domingo, 22 de maio de 2016

Mahmoud Abbas inaugure le musée palestinien encore vide de toute oeuvre d'art.

Le président de l'Autorité palestinienne s'est rendu mercredi en Cisjordanie afin d'inaugurer le musée palestinien qui accueillera ses premières collections à partir d'octobre prochain.



Un musée sans oeuvres d'art. Non, ce n'est pas la nouvelle extravagance d'un artiste un peu loufoque mais la triste réalité qui touche le musée palestinien.


Le président Mahmoud Abbas lors de l'inauguration du musée palestinien, le 18 mai 2016. - ABBAS MOMANI - AFP


ABBAS MOMANI - AFP - Photo du musée palestinien, prise à Bir Zeit le 18 mai 2016.
Des dissensions internes

Tout juste inaugurée dans la ville universitaire de Beir Zeit, en Cisjordanie, par le président de l'Autorité palestinienne Mahmoud Abbas, la galerie créée pour "préserver la mémoire du peuple palestinien" ne présentera ses premières expositions qu'à partir du mois d'octobre, en raison de dissensions internes.


Au cours des derniers mois, le directeur du musée ainsi que certains autres responsables auraient décidé de claquer la porte en raisons de divergences de points de vue. "Nous aurions pu attendre, mais nous pensons que ce bâtiment est si beau, les jardins sont superbes... Et symboliquement, je pense que c'est important de montrer que notre travail avance, que les Palestiniens savent bâtir eux mêmes des institutions d'envergure internationale", justifie Omar Qattan, le directeur du musée, auprès de France 24.

ABBAS MOMANI - AFP - Photo du musée palestinien, prise à Bir Zeit le 17 mai 2016.
"Le plus grand espace de ce genre en Palestine"

Lors de la cérémonie d'inauguration, Mahmoud Abbas, qui a passé sous silences ces bisbilles internes, a revendiqué le fait que "ce musée constitue l'une des pierres de la construction d'un Etat palestinien indépendant".

Le bâtiment tout en verre et pierre blanche locale, qui a coûté 28 millions d'euros et dont le chantier a mis 20 ans à s'achever, a été dessiné par des architectes irlandais et chinois. "Il y a 500 mètres carrés d'espace pour des expositions. Je pense que c'est le plus grand espace de ce genre à l'heure actuelle en Palestine", s'est enthousiasmé Omar Qattan.

Pour l'heure, le musée compte sur ses expositions à l'étranger, comme l'explique France 24. La première aura lieu en mai, au Liban.

ABBAS MOMANI - AFP - Photo du musée palestinien, prise à Bir Zeit le 17 mai 2016. .
Par Aurore Coulaud








Angola: Munícipes do Sambizanga visitam Museu da Escravatura.

Luanda - Funcionários, alguns alunos e grupos carnavalescos do distrito urbano do Sambizanga efectuam uma visitam guiada, esta sexta-feira, ao Museu Nacional da Escravatura, em saudação ao Dia Internacional dos Museus.


De acordo com responsável da área cultural do distrito urbano do Sambizanga, Carlos Pedro, mentor do evento, o mesmo serve para estimular os funcionários da administração e munícipes de uma forma geral, ao gosto em conhecerem a história do país e não só.

O responsável deseja que os cidadãos cultivem o hábito de visitar museus, sobretudo acompanhando os seus educandos para desde cedo saberem o que os antepassados fizeram em prol do bem-estar social, saber como e onde viviam e sobre a verdadeira historia de Angola.

A celebração da data é feita desde o dia 18 de Maio de 1977, por proposta do Conselho Internacional de Museus (ICOM), organismo da UNESCO.

Neste dia vários museus têm entrada gratuita, sendo possível visitar as suas exposições e obras, assim como participar nas iniciativas preparadas para comemorar a efeméride.

Por essa altura, o horário de funcionamento dos museus é alargado com o objectivo de permitir que mais pessoas possam visitar os espaços museológicos do país.

Em Angola, existem duas dezenas de museus, divididos em três categorias, nacionais, regionais e locais.


VISTA PARCIAL DO EDIFÍCIO DO MUSEU DA ESCRAVATURA
FOTO: LINO GUIMARAES

Só em Luanda estão sedeados seis de âmbito nacional. Desde 2001, o acervo de todos os museus do país tem estado a ser inventariado. Os museólogos angolanos estão preocupados com o actual “divórcio” entre os museus e os cidadãos, em particular a juventude.





A DESIGUALDADE EXPRESSA NUM SIMPLES JANTAR DO BRASIL COLONIAL

“Um jantar brasileiro” é uma das obras do francês Jean-Baptiste Debret, mais difundidas pelos livros de História que abordam as relações cotidianas do Brasil Colonial. Pintor e desenhista, Debret, proporcionou aos brasileiros, um valiosíssimo acervo de imagens que servem de referência para estudiosos e curiosos da nossa história e cultura sobre a primeira metade do século XIX.


A tela proposta para esta postagem nos permitirá fazer uma análise crítica acerca das disparidades existentes na sociedade brasileira daquele período. O escravismo era o pilar de sustentação econômica e social, pois por aqui, Brasil, quem trabalhava mesmo eram os escravos.

JEAN-BAPTISTE DEBRET: Um jantar brasileiro, 1827

"O Brasil não é para principiantes", costumam dizer (cada vez mais). Entender as identidades que atravessam o país diz respeito, mesmo para quem vive nele, a um exercício constante de leitura, pesquisa e, sobretudo, empatia pelo lugar de memória do outro. A literatura brasileira, como todas as demais produzidas nas demais nações, é documento essencial para buscar pistas do material afetivo que nos forma. Buscamos aqui trechos de romances que, de alguma forma, possam ser coletados por antropólogos do futuro, ou desavisados do presente, e usados como provas de que, verdade, este país não é para principiantes e nunca conseguirá ser reduzido à rivalidade de uma partida de futebol. Como também não será reduzido aos trechos ou romances abaixo, lançamos apenas a faísca, tal como Debret o fez em sua famosa tela,
O jantar, na imagem acima.


Feitas as primeiras observações, vamos a nossa análise.

O primeiro aspecto que nos chama a atenção ao observar a cena é a extrema facilidade na qual conseguimos identificar os livres e os cativos. Isto se dá quase que única e exclusivamente pela cor da pele. De forma secundária, essa diferenciação é feita também pelo fato de que alguns negros servem, é o caso da negra que abana o casal, e de que os outros estão à disposição dos brancos para atender a qualquer situação ou solicitação que porventura surja.

A farta mesa devorada pelo casal é um ponto estratégico para refletirmos a desigualdade social existente na época. Imagine você, segundo descrições do próprio Debret, em sua obra “Uma Viagem Pitoresca ao Brasil”, um jantar na casa de um pequeno ou médio negociante, como o que se vê na cena, era constituído de:


“(...) de uma sopa de pão e caldo gordo, chamado caldo de substância, porque é feita com um enorme pedaço de carne de vaca, salsichas, tomates, toucinho, couves, imensos rabanetes brancos com suas folhas, chamados impropriamente nabos etc., tudo bem cozido. No momento de pôr a sopa à mesa, acrescentam-se algumas folhas de hortelã e mais comumente outras de uma erva cujo cheiro muito forte dá-lhe um gosto marcado bastante desagradável para quem não está acostumado. Serve-se ao mesmo tempo o cozido, ou melhor, um monte de diversas espécies de carnes e legumes de gostos muito variados embora cozidos juntos; ao lado coloca-se sempre o indispensável escaldado (flor de farinha de mandioca) que se mistura com caldo de carne ou de tomates ou ainda com camarões; uma colher dessa substância farinhosa semi-líquida, colocada no prato cada vez que se come um novo alimento, substitui o pão, que nessa época não era usado ao jantar. Ao lado do escaldado, e no centro da mesa, vê-se a insossa galinha com arroz, escoltada porém por um prato de verduras cozidas extremamente apimentado. Perto dela brilha uma resplendente pirâmide de laranjas perfumadas, logo cortadas em quartos e distribuídas a todos os convivas para acalmar a irritação da boca já cauterizada pela pimenta. Felizmente esse suco balsâmico, acrescido a cada novo alimento, refresca a mucosa, provoca a salivação e permite apreciar-se em seu devido valor a natural suculência do assado. Os paladares estragados, para os quais um quarto de laranja não passa de um luxo habitual, acrescentam sem escrúpulo ao assado o molho, preparação feita a frio com a malagueta esmagada simplesmente no vinagre, prato permanente e de rigor para o brasileiro de todas as classes. Finalmente, o jantar se completa com uma salada inteiramente recoberta de enormes fatias de cebola crua e de azeitonas escuras e rançosas (tão apreciadas em Portugal, de onde vêm, assim como o azeite de tempero que tem o mesmo gosto detestável). A esses pratos, sucedem, como sobremesa, o doce-de-arroz frio, excessivamente salpicado de canela, o queijo de Minas, e mais recentemente, diversas espécies de queijos holandeses e ingleses; as laranjas tornam a aparecer com as outras frutas do país: ananases, maracujás, pitangas, melancias, jambos, jabuticabas, mangas, cajás, frutas do conde, etc.” (DEBRET, 1839)


Ufa, deu até fome!
Se por um lado, a comilança e a farta mesa de jantar do negociante se repetia a cada dia, do outro lado, compunham a refeição dos negros cativos apenas “(...) dois punhados de farinha seca umedecidos na boca pelo suco de algumas bananas ou laranjas.” (DEBRET, 1839)

Acredito veementemente que isso explica o fato do escravo que está em pé, próximo a mesa, manter “o olhar fixo” para a suculenta comida posta a mesa. Faminto ou no mínimo mal alimentado, o que ele deveria está pensando diante de tal situação?

Já na parte inferior da tela, nos é apresentado duas crianças que ainda não atingiram a idade de serem utilizadas nos serviços mais pesados, ou seja, na labuta e na crueldade do dia a dia do escravismo colonial brasileiro. Acerca destas crianças, o próprio Debret descreve que


“(...) é costume, durante o tête-à-tête (conversa a parte entre duas pessoas) de um jantar conjugal, que o marido se ocupe silenciosamente com seus negócios e a mulher se distraia com os negrinhos que substituem os doguezinhos (cachorros), hoje quase completamente desaparecidos na Europa.” (DEBRET, 1839)


Dessa forma, assim como os cães que ficam ao pé da mesa na hora do almoço ou do jantar, na espreita de conseguir algo, as crianças cativas recebiam das mãos de sua senhora, manjares e doces. Pobre gurizada, que mal acostumada aos “mimos” de sua senhora, em breve cairá na laboriosa luta diária de um escravo e passará a comer a tal farinha umedecida com suco de algumas poucas laranjas ou bananas.

Cabe-nos ainda destacar alguns outros detalhes da cena, como por exemplo, a roupa nada elegante, usada pelo negociante. De fato a ostentação era um elemento que constituía as relações sociais das pessoas abastardas do período, mas o jantar era “sagrado”, sendo assim, procurava-se está à vontade para saciar fome e vivenciar aquele momento não só íntimo, mas importante do dia. Sobre este aspecto, Debret nos conta que:


“Era muito importante, principalmente para o estrangeiro que desejasse comprar alguma coisa numa loja, evitar de perturbar o jantar do negociante pois este, à mesa, sempre mandava responder que não tinha o que o cliente queria. Em geral não era costume apresentar-se numa casa brasileira na hora do jantar, mesmo porque não se era recebido durante o jantar dos donos. Muitas razões se opunham: em primeiro lugar o hábito de ficar tranquilamente à vontade sob uma temperatura que leva, naturalmente, ao abandono de toda etiqueta; em seguida a negligência do traje, tolerada durante a refeição; e, finalmente, uma disposição para o sossego que para alguns precede e para todos segue imediatamente o jantar.” (DEBRET, 1839)


Por fim, uma vez destacados os principais pontos da tela, podemos chegar a conclusão de que além de patriarcal e escravista, os pilares da sociedade brasileira colonial estavam fundamentados no quesito desigualdade, e assim, nos cabe a importantíssima consciência histórica de que esta mesma configuração de sociedade, deixou enraizado este mal ainda não totalmente superado nos dias atuais. Se a cena de "Um jantar brasileiro" pintada por Debret, revela um aspecto que cotidianamente se repetia nos lares daquele período, Brasil a fora, aonde dois ou três saciavam a fome sentados a farta mesa servida por quatro, cinco ou seis famintos, não é difícil compreender porque que no Brasil atual as diferenças sociais são tão ruidosas que a sensação que se tem é de que numa reprodução contínua da tela de Debret, em proporções muito maiores, o Brasil nada mais é, política, cultural e economicamente falando, que dois, três ou quatro sentados à fartíssima mesa, servida por um número incontáveis de famintos.




Fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti

colaboração: Marcela Boni