segunda-feira, 20 de abril de 2015

Museu do Índio sobre tradições culturais

Em ritual de batismo entre janeiro e dezembro, as crianças indígenas Guarani Mbyá recebem seus nomes. Na tradição, o nome define aptidões e fraquezas para a vida e livra os pequenos dos males, como doenças. Cenas dessa cerimônia foram apresentadas ao público hoje (19), pela primeira vez, no documentário Arandu Ete – que significa sabedoria milenar na língua guarani –, do cineasta indígena Lucas Benites, no Museu do Índio, no Rio de Janeiro.


Filme mostra como as crianças indígenas Guarani Mbyá recebem seus nomes e como é o batismo de sementes de milho e de erva-mate na época do plantio -Isabela Vieira

Com cerca de 30 minutos, o filme mostra também como é o batismo de sementes de milho e de erva-mate na época do plantio. Destaca ainda o papel da Casa de Reza na cultura local e revela como são, na prática, a caça e confecção de armadilhas. Tudo é parte do dia a dia da aldeia do cineasta, a Sapukai, que fica em Angra dos Reis, a 200 quilômetros do Rio.

“Importante é o próprio índio fazer a divulgação de sua cultura por meio da tecnologia, do filme”, disse Benites. “Ser documentarista valoriza a cultura indígena nos aspectos que são realmente importantes para os índios”, completou o cineasta.

Benites se tornou cineasta por meio de um programa de documentação do Museu do Índio, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), nos últimos quatro anos. Hoje, ele tem mais de 38 mil horas gravadas, que deram origem a seus filmes. Em 2014, lançou o primeiro documentário Mbya Rembiapo, sobre arte indígena e, depois, o filme Intercâmbio Cultural Guarani-Argentina, Paraguai e Brasil. “Pretendo fazer vários pequenos filmes, de 15, 20 minutos, para aproveitar as imagens que tenho”, disse.

O diretor do museu, José Carlos Levinho, explica que o projeto de documentação faz parte do esforço de registro de culturas indígenas para preservação e transmissão a novas gerações. O antropólogo acredita que o olhar dos próprios índios é diferenciado para o que é mais importante do ponto de vista da própria comunidade.

“O filme de Lucas Benites é isso: resultado do diálogo dentro da comunidade, sob a visão de mundo dele, que é completamente diferente da minha, por exemplo”, afirmou Levinho. Cada povo, explica, tende a se exprimir de um jeito no audiovisual. “Os kaiapó, que têm uma complexidade enorme nos rituais, registram tudo que acontece na aldeia. Já os guarani registram a fala, o discurso, que, para eles, é algo que merece atenção especial, não o cotidiano”, frisou.

Além do filme Arandu Ete, o Museu Nacional exibe hoje, Dia do Índio, as produções Arandu Nhembo'e – Em busca do saber, de Alberto Alvares, que retrata a busca dos jovens da Terra Indígena Biguaçu, em Santa Catarina, pelo modo de ser guarani (nhande reko) e o documentário Karai ha'egui kunhã karai 'ete – Verdadeiros líderes espirituais, sobre o líder guarani Alcindo Moreira, de 104 anos, e sua mulher Rosa Poty-Dja, da mesma terra indígena.

As atividades relacionados aos índios, que incluem a mostra Os Guaranis no Século 21, relato de lendas e apresentação do coral guarani, se estenderão por todo o primeiro semestre no Museu do Índio, incluindo a exibição dos vídeos feitos pelos cineastas indígenas.

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2015-04/cineasta-indigena-lanca-filme-sobre-tradicoes-culturais-no-museu--1

Museu Maria Lenk contará história da 1ª brasileira em Olimpíada


Atleta foi também primeira mulher da América do Sul a ir aos Jogos; material já está sendo digitalizado




A memória da primeira heroína olímpica do país será resgatada em forma de museu. Maria Lenk, primeira mulher sul-americana a ir a uma edição dos Jogos, em Los Angeles-1932, terá trajetória contada e relíquias expostas em acervo online que será disponibilizado até o final do ano.




À coleção será dado o nome de Museu Maria Lenk. A digitalização de todo o material começou agora, em abril, e prosseguirá até julho, com ajuda financeira da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos). É possível que os Correios também apoiem a iniciativa.

