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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Museu Histórico conta a vida de Igarassu desde o século 17

Espaço cultural está localizado na área tombada da cidade e expoõe 266 peças, entre mobiliário, armas, arte sacra e calunga de marcatu nação


 
Museu Histórico de Igarassu tem 266 peças expostas ao público.O espaço conta com dois guias para receber os visitantes  Foto:Bobby Fabisak/JC Imagem

Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, é quase sempre lembrada pela Igreja dos Santos Cosme e Damião, uma das mais antigas do Brasil, construída em 1535. Mas, a cidade oferece outras opções de passeios na área de 0,4 quilômetro quadrado tombada como patrimônio nacional desde 1972. O Museu Histórico, por exemplo, com seu acervo que vai do fim do século 17 ao início do 20, mantém as portas abertas ao público de domingo a domingo.

Fundado em 24 de janeiro de 1954, o Museu Histórico de Igarassu está instalado em três casas conjugadas do século 18, ao lado da famosa Igreja dos Santos Cosme e Damião. Para conhecer as 266 peças em exposição, é só subir os degraus de acesso aos imóveis, pagar uma taxa de R$ 2 e explorar as salas, revestidas com piso de tijoleira.

Cadeiras de palhinha de antigos moradores do município, decoram a recepção do museu. Parte delas servia à família de João Felipe de Barros Dias, prefeito de Igarassu na década de 50, conta o secretário-executivo de Patrimônio Histórico do município, Jorge Barreto. “Ele herdou dos pais, são móveis do século 19”, avaliza. As outras cadeiras foram cedidas pelo idealizador do museu, José Eduardo da Silva Brito, diz.


O Instituto Histórico comprou a primeira casa do museu em 1958. As outras duas foram adquiridas pela prefeitura posteriormente, de acordo com Jorge Barreto



O corredor central da casa separa um espaço dedicado às artes sacras e outro que reproduz a sala de estar de uma residência, batizada Barão de Vera Cruz, numa homenagem a Manoel Joaquim Carneiro da Cunha (o nome do barão), proprietário do Engenho Monjope. Mesinhas, armário, estante, escarradeira e quadros compõem o ambiente, com janelas voltadas para o Sítio Histórico.

Um jarro de porcelana francesa, apoiado numa das mesas, pertencia ao Engenho Monjope. “Foi usado na recepção oferecida pelo barão ao imperador dom Pedro II, que pernoitou em Monjope”, diz Jorge Barreto, ao explicar a importância da peça. Pedro II visitou Igarassu em 5 de dezembro de 1859, numa viagem pelo Nordeste brasileiro.

A sala da arte sacra exibe imagens de Jesus Cristo, São Benedito, São José de Botas, Santo Antônio, Nossa Senhora e dos Santos Cosme e Damião, festejados dia 27 de setembro. Completam a decoração oratórios dos séculos 18 e 19, de famílias tradicionais do município, e a lápide da sepultura do coronel João César Falcão, de 1758. “Era o líder político da povoação de Pasmado (distante 14 quilômetros da sede de Igarassu). Nesse lugar havia mais de 200 casas, hoje só resta a Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, no meio do canavial”, relata Jorge Barreto.

O desmonte do povoado começou na década de 50, quando uma usina comprou a área, e se prolongou por cerca de 30 anos, acrescenta. No momento, o oratório mais velho está exposto, mas a capela doméstica do século 19 passa em obras de restauração, porque apresenta avarias. As duas peças são de cedro, policromado. O oratório mais antigo também será recuperado, até o fim deste ano, informa Jorge Barreto.





Em outra sala, o museu presta homenagem aos negros, com objetos de uso de escravos. Há jarra de água com cuia para colher o líquido, pilão, cadeiras, a Calunga do Maracatu Estrela do Norte (1894), um fuso da casa de farinha do Engenho Araripe do Meio (do engenho só sobrou a capela) e uma cana de leme de uma embarcação espano-portuguesa do fim do século 17.

O museu foi criado pelo Instituto Histórico municipal que, sem condições de manter o local, doou o prédio e o acervo à prefeitura, em 1972. “Temos armas, mobiliário, mapoteca, uma pequena pinacoteca, achados arqueológicos e documentos”, resume Jorge Barreto. “O Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano fez a microfilmagem dos inventários”, declara. Por enquanto, os 18 metros lineares de documentos não estão disponíveis para consulta.

Visitas em grupo (escolas) devem ser agendas com antecedência, pelo telefone 3543-0435, avisa o secretário-executivo. Estudantes de escolas públicas não pagam e aos alunos de colégios particulares é cobrada meia-entrada. O Museu Histórico de Igarassu abre de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, e aos sábados e domingos, das 9h às 12h, de acordo com o diretor do espaço cultural, Fernando Melo.



Galeria de imagens
Museu Histórico de Igarassu (PE) está instalado em três casas conjugadas do século 18
 
 
fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/geral/noticia/2014/09/28/museu-historico-conta-a-vida-de-igarassu-desde-o-seculo-17-147793.php

 

Tropeirismo é tema de atividade no Casarão de Brigadeiro Tobias

Visitantes também podem apreciar exposição de telas sobre os ciclos históricos de Sorocaba

Termina neste domingo, no Casarão de Brigadeiro Tobias, com ações educativas e a mostra do artista plástico Rodnei Andrade, o roteiro local de atividades da 8ª edição da Primavera dos Museus, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Museus do Ministério da Cultura. A agenda será desenvolvida entre 10h e 16h e destaca a exposição de telas que retratam ciclos históricos do município a partir de personagens que ajudaram a construir sua identidade e forjaram o seu desenvolvimento econômico. Estão lá a tecelã, o agricultor, o comerciante, o ferroviário e o tecnólogo, entre outras profissões.

"Além do valor estético inegável, os trabalhos reforçam a importância de Sorocaba. Quem vier aqui saberá um pouco mais da sua própria história, já que os quadros resgatam o passado e projetam o futuro, o que não deixa de ser importante e até necessário", comenta a responsável pelo espaço, Sonia Nanci Paes.

O visitante tem também a oportunidade de saber mais sobre o tropeirismo a partir da intervenção do estudioso Álvaro Augusto Antunes de Assis. É ele quem conduz alunos da rede pública e explica o significado do ciclo, além de falar sobre curiosidades sobre peças e itens utilizados naquela época, como arreios, esporas, celas e, claro, mulas.

Neste sábado, uma roda de viola foi promovida por violeiros de Votorantim.

Com o tema "Museus Criativos", a Primavera dos Museus mobilizou instituições de todo o país. Ao propor o conceito, o Instituto Brasileiro de Museus, conforme divulgado, procurou focar o "estímulo à manutenção e ao desenvolvimento de cada museu na exploração de sua capacidade de inovar-se, modernizar a gestão, diversificar iniciativas, ampliar a presença no território em que se acha inserido e atrair público".

A atividade acabou, de quebra, abrindo caminho para que a importância do Casarão fosse abordada. Foi o que fez neste sábado a advogada Josefina Craveiro, segundo quem aquele espaço não tem merecido a atenção que deveria. Ela lembrou que o Casarão não foi aproveitado nem dentro da programação comemorativa à passagem do aniversário da cidade.

"Tivemos atrações durante os trinta e um dias de agosto, mas o Casarão de Brigadeiro passou batido. Ele é como um apêndice esquecido da cultura. A não ser pelas atividades fixas do calendário do município, nada mais acontece, o que é lamentável. Que essa Primavera sirva de alerta", disse. A coordenação do espaço preferiu não comentar as críticas.


O espaço recebeu violeiros de Votorantim neste sábado - Aldo V. Silva
 
fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia/572537/tropeirismo-e-tema-de-atividade-no-casarao-de-brigadeiro-tobias