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quarta-feira, 13 de abril de 2016

No Peru, em 1957 foi aberta a sala onde ficavam escondidas as cerâmicas eróticas pré-colombianas do Museu Nacional de Antropologia.

Tudo isso foi documentado em esculturas em pedra e cerâmica que ficaram escondidas, trancafiadas em salas de museu até a metade do século 20. Uma mostra de arte erótica pré-colombiana organizada no México em 1926 foi relegada a um salão secreto durante décadas. 


Em Uxmal e Chichen Itzá há esculturas dedicadas ao órgão sexual masculino, cujo significado ainda permanece um mistério. Supõe-se que os falos gigantescos simbolizavam a fertilidade e eram objeto de culto.


No Peru, só em 1957 foi aberta a sala onde ficavam escondidas as cerâmicas eróticas pré-colombianas do Museu Nacional de Antropologia. Veio a público então uma impressionante série de cerâmicas da cultura mochica, anterior aos incas, representando atos sexuais de forma explícita, em posições que fariam corar ainda hoje em dia algumas senhoras de Santana da renascida direita tupiniquim. Algumas delas podem ser apreciadas no 
Museu Larco, em Lima.



(Cerâmicas do museu Larco, em Lima: sexo oral…)



 (…69…)




(…masturbação mútua – reparem na carinha deles -…)




(…e sexo anal)


Na América protestante a repressão não foi diferente. Muito igualitária, a sociedade Cherokee dava às mulheres postos semelhantes aos dos homens; elas podiam integrar o conselho da tribo e ser guerreiras. O adultério era permitido a ambos os sexos, sem punição, assim como o divórcio: bastava a mulher colocar os pertences do homem para fora da casa.

Havia ainda os transgêneros, encontrados em mais de 150 tribos norte-americanas. Chamados de Two-Spirit (“dois espíritos”) ou “berdaches”, eram homens que gostavam de estar entre as mulheres, fazer as coisas que elas faziam e vestir-se como elas. Ou o contrário: mulheres que gostavam de se vestir como homens. Os primeiros relatos de colonizadores sobre os Two-Spirit aparecem já no século 16. O preconceito contra eles só vai surgir mais tarde, por influência do homem branco. A partir daí, eles passam a ser rejeitados por suas tribos e são marginalizados.



(We-Wa, uma “dois espíritos” do povo Zuni,
do Novo México, EUA, em 1907. Foto: John K. Hillers)


Na América católica, a “Santa” Inquisição foi convocada para reprimir sexualmente os nativos, coibindo “delitos” como a bigamia ou a sodomia, embora fossem práticas permitidas em algumas culturas indígenas. No México, conta-se do índio Ángel Porecu, de Michoacán, punido por bigamia com cem chibatadas. No Brasil, um projeto da
Universidade Federal do Pará rastreou os casos de naturais da Amazônia, entre eles indígenas, enviados aos tribunais do “Santo” Ofício em Lisboa por “crimes” similares.

Foi o caso da índia Florência Perpétua, de 28 anos, acusada de bigamia em 1766, levada a Portugal e condenada à prisão, após a qual foi solta e admoestada a viver com o primeiro marido. A sodomia (prática de sexo anal) também era razão para julgamento e punição pela Inquisição, mas apenas a masculina. “A sodomia feminina não era alvo da Inquisição porque não havia o derramamento de sêmen, considerado pecado. A masculina era considerada bestialismo”, explica o historiador Antonio Otaviano Vieira Jr., coordenador do trabalho.



(Tribunal da Inquisição no México)

A ordem era vestir as índias, cobrir o que foi olhado com tanto espanto e deleite pelos primeiros exploradores. “Desde o início da colonização lutou-se contra a nudez e aquilo que ela simbolizava. Os padres jesuítas, por exemplo, mandavam buscar tecidos de algodão, em Portugal, para vestir as crianças indígenas que frequentavam suas escolas. ‘Mandem pano para que se vistam’, pedia padre Manuel da Nóbrega em carta a seus superiores”, escreve Mary del Priore no livro
Histórias Íntimas. “Aos olhos dos colonizadores, a nudez do índio era semelhante à dos animais; afinal, como as bestas, ele não tinha vergonha ou pudor natural. Vesti-lo era afastá-lo do mal e do pecado. O corpo nu era concebido como foco de problemas duramente combatidos pela Igreja nesses tempos: a luxúria, a lascívia, os pecados da carne. Afinal, como se queixava padre Anchieta, as indígenas não se negavam a ninguém.”

