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sábado, 4 de julho de 2015

série 1/5 - História e cinema: os filmes de Mazzaropi como fonte histórica.

INTRODUÇÃO

A pesquisa histórica experimentou um significativo avanço durante o século XX. As limitações impostas por meio do predomínio da historiografia de corte positivista foram superadas com a escola dos Annales, com o avanço da história social inglesa, com a historiografia norte-americana. Parte do considerável avanço da historiografia, no século passado, decorre da adoção e aplicação de conceitos de métodos desenvolvidos em outras áreas de conhecimento. A geografia, a economia, a sociologia e a antropologia possibilitaram a renovação do conhecimento histórico mediante a incorporação de novos problemas, novos objetos e novos campos de investigação (BURKE, 1997).




O desenvolvimento da historiografia decorreu do debate com outras áreas do conhecimento. Esse debate foi travado em várias frentes com o intuito de reafirmar a história como área de conhecimento fundamental para as ciências humanas. A afirmação da historiografia ocorreu sob um duplo esforço: incorporar parte do aparato conceitual das demais áreas do conhecimento e o fazer a partir de uma perspectiva eminentemente histórica. Entretanto, os efeitos da interdisciplinaridade não são avaliados consensualmente entre os historiadores. 

Francois Dosse (1994), por exemplo, afirma que a corporação de métodos e conceitos de outras áreas do conhecimento produziu uma história em migalhas. A fragmentação da historiografia expressa, na percepção do autor, a incapacidade de constituir uma historiografia que produza um conhecimento mais integral, apto a superar a compartimentação em objetos inadequados a uma compreensão mais efetiva da historicidade em que se inserem os problemas de pesquisa.

A ácida crítica de Dosse encontrou expressiva ressonância entre os historiadores. A historiografia assumiu a fragmentação identificada por Francois Dosse como o principal sintoma da crise da história. A significativa ampliação dos campos, áreas e problemas abordados por parte dos historiadores implicou na conquista de um escopo de interesses até então inéditos. 

A passagem ao século XXI ocorreu sem a resolução deste cenário. Neste artigo, é discutida a incorporação do cinema como fonte histórica, cuja compreensão estimula a busca da contribuição de outras áreas do conhecimento. Porém, a avaliação das possíveis contribuições do cinema à pesquisa histórica ocorreu com a busca da preservação da historicidade, com o intuito de evitar a fragmentação identificada por Dosse.

A elaboração de ferramentas pertinentes a incorporação de novos conceitos e metodologias estimulou pensar o cinema como expressão da historicidade, embora mediado por aspectos inerentes à indústria cultural. Para essa reflexão foi delimitada a filmografia do ator, empresário e cineasta Amâcio Mazzaropi, cuja extensa produção alcançou vasta popularidade por expressar os conflitos entre o rural e o urbano durante a urbanização brasileira. O artigo resultou da avaliação de parte dos conflitos presentes nos filmes do cineasta com intuito de dimensionar como exercer a interdisciplinaridade na utilização do cinema como fonte histórica.


fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti
produção bibliográfica de Giselle Gubernikoff

continuação: dia 06/07/2015 as 12:00hs série 2/5 

Giselle Gubernikoff
Possui o 1o. Ano de Jornalismo pela Fundação Armando Álvares Penteado (1971), graduação em Artes/Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (1976), mestre em Artes/ Cinema pela Universidade de São Paulo (1985), doutora em Artes/ Cinema pela Universidade de São Paulo (1992), livre-docência em Ciências da Comunicação/ Publicidade pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(2000). Professora Titular pela ECA USP em Artes Visuais/Multimídia e Intermídia na especialização Fotografia, Cinema e Vídeo (2002). Atualmente é professora titular do Departamento de Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Audiovisual/ Cinema, com ênfase em Produção, Roteiro e Direção Cinematográficos, atuando principalmente nos seguintes temas: mídias digitais e novas tecnologias de comunicação, linguagem cinematográfica, produção audiovisual, cinema publicitário, representação feminina, cinema brasileiro, cinema e consciência cultural e museologia e mídias digitais.
(Texto informado pelo autor)






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