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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Museu do Diamante em Diamantina, Minas Gerais, Brasil. --- Diamond Museum in Diamantina, Minas Gerais, Brasil.

Pela visão de Rodrigo de Melo Franco de Andrade, à atuação de Juscelino Kubitschek de Oliveira organizou-se, em 1954, um dos mais significativos museus do Brasil. Constituído em grande parte por um conjunto de valor histórico e artístico dos séculos XVIII e XIX, relacionados com a mineração de diamantes e sua influência na economia e no meio social do antigo Distrito de Diamantina.







Seu significativo acervo é em sua maior parte relacionado à cultura do diamante, num tripé diamante-fé-violência, além de objetos pecuniários (bônus, cédulas, moedas e vales) e de interiores (acessórios, condicionador de temperatura, equipamentos de serviços domésticos, de iluminação, utensílios de cozinha e mesa). Este importante acervo possibilita vários tipos de leitura, tais como a análise dos aspectos formais dos objetos, a determinação dos períodos aproximados em que foram executados e o seu significado no contexto cultural.

Inegável é que o Museu do Diamante se apresenta como um dos mais importantes marcos históricos e significativos lugar da memória de Diamantina, revelando os valores referenciais da história da cidade. Além de sua função específica, como instituição de caráter público, o museu é um espaço destinado a manifestações culturais, dando ênfase a variadas e importantes atividades por parte dos diversos grupos da sociedade local.



Esta bela imagem, datada do séc. XIX, de São Francisco de Paula é a nossa peça de destaque do mês para homenagear o Mestre Aleijadinho, no momento em que se comemora 200 anos de sua morte. Essa imagem apresenta fortes indícios de pertencimento à “escola Aleijadinho”, alguns pesquisadores e visitantes ao passarem pelo museu são chamados à atenção pela sua beleza e técnica refinada. Técnica: madeira/escultura, pintura e douradura
Dimensões: 0,36 (altura)/ 0,12 (comprimento) /0,09 (largura)

Texto: Lílian Oliveira / Imagem: Divulação MD



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O Museu do Diamante foi criado juntamente com a Biblioteca Antônio Torres, em 12 de abril de 1954, através da Lei Nº 2.200, pelo Presidente Getúlio Vargas, com projeto do então Deputado Juscelino Kubitschek de Oliveira. Hoje o Museu do Diamante é administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), autarquia do Ministério da Cultura. 

Com acervo formado por objetos de estilos e tipologias diversas, o museu constitui-se importante espaço de informação e memória tanto para a população de Diamantina, quanto para os curiosos visitantes vindos de todas as partes do mundo. Entre estes objetos podemos encontrar indumentária e imaginária sacra, armaria, um vasto acervo de numismática, mineralogia, além de instrumentos utilizados no processo de mineração do ouro e diamante, que juntos compõem o quadro do que foi o processo de formação e ocupação do norte de Minas Gerais, Brasil.



Diamantina é o início da Estrada Real, antigo caminho colonial por onde passaram o ouro e o diamante responsáveis pela riqueza da coroa portuguesa. Tal estrada corta boa parte do estado de Minas e do Rio de Janeiro, terminando na cidade litorânea de Parati. 

O Museu do Diamante localizava-se à Rua da Quitanda na Casa do Muxarabi, onde hoje encontramos a Biblioteca Antônio Torres. Posteriormente foi transferido para a Rua Direita, que durante alguns anos foi chamada Rua Tiradentes. 

Sua arquitetura harmoniza-se com o entorno, onde se destacam prédios históricos como a atual prefeitura, antiga Casa da Intendência; a Catedral Metropolitana, construída nos anos de 1930 após a derrubada da antiga igreja colonial da Sé; e, a Casa do Forro Pintado (Casa do Intendente Câmara).




Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti


The Museum first opened its doors on 18 April 1881, but its origins stretch back to 1753 and the generous offer of a renowned doctor, Sir Hans Sloane.

The Museum is a world-class visitor attraction and leading science research centre.



We use our unique collections and unrivalled expertise to tackle the biggest challenges facing the world today.

We care for more than 80 million specimens spanning billions of years and welcome more than five million visitors annually.



The Museum first opened its doors on 18 April 1881, but its origins stretch back to 1753 and the generous offer of a renowned doctor, Sir Hans Sloane. 

Sloane travelled the world treating royalty and members of high society, while fulfilling his passion for collecting natural history specimens and cultural artefacts along the way. 

After his death in 1753, Sloane's will allowed Parliament to buy his extensive collection of more than 71,000 items for £20,000 - significantly less than its estimated value. 

The government agreed to purchase Sloane’s collection and then built the British Museum so these items could be displayed to the public.

In 1856 Sir Richard Owen - a brilliant natural scientist who came up with the name for dinosaurs - left his role as curator of the Hunterian Museum and took charge of the British Museum’s natural history collection.

Unhappy with the lack of space for its ever-growing collection of natural history specimens, Owen convinced the British Museum's board of trustees that a separate building was needed to house these national treasures.




An rough architectural plan drawn by Richard Owen in 1859 entitled 'Idea of a Museum of Natural History'. The plan was referred to by Alfred Waterhouse in the creation of the Natural History Museum, London.

In 1864 Francis Fowke, the architect who designed the Royal Albert Hall and parts of the Victoria and Albert Museum, won a competition to design the Natural History Museum.

When he unexpectedly died a year later, the relatively unknown Alfred Waterhouse took over and came up with a new plan for the South Kensington site.

Waterhouse used terracotta for the entire building as this material was more resistant to Victorian London's harsh climate.

