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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Casino Estoril acolhe na Galeria de Arte XXXIV Salão Internacional de Pintura Naïf

Os visitantes do Casino Estoril podem observar, até ao próximo dia 15 de Setembro, o XXXIV Salão Internacional de Pintura Naïf. Trata-se de uma emblemática exposição colectiva que reúne um notável elenco de obras nesta modalidade pictórica.

 


“Estão patentes seis dezenas de trabalhos da autoria de 32 artistas que não andaram em escolas, nunca entraram num museu e quando pegaram a primeira vez num pincel fizeram-no como quando pela primeira vez se toca no caule de uma flor. Na maior parte dos casos, carregaram durante muito tempo um sonho: um dia ser pintor. Foi, por vezes, um daqueles pequenos acasos, que vão acontecendo pela vida fora, que os iniciaram na Arte da Pintura”, sublinha Nuno Lima de Carvalho, Director da Galeria de Arte.

“Daria um rol de situações, diremos que pelo menos singulares, que estiveram na origem das suas carreiras. Um, achou que a porta do armarito da caixa da electricidade, colocada em regra à entrada da porta da sua casa, ficaria bem mais bonita se lhe botasse em cima uma pintura. E se melhor o pensou, assim o fez. Chamava-se Manuel Carvalho e está patente nesta exposição; sua mulher foi-lhe no encalço e começou a pintar, às escondidas do marido, com temor de que não apreciasse a concorrência e o seu nome, Ivone, faz parte dos artistas presentes nesta mostra”, refere Nuno Lima de Carvalho.

Vai com mais de três dezenas de anos que a Galeria de Arte do Casino Estoril, reserva nesta altura do ano as suas paredes brancas para a Pintura Naïf, exposição em cada ano aguardada por um maior número de pessoas. Nas 34 exposições até hoje realizadas participaram 525 artistas, que apresentaram 4809 trabalhos.

Recorde-se que, na edição deste ano, o Salão Internacional de Pintura Naïf apresentou dois temas aos artistas participantes. Um livre e outro integrado na comemoração dos 650 anos de Cascais.

Por imperativo legal, o acesso aos espaços do Casino Estoril é reservado a maiores de 18 anos. 
 
 
 

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.rostos.pt/inicio2.asp?cronica=21000488&mostra=2

Arrendam-se Monumentos e Museus


Não podemos correr o risco de vulgarizar os monumentos, associando-os meramente aos aspetos de cariz comercial.

Na sequência das recentes notícias sobre a aprovação do Regulamento de Utilização de Espaços nos Serviços Dependentes e nos imóveis afetos à Direção-Geral do Património Cultura permitindo que 23 monumentos históricos, entre os quais o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém e vários museus possam ser arrendados para jantares, cocktails, eventos culturais, sociais e académicos, filmagens para televisão, cinema ou publicidade, venho partilhar a minha opinião.

Não me causa inteiramente repulsa por esta solução desde que seja salvaguardada a dignidade dos espaços, tendo máxima atenção à natureza do evento e à instituição que os utiliza. Nesse sentido, cabe à tutela e aos profissionais dos monumentos ou museus nacionais estarem atentos ao enquadramento dos eventos e sobretudo se estes não provocam riscos ao nível da conservação e preservação do património ou que firam a sua boa imagem e suscetibilidades morais e religiosas, estando muitos destes espaços intimamente ligados à religião ou a figuras históricas.

Não podemos correr o risco de vulgarizar os monumentos, associando-os meramente aos aspetos de cariz comercial. Pode ser um risco, na ânsia de se obterem maiores receitas, secundarizarem-se várias iniciativas culturais que podem e devem ocorrer, abertas à comunidade.

Penso também que haveria vantagem das receitas provenientes destas atividades reverterem para a conservação do respetivo monumento ou museu onde elas ocorrem.

*Diretor do Museu de Arte Sacra e Etnologia (MASE) @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.fatimamissionaria.pt/artigo.php?cod=30269&sec=15