A ex-nadadora, morta no ano de 2007, quando tinha 92 anos, colecionou recortes de jornal de suas façanhas, fotografias, documentos e outros itens ao longo da vida. À parte ter sido pioneira olímpica, ela também foi recordista mundial e hoje tem seu nome imortalizado no Hall da Fama da natação, que fica nos Estados Unidos.

Já com idade avançada, confiou a Lamartine da Costa, professor especialista em estudos olímpicos e seu colega na Universidade Gama Filho, no Rio, o acervo.

"A maior parte é de documentos, tudo montado em álbum. Também recortes de jornais entre 1932 e 1945, no auge da Maria Lenk, que resgatam muita coisa que se perdeu dela", disse o professor.
Só após receber o material é que Lamartine notou a riqueza do que tinha em mãos.

Eram mais de 10 mil peças e, para não correr risco de perdê-las, as armazenou na biblioteca da universidade.

O problema é que a Gama Filho acabou descredenciada pelo MEC (Ministério da Educação) em 2014 e o "memorial" de Maria Lenk teve de ser desalojado também.

Lamartine, então, apoiou-se em uma inovação lançada no ano passado pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) para não deixá-lo apodrecer.

A Agenda 2020, pacote de 40 medidas aprovadas pela entidade para modernizar o movimento olímpico, prega que é preciso misturar com profundidade cultura e esporte, como, por exemplo, em museus itinerantes.

"Aí eu propus ao Ricardo [de Moura, coordenador técnico da CBDA] que esse seria o primeiro projeto montado em função da Agenda 2020, e ele gostou", disse Lamartine, uma das maiores autoridades em Olimpíada no país. A ideia calhou ainda mais porque Maria Lenk completaria 100 anos em 2015.

"A CBDA topou dar visibilidade porque é um marco importante. A plataforma está praticamente pronta e estamos nos concentrando em focá-la para tablets e smartphones", complementou.

Há um sonho de que o acervo seja exposto fisicamente, mas não tão brevemente. Lamartine contou que, além dele, outras pessoas serão responsáveis pela manutenção do acervo: o presidente da CBDA, Coaracy Nunes, e Francisco da Silva Júnior, sobrinho de Maria Lenk e coronel aposentado da Aeronáutica.

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.otempo.com.br/superfc/museu-maria-lenk-contar%C3%A1-hist%C3%B3ria-da-1%C2%AA-brasileira-em-olimp%C3%ADada-1.1027077

MUSEO Y GESTIÓN MULTICULTURAL - · en CULTURA, INSTITUCIONES,MUSEO, MUSEOGRAFÍA, MUSEOLOGÍA, OPINIÓN, PATRIMONIO. ·

Un museo debe incorporar en su enfoque museológico la diversidad de intereses y aspiraciones demandados por una sociedad cambiante y multicultural, teniendo en cuenta que siempre hay una «cultura oficial dominante» que prevalece sobre el resto, pero que a su vez ha sido generada a partir de la herencia dejada por el resto de culturas que históricamente han convivido o se han relacionado más o menos esporádicamente con ella. Cualquier proyecto museológico ha de tener una visión panorámica del mundo que le rodea y debe plantear un discurso global-local «glocal». A este respecto, la intervención museológica realizada en los parques nacionales canadienses, considerándolos «puntos de anclaje» en el territorio y representantes de los valores contemporáneos de la mundialización, basada en una museología abierta, ecosistémica y enraizada en el territorio.



Con la gran revolución que ha representado en los últimos años la universalización del acceso a los medios, las barreras culturales basadas en el desconocimiento del otro han quedado, en gran parte, superadas. Hoy en día, la educación en el museo debe plantearse como una necesidad educativa de primer orden en todos los universos educativos. La educación en el museo no solo refrenda valores cívico-morales, sino que ayuda a la construcción de la identidad cultural de las personas, de todos nosotros, y al desarrollo de visiones culturales de gran interés teórico y práctico. Si a eso le añadimos unos movimientos migratorios solo comparables con los que experimentó el continente americano en los siglos XIX y principios del XX, aquello que hace dos décadas se consideraba exótico y solfa descubrirse leyendo enciclopedias, libros o realizando viajes para descubrirlo ahora lo podemos encontrar mirando por la ventana de nuestra casa. Ha pasado de ser un aspecto limitado a los museos de temática etnológica o solamente referenciado en museos de aquellos países con una tradición más dilatada en el campo del multiculturalismo (Estados Unidos, Australia, Nueva Zelanda, etcétera), a ser asumido por la gran mayoría de museos sin importar la naturaleza de sus colecciones. Estas acciones sobre la globalidad del conocimiento deben formar parte, sí o sí, de la filosofía del museo, de dejándolas solo como acciones puntuales para justificarse de cara a la galería, no existiendo una voluntad clara de que sean incorporarlas a la hoja de ruta del museo.


