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quinta-feira, 16 de março de 2017

The way the art represented medicine on display at the Ship Museum Gil Eannes. --- A forma como a arte representou a medicina em exposição no Navio Museu Gil Eannes.

‘Arte & Medicina’ reúne 61 reproduções de pinturas e iluminuras de museus de todo o mundo sobre medicina e médicos, doenças e hospitais, que têm como objetivo induzir o visitante a refletir na forma como a arte representou esta área e a sua evolução história. 



Há obras de pintores como Picasso, Rembrandt, Bruegel, Gerrit Dou, Metsu, Goya y Lucientes, Eakins, Jiménez Aranda, Luke Fildes, Toulouse-Lautrec, Frida Kahlo, Charles Pears, Godfrey Gordon, entre outros. Cada reprodução está acompanhada por um comentário resultante da análise do ponto de vista da história da arte e da história da medicina. 

Exibem-se ainda objetos de uso médico do acervo da Escola Superior de Saúde de Viana do Castelo.

A exposição’ Arte & Medicina’ é uma mostra do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e esteve patente pela primeira vez em 2015, naquela cidade. Idealizada por uma equipa de curadoras da CulturAge constituída por Cristina Nogueira e Carolina Gomes, centrou o seu discurso expositivo em dois eixos: um relacionado com a arte e outro com o património local relacionado com a saúde e assistência. A exposição tem o apoio da Fundação Gil Eannes, e pode ser visitada todos os dias a partir das 9h30.

O histórico navio Gil Eanes
Desde que o Navio Gil Eannes foi colocado em exposição na antiga doca comercial de Viana do Castelo, a Fundação Gil Eannes, tem tido como objectivo transformá-lo num espaço museológico, contribuindo deste modo para o desenvolvimento cultural, turistico e científico especialmente em áreas relacionadas com o mar. Ao longo destes anos várias obras de reabilitação e restauro têm sido feitas, proporcionando aos visitantes o contato com os diversos espaços e adquirindo um pouco da história que têm para contar.

No século XX existiram duas embarcações de bandeira portuguesa com a designação de Gil Eannes e a função de navio-hospital, e ambas prestaram apoio às atividades de pesca do bacalhau nas águas da Terra Nova, no Grande Banco e na Gronelândia. A sua função justificava-se uma vez que as embarcações pesqueiras portuguesas estavam rotineiramente isoladas por vários meses naquelas águas.

O original navio Gil Eanes chamava-se Lahneck, pertencia à companhia alemã ‘Deutsche Dampfschiffarts GeselIschaft Hansa’, e foi aprendido na sequência da entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial (1916), tendo sido transformado em cruzador auxiliar da Marinha Portuguesa. Posteriormente, em 1927 zarpou pela primeira vez para a Terra Nova, após ter sido adaptado para navio hospital em estaleiros nos Países Baixos.

Em 1955 foi substituído por uma nova embarcação, homónima, construída de raiz nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Ao longo de sua existência, serviu ainda como navio-capitania, navio-correio, navio-rebocador e quebra-gelos, assegurando o abastecimento de mantimentos, redes, material de pesca, combustível, água e isco aos barcos de pesca do bacalhau. Após 1963 passou a efetuar viagens de comércio como navio frigorífico e de passageiros entre as campanhas de pesca, tendo efetuando a sua última viagem à Terra Nova em 1973, ano em que também fez uma viagem diplomática ao Brasil.

Após esta última viagem perdeu as suas funções, ficando acostado no porto de Lisboa até ser vendido como sucata para abate em 1977, mas graças a um apelo feito por José Hermano Saraiva num dos seus programas, a poucos dias da sua destruição a comunidade vianense mobilizou-se para o resgatar, concebendo um projeto para ser exposto no porto de mar de Viana do Castelo, como tributo ao passado marítimo da cidade. E acabou por tornar-se numa das suas atrações turísticas.

Em 1998 foi reabilitado nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, com o apoio de várias instituições, empresas e cidadãos, e passando a ser gerido pela Fundação Gil Eannes, criada para esse fim. O navio foi dotado de um percurso museológico e interpretativo sobre a cultura marítima de Viana do Castelo e de um Centro de Documentação Marítima.

