escala de massa. O lugar mais visitado do mundo é o Museu do Louvre, em Paris – que pouco faz em termos de arte contemporânea. E as obras de lá se tornaram mercadorias de turismo e entretenimento. Massificação e mercantilização. É o usufruto do museu como mercadoria.


O século 20 foi o século da massificação. Parecem ter-se confirmado as premissas do filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969), que visualizou a transformação da arte em mercadoria e cunhou o termo ‘indústria cultural’. Qual o reflexo dessa mercantilização do fazer artístico sobre a arte e sobre os próprios artistas?
A pop art norte-americana, nos anos 1950, assumiu conscientemente o caráter alienado e mercadológico da arte. Reconheceu que não havia como escapar disso e que se tornar mercadoria seria seu destino fatal. (Curiosidade: o pintor espanhol Pablo Picasso [1881-1973] afirmou que gostaria de retirar suas obras dos museus e jogá-las de volta à natureza. Nas praias, nas florestas.)


Que diferenças marcaram os artistas da primeira e da segunda metade do século 20?
Os artistas da segunda metade do século 20 experimentaram um caráter público e mercadológico que os anteriores mal chegaram a conhecer. Entraram em um circuito global. O artista deixou de ser gênio para ser celebridade. Mas, como celebridade, o artista será sempre uma celebridade de segunda ordem. Celebridades são fenômenos aleatórios – condicionados talvez por sorte ou perfil.
Os artistas da segunda metade do século 20 experimentaram um caráter público e mercadológico que os anteriores mal chegaram a conhecer. O artista deixou de ser gênio para ser celebridade

Para os artistas da primeira metade do século, como Mira Schendel, havia uma demanda por materialidade pública de seus trabalhos. Trabalhavam num isolamento, numa incompreensão. Ao mesmo tempo em que o Brasil produziu essa arte, ele não foi capaz de digeri-la – pois não temos uma cultura visual forte. Simplificando: se antes o problema do artista era uma irrealidade, agora o problema é realidade demais. O excesso de realidade; o peso da realidade. O novo artista é quase um funcionário de uma indústria. Passa a vida levando trabalhos para diferentes lugares do mundo.

Artistas jovens, inclusive brasileiros, já fazem parte desse circuito mundial. Há muita “arte de aeroporto”. O sujeito fica levando sua instalação para lá e para cá... E o novo artista pode, do dia pra noite, tornar-se celebridade. O que é terrível. Ao acordar, verá que está dentro de um circuito de demandas vorazes. É um regime de sucesso que ameaça engolfá-lo. Mas essa fama, quase sempre irrisória, acaba sendo o horizonte imediato a ser conquistado. Porque é isto ou não existir. Se o artista não fizer esse percurso, ele será invisível.


A arte contemporânea dá novo fôlego a uma questão semântica: o que o artista quer dizer é de fato o que o público entende? O que se pensa a respeito disso atualmente?
Na modernidade tardia, toda obra é feita em uma relação com um processo institucional. A arte já não respira aquele ar livre da boemia. É uma arte que sabe que será prontamente consumida e processada. Supor que aquilo que o artista diz é aquilo que seu público entenderá? Questão ingênua. Estamos no regime geral do equívoco. Ninguém supõe isso. Supõe-se que a arte é um processo.


Desse modo, as obras contemporâneas não correm o risco de se tornar herméticas, inacessíveis ou mesmo esvaziadas de sentido?
Isso é senso comum. Creio que esse dilema já tenha ficado para trás. No Brasil, claro, há dificuldades. O pintor holandês Vincent Van Gogh [1853-1890] era incompreendido pelo grande público. Mas tinha seus pares. Cientistas são incompreendidos pelo grande público. Mas têm seus pares.


O senhor critica a ineficiente atuação das instituições brasileiras no sentido de não darem o devido suporte à produção e disseminação de nossa arte. Por quê?
O problema não é só nossa fragilidade institucional. Falta dar materialidade pública à arte moderna brasileira. A história de nossa arte é fantasmática. Pois não passa pelo teste do real, que é estar presente, formando consensos. O que faz parte do cotidiano hoje são os museus. Não a arte. Não se vai a um museu para ver a arte de fulano ou ciclano. E sim para ver o que está ofertando o próprio museu.



Cronologicamente, como devemos entender a evolução da arte brasileira ao longo do século 20? Quando o moderno passa a ser pós-moderno ou mesmo contemporâneo?
Hoje, muitos não falam mais em modernidade, e sim em pós-modernidade. O pós-modernismo começa na arquitetura, nas décadas de 1970 e 1980.
Ninguém sabe o que é arte. Sabemos o que ela não é: não é cultura, nem artesanato, nem técnica

Mas é um conceito selvagem, difícil de compreender. Há vários tipos de pós-modernidade. Uma das maneiras de entendê-la é imaginá-la como uma modernidade hiperconsciente e crítica de si mesma. Não é mais um idealismo formal ortodoxo. E sim uma relação entre o artista e o universo. Ou entre o artista e o “criador” – figura na qual ninguém mais acredita, eu suponho.

Ninguém sabe o que é arte. Nem mesmo um artista. Sabemos, no entanto, o que ela não é: não é cultura, nem artesanato, nem técnica. O que define arte moderna é exatamente o fato de que ninguém sabe o que ela é. Trata-se de algo que escapa aos conceitos.


Qual a sua percepção acerca dos rumos atuais da arte contemporânea no Brasil?
O risco que corre a arte, hoje, é o de uma morte institucional e indolor. Essa nova morte da arte não é o gesto escandaloso e iconoclasta do dadaísmo. É a redução dela a mercadoria, a discurso cultural. Uma arte que não diz sim nem não. Algo que tem acompanhado o fazer artístico é sua insignificância, sua falta de transcendência, seu caráter banal.

A arte torna-se parte da indústria do entretenimento. Além disso, a arte se tornou uma discussão quase jornalística: ela leva em conta questões de identidade, gênero, sexualidade, política... Uma vez que ela se aproxima desse domínio mais público – e, em parte, essa era uma demanda da própria arte moderna – ela passa a abrir mão de sua densidade formal. Torna-se mais parecida com as discussões sociais vigentes. A arte acaba se tornando comunicação social, nesse sentido. Há artistas que se dobram a isso, evidentemente. Mas quando a arte é transformada em mero discurso social, seu conteúdo histórico é esvaziado.

Texto originalmente publicado no sobreCultura 15 (abril de 2014). @edisonmariotti #edisonmariotti