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domingo, 19 de julho de 2015

Clicar aqui para ler artigo série 2/7 - A linguagem cinemática: uma nova linguagem? O conteúdo parte para uma abordagem histórica sobre o uso inicial do videoteipe pelas artes plásticas, sua legitimação por grandes museus e seu posterior desdobramento para outras formas de arte englobadas sob o nome de arte-comunicação.

David A. Ross, vice-diretor do Setor de Televisão e Filme do Museu de Long Beach, Califórnia, curador da Exposição Vídeo Art USA no Brasil, revelou em 1975:

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Embora seja contemporânea ao apogeu do movimento Arte e Tecnologia do início da década de 1960, movimento este até certo ponto governado pelos caprichos da moda, as suas origens parecem hoje estar muito distanciadas de todas aquelas atividades. A arte do vídeo não surgiu como fruto da fascinação do artista pela tecnologia do vídeo como tal. Sua manifestação parece ter coincidido com uma integração mais ou menos fortuita de uma gama maior de questões estéticas específicas, que eventualmente produziu uma orientação generalizada pósobjeto. (ROSS, 1975, p. 87).
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Até então, tais equipamentos eram utilizados tão somente pelas grandes empresas de televisão devido ao seu alto custo aquisitivo e usados para a transmissão unilateral de informação (broadcasting), não havendo possibilidade nenhuma de serem utilizados para transmissões individuais.

O Video Home System (VHS) abriu a possibilidade de o audiovisual ser empregado por uma parte da população em sistemas de transmissão descentralizados, ampliando o potencial do videoteipe como forma de comunicação. Happenings e obras interdisciplinares salientaram a necessidade de uma arte mais de acordo com o seu tempo, como as atividades do grupo Fluxus (Alemanha, 1961) e os happenings organizados por artistas, como: Kaprow, Oldenburg e Dine, precursores de atividades artísticas que passam a empregar os recursos do vídeo.

O interesse pela arte do vídeo começou a contar com o apoio de fundações, como a Fundação Rockfeller, e, no início dos anos 70 do século passado, já havia um clima receptivo às obras de artistas que trabalhavam com o videoteipe em galerias de arte, onde começou a ser exposto lado a lado com obras da arte cinética.

Howard Wise, dono de uma galeria em Nova York, organizou a exposição T.V. as a Creative Medium com trabalhos de Paik, Frank Gillette, Ira Schneider e outros. Tal exposição revelou um maior entrosamento entre os aspectos sociopolíticos da televisão (como sistema dominante de comunicação) com outras possibilidades técnicas de sintetização da imagem por intermédio de computadores e dispositivos eletrônicos. 

Essa dicotomia desaparece quase completamente com trabalhos de artistas, como Beryl Korot, de tendência mais sociológica, e escultores mais formalistas, como Richard Serra, autor de Television Delivers People (1973), que passam a se preocupar com as decorrências sociais da televisão.

Inicia-se paralelamente um movimento entre os museus norte-americanos, como o Museu de Arte de Rose, da Universidade de Brandeis, que inaugura uma exposição sobre a arte do vídeo, e o Museu Everson de Syracuse, em New York, e o Museu de Arte de Long Beach, que inauguram novos departamentos de vídeo, organizando exposições em circuitos fechados. 

Outros, como o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, e o Fine Arts Museum, em Boston, produzem programas educativos e transmissões sobre essa nova forma de arte, cujo foco principal gira em torno do interesse ativo pela televisão. Pensa-se o vídeo não só para a exibição de trabalhos artísticos, mas também para a instalação de canais de TV especializados em arte, ocasionando uma validação da arte do vídeo.

A maioria dos trabalhos realizados nessa época consiste em uma variedade incrível de atitudes, formas e estilos, evidenciando a extraordinária vitalidade do videoteipe como instrumento de criação. Essa dupla aplicabilidade do vídeo, de um lado, como ferramenta artística para a execução de trabalhos de arte, e, de outro, como forma de exibição de conteúdos artísticos, desdobra-se para se tornar ferramenta comunicacional em museus em práticas expositivas, estendendo-se a sua utilização posterior em webmuseus, demonstrando a evolução da utilização do VT pelas artes em geral e a importância que passa a ter para a área.

Esse novo elemento tem como consequência uma verdadeira “revolução” nas artes plásticas, nas últimas décadas, com a introdução da fotografia, do vídeo e mais recentemente das novas tecnologias digitais. Com a transferência da imagem numérica, do virtual para o museu, “o problema se torna mais complexo com as novas imagens, que remetem à simulação e não à representação, ao cálculo e não ao traço, à interatividade e não à fixidez, enfim, a outro regime de imagem”. (SOULAGES, 2005, p. 13).

Simultaneamente, o artista plástico passa a incorporar à obra de arte a música e o som. A primeira das artes a explorar os recursos eletrônicos, fazendo disso “sua radical novidade, seu valor e força”. (SOULAGES, 2005, p. 19), perpetrando a evolução a outras mídias eletrônicas. Em 1952, Bem F. Laposky, nos Estados Unidos, e Herbert W. Franke, na Áustria, conceberam, respectivamente, suas “Abstrações Eletrônicas” e seus “Oscilogramas”, consideradas as primeiras imagens da computer art. 

O primeiro filme totalmente mediado por computadores foi produzido em 1966, por John Withney Jr., ano em que se criou o primeiro ambiente de Realidade Virtual na Harvard University, a “Espada de Damocles”, coordenado pelo Professor Associado Ivan Shuterland. Trata-se de um complexo sistema interativo de desenho por computador. Os primeiros trabalhos produzidos com o auxílio de computadores utilizavam-se ainda de máquinas analógicas para gerar as imagens e da película cinematográfica para registro e exibição.


Continuação: dia 20/07/2015 as 12h00min série 3/7 

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti
produção bibliográfica de Giselle Gubernikoff

Giselle Gubernikoff

Possui o 1o. Ano de Jornalismo pela Fundação Armando Álvares Penteado (1971), graduação em Artes/Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (1976), mestre em Artes/ Cinema pela Universidade de São Paulo (1985), doutora em Artes/ Cinema pela Universidade de São Paulo (1992), livre-docência em Ciências da Comunicação/ Publicidade pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(2000). Professora Titular pela ECA USP em Artes Visuais/Multimídia e Intermídia na especialização Fotografia, Cinema e Vídeo (2002). Atualmente é professora titular do Departamento de Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Audiovisual/ Cinema, com ênfase em Produção, Roteiro e Direção Cinematográficos, atuando principalmente nos seguintes temas: mídias digitais e novas tecnologias de comunicação, linguagem cinematográfica, produção audiovisual, cinema publicitário, representação feminina, cinema brasileiro, cinema e consciência cultural e museologia e mídias digitais.
(Texto informado pelo autor)

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