Los museos que asuman el reto de aceptar la incorporación de nuevos discursos y concepciones que conviven con la cultura mayoritaria deben hacerlo evitando siempre un cierto paternalismo hacia estas culturas minoritarias.

Cualquier itinerario educativo, visita, exposición permanente o temporal ha de contemplar una serie de recursos que permitan incorporar a visitantes que por razón de raza, religión, origen, condición socioeconómica, etcétera, tengan alguna dificultad para disfrutar de la visita de la misma manera que el resto de públicos. Especial atención deben tener los museos dedicados a un periodo histórico o una temática compleja como por ejemplo una guerra, el apartheid o el genocidio indígena sea el lugar que sea, ya que, dependiendo del enfoque del discurso museográfico y los programas de público que de este se deriven, se pueden herir muchas sensibilidades. En este sentido, es imprescindible la creación de un protocolo de trabajo que incorpore elementos de interpretación o acompañamiento para los visitantes.


El Jüdisches Museum de Berlín (JMB) es un museo donde se conjugan a la perfección todos aquellos aspectos museológicos con el objetivo de narrar la historia de los judíos en Alemania. El museo de los judíos consigue generar una atmósfera que envuelve al visitante sumergiéndolo en la narrativa del museo. Desde la arquitectura del edificio a la distribución de las salas, donde se intercalan diferentes museografías que van desde lo didáctico a la puramente conceptual, pasando por los programas educativos, consiguen que el visitante se acerque paulatinamente a la historia y a la cultura judías y al holocausto nazi. Que la labor educativa es una de sus grandes tareas lo demuestran actividades como «El JMB hace escuela», en la que un equipo de pedagogos viaja con un autobús por toda Alemania para presentar la labor del museo con una exposición y talleres que se montan en el patio del colegio. Destacamos la manera de explicar la liturgia y los rituales del judaísmo, buscando la transversalidad con otras creencias religiosas cuando se trata de explicar conceptos como la fe, la oración, el peregrinaje, los símbolos, etcétera, algo que hacen mediante pequeños clips de dibujos animados.


Otra experiencia museística que afronta un tema complejo para divulgar es la delApartheid Museum. En él se relata de forma explícita la humillación y crueldad que vivieron millones de personas negras. Desde el inicio de la visita se sumerge al visitante en una atmósfera dirigida: valga como ejemplo que, nada más comenzar el recorrido, los visitantes deben escoger hacerlo por las puertas en las que se indica «white» o «no white»; los primeros van por un camino al aire libre, sin indicaciones, mientras que los segundos pasan por un opresivo laberinto de celdas, entre las que se encuentran las cartillas de identidad de algunas de las personas que vivieron en los barrios miserables a los que fueron confinados a finales de los años cuarenta.


Aparte de los museos de sociedad, arte o antropología, también desde la perspectiva de la ciencia se puede abordar la diversidad. Un claro ejemplo lo encontramos en el Parque de las Ciencias de Granada (España), que es un museo diseñado para la participación interactiva del público. El Parque dispone de diversas áreas de exposiciones permanentes, entre las cuales destaca el Pabellón de Al-Ándalus y la Ciencia, cuyos contenidos ofrecen al visitante una completa visión sobre el legado científico arabo-musulmán y las distintas aportaciones al mundo de la ciencia y su posterior evolución hasta el tiempo presente. Otro museo importante en el área de la ciencia, en este caso sobre la especie humana, es el Museo de la Evolución humana de Burgos (España) que, al construirse tan cerca de los yacimientos de Atapuerca, punto clave a nivel mundial para conocer nuestros orígenes, se ha convertido en un museo que integra el entorno y un museo de territorio, ya que las visitas al edificio se suelen compaginar con la visita a los yacimientos. Este museo explica los orígenes de nuestra especie; no hay mejor lugar para hacer hincapié en que todos procedemos del mismo lugar, formarnos parte de la misma especie y que la adaptación al medio es la que motivó nuestras diferencias físicas.


fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti