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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Cultura brasileira - Livro: "Um defeito de cor" de na Maria Gonçalves. --- Brazilian culture - Book: "A color defect" of the Maria Gonçalves.

"Um defeito de cor" é um romance narrado por uma mulher africana que foi capturada na costa da África, na cidade de Uidá, e foi transportada em um navio negreiro para o Brasil. O primeiro destino de Kehinde foi a Bahia e a partir daí uma longa história se desenrola. 

A vida da personagem principal é recheada de bons e maus momentos, dessa forma, podemos ler no livro cenas de estupro, de violência contra os negros, de revoltas políticas, de lutas pelo fim da escravidão no Brasil, mas também podemos ler "relatos" das grandes festas católicas da Bahia, bem como grande festas africanas nas quais os deuses da África eram adorados. Luísa (nome cristão de Kehinde) passou por vários lugares do Brasil depois que conseguiu comprar a alforria dela e do seu filho, entre eles está o Rio de Janeiro, porém, após fracassar com a busca de um filho perdido, ela acaba voltando para a África e se reestabelece em Uidá iniciando uma nova fase em sua vida. 


Ana Maria Gonçalves na abertura do Festival Latinidades 2014


Enquanto viveu no Brasil, a personagem principal se envolveu muito com a cultura religiosa do seu povo, que existia clandestinamente em território cristão, e, na obra, ela narra histórias de vários orixás e dos cultos realizados para eles. Conta também o pouco que conhece da religião dos muçurimins a partir do contato que teve com eles. Ela narra todos os altos e baixos da sua vida, como foram os seus relacionamentos amorosos com homens negros e brancos, como conseguiu sobreviver quando corria perigo, como foi sua participação em uma revolta na Bahia, etc.

Há a presença de diversos outros personagens no livro, sendo algumas delas figuras históricas. Entre os personagens mais importantes para o desenvolvimento do romance figuram a Sinhá Ana Filipa e seu esposo, a Sinhazinha Maria Clara, que se tornou uma fiel amiga de Kehinde, os pretos que ela conheceu na sua primeira morada (ou senzala), Esméria, que se tornou uma mãe para Kehinde, Tico e Hilário. E mais tarde o Fatumbi, o padre, Alberto, Baba Ogumfiditimi, Banjokô (seu primogênito), Jonh e os seus outros três filhos. 

É uma narrativa longa, de 952 páginas, mas foi escrita por Ana Maria Gonçalves com maestria, simplicidade e ritmo. Peca apenas em um ponto: a história começa a ser contada por Kehinde sem estar endereçada a uma pessoa em específico, como se fosse para um grande público, mas quase na metade do romance, quando nasce o segundo filho da personagem, a narrativa passa a ser endereçada para ele, o que causa certo estranhamento até que o leitor se acostume com a mudança. 

"Um dedeito de cor" é rico em expressões de línguas africanas, em imagens, histórias, sons e espiritualidade e é um romance emocionante. A partir dele podemos ler um período da escravidão na ótica do escravizado, mostra o lado, as privações e os sentimentos dos negros oprimidos, coisa rara na literatura brasileira. Mostra também a beleza da mistura da cultura africana com a cultura do Brasil, além de criar um trânsito entre elas duas, mostra a face de um Brasil que muitos desconhecem. 

É, sem dúvida, um belo romance.




Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti

colaboração: Marcela Boni 

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