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quinta-feira, 16 de julho de 2015

CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL VAI SER TRANSFORMADO EM MUSEU

Portugal vai ajudar Cabo Verde a transformar o antigo campo de concentração num museu. O projeto deverá envolver outros países, avançam fontes governamentais.

Verao Na Casa

O ministro da Cultura cabo-verdiana, Mário Lúcio Sousa e o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Jorge Barreto, avançaram as informações à imprensa hoje, o primeiro dia de uma visita de três ao país africano, que visa fortalecer as relações entre os países.

O antigo campo de concentração do Tarrafal, situado a norte da ilha de Santiago, na localidade de Chão Bom, foi criado pelo Governo português do Estado Novo, em abril de 1936, com o intuito de afastar da metrópole presos problemáticos e enviar, através das deliberadas más condições de encarceramento, um “aviso” aos contestatários. Outrora chamado “Colónia Penal do Tarrafal”, encerrou oficialmente em 1954, tendo sido a maior parte dos detidos libertada após a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Mas não foi o fim do campo de concentração. Em junho de 1961, o ministro do Ultramar português, Adriano Moreira, ordenou a reabertura e batizou-o de “Campo de Trabalho de Chão Bom”. O novo nome acarretou novo objetivo: encarcerar resistentes à guerra colonial em Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde. As instalações detiveram presos durante 13 anos, até ao seu encerramento definitivo a 1 de maio de 1974.

Agora, a prisão será transformada em museu.

“Já há um entendimento entre nós para criar uma equipa conjunta para fazer a musealização final do antigo campo de concentração do Tarrafal (…) há uma equipa a trabalhar nos projetos, já há um acordo político e agora sim se vai formar a equipa que começará a trabalhar logo que seja possível”, indicou o ministro cabo-verdiano.

Segundo Mário Lúcio Sousa, Cabo-Verde e Portugal querem “reinventar” novas formas de cooperação, fora dos planos indicativos, que “levam mais tempo e que precisam de mais meios”, como este novo museu, que irá ser feito “com reciprocidade, afeto e generosidade”, prosseguiu. O ministro da Cultura adiantou ainda que o envolvimento de países como Moçambique, Angola e Guiné-Bissau está assegurado, muito embora não tenha avançado data para o início dos trabalhos.

Já o ministro de Estado da Cultura de Portugal reconheceu o “simbolismo” do também conhecido como “campo da morte lenta” e disse que esta transformação em museu é um sinal de como se pode celebrar enquanto cidadãos, falantes da língua e pertencentes a uma comunidade.

O protocolo de cooperação será assinado esta sexta-feira, no último dia da visita do governante português, e abrangerá áreas como património, bibliotecas, literatura, artes, direitos de autor e direitos conexos, arquivos e política do livro, entre outros.

Amanhã (quinta-feira) Jorge Xavier Barreto fará uma visita ao campo de concentração, atualmente “Museu da Resistência”, que resiste num edifício mal conservado, memória de centenas de antifascistas portugueses e nacionalistas africanos que ali permaneceram encarcerados, privados de liberdade por a exigirem.

Gazeta do Rossio
Fonte: noticiasaominuto.com @edisonmariotti #edisonmariotti 

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