The result is one of Britain’s most striking examples of Romanesque architecture, which is considered a work of art in its own right and has become one of London's most iconic landmarks.




A cathedral to nature
While the building reflects Waterhouse’s characteristic architectural style, it is also a monument to Owen’s vision of what a museum should be.

In the mid-nineteenth century, museums were expensive places visited only by the wealthy few, but Owen insisted the Natural History Museum should be free and be accessible to all.

Victorian explorers’ regularly unearthed new species of exotic animals and plants from all over the British Empire, and Owen wanted a building big enough to display these new discoveries in what he called a cathedral to nature.

Owen's foresight has allowed the Museum to display very large creatures such as whales, elephants and dinosaurs, including the beloved Diplodocus cast that has been on display at the Museum for the past 100 years.

He also demanded that the Museum be decorated with ornaments inspired by natural history. And he insisted that the specimens of extinct and living species kept apart at a time when Charles Darwin’s theory of evolution was revealing the links between them.

Along with incorporating Owen’s ideas into his plans, Waterhouse also designed an incredible series of animal and plant ornaments, statues and relief carvings throughout the entire building – with extinct species in the east wing and living species in the west.

The sculptures represent amazing creatures from nature’s diverse past, such as the ancient Great Palaeotherium and Pterodactyl, as well as present-day animals including the lion and cobra.

Waterhouse sketched every one of these sculptures in great detail, even asking Museum professors to check the scientific accuracy of his drawings, before creating the fantastic decorations that complement the Museum’s exhibitions.

Hidden treasures
High above the Museum’s main attractions there's another decorative feature that's easy to miss, unless you know where to look.

The building's gallery ceilings are adorned with intricate tiles displaying a vast array of plants from all over the world, with Hintze Hall's ceiling alone covered with 162 individual panels.

These beautifully designed tiles reflect an era when exotic plant specimens flooded into Britain, sparking public interest in botany and horticulture.

Evolution of the Museum
The Museum remained part of the British Museum until 1963, when a separate board of trustees was appointed, but it wasn't officially renamed the Natural History Museum until 1992.

In 1986, the Museum absorbed the adjacent Geological Museum of the British Geological Survey and its collection of more than 30,000 minerals. The Lasting Impressions gallery opened three years later to connect the two buildings.

The Darwin Centre opened to the public in 2009 and houses the Museum's historic collections as well as its working scientists. The centre's unique Cocoon structure displays the Museum's most important plant and insect specimen collections, and is equipped with state-of-the art research facilities used by more than 200 scientists.

Visitors can watch our scientists work in open-plan laboratories, where they study everything from the cocoa that Sloane brought back from Jamaica in the seventeenth century to malaria-carrying mosquitoes collected in 2008.


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Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti

colaboração:  Claudia Porto


--br via tradutor google

O Museu é uma atração do visitante de classe mundial e centro de pesquisa líder da ciência.


Usamos nossas coleções exclusivas e experiência inigualável para enfrentar os maiores desafios que o mundo enfrenta hoje.

Cuidamos de mais de 80 milhões de espécimes abrangendo milhares de milhões de anos, e receber mais de cinco milhões de visitantes anualmente.

O Museu abriu as suas portas em 18 de abril de 1881, mas as suas origens remontam a 1753 ea oferta generosa de um médico de renome, Sir Hans Sloane.

Sloane viajou o mundo tratar realeza e membros da alta sociedade, ao mesmo tempo cumprindo sua paixão por colecionar espécimes de história natural e artefatos culturais ao longo do caminho.

Após sua morte em 1753, a vontade de Sloane permitido Parlamento para comprar sua extensa coleção de mais de 71.000 itens para £ 20.000 - significativamente menos do que seu valor estimado.

O governo concordou em comprar a coleção de Sloane e depois construiu o Museu Britânico, para que esses itens podem ser exibidos ao público.

Em 1856, Sir Richard Owen - um brilhante cientista natural que surgiu com o nome de dinossauros - deixou seu papel como curador do Museu Hunterian e assumiu o comando da coleção de história natural do Museu Britânico.

Insatisfeito com a falta de espaço para a sua coleção cada vez maior de espécimes de história natural, Owen convenceu a diretoria do Museu Britânico de curadores que um edifício separado foi necessárias para abrigar estes tesouros nacionais.

Um plano arquitetônico áspera desenhada por Richard Owen, em 1859, intitulada "ideia de um Museu de História Natural '. O plano foi referido por Alfred Waterhouse na criação do Museu de História Natural, em Londres.

Em 1864, Francis Fowke, o arquiteto que projetou o Royal Albert Hall e partes do Victoria and Albert Museum, ganhou uma competição para projetar o Museu de História Natural.

Quando inesperadamente morreu um ano depois, o relativamente desconhecido Alfred Waterhouse assumiu e surgiu com um novo plano para o site da South Kensington.

Waterhouse usado terracota para todo o edifício como este material foi mais resistente ao clima rigoroso vitoriana de Londres.

O resultado é um dos exemplos mais marcantes da Grã-Bretanha da arquitetura românica, que é considerado uma obra de arte em seu próprio direito e se tornou um dos marcos mais emblemáticos de Londres.

A catedral da natureza
Enquanto o edifício reflete o estilo arquitectónico típico do Waterhouse, também é um monumento à visão de Owen do que um museu deve ser.

Em meados do século XIX, os museus eram caros lugares visitados apenas por uns poucos ricos, mas Owen insistiu o Museu de História Natural deve ser livre e ser acessível a todos.

exploradores vitorianos 'desenterrados regularmente novas espécies de animais e plantas exóticas de todo o Império Britânico, e Owen queria um edifício grande o suficiente para exibir essas novas descobertas no que ele chamou de uma catedral com a natureza.

previsão de Owen tem permitido o Museu de exibir muito grandes criaturas como baleias, elefantes e dinossauros, incluindo o elenco Diplodocus amado que foi em exposição no Museu durante os últimos 100 anos.

Ele também exigiu que o Museu ser decorada com ornamentos inspirados pela história natural. E ele insistiu que os espécimes de espécies extintas e que vivem mantidos separados numa altura em que a teoria da evolução de Charles Darwin estava revelando as ligações entre eles.

Junto com incorporando idéias de Owen em seus planos, Waterhouse também desenhou uma incrível série de ornamentos de animais e plantas, estátuas e relevos em todo o edifício - com espécies extintas na ala leste e espécies que vivem no Ocidente.

As esculturas representam criaturas incríveis do passado diversificada da natureza, como o antigo Grande Palaeotherium e Pterodactyl, bem como animais de hoje, incluindo o leão e cobra.

Waterhouse esboçou cada uma dessas esculturas em grande detalhe, mesmo pedindo professores Museu de verificar a precisão científica de seus desenhos, antes de criar as decorações fantásticas que complementam exposições do Museu.

Tesouros escondidos
Bem acima principais atrações do museu há uma outra característica decorativa que é fácil de perder, se você não sabe para onde olhar.

galeria tectos do edifício são decorados com azulejos intrincados exibindo uma vasta gama de plantas de todo o mundo, com teto de Hintze Salão sozinho coberto com 162 painéis individuais.

Estas telhas belamente projetadas refletem uma era em que espécimes de plantas exóticas invadiram a Grã-Bretanha, o que provocou o interesse público em botânica e horticultura.

Evolução do Museu
O Museu continuou a fazer parte do Museu Britânico até 1963, quando uma placa separada de curadores foi nomeado, mas não foi oficialmente rebatizado de Museu de História Natural até 1992.

Em 1986, o Museu absorveu o adjacente Museu Geológico da British Geological Survey e sua coleção de mais de 30.000 minerais. A galeria impressões duradouras abriu três anos mais tarde para conectar os dois edifícios.

O Centro de Darwin abriu ao público em 2009 e abriga coleções históricas do museu, bem como seus cientistas que trabalham. estrutura Cocoon única do centro exibe mais importantes coleções de plantas e de insetos espécimes do Museu, e está equipado com instalações de pesquisa state-of-the art utilizados por mais de 200 cientistas.

Os visitantes podem observar os nossos cientistas trabalham em laboratórios de plano aberto, onde estudam tudo, desde o cacau que Sloane trazido de volta da Jamaica no século XVII para mosquitos portadores de malária coletados em 2008.

No Peru, em 1957 foi aberta a sala onde ficavam escondidas as cerâmicas eróticas pré-colombianas do Museu Nacional de Antropologia.

Tudo isso foi documentado em esculturas em pedra e cerâmica que ficaram escondidas, trancafiadas em salas de museu até a metade do século 20. Uma mostra de arte erótica pré-colombiana organizada no México em 1926 foi relegada a um salão secreto durante décadas. 


Em Uxmal e Chichen Itzá há esculturas dedicadas ao órgão sexual masculino, cujo significado ainda permanece um mistério. Supõe-se que os falos gigantescos simbolizavam a fertilidade e eram objeto de culto.


No Peru, só em 1957 foi aberta a sala onde ficavam escondidas as cerâmicas eróticas pré-colombianas do Museu Nacional de Antropologia. Veio a público então uma impressionante série de cerâmicas da cultura mochica, anterior aos incas, representando atos sexuais de forma explícita, em posições que fariam corar ainda hoje em dia algumas senhoras de Santana da renascida direita tupiniquim. Algumas delas podem ser apreciadas no 
Museu Larco, em Lima.



(Cerâmicas do museu Larco, em Lima: sexo oral…)



 (…69…)




(…masturbação mútua – reparem na carinha deles -…)




(…e sexo anal)


Na América protestante a repressão não foi diferente. Muito igualitária, a sociedade Cherokee dava às mulheres postos semelhantes aos dos homens; elas podiam integrar o conselho da tribo e ser guerreiras. O adultério era permitido a ambos os sexos, sem punição, assim como o divórcio: bastava a mulher colocar os pertences do homem para fora da casa.

Havia ainda os transgêneros, encontrados em mais de 150 tribos norte-americanas. Chamados de Two-Spirit (“dois espíritos”) ou “berdaches”, eram homens que gostavam de estar entre as mulheres, fazer as coisas que elas faziam e vestir-se como elas. Ou o contrário: mulheres que gostavam de se vestir como homens. Os primeiros relatos de colonizadores sobre os Two-Spirit aparecem já no século 16. O preconceito contra eles só vai surgir mais tarde, por influência do homem branco. A partir daí, eles passam a ser rejeitados por suas tribos e são marginalizados.



(We-Wa, uma “dois espíritos” do povo Zuni,
do Novo México, EUA, em 1907. Foto: John K. Hillers)


Na América católica, a “Santa” Inquisição foi convocada para reprimir sexualmente os nativos, coibindo “delitos” como a bigamia ou a sodomia, embora fossem práticas permitidas em algumas culturas indígenas. No México, conta-se do índio Ángel Porecu, de Michoacán, punido por bigamia com cem chibatadas. No Brasil, um projeto da
Universidade Federal do Pará rastreou os casos de naturais da Amazônia, entre eles indígenas, enviados aos tribunais do “Santo” Ofício em Lisboa por “crimes” similares.

Foi o caso da índia Florência Perpétua, de 28 anos, acusada de bigamia em 1766, levada a Portugal e condenada à prisão, após a qual foi solta e admoestada a viver com o primeiro marido. A sodomia (prática de sexo anal) também era razão para julgamento e punição pela Inquisição, mas apenas a masculina. “A sodomia feminina não era alvo da Inquisição porque não havia o derramamento de sêmen, considerado pecado. A masculina era considerada bestialismo”, explica o historiador Antonio Otaviano Vieira Jr., coordenador do trabalho.



(Tribunal da Inquisição no México)

A ordem era vestir as índias, cobrir o que foi olhado com tanto espanto e deleite pelos primeiros exploradores. “Desde o início da colonização lutou-se contra a nudez e aquilo que ela simbolizava. Os padres jesuítas, por exemplo, mandavam buscar tecidos de algodão, em Portugal, para vestir as crianças indígenas que frequentavam suas escolas. ‘Mandem pano para que se vistam’, pedia padre Manuel da Nóbrega em carta a seus superiores”, escreve Mary del Priore no livro
Histórias Íntimas. “Aos olhos dos colonizadores, a nudez do índio era semelhante à dos animais; afinal, como as bestas, ele não tinha vergonha ou pudor natural. Vesti-lo era afastá-lo do mal e do pecado. O corpo nu era concebido como foco de problemas duramente combatidos pela Igreja nesses tempos: a luxúria, a lascívia, os pecados da carne. Afinal, como se queixava padre Anchieta, as indígenas não se negavam a ninguém.”

Enquanto fora de casa o homem se divertia, dentro do casamento era um pudor só. “Até para ter relações sexuais as pessoas não se despiam. As mulheres levantavam as saias ou as camisas e os homens abaixavam as calças e ceroulas. Mesmo nos processos de sedução e defloramento que guardam nossos arquivos, vê-se que os amantes não tiravam a roupa durante o ato”, lembra Mary.

A sexualidade dos índios no Brasil é ainda hoje pouco estudada. Há alguns relatos de cronistas, como o de Gabriel Soares de Sousa entre os tupinambás, na caliente Bahia do século 16. “São os tupinambás tão luxuriosos que não há pecado de luxúria que não cometam”, escreve Gabriel no
Tratado Descritivo do Brasil em 1587. Segundo ele, os índios não só transavam muito como gostavam, homens e mulheres, de falar sobre sexo desavergonhadamente.

Havia homossexualidade e o adultério era permitido também às mulheres, que seduziam amigas para o leito conjugal. “As que querem bem aos maridos, pelos contentarem, buscam-lhes moças com que eles se desenfadem, as quais lhe levam à rede onde dormem, onde lhes pedem muito que se queira deitar com os maridos, e as peitam para isso; cousa que não faz nenhuma nação de gente, senão estes bárbaros”, constata, não sem uma pontinha de inveja, nosso cronista.

As mulheres mais velhas, por sua vez, “desestimadas dos homens”, tratavam de iniciar sexualmente os meninos: “ensinam-lhes a fazer o que eles não sabem”. E os insatisfeitos com o tamanho do membro –nada de novo sob o sol– “costumam pôr o pelo de um bicho tão peçonhento, que lho faz logo inchar, com o que têm grandes dores, mais de seis meses, que se lhe vão gastando por espaço de tempo; com o que se lhe faz o seu cano tão disforme de grosso que os não podem as mulheres esperar”.

“O esforço no sentido de fazer prosperar na colônia estrita monogamia teve que ser tremendo”, escreveu Gilberto Freyre em
Casa Grande & Senzala. O pernambucano, que assumia com tranquilidade suas experiências homossexuais na juventude, prestou atenção nas práticas entre o mesmo sexo e na bissexualidade, que não eram incomuns entre os indígenas brasileiros e tampouco eram práticas condenadas. Pelo contrário, os homossexuais eram bem-vistos e tinham relevância na comunidade. Freyre supõe que a função de curandeiro das tribos, não só brasileiras como as demais do continente, fosse destinada aos gays. Também se afirma isso sobre os Two-Spirit, que seriam os xamãs da América do Norte.


(O Feiticeiro, gravura de John White, 
em 1585, na cidade indígena de Pomeiooc, 
atual Carolina do Norte, EUA)


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“Não existe pecado do lado de baixo do Equador”, escreveu o holandês Gaspar Barleu ao se deparar com a libidinagem no Recife do século 17.

Não EXISTIA. A liberdade sexual dos primeiros moradores do Brasil seria logo substituída pela noção de transgressão, pelo pudor excessivo, pelas proibições e pelo preconceito –a homofobia, por exemplo, nascia ali. Em que contribuíram os europeus para a sexualidade das Américas além de nos apresentar à culpa?

Tudo o que era possível trazer para cá, em termos sexuais, já era conhecido entre os nativos: homossexualidade, bissexualidade, transexualidade, bigamia, poligamia. As posições também iam muito além do “papai-e-mamãe” no escuro e sob lençóis dos colonizadores: masturbação mútua, sexo anal, oral, grupal. Sexualmente falando, eram os indígenas os avançados e os homens brancos, os primitivos. Mas foi só chegar a igreja e pronto: a pretexto de civilizar-nos, destruíram milênios de conhecimento autóctone sobre a sexualidade.

As próprias narrativas dos primeiros cronistas são contaminadas pelo puritanismo da época. No México, Hernán Cortés escreveu: “fomos informados de que são todos sodomitas e usam aquele abominável pecado”. O tema da sexualidade, é claro, sofreu censura por parte dos colonizadores, e só recentemente historiadores e arqueólogos têm apresentado descobertas neste campo. Cortés estava bem informado: entre os maias, a homossexualidade era frequente, e uma espécie de rito de passagem da infância para a adolescência (como ocorre, aliás, com tantos homens e mulheres, de forma velada, em todos os tempos).


(Índios vestidos de Jean-Baptiste Debret em Santa Catarina, 1834)


“Viam no prazer sexual um dom divino, equiparável ao alimento, à alegria, ao vigor vital e ao repouso cotidiano. Era questão de moderar o desfrute daquele presente, como se fazia com qualquer outro bem concedido pelos deuses”, escreveu o antropólogo Alfredo López Austin em um dos artigos da edição especial da revista 
Arqueologia Mexicana sobre sexualidade entre os maias, em 2010.

A masturbação ritual era praticada por muitos indígenas da América Central como uma maneira de fecundar a terra, considerada “feminina”. As carícias mútuas faziam parte do coito: o homem tocava as partes íntimas da mulher e a mulher tocava o homem. Moderno, não? Tem gente que não faz isso até hoje…



“Quanto aos pajés, é provável que fossem daquele tipo de homens efeminados ou invertidos que a maior parte dos indígenas da América antes respeitavam e temiam do que desprezavam ou abominavam”, defende Freyre. “Uns, efeminados pela idade avançada, que tende a masculinizar certas mulheres e a efeminar certos homens; outros, talvez, por perversão congênita ou adquirida. A verdade é que para as mãos de indivíduos bissexuais ou bissexualizados pela idade resvalavam em geral os poderes e funções de místicos, de curandeiros, pajés, conselheiros, entre várias tribos americanas.”

Entrevistei o antropólogo Estevão Fernandes, professor da Universidade de Rondônia, que estuda a homossexualidade indígena.

Socialista Morena – Era frequente a homossexualidade entre os índios brasileiros? Ou depende da etnia?

Estevão Fernandes – Não apenas “era”, como é, algo normal. Um grande desafio no tocante aos indígenas homossexuais em várias terras indígenas do País é o de romperem com uma imagem que se tem, no Brasil, de que os povos indígenas sejam coletividades paradas no tempo. Isso faz com que indígenas cujas sexualidades não se enquadram no modelo hegemônico sejam vistos como “perdendo sua cultura” ou “gays por causa do contato com os brancos”, gerando preconceito, inclusive, em suas próprias aldeias –muitas vezes devido ao contato com os não-índios, com igrejas diversas, por meio da mídia. A perspectiva de que estas sexualidades eram abjetas chegou com a colonização, com a imposição de padrões ocidentais de sexo, gênero, família, pela necessidade do colonizador de se organizar o trabalho, o espaço e o tempo nas aldeias. Assim, os homens deveriam se vestir como homens, trabalhar onde os homens trabalham, ter nome de homem, e se comportar como os homens se comportam; idem com relação às mulheres. Os indígenas que não se enquadravam nesta perspectiva (r)estrita de dimorfismo sexual e heteronormatividade eram castigados –há relatos, por exemplo, de execuções, cortes de cabelo forçados, castigos físicos, etc., levados a cabo pelos colonizadores, não pelos indígenas. Neste sentido, a heteronormatividade e o preconceito são parte integrante da colonização, mas não das formas pelas quais os indígenas lidavam com essas práticas. Temos fontes que situam práticas
queer entre povos indígenas no Brasil desde, pelo menos, meados do século XVI e em diversas etnias e povos indígenas do país, sem que houvesse qualquer tipo de preconceito ou exclusão destes indivíduos em suas aldeias.

– Só há relatos de homossexualidade masculina ou feminina também?

– Tanto uma quanto outra (ainda que as fontes sejam mais frequentes no tocante ao sexo entre homens, reflexo da perspectiva viricentrada e patriarcal quase sempre assumida pelos observadores).

– Gilberto Freyre propõe que muitos dos pajés eram homossexuais. Será verdade?

– No Brasil há poucos dados sobre isso, ainda que existam. Isto talvez explique a perseguição que os homo e bissexuais sofreram ao longo da colonização. Há vários relatos na literatura que nos permitem afirmar que havia (e talvez ainda haja), entre povos ameríndios, o ponto de vista que relaciona homo/bi/transexualidade ao potencial sagrado, como mostram os Two-Spirit nos Estados Unidos e Canadá. Também há o caso dxs
Muxes, no México, que apontam não apenas para esse importante papel religioso, mas também político e social desempenhado por esses indivíduos.

– A sexualidade indígena é um assunto muito pouco estudado no Brasil. Por quê? Qual a principal dificuldade em pesquisar este campo?

– Ainda é, embora venham surgindo boas pesquisas a este respeito. Uma das hipóteses é, talvez, a própria resistência que algumas lideranças indígenas têm em tocar no assunto, por temerem o preconceito em relação às suas comunidades… Outra é a relativamente pouca penetração de ideias como as teorias queer na academia brasileira. Neste sentido, um grande desafio é trazer o queer para uma discussão mais próxima da etnologia indígena e da crítica às práticas coloniais, administrativas e políticas empregadas junto aos povos indígenas. Por outro lado, fico feliz em ver que alguns e algumas indígenas já se mobilizam em suas comunidades para pensar estas questões, inclusive trazendo estas reflexões para a própria academia –um exemplo é o texto
Sexual Modernity in Amazonia, escrito em coautoria com uma indígena Tikuna, aluna da UFAM (Universidade Federal do Amazonas).

– Os relatos dos primeiros cronistas sobre sexualidade eram sempre permeados de julgamentos e preconceitos. Há alguma exceção? Algum cronista foi mais, digamos, permissivo?

– Até onde pude observar, não há exceções… Quase sempre o enquadramento a partir do qual a sexualidade indígena é vista reflete as perspectivas e preconceitos do observador… No tocante aos missionários e cronistas é ainda mais evidente como a sexualidade era vista, junto com a poligamia e a antropofagia, como prova da necessidade de se converter –quase sempre pelo uso do medo– os indígenas.

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Talvez a própria imagem do indígena como “inocente” ou “assexuado” tenha sido útil à Igreja para disseminar suas teorias sobre céu e inferno. A analogia com Adão e Eva era perfeita: nus, no “Paraíso”, os “inocentes” foram tentados pela serpente do “pecado”. Era preciso fazê-los sentir-se mal em relação a algo natural e convertê-los à “fé”. E assim morria, no “descobrimento”, a genuína sexualidade das Américas. Mas o pecado, Barleu tinha razão, não está mesmo em nosso DNA.

(A presença dos africanos, sobretudo das africanas, modifica a vida sexual dos colonizadores, mas apenas dos homens. Toda esta parte é razão, porém, para outro post.)















Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti






--in via tradutor do google
"There is Ecuador underside of sin," wrote Dutch Caspar Barlaeus when faced with lewdness in Recife, Pernambuco, Brazil, from the 17th century.

Did not exist. The sexual freedom of the first inhabitants of Brazil would soon be replaced by the notion of transgression, excessive modesty, the prohibitions and prejudice -a homophobia, for example, was born there. In contributing to the European sexuality beyond the Americas to introduce ourselves to blame?

All that was possible to bring here, in sexual terms, was already known among the natives: homosexuality, bisexuality, transsexuality, bigamy, polygamy. The positions also went far beyond the "Dad-and-mom" in the dark and under sheets of the colonizers: mutual masturbation, anal sex, oral, group. Sexually speaking, were the indigenous advanced and white men, early. But it was only come to church and ready: the pretext of civilizing us, destroyed millennia of indigenous knowledge about sexuality.

Even the narratives of the first chroniclers are contaminated by Puritanism of the time. In Mexico, Hernán Cortés wrote, "we were told they are all sodomites and use that abominable sin." The theme of sexuality, of course, suffered censorship by the settlers, and only recently have historians and archaeologists have presented findings in this field. Cortés was well informed: among the Maya, homosexuality was common, and a kind of childhood rite of passage into adolescence (as is, in fact, with so many men and women, veiled at all times).

"They saw in sexual pleasure a divine gift, comparable to food, the joy, the vital force and the everyday home. It was a matter of moderating the enjoyment of that present, as was done with any other property granted by the gods, "wrote anthropologist Alfredo Lopez Austin in one of the special edition of articles of Mexican Archaeology magazine about sexuality among the Maya in 2010.

The ritual masturbation was practiced by many indigenous people of Central America as a way to fertilize the land, considered "feminine". Mutual caresses were part of coitus, the man touched the private parts of the woman and the woman touched the man. Modern, no? Some people do not do it today ...

All this has been documented in stone carvings and pottery that were hidden, locked up in museum rooms to midcentury 20. A sample of pre-Columbian erotic art organized in Mexico in 1926 was relegated to a secret room for decades. Uxmal and Chichen Itzá's sculptures dedicated to the male sexual organ, whose meaning still remains a mystery. It is assumed that the giant phalluses symbolized fertility and were worshiped.

phalluses

In Peru, only in 1957 was opened the room where they were hidden pre-Columbian erotic ceramics from the National Museum of Anthropology. It went public then an impressive series of ceramics from the Moche culture, before the Incas, representing sexual acts explicitly, in positions that would make blush even today some Santana ladies reborn right tupiniquim. Some of them can be enjoyed at Larco Museum in Lima.

mochica
(Ceramics Museum Larco in Lima: oral sex ...)

mochica69
(... 69 ...)

mochicamasturbacao
(... Mutual masturbation - notice the face of them - ...)

mochicaanal
(... And anal sex)

In Protestant America repression was no different. Very egalitarian, the Cherokee society gave women put similar to those of men; they could integrate the tribal council and be warriors. Adultery was allowed to both sexes without punishment, and divorce: the woman was enough to put the belongings of the man out of the house.

There were transgender, found in more than 150 North American tribes. Called Two-Spirit ( "two spirits") or "berdaches" were men who liked to be among the women, doing the things that they did and dress like them. Or the opposite: women who liked to dress like men. The first settlers of reports about the Two-Spirit appear already in the 16th century Prejudice against them will only come later, through the influence of the white man. From there, they go to be rejected by their tribes and are marginalized.

berdache
(We-Wa a "two spirits" Zuni people of New Mexico, USA, in 1907. Photo: John K. Hillers)

In Catholic America, the "Holy" Inquisition was called to sexually suppress the natives, restraining "offenses" as bigamy or sodomy, although they were allowed practices in some indigenous cultures. Mexico says is the Indian Angel Porecu, Michoacan, punished for bigamy with a hundred lashes. In Brazil, a Federal University of Pará project tracked the cases of natural Amazon, including Indians, sent to the courts of the "Holy" Office in Lisbon for "crimes" like.

This was the case of India Florence Perpetua, 28, accused of bigamy in 1766, brought to Portugal and sentenced to prison, after which he was released and admonished to live with her first husband. Sodomy (practice anal sex) was also right to trial and punishment by the Inquisition, but only male. "Sodomy female was not the target of the Inquisition because there was no semen spill, considered sin. The male was considered bestiality, "says historian Antonio Otaviano Vieira Jr., work coordinator.

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(Inquisition Tribunal in Mexico)

The order was to wear the Indian, cover what was regarded with both wonder and delight by early explorers. "Since the beginning of colonization fought against nudity and what it symbolized. The Jesuits, for example, sent seek cotton, Portugal, to wear indigenous children attending their schools. 'Send out cloth to get dressed,' asked Father Manuel da Nobrega in a letter to his superiors, "writes Mary del Priore in the book Intimate Stories. "In the eyes of the settlers, the nakedness of the Indians was similar to the animals; after all, like the beasts, he had no shame or natural modesty. Wearing it was push him away from evil and sin. The naked body was designed as focus problems harshly opposed by the Church in these times: lust, lust, sins of the flesh. After all, as he complained Anchieta priest, indigenous not denied to anyone. "

While away the man enjoyed within marriage was a shame only. "So to have sex people do not undress. The women raised their skirts or shirts and men let down their trousers and underpants. Even in the seduction process and deflowering that keep our files, we see that the lovers do not took the clothes during the act, "recalls Mary.

Sexuality of the Indians in Brazil is still little studied. There are some reports of chroniclers, such as Gabriel Soares de Souza among tupinambás in caliente Bahia 16th century "are the tupinambás so lustful that there is no sin of lust that not commit," writes Gabriel in the Treaty Description of Brazil in 1587 . According to him, the Indians not only had sex much as they liked, men and women to talk about sex shamelessly.

There was homosexuality and adultery was also allowed to women, who seduced her friends to the marriage bed. "Those who want good husbands, by contenting seek them girls that they desenfadem, which take you to the network where they sleep, where they ask them much you want to sleep with their husbands, and peitam for this; thing that makes no nation of people, but these barbarians, "notes, not without a tinge of envy, our chronicler.

Older women, in turn, "disconsidered men" tried to sexually initiate the boys: "teach them to do what they do not know." And dissatisfied with -nothing member size new under the sun- "usually put by an animal so venomous, that makes him swell soon, with what they have great pain, more than six months, that you will spending a time slot; with what makes him his pipe so misshapen thick that can not women wait. "

"The effort to prosper in strict monogamy colony had to be tremendous," wrote Gilberto Freyre in Casa Grande & Senzala. The Pernambucano, who assumed with confidence his homosexual experiences in youth, watched practices between same sex and bisexuality, which were not uncommon among Brazilian Indians nor were condemned practices. On the contrary, homosexuals were well regarded and had relevance in the community. Freyre assumes that the healer role of the tribes, not only Brazilian and the other on the continent, was aimed at gays. It is also stated that on the Two-Spirit, who would be the shamans of North America.

(The Sorcerer, John White engraving in 1585 in the Indian city of Pomeiooc, current North Carolina)
(The Sorcerer, engraving John White, in 1585, in the Indian city of Pomeiooc, current North Carolina, USA)

"As for shamans, is likely to be the kind of effeminate or inverted men that most of America's indigenous before respected and feared than despised or abhorred," argues Freyre. "One, effeminate by old age, which tends to masculinizing certain women and effeminate certain men; others, perhaps, by congenital or acquired perversion. The truth is that in the hands of individuals or bisexual bissexualizados by age resvalavam in general the powers and functions mystics, healers, shamans, counselors, among several American tribes. "

I interviewed the anthropologist Stephen Fernandes, professor at the University of Rondonia, studying indigenous homosexuality.

Socialist Morena - homosexuality among Brazilian Indians were often? Or depends on the ethnicity?

Stephen Fernandes - not just "was" as something normal. A major challenge with regard to indigenous homosexuals in various indigenous lands in the country is to break away from an image that has in Brazil that indigenous peoples are communities frozen in time. This makes indigenous sexualities which fall outside the hegemonic model are seen as "losing their culture" or "gay because of the contact with the whites", generating prejudice, even in their own villages -often due to contact with the non-Indians, with several churches, through the media. The prospect that these sexualities were abject came with colonization, with the imposition of Western standards of sex, gender, family, by colonizing the need to organize the work, the space and time in the villages. Thus, men should dress like men, work where men work, have man's name, and behave like men behave; idem with respect to women. The Indians who did not fit this perspective (r) strict sexual dimorphism and heteronormativity were punished -There are reports, for example, executions, forced haircuts, corporal punishment, etc., carried out by the settlers, not the Indians. In this sense, heteronormativity and prejudice are an integral part of colonization, but the ways in which indigenous dealing with these practices. We have sources that are situated queer practices among indigenous peoples in Brazil since at least the mid-sixteenth century and in different ethnic groups and indigenous peoples of the country, without there being any kind of prejudice or exclusion of these individuals in their villages.

- There's only male or female homosexuality accounts too?

- Both one and another (even if the sources are more frequent with respect to sex between men, reflecting the viricentrada perspective and patriarchal almost always assumed by observers).

- Gilberto Freyre suggests that many of the shamans were homosexual. Is it true?

- In Brazil there are few data on this, although there are. This may explain the persecution that homosexuals and bisexuals have suffered over the colonization. There are several reports in the literature that allow us to state that there was in (and may still be) among Amerindian peoples, the view that relates homo / bi / transsexuality to the sacred potential, as shown by the Two-Spirit in the United States and Canada. There is also the case dxs Mux, Mexico, pointing not only to this important religious role, but also political and social played by these individuals.