Enquanto fora de casa o homem se divertia, dentro do casamento era um pudor só. “Até para ter relações sexuais as pessoas não se despiam. As mulheres levantavam as saias ou as camisas e os homens abaixavam as calças e ceroulas. Mesmo nos processos de sedução e defloramento que guardam nossos arquivos, vê-se que os amantes não tiravam a roupa durante o ato”, lembra Mary.

A sexualidade dos índios no Brasil é ainda hoje pouco estudada. Há alguns relatos de cronistas, como o de Gabriel Soares de Sousa entre os tupinambás, na caliente Bahia do século 16. “São os tupinambás tão luxuriosos que não há pecado de luxúria que não cometam”, escreve Gabriel no
Tratado Descritivo do Brasil em 1587. Segundo ele, os índios não só transavam muito como gostavam, homens e mulheres, de falar sobre sexo desavergonhadamente.

Havia homossexualidade e o adultério era permitido também às mulheres, que seduziam amigas para o leito conjugal. “As que querem bem aos maridos, pelos contentarem, buscam-lhes moças com que eles se desenfadem, as quais lhe levam à rede onde dormem, onde lhes pedem muito que se queira deitar com os maridos, e as peitam para isso; cousa que não faz nenhuma nação de gente, senão estes bárbaros”, constata, não sem uma pontinha de inveja, nosso cronista.

As mulheres mais velhas, por sua vez, “desestimadas dos homens”, tratavam de iniciar sexualmente os meninos: “ensinam-lhes a fazer o que eles não sabem”. E os insatisfeitos com o tamanho do membro –nada de novo sob o sol– “costumam pôr o pelo de um bicho tão peçonhento, que lho faz logo inchar, com o que têm grandes dores, mais de seis meses, que se lhe vão gastando por espaço de tempo; com o que se lhe faz o seu cano tão disforme de grosso que os não podem as mulheres esperar”.

“O esforço no sentido de fazer prosperar na colônia estrita monogamia teve que ser tremendo”, escreveu Gilberto Freyre em
Casa Grande & Senzala. O pernambucano, que assumia com tranquilidade suas experiências homossexuais na juventude, prestou atenção nas práticas entre o mesmo sexo e na bissexualidade, que não eram incomuns entre os indígenas brasileiros e tampouco eram práticas condenadas. Pelo contrário, os homossexuais eram bem-vistos e tinham relevância na comunidade. Freyre supõe que a função de curandeiro das tribos, não só brasileiras como as demais do continente, fosse destinada aos gays. Também se afirma isso sobre os Two-Spirit, que seriam os xamãs da América do Norte.


(O Feiticeiro, gravura de John White, 
em 1585, na cidade indígena de Pomeiooc, 
atual Carolina do Norte, EUA)


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“Não existe pecado do lado de baixo do Equador”, escreveu o holandês Gaspar Barleu ao se deparar com a libidinagem no Recife do século 17.

Não EXISTIA. A liberdade sexual dos primeiros moradores do Brasil seria logo substituída pela noção de transgressão, pelo pudor excessivo, pelas proibições e pelo preconceito –a homofobia, por exemplo, nascia ali. Em que contribuíram os europeus para a sexualidade das Américas além de nos apresentar à culpa?

Tudo o que era possível trazer para cá, em termos sexuais, já era conhecido entre os nativos: homossexualidade, bissexualidade, transexualidade, bigamia, poligamia. As posições também iam muito além do “papai-e-mamãe” no escuro e sob lençóis dos colonizadores: masturbação mútua, sexo anal, oral, grupal. Sexualmente falando, eram os indígenas os avançados e os homens brancos, os primitivos. Mas foi só chegar a igreja e pronto: a pretexto de civilizar-nos, destruíram milênios de conhecimento autóctone sobre a sexualidade.

As próprias narrativas dos primeiros cronistas são contaminadas pelo puritanismo da época. No México, Hernán Cortés escreveu: “fomos informados de que são todos sodomitas e usam aquele abominável pecado”. O tema da sexualidade, é claro, sofreu censura por parte dos colonizadores, e só recentemente historiadores e arqueólogos têm apresentado descobertas neste campo. Cortés estava bem informado: entre os maias, a homossexualidade era frequente, e uma espécie de rito de passagem da infância para a adolescência (como ocorre, aliás, com tantos homens e mulheres, de forma velada, em todos os tempos).


(Índios vestidos de Jean-Baptiste Debret em Santa Catarina, 1834)


“Viam no prazer sexual um dom divino, equiparável ao alimento, à alegria, ao vigor vital e ao repouso cotidiano. Era questão de moderar o desfrute daquele presente, como se fazia com qualquer outro bem concedido pelos deuses”, escreveu o antropólogo Alfredo López Austin em um dos artigos da edição especial da revista 
Arqueologia Mexicana sobre sexualidade entre os maias, em 2010.

A masturbação ritual era praticada por muitos indígenas da América Central como uma maneira de fecundar a terra, considerada “feminina”. As carícias mútuas faziam parte do coito: o homem tocava as partes íntimas da mulher e a mulher tocava o homem. Moderno, não? Tem gente que não faz isso até hoje…



“Quanto aos pajés, é provável que fossem daquele tipo de homens efeminados ou invertidos que a maior parte dos indígenas da América antes respeitavam e temiam do que desprezavam ou abominavam”, defende Freyre. “Uns, efeminados pela idade avançada, que tende a masculinizar certas mulheres e a efeminar certos homens; outros, talvez, por perversão congênita ou adquirida. A verdade é que para as mãos de indivíduos bissexuais ou bissexualizados pela idade resvalavam em geral os poderes e funções de místicos, de curandeiros, pajés, conselheiros, entre várias tribos americanas.”

Entrevistei o antropólogo Estevão Fernandes, professor da Universidade de Rondônia, que estuda a homossexualidade indígena.

Socialista Morena – Era frequente a homossexualidade entre os índios brasileiros? Ou depende da etnia?

Estevão Fernandes – Não apenas “era”, como é, algo normal. Um grande desafio no tocante aos indígenas homossexuais em várias terras indígenas do País é o de romperem com uma imagem que se tem, no Brasil, de que os povos indígenas sejam coletividades paradas no tempo. Isso faz com que indígenas cujas sexualidades não se enquadram no modelo hegemônico sejam vistos como “perdendo sua cultura” ou “gays por causa do contato com os brancos”, gerando preconceito, inclusive, em suas próprias aldeias –muitas vezes devido ao contato com os não-índios, com igrejas diversas, por meio da mídia. A perspectiva de que estas sexualidades eram abjetas chegou com a colonização, com a imposição de padrões ocidentais de sexo, gênero, família, pela necessidade do colonizador de se organizar o trabalho, o espaço e o tempo nas aldeias. Assim, os homens deveriam se vestir como homens, trabalhar onde os homens trabalham, ter nome de homem, e se comportar como os homens se comportam; idem com relação às mulheres. Os indígenas que não se enquadravam nesta perspectiva (r)estrita de dimorfismo sexual e heteronormatividade eram castigados –há relatos, por exemplo, de execuções, cortes de cabelo forçados, castigos físicos, etc., levados a cabo pelos colonizadores, não pelos indígenas. Neste sentido, a heteronormatividade e o preconceito são parte integrante da colonização, mas não das formas pelas quais os indígenas lidavam com essas práticas. Temos fontes que situam práticas
queer entre povos indígenas no Brasil desde, pelo menos, meados do século XVI e em diversas etnias e povos indígenas do país, sem que houvesse qualquer tipo de preconceito ou exclusão destes indivíduos em suas aldeias.

– Só há relatos de homossexualidade masculina ou feminina também?

– Tanto uma quanto outra (ainda que as fontes sejam mais frequentes no tocante ao sexo entre homens, reflexo da perspectiva viricentrada e patriarcal quase sempre assumida pelos observadores).

– Gilberto Freyre propõe que muitos dos pajés eram homossexuais. Será verdade?

– No Brasil há poucos dados sobre isso, ainda que existam. Isto talvez explique a perseguição que os homo e bissexuais sofreram ao longo da colonização. Há vários relatos na literatura que nos permitem afirmar que havia (e talvez ainda haja), entre povos ameríndios, o ponto de vista que relaciona homo/bi/transexualidade ao potencial sagrado, como mostram os Two-Spirit nos Estados Unidos e Canadá. Também há o caso dxs
Muxes, no México, que apontam não apenas para esse importante papel religioso, mas também político e social desempenhado por esses indivíduos.

– A sexualidade indígena é um assunto muito pouco estudado no Brasil. Por quê? Qual a principal dificuldade em pesquisar este campo?

– Ainda é, embora venham surgindo boas pesquisas a este respeito. Uma das hipóteses é, talvez, a própria resistência que algumas lideranças indígenas têm em tocar no assunto, por temerem o preconceito em relação às suas comunidades… Outra é a relativamente pouca penetração de ideias como as teorias queer na academia brasileira. Neste sentido, um grande desafio é trazer o queer para uma discussão mais próxima da etnologia indígena e da crítica às práticas coloniais, administrativas e políticas empregadas junto aos povos indígenas. Por outro lado, fico feliz em ver que alguns e algumas indígenas já se mobilizam em suas comunidades para pensar estas questões, inclusive trazendo estas reflexões para a própria academia –um exemplo é o texto
Sexual Modernity in Amazonia, escrito em coautoria com uma indígena Tikuna, aluna da UFAM (Universidade Federal do Amazonas).

– Os relatos dos primeiros cronistas sobre sexualidade eram sempre permeados de julgamentos e preconceitos. Há alguma exceção? Algum cronista foi mais, digamos, permissivo?

– Até onde pude observar, não há exceções… Quase sempre o enquadramento a partir do qual a sexualidade indígena é vista reflete as perspectivas e preconceitos do observador… No tocante aos missionários e cronistas é ainda mais evidente como a sexualidade era vista, junto com a poligamia e a antropofagia, como prova da necessidade de se converter –quase sempre pelo uso do medo– os indígenas.

***

Talvez a própria imagem do indígena como “inocente” ou “assexuado” tenha sido útil à Igreja para disseminar suas teorias sobre céu e inferno. A analogia com Adão e Eva era perfeita: nus, no “Paraíso”, os “inocentes” foram tentados pela serpente do “pecado”. Era preciso fazê-los sentir-se mal em relação a algo natural e convertê-los à “fé”. E assim morria, no “descobrimento”, a genuína sexualidade das Américas. Mas o pecado, Barleu tinha razão, não está mesmo em nosso DNA.

(A presença dos africanos, sobretudo das africanas, modifica a vida sexual dos colonizadores, mas apenas dos homens. Toda esta parte é razão, porém, para outro post.)















Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti






--in via tradutor do google
"There is Ecuador underside of sin," wrote Dutch Caspar Barlaeus when faced with lewdness in Recife, Pernambuco, Brazil, from the 17th century.

Did not exist. The sexual freedom of the first inhabitants of Brazil would soon be replaced by the notion of transgression, excessive modesty, the prohibitions and prejudice -a homophobia, for example, was born there. In contributing to the European sexuality beyond the Americas to introduce ourselves to blame?

All that was possible to bring here, in sexual terms, was already known among the natives: homosexuality, bisexuality, transsexuality, bigamy, polygamy. The positions also went far beyond the "Dad-and-mom" in the dark and under sheets of the colonizers: mutual masturbation, anal sex, oral, group. Sexually speaking, were the indigenous advanced and white men, early. But it was only come to church and ready: the pretext of civilizing us, destroyed millennia of indigenous knowledge about sexuality.

Even the narratives of the first chroniclers are contaminated by Puritanism of the time. In Mexico, Hernán Cortés wrote, "we were told they are all sodomites and use that abominable sin." The theme of sexuality, of course, suffered censorship by the settlers, and only recently have historians and archaeologists have presented findings in this field. Cortés was well informed: among the Maya, homosexuality was common, and a kind of childhood rite of passage into adolescence (as is, in fact, with so many men and women, veiled at all times).

"They saw in sexual pleasure a divine gift, comparable to food, the joy, the vital force and the everyday home. It was a matter of moderating the enjoyment of that present, as was done with any other property granted by the gods, "wrote anthropologist Alfredo Lopez Austin in one of the special edition of articles of Mexican Archaeology magazine about sexuality among the Maya in 2010.

The ritual masturbation was practiced by many indigenous people of Central America as a way to fertilize the land, considered "feminine". Mutual caresses were part of coitus, the man touched the private parts of the woman and the woman touched the man. Modern, no? Some people do not do it today ...

All this has been documented in stone carvings and pottery that were hidden, locked up in museum rooms to midcentury 20. A sample of pre-Columbian erotic art organized in Mexico in 1926 was relegated to a secret room for decades. Uxmal and Chichen Itzá's sculptures dedicated to the male sexual organ, whose meaning still remains a mystery. It is assumed that the giant phalluses symbolized fertility and were worshiped.

phalluses

In Peru, only in 1957 was opened the room where they were hidden pre-Columbian erotic ceramics from the National Museum of Anthropology. It went public then an impressive series of ceramics from the Moche culture, before the Incas, representing sexual acts explicitly, in positions that would make blush even today some Santana ladies reborn right tupiniquim. Some of them can be enjoyed at Larco Museum in Lima.

mochica
(Ceramics Museum Larco in Lima: oral sex ...)

mochica69
(... 69 ...)

mochicamasturbacao
(... Mutual masturbation - notice the face of them - ...)

mochicaanal
(... And anal sex)

In Protestant America repression was no different. Very egalitarian, the Cherokee society gave women put similar to those of men; they could integrate the tribal council and be warriors. Adultery was allowed to both sexes without punishment, and divorce: the woman was enough to put the belongings of the man out of the house.

There were transgender, found in more than 150 North American tribes. Called Two-Spirit ( "two spirits") or "berdaches" were men who liked to be among the women, doing the things that they did and dress like them. Or the opposite: women who liked to dress like men. The first settlers of reports about the Two-Spirit appear already in the 16th century Prejudice against them will only come later, through the influence of the white man. From there, they go to be rejected by their tribes and are marginalized.

berdache
(We-Wa a "two spirits" Zuni people of New Mexico, USA, in 1907. Photo: John K. Hillers)

In Catholic America, the "Holy" Inquisition was called to sexually suppress the natives, restraining "offenses" as bigamy or sodomy, although they were allowed practices in some indigenous cultures. Mexico says is the Indian Angel Porecu, Michoacan, punished for bigamy with a hundred lashes. In Brazil, a Federal University of Pará project tracked the cases of natural Amazon, including Indians, sent to the courts of the "Holy" Office in Lisbon for "crimes" like.

This was the case of India Florence Perpetua, 28, accused of bigamy in 1766, brought to Portugal and sentenced to prison, after which he was released and admonished to live with her first husband. Sodomy (practice anal sex) was also right to trial and punishment by the Inquisition, but only male. "Sodomy female was not the target of the Inquisition because there was no semen spill, considered sin. The male was considered bestiality, "says historian Antonio Otaviano Vieira Jr., work coordinator.

automexico
(Inquisition Tribunal in Mexico)

The order was to wear the Indian, cover what was regarded with both wonder and delight by early explorers. "Since the beginning of colonization fought against nudity and what it symbolized. The Jesuits, for example, sent seek cotton, Portugal, to wear indigenous children attending their schools. 'Send out cloth to get dressed,' asked Father Manuel da Nobrega in a letter to his superiors, "writes Mary del Priore in the book Intimate Stories. "In the eyes of the settlers, the nakedness of the Indians was similar to the animals; after all, like the beasts, he had no shame or natural modesty. Wearing it was push him away from evil and sin. The naked body was designed as focus problems harshly opposed by the Church in these times: lust, lust, sins of the flesh. After all, as he complained Anchieta priest, indigenous not denied to anyone. "

While away the man enjoyed within marriage was a shame only. "So to have sex people do not undress. The women raised their skirts or shirts and men let down their trousers and underpants. Even in the seduction process and deflowering that keep our files, we see that the lovers do not took the clothes during the act, "recalls Mary.

Sexuality of the Indians in Brazil is still little studied. There are some reports of chroniclers, such as Gabriel Soares de Souza among tupinambás in caliente Bahia 16th century "are the tupinambás so lustful that there is no sin of lust that not commit," writes Gabriel in the Treaty Description of Brazil in 1587 . According to him, the Indians not only had sex much as they liked, men and women to talk about sex shamelessly.

There was homosexuality and adultery was also allowed to women, who seduced her friends to the marriage bed. "Those who want good husbands, by contenting seek them girls that they desenfadem, which take you to the network where they sleep, where they ask them much you want to sleep with their husbands, and peitam for this; thing that makes no nation of people, but these barbarians, "notes, not without a tinge of envy, our chronicler.

Older women, in turn, "disconsidered men" tried to sexually initiate the boys: "teach them to do what they do not know." And dissatisfied with -nothing member size new under the sun- "usually put by an animal so venomous, that makes him swell soon, with what they have great pain, more than six months, that you will spending a time slot; with what makes him his pipe so misshapen thick that can not women wait. "

"The effort to prosper in strict monogamy colony had to be tremendous," wrote Gilberto Freyre in Casa Grande & Senzala. The Pernambucano, who assumed with confidence his homosexual experiences in youth, watched practices between same sex and bisexuality, which were not uncommon among Brazilian Indians nor were condemned practices. On the contrary, homosexuals were well regarded and had relevance in the community. Freyre assumes that the healer role of the tribes, not only Brazilian and the other on the continent, was aimed at gays. It is also stated that on the Two-Spirit, who would be the shamans of North America.

(The Sorcerer, John White engraving in 1585 in the Indian city of Pomeiooc, current North Carolina)
(The Sorcerer, engraving John White, in 1585, in the Indian city of Pomeiooc, current North Carolina, USA)

"As for shamans, is likely to be the kind of effeminate or inverted men that most of America's indigenous before respected and feared than despised or abhorred," argues Freyre. "One, effeminate by old age, which tends to masculinizing certain women and effeminate certain men; others, perhaps, by congenital or acquired perversion. The truth is that in the hands of individuals or bisexual bissexualizados by age resvalavam in general the powers and functions mystics, healers, shamans, counselors, among several American tribes. "

I interviewed the anthropologist Stephen Fernandes, professor at the University of Rondonia, studying indigenous homosexuality.

Socialist Morena - homosexuality among Brazilian Indians were often? Or depends on the ethnicity?

Stephen Fernandes - not just "was" as something normal. A major challenge with regard to indigenous homosexuals in various indigenous lands in the country is to break away from an image that has in Brazil that indigenous peoples are communities frozen in time. This makes indigenous sexualities which fall outside the hegemonic model are seen as "losing their culture" or "gay because of the contact with the whites", generating prejudice, even in their own villages -often due to contact with the non-Indians, with several churches, through the media. The prospect that these sexualities were abject came with colonization, with the imposition of Western standards of sex, gender, family, by colonizing the need to organize the work, the space and time in the villages. Thus, men should dress like men, work where men work, have man's name, and behave like men behave; idem with respect to women. The Indians who did not fit this perspective (r) strict sexual dimorphism and heteronormativity were punished -There are reports, for example, executions, forced haircuts, corporal punishment, etc., carried out by the settlers, not the Indians. In this sense, heteronormativity and prejudice are an integral part of colonization, but the ways in which indigenous dealing with these practices. We have sources that are situated queer practices among indigenous peoples in Brazil since at least the mid-sixteenth century and in different ethnic groups and indigenous peoples of the country, without there being any kind of prejudice or exclusion of these individuals in their villages.

- There's only male or female homosexuality accounts too?

- Both one and another (even if the sources are more frequent with respect to sex between men, reflecting the viricentrada perspective and patriarchal almost always assumed by observers).

- Gilberto Freyre suggests that many of the shamans were homosexual. Is it true?

- In Brazil there are few data on this, although there are. This may explain the persecution that homosexuals and bisexuals have suffered over the colonization. There are several reports in the literature that allow us to state that there was in (and may still be) among Amerindian peoples, the view that relates homo / bi / transsexuality to the sacred potential, as shown by the Two-Spirit in the United States and Canada. There is also the case dxs Mux, Mexico, pointing not only to this important religious role, but also political and social played by these individuals.

- Indigenous sexuality is a very understudied subject in Brazil. Because? What is the main difficulty in researching this field?

- Still is, although they are coming good research in this regard. One hypothesis is perhaps the very resistance that some indigenous leaders have to touch it for fear of prejudice in relation to their communities ... Another is the relatively low penetration of ideas as queer theories in the Brazilian academy. In this sense, a major challenge is to bring the queer for a closer discussion of ethnology and criticism of the colonial, administrative and political practices employed with the indigenous peoples. On the other hand, I am glad to see that some indigenous and some already are mobilizing their communities to think about these issues, including bringing these reflections to the academy itself -an example is the Sexual text Modernity in Amazonia, written in co-authorship with an indigenous Ticuna , student UFAM (Federal University of Amazonas).

- The reports of the first chroniclers of sexuality were always permeated judgments and prejudices. Are there any exceptions? Some chronicler was more, say, permissive?

- As far as I could see, there are no exceptions ... Almost always the framework from which the indigenous sexuality is seen reflects the views and prejudices of the observer ... As for the missionaries and chroniclers is even more evident as sexuality was seen, along with the polygamy and cannibalism, as evidence of the need to convert -almost always the use of fear-indigenous.

***

Perhaps the very image of the Indian as "innocent" or "sexless" has been helpful to the Church to spread his theories about heaven and hell. The analogy with Adam and Eve was perfect: naked, in "Paradise", the "innocent" were tempted by the serpent's "sin." It was necessary to make them feel bad about something natural and convert them to "faith." And so died in the "discovery" of the Americas genuine sexuality. But sin, Barleu was right, it is not even in our DNA.


(The presence of Africans, especially African, change the sex life of the settlers, but only men. All this part is right, however, to another post.)

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