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The museum




Since the Gil Eannes Ship was put on display in the old commercial dock of Viana do Castelo, the Gil Eannes Foundation has had as its objective to transform the Gil Eannes into a museum space, contributing in this way to the cultural, tourist and scientific development especially in areas Related to the sea. Thus, over the years, several rehabilitation and restoration works have been done, giving visitors the contact with the various spaces and acquiring a little of the history they have to tell.






Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,

mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 

A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 

but what modifies the way of looking and hearing.










--in via tradutor do google

A forma como a arte representou a medicina em exposição no Navio Museu Gil Eannes.

'Arte & Medicina' brings together 61 reproductions of paintings and illuminations from museums around the world on medicine and medical, diseases and hospitals, which aim to induce the visitor to reflect on how art represented this area and its evolution history.

There are works by painters like Picasso, Rembrandt, Bruegel, Gerrit Dou, Metsu, Goya and Lucientes, Eakins, Jiménez Aranda, Luke Fildes, Toulouse-Lautrec, Frida Kahlo, Charles Pears, Godfrey Gordon, among others. Each reproduction is accompanied by a commentary resulting from the analysis from the point of view of the history of art and the history of medicine.

There are also objects of medical use from the collection of the School of Health of Viana do Castelo.

The exhibition 'Art & Medicine' is a showcase of the Hospital and University Center of Coimbra, and was first seen in 2015 in that city. Idealized by a team of curators from CulturAge, made up of Cristina Nogueira and Carolina Gomes, she focused her exposition on two axes: one related to art and another related to local heritage related to health and care. The exhibition has the support of the Gil Eannes Foundation, and can be visited every day from 9.30.

The historic ship Gil Eanes

Since the ship Gil Eannes was put on display in the old commercial dock of Viana do Castelo, the Gil Eannes Foundation has had as a goal to transform it into a museum space, contributing in this way to the cultural, tourist and scientific development especially in related areas With the sea. Over the years, several rehabilitation and restoration works have been done, providing visitors with the contact with the various spaces and acquiring a little of the history they have to tell.

In the twentieth century there were two Portuguese flag vessels named Gil Eannes and the hospital ship, both of which supported fishing activities for cod in the waters of Newfoundland, Great Bank and Greenland. Their function was justified since Portuguese fishing vessels were routinely isolated for several months in those waters.

The original ship Gil Eanes was called Lahneck, belonged to the German company 'Deutsche Dampfschiffarts GeselIschaft Hansa', and was learned following the entry of Portugal into World War I (1916), having been transformed into an auxiliary cruiser of the Portuguese Navy. Subsequently, in 1927 sailed for the first time to Newfoundland, after being adapted to hospital ship in shipyards in the Netherlands.

In 1955 it was replaced by a new vessel, homonymous, built from scratch in the Naval Shipyards of Viana do Castelo. Throughout its existence, it also served as a flagship, mail-order vessel, tugboat and icebreaker, ensuring supplies of fishing supplies, nets, fishing gear, fuel, water and bait for cod fishing boats. After 1963, he began to make commercial trips as a refrigerator and passenger ship between fishing seasons, and made his last trip to Newfoundland in 1973, when he also made a diplomatic trip to Brazil.

After this last trip lost his functions, lying in the port of Lisbon until being sold as scrap for slaughter in 1977, but thanks to an appeal made by José Hermano Saraiva in one of his programs, a few days after its destruction the Vianese community mobilized To rescue him, designing a project to be exhibited in the sea port of Viana do Castelo, as a tribute to the maritime past of the city. And it turned out to be one of its tourist attractions.

In 1998 it was rehabilitated in the Viana do Castelo Shipyards, with the support of several institutions, companies and citizens, and started to be managed by the Gil Eannes Foundation, created for this purpose. The ship was endowed with a museological and interpretive course on the maritime culture of Viana do Castelo and a Maritime Documentation Center.

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O Museu


Desde que o Navio Gil Eannes foi colocado em exposição na antiga doca comercial de Viana do Castelo, a Fundação Gil Eannes, tem tido como objectivo transformar o Gil Eannes num espaço museológico, contribuindo deste modo para o desenvolvimento cultural, turistico e científico especialmente em áreas relacionadas com o mar. Assim, ao longo destes anos várias obras de reabilitação e restauro têm sido feitas, proporcionando aos visitantes o contacto com os diversos espaços e adquirindo um pouco da história que têm para contar.

Culture: Elena Vássina is Russian and lives in São Paulo, Brazil, where she teaches Russian Literature and Culture at the University of São Paulo (USP). --- культура: Елена Васина - русская и живет в Сан-Паулу, Бразилия, где преподает русскую литературу и культуру в Университете Сан-Паулу (USP). --- Cultura: Elena Vássina é russa e vive em São Paulo, Brasil, onde é professora de Literatura e Cultura Russa na Universidade São Paulo ( USP ).

The voices of female emancipation in Russia.

Photograph: Russians won the right to vote in 1917, before France, Germany, Britain, USA or Brazil. Photo: Peter Otsup / RIA Novosti


Made from beginning to end by women, a new collection edited in Brazil pinpoints visions of Russian feminism and serves as a reference for historians and specialists.

Reading the newly released collection "The Women's Revolution", organized by Graziela Schneider, I first became aware of who I, born and raised in the Soviet Union, owe my emancipation, equality and all the rights of women who, Since childhood, they are as natural to me as the air I breathe.

Maybe that's why I've always been surprised to see Brazilians complaining about machismo, while in my country, on the contrary, it's the men's complaints that echo the most, as they suffer with the power concentrated in the hands of women on a daily basis - in life Family, economic and social.

But, as you know, a coin always has two sides. And I must confess that female emancipation in Russia is a beautiful rose that obviously always has thorns.

The authors of the collection, mostly hand-picked and mostly unpublished in Brazil (Aleksandra Kollontai, Anna Kalmánovitch, Ariadna Tyrkova-Williams, Ekaterina Kuskova, Elena Kuvchínskaia, Inessa Armand, Konkordia Samoilova, Liubov Guriêvitch, Maria Pokróvskaia, Nadiejda Krúpskaia, Olga Chapir) are the Russians who, at the beginning of the 20th century, took the lead as leaders and ideologues of the feminist movements that led to many social achievements and, above all, to the right to vote - granted to them shortly after Revolution of October, in 1917, well before that happens in France, Germany, Britain, the United States or Brazil.

Not only is the book composed exclusively of women's texts, it is also organized, translated (directly from Russian) and prepared only by women - another symbolic act of international union for the feminine cause.

In fact, I believe that everyone agrees with Olga Chapir, a Russian writer and feminist who, as early as 1909 at the First Women's Congress in St Petersburg, said: "The emancipation of women can and should be achieved only through their own forces - By his investee. Indeed, it is impossible to require man to aspire to limit his own habitual monopolies with the same passion with which we naturally achieve all human rights. " The excerpt is available in this collection, p.43, in translation by Gabriela Soares.


Women's education

The first theories of women's emancipation in Russia were born in the 1860s, the time of the great social reforms which, by abolishing serfdom, aimed at democratizing and renewing Russian society, opening new avenues for the literacy of the people, and not least for the Education of women.

Then, gyms and women's higher education institutions are founded. It was at this time that Russian women, according to a happy observation of the feminist Maria Tsebrikova, "heard the announcement that they too were human, and that nothing human was foreign to them."

And it is not by chance that most of the authors of the book "The Women's Revolution" are daughters of the 1860s: they studied in the first, then newly created, female gyms. This is, for example, the case of three of the authors who compose the collection, important leaders of the women's movement. Krugskaya, Tyrkova-Williams, and Gurevitch formed in the famous gymnasium of Princess Obolénskaia.



The same formation did not, however, generate unity in the political views of the three on feminist questions. Tyrkova-Williams, an intimate friend of Lenin's wife, Krugskaya, recalls how the future leader of the October revolution was angry with his view of the emancipation of the woman and promised "to hang all liberals, like her, on streetlights ".

I am sure that for Brazilian readers (and here, I believe, the book will feature not only female readers), it will be interesting to know and compare the many facets of the history of the Russian feminist movement and thinking.

Already Aleksandra Kollontai, the "sexually emancipated communist", as she herself defines herself, may be the best known of these figures outside of Russia. And, in my view, it is the most brilliant among Russian feminists.

Precursor, woman and lover

First woman ambassador to the USSR, Kollontai was not afraid of being radical in the struggle for the equality of women's rights. It came to such an extent that many ideas of female liberation that she advocated at the beginning of the 20th century would resonate in the sexual revolution of the 1960s and 1970s.


Certainly, it would be interesting for the Brazilian reader to know the writings on the feminine question of two women closest to Lenin - his wife Nadejda Krúpskaia and his mistress, Inessa Armand - and to verify how the Marxist view of the class struggle, essential for the Leninist ideology , Was reflected in the assays of both.

Finally, the book gives the possibility of knowing many approaches to feminist questions. Some points of view may seem obvious, others polemical, but all the texts finally allow one to consult directly the sources and are very important for the study of the history of the feminist movement in Russia.









fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti

http://gazetarussa.com.br/arte/literatura/2017/03/13/as-vozes-da-emancipacao-feminina-na-russia_718816

Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,

mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 

A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 

but what modifies the way of looking and hearing.











--ru via tradutor do google
Елена Васина - русская и живет в Сан-Паулу, Бразилия, где преподает русскую литературу и культуру в Университете Сан-Паулу (USP).

Голоса женской эмансипации в России.

Новая женская коллекция, созданная от начала до конца женщинами, выявляет видения русского феминизма и служит ориентиром для историков и специалистов.

Читая недавно выпущенную коллекцию «Революция женщин», организованную Грациелой Шнайдер, я впервые узнал о том, кто я, рожденный и выросший в Советском Союзе, обязан своей эмансипацией, равенством и всеми правами женщин, которые с детства являются Естественным для меня, как воздух, которым я дышу.

Возможно, именно поэтому я всегда удивлялся, когда бразильцы жаловались на мачизм, в то время как в моей стране, наоборот, именно жалобы мужчин чаще всего повторяются, поскольку они страдают от того, что власть сосредоточена в руках женщин на ежедневной основе - в жизни Семья, экономика и общество.

Но, как вы знаете, у монеты всегда есть две стороны. И я должен признаться, что женская эмансипация в России - красивая роза, которая, очевидно, всегда имеет шипы.

Авторы сборника, в основном собранные вручную и в основном неопубликованные в Бразилии (Александра Коллонтай, Анна Калманович, Ариадна Тыркова-Вильямс, Екатерина Кускова, Елена Кувчинская, Инесса Арманд, Конкордия Самойлова, Любовь Гуриевич, Мария Покрувская, Надежда Крупская, Ольга Чапир ) - русские, которые в начале XX века возглавили в качестве лидеров и идеологов феминистских движений, которые привели к множеству социальных достижений и, прежде всего, к избирательному праву - предоставленному им вскоре после Октябрьской революции , В 1917 году, задолго до этого во Франции, Германии, Великобритании, США или Бразилии.

Книга состоит не только из женских текстов, она также организована, переведена (напрямую из России) и подготовлена ​​только женщинами - еще одним символическим актом международного союза для женского дела.

На самом деле, я считаю, что все согласны с Ольгой Чапир, русской писательницей и феминисткой, которая еще в 1909 году на Первом женском конгрессе в Санкт-Петербурге заявила: «Эмансипация женщин может и должна быть достигнута только через свои собственные силы - Действительно, нельзя требовать от человека стремления ограничить свои собственные обычные монополии той же страстью, с которой мы, естественно, достигаем всех прав человека ». Выдержка из этого сборника, стр. 43, в переводе Габриэлы Соареш.

Образование женщин

Первые теории женской эмансипации в России родились в 1860-е годы, время великих социальных реформ, которые, уничтожив крепостное право, направлены на демократизацию и обновление российского общества, открыли новые возможности для распространения грамотности людей, и не в последнюю очередь для Образование женщин.

Затем создаются спортивные залы и женские высшие учебные заведения. Именно в это время русские женщины, по счастливому наблюдению феминистки Марии Цебриковой, «услышали объявление, что они тоже были людьми, и что ничто человеческое им не чуждо».

И не случайно большинство авторов книги «Женская революция» - дочери 1860-х годов: они учились в первых, а затем вновь созданных женских залах. Это, например, случай трех авторов, составляющих коллекцию, важных лидеров женского движения. Кругская, Тыркова-Вильямс и Гуревич образовались в знаменитой гимназии принцессы Оболенской.

Тем не менее, такое же образование не обеспечило единства в политических взглядах трех на феминистские вопросы. Тыркова-Уильямс, близкий друг жены Ленина, Кругская, вспоминает, как будущий лидер Октябрьской революции был зол на его взгляд на освобождение женщины и пообещал «повесить всех либералов, как она, на уличные фонари».

Я уверен, что для бразильских читателей (и здесь, я считаю, в книге будут представлены не только женщины-читатели), будет интересно узнать и сравнить многие аспекты истории феминистского движения России и мышления.

Уже Александра Коллонтай, «сексуально эмансипированный коммунист», как она сама себя определяет, может быть самой известной из этих фигур за пределами России. И, на мой взгляд, это самый яркий из российских феминисток.

Предвестник, женщина и любовник

Первая женщина-посланница в СССР, Коллонтай не боялась быть радикальной в борьбе за равенство прав женщин. Она доходила до такой степени, что многие идеи женского освобождения, которые она защищала в начале 20-го века, будут резонировать в сексуальной революции 1960-х и 1970-х годов.


Конечно, было бы интересно, если бы читатель из Бразилии узнал сочинения по женскому вопросу о двух ближайших к Ленину женщинах - его жене Надежде Крупской и его любовнице Инессе Арманд и чтобы проверить, как марксистский взгляд на классовую борьбу, необходимый для Ленинской идеологии, отразилось в тестах обоих.

Наконец, книга дает возможность узнать много подходов к феминистским вопросам. Некоторые точки зрения могут показаться очевидными, другие полемические, но все тексты, наконец, позволяют напрямую консультировать источники и очень важны для изучения истории феминистского движения в России.

Фотография:

Русские получили право голоса в 1917 году, до Франции, Германии, Великобритании, США или Бразилии. Фото: Питер Оцуп / РИА Новости














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Elena Vássina é russa e vive em São Paulo, Brasil, onde é professora de Literatura e Cultura Russa na Universidade São Paulo ( USP ).

As vozes da emancipação feminina na Rússia.

Feita do início ao fim por mulheres, nova coletânea editada no Brasil pincela visões do feminismo russo e serve de referência para historiadores e especialistas.

Lendo a recém-lançada coletânea “A revolução das mulheres”, organizada por Graziela Schneider, tomei pela primeira vez consciência sobre a quem eu, nascida e crescida na União Soviética, devo minha emancipação, situação de igualdade e todos os direitos de mulher que, desde a infância, são-me tão naturais quanto o ar que respiro.

Talvez por isso, sempre estranhei ao ver as brasileiras reclamarem do machismo, enquanto em meu país, pelo contrário, são as queixas dos homens que ecoam mais, já que esses sofrem com o poder concentrado nas mãos das mulheres no dia a dia - na vida familiar, econômica e social.

Mas, como se sabe, uma moeda sempre tem dois lados. E devo confessar que a emancipação feminina na Rússia é uma bela rosa que, obviamente, sempre tem espinhos.

As autoras da coletânea, escolhidas a dedo e, em sua maioria, inéditas no Brasil (Aleksandra Kollontai, Anna Kalmánovitch, Ariadna Tyrkova‐Williams, Ekaterina Kuskova, Elena Kuvchínskaia, Inessa Armand, Konkordia Samoilova, Liubov Guriêvitch, Maria Pokróvskaia, Nadiejda Krúpskaia, Olga Chapir) são as russas que, ainda no início de século 20, tomaram a frente como líderes e ideólogas dos movimentos feministas que levaram a muitas conquistas sociais e, antes de mais nada, ao direito de voto - que lhes foi concedido logo após a revolução de Outubro, em 1917, bem antes de isso acontecer na França, Alemanha, Grã-Bretanha, Estados Unidos ou Brasil.

O livro não apenas é composto exclusivamente por textos de mulheres, mas também é organizado, traduzido (diretamente do russo) e preparado apenas por mulheres – mais um ato simbólico de união internacional pela causa feminina.

Aliás, creio que todos concordam com Olga Chapir, escritora e feminista russa que , ainda em1909, no Primeiro Congresso de mulheres em São Petersburgo, afirmou o seguinte: “A emancipação das mulheres pode e deve ser conquistada apenas por meio de suas próprias forças – pela sua investida. De fato, é impossível exigir que o homem aspire a limitar seus próprios monopólios habituais com a mesma paixão com que naturalmente alcançamos todos os direitos humanos”. O trecho está disponível nesta coletânea, na p.43, em tradução de Gabriela Soares.

Educação feminina

As primeiras teorias de emancipação da mulher na Rússia nascem nos anos 1860, época das grandes reformas sociais que, ao abolirem a servidão, visaram a democratizar e renovar a sociedade russa, abrindo novos caminhos para alfabetização do povo e, não menos importante, para a educação das mulheres.

Então, fundam-se ginásios e instituições de ensino superior femininos. Foi nessa época que as mulheres russas, segundo uma observação feliz da feminista Maria Tsebrikova, “ouviram a anunciação de que elas também eram humanas e nada do que é humano lhes era estranho”.

E não é por acaso que a maioria das autoras do livro “A revolução das mulheres” são filhas dos anos 1860: elas estudaram nos primeiros, então recém-criados, ginásios femininos. Esse é, por exemplo, o caso de três das autoras que compõem a coletânea, importantes líderes do movimento das mulheres. Krúpskaia, Tyrkova‐Williams e Gurévitch se formaram no afamado ginásio da princesa Obolénskaia.

Uma mesma formação não gerou, porém, unidade nas visões políticas das três nas questões feministas. Tyrkova‐Williams, amiga íntima da esposa de Lênin, Krúpskaia, lembra-se como o futuro líder da revolução de Outubro ficou com raiva de sua visão da emancipação da mulher e prometeu “enforcar todos liberais, como ela, nos postes de luz nas ruas”. 

Tenho certeza de que, para os leitores brasileiros (e, aqui, creio que o livro contará não apenas com leitoras mulheres), será interessante conhecer e comparar as múltiplas facetas da história do movimento e do pensamento feminista da Rússia. 

Já Aleksandra Kollontai, a “comunista emancipada sexualmente”, como ela própria se define, talvez seja a mais conhecida dessas figuras fora da Rússia. E, a meu ver, é a mais brilhante entre as feministas russas.

Precursora, mulher e amante

Primeira mulher embaixadora da URSS, Kollontai não temia ser radical na luta pela igualdade dos direitos das mulheres. Isso chegou a tal ponto que muitas ideias de liberação feminina que ela defendera no início do século 20 ressoariam na revolução sexual das décadas de 1960 e 1970.

Certamente, para o leitor brasileiro seria interessante conhecer os escritos sobre a questão feminina de duas mulheres mais próximas de Lênin – sua esposa Nadejda Krúpskaia e sua amante, Inessa Armand – e verificar como a visão marxista da luta de classes, essencial para a ideologia leninista, refletiu-se nos ensaios de ambas.

Enfim, o livro dá a possibilidade de se conhecerem muitas abordagens das questões feministas. Alguns pontos de vista podem parecer óbvios, outros, polêmicos, mas todos os textos permitem, finalmente, que se consulte diretamente as fonte e são importantíssimos para os estudos da história do movimento feminista na Rússia.

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Russas conquistaram direito de voto ainda em 1917, antes de França, Alemanha, Grã-Bretanha, EUA ou Brasil. Foto:Peter Otsup/RIA Novosti