- Indigenous sexuality is a very understudied subject in Brazil. Because? What is the main difficulty in researching this field?

- Still is, although they are coming good research in this regard. One hypothesis is perhaps the very resistance that some indigenous leaders have to touch it for fear of prejudice in relation to their communities ... Another is the relatively low penetration of ideas as queer theories in the Brazilian academy. In this sense, a major challenge is to bring the queer for a closer discussion of ethnology and criticism of the colonial, administrative and political practices employed with the indigenous peoples. On the other hand, I am glad to see that some indigenous and some already are mobilizing their communities to think about these issues, including bringing these reflections to the academy itself -an example is the Sexual text Modernity in Amazonia, written in co-authorship with an indigenous Ticuna , student UFAM (Federal University of Amazonas).

- The reports of the first chroniclers of sexuality were always permeated judgments and prejudices. Are there any exceptions? Some chronicler was more, say, permissive?

- As far as I could see, there are no exceptions ... Almost always the framework from which the indigenous sexuality is seen reflects the views and prejudices of the observer ... As for the missionaries and chroniclers is even more evident as sexuality was seen, along with the polygamy and cannibalism, as evidence of the need to convert -almost always the use of fear-indigenous.

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Perhaps the very image of the Indian as "innocent" or "sexless" has been helpful to the Church to spread his theories about heaven and hell. The analogy with Adam and Eve was perfect: naked, in "Paradise", the "innocent" were tempted by the serpent's "sin." It was necessary to make them feel bad about something natural and convert them to "faith." And so died in the "discovery" of the Americas genuine sexuality. But sin, Barleu was right, it is not even in our DNA.


(The presence of Africans, especially African, change the sex life of the settlers, but only men. All this part is right, however, to another post.)
“Items: Is Fashion Modern?”, a anunciada exposição do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, vai reunir no mesmo evento o papel das sapatilhas Nike, dos jeans Levi’s 501, das botas Dr. Martens e do relógio Casio como baluartes da moda dos séculos XX e XXI – assinalando ainda a entrada do MoMA naquele universo criativo.


Apesar da recente popularidade das exposições de moda – que têm trazido aos museus números recordes de visitantes –, caso de “Alexander McQueen: Savage Beauty” e “China: Through the Looking Glass”, há uma instituição que tem evitado dissecar o contributo histórico e social deste campo do design: o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA, na sigla original).


«Historicamente, o museu escolheu de forma deliberada não envolver a moda nas suas galerias ou repositórios, ciente dos termos antimodernos com os quais ela é muitas vezes ridicularizada: efémera, sazonal, passageira», escreveu a curadora de Arquitetura e Design do MoMA, Paola Antonelli, numa publicação online na passada semana.

A i-D recorda, porém, que, no ano passado, as coleções de arquivo de Hussein Chalayan e Eckhaus Latta foram incorporadas em mostras do museu.

Não obstante as declarações de Antonelli, o MoMA irá explorar os meandros do design de moda na exibição “Items: Is Fashion Modern?”, que abre portas apenas em dezembro de 2017, mas está já a marcar a atualidade dos portais da especialidade.


A exposição vai confrontar o passado, presente e futuro de 99 artigos de moda – desde os icónicos jeans 501 da Levi’s às intemporais botas Dr. Martens – através de diferentes prismas sociopolíticos.

“Items: Is Fashion Modern?” irá analisar o impacto desses marcadores em três camadas: arquétipo (os materiais contextuais que traçaram o seu desenvolvimento ao longo da história), estereótipo (a encarnação mais representativa do significado do item) e, em alguns casos, o protótipo (uma nova abordagem recolhida em investigações externas do museu).

«Por exemplo», escreveu Antonelli, «se o vestido envelope de 1974 de Diane von Furstenberg representa o estereótipo desta forma de design no século XX, “Itens” voltará atrás no tempo através de exemplos como o “Taxi Dress” de Charles James, em 1932, até ao arquétipo do quimono».

E, se no decurso das investigações externas da mostra, surgir uma nova abordagem, à peça, «identificada como potencial repositório de transformação tecnológica, formal, económica ou social», o museu passará a incorporá-la na exposição.

Apesar de a inauguração da exibição estar agendada para o final de 2017, nos próximos dias 15 e 16 de maio, o MoMA vai acolher um evento – que reunirá designers-chave, curadores, críticos, académicos, ativistas e empresários – para marcar o arranque das investigações externas que motivarão parte da mostra.

Segundo Paola Antonelli, o evento vai abrir com um debate que procura perceber em que medida os designs moldam os utilizadores e o ambiente onde estes estão inseridos.

Seguir-se-á depois um “abecedário”, no qual 26 peças icónicas de vestuário – uma para cada letra do alfabeto – serão examinadas em apresentações de sete minutos, começando com “Air” em Tinker Hatfield, reputado designer de calçado desportivo e vice-presidente de conceitos criativos na Nike.

O fundador da Pyer Moss, Kerby Jean Raymond, irá juntar-se ao ativista DeRay McKesson para discutir a letra “H” para “Hoodie” (ver Das ruas para a alta). E a designer Mary Ping, da Slow and Steady Wins the Race, e a consultora de sustentabilidade Carmen Artigas vão considerar as questões de trabalho, género e economia em “R” para “Rana Plaza”. Este “abecedário” será transmitido em direto no website do MoMA.

Guiada sobretudo por objetos, e não por designers, “Items: Is Fashion Modern” conflui numa consideração sobre as «muitas relações entre forma e funcionalidade, etiquetas culturais, estética, política, trabalho, identidades, economias e tecnologia».






Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti