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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Shale villages in Portugal. --- Aldeias de xisto em Portugal.

In the interior of Portugal there are vestiges of a distant past,

Preserved in the form of beautiful shale villages that still remind us of what life was like centuries ago.

They are small treasures, scattered mainly by the central interior of the country, in the Serra da Lousã, in the Serra da Freita and in the Serra do Açor. The shale villages are small havens filled with history and tradition that enchant you who visit them and teach us a bit more about the history and traditions of our people.

Casal de São Simão
Small village, practically a single street, essentially built in quartzite.




It is located on one of the flanks of the quartzite crest that gives rise to the Fragas de São Simão and has the oldest temple in the county of Figueiró dos Vinhos.

The village extends along a ridge almost parallel to the course of the Ribeira de Alge. The entrance is at the highest end and the settlement ends where the slopes made it difficult to continue the streets.

In this village there is a new collective feeling made of people who have recovered the houses with their own hands. They are new villagers who came from the city and brought new life to these places.



The Cerdeira is a magical place. At the entrance, a small bridge invites us to meet a handful of houses that lurk through the foliage. We seem to be crossing a portal into a fantastic world. Everything looks perfect in this deeply romantic setting. The slate floor guides us down a path to a fountain in the middle of lush greenery.


Cerdeira
Between sloping slopes torn by water lines that plunge from the top, the Cerdeira nestles in the most bucolic surrounding. This is a village that art and creativity helped to refound. In fact, at certain times of the year, this village is animated by themed meetings that combine art and botany.

Surrounded by high mountains, Drave is a mythical place that lies in a cave between the Serra da Arada and Serra de São Macário. The view that the road has of the village deep down there is surprising. The Solar dos Martins and the chapel dedicated to Our Lady of Health stand out from the scenery of the hills, one behind the other, to cut out from the light of the west, it is sublime.

Drave


Sublime is also the perspective that follows from the Vale of Paivô. It is a typical village in which the houses are made of stone, denominated stone lousinha, being its schist cover. The armaments are irregular.






Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,
mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 
A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 

but what modifies the way of looking and hearing.





--pt
Aldeias de xisto em Portugal.

No interior de Portugal restam vestígios de um passado distante, 

preservado sob a forma de belíssimas aldeias de xisto que ainda hoje nos lembram como era a vida há uns séculos atrás.

São pequenos tesouros, espalhados sobretudo pelo interior centro do país, na Serra da Lousã, na Serra da Freita e na Serra do Açor. As aldeias de xisto são pequenos paraísos repletos de história e tradição que encantam que as visita e nos ensinam um pouco mais sobre a história e as tradições do nosso povo. 

Casal de São Simão




Pequena aldeia, de praticamente uma só rua, essencialmente construída em quartzito. 

Situa-se num dos flancos da crista quartzítica que dá origem às Fragas de São Simão e possui o templo mais antigo do concelho de Figueiró dos Vinhos.

A aldeia estende-se ao longo de uma cumeada quase paralela ao curso da Ribeira de Alge. A entrada fica no extremo mais elevado e a povoação termina onde os declives tornaram difícil a continuidade dos arruamentos.

Nesta aldeia há um novo sentir colectivo feito de pessoas que recuperaram as casas com as suas próprias mãos. São novos aldeões que vieram da cidade e que trouxeram nova vida a estas paragens.

A Cerdeira é um local mágico. Logo à entrada, uma pequena ponte convida-nos a conhecer um punhado de casas que espreitam por entre a folhagem. Parece que atravessamos um portal para um mundo fantástico. Tudo parece perfeito neste cenário profundamente romântico. O chão de ardósia guia-nos por um caminho até uma fonte no meio de uma frondosa vegetação.

Cerdeira

Entre encostas declivosas rasgadas por linhas de água que se precipitam lá do cimo, a Cerdeira aninha-se, na mais bucólica envolvente. Esta é uma aldeia que a arte e a criatividade ajudaram a refundar. Aliás, em certos momentos do ano, esta aldeia é animada por encontros temáticos que juntam arte e botânica.

Rodeado de altos montes, Drave é um lugar mítico que fica numa cova entre a Serra da Arada e a Serra de São Macário. A visão que da estrada se tem do povoado lá no fundo, é surpreendente. O Solar dos Martins e a capelinha dedicada à Nossa Senhora da Saúde destacam-se do cenário dos montes, uns atrás dos outros, a recortar-se da luz do poente, é sublime.

Drave


Sublime é também a perspectiva que a seguir se tem do Vale de Paivô. É uma aldeia típica em que as casas são feitas de pedra, denominada pedra lousinha, sendo a sua cobertura de xisto. Os armamentos são irregulares.

Poet, singer and composer from Amazonas, participates in Rio de Janeiro, Brazil, an event that has poetry as its theme. - Poeta, cantora e compositora amazonense, participa no Rio de Janeiro, Brasil, de evento que tem a poesia como tema.

Márcia Wayna Kambeba, geographer: "A new role for indigenous women opens"



"I belong to the Omágua Kambeba ethnicity. I was born in a Tikuna village in Alto Solimões, Amazonas, where my grandmother was a teacher. Currently, I live in Pará. I make poems that speak about the identity of indigenous peoples. I am one of the 564 poets present at the Poetry Agora exhibition at Caixa Cultural, which takes place until August 6. "

My work is litero-musical. I make compositions in Tupi and in Portuguese. I write poetry that brings an environmental, geographic, indigenous and cultural view aimed at valuing culture and information about indigenous peoples. How do they live, where do they live, how are they? And how do you want to be known and understood? Through poetry, we have the chance to talk and inform our reader, not only the adult audience, but also the child-youth. Currently, my poems are in various schools. I also write poetic tales that rhyme from beginning to end, with music in the middle. I bet a lot in education. I am a teacher in Cultural Geography, the first of my people.

How did your interest in stories and poetry come about?

This comes very early. In our village, my grandmother taught the children. She stayed there for 40 years. I lived with the Tikuna until I was almost 9 and learned a lot from them. I remember my grandmother writing poetry, writing songs, and she ended up creating in me this cultural and activist reference. My grandmother was fighting for the valorization of the indigenous people and the woman, she acted as a shaman. I have seen many cures being made by her with herbs from the woods. I remember growing up under her hammock, which always smoked a pipe. And to hear your stories about Boto Matinta. In the village, we still try to keep these references to children.

And the music, how did it come about in your life?

Everything in the village is music. For everything we sing. It is a way of praising ... and respecting the sad moments. I have partners on this walk. One of them is Edu Toledo, who composes with me. I do the lyrics in Tupi and he gives the melody. Together, we have partnership with Paulo Cesar Feital, Robertinho Silva and international musicians.

What challenges did you face to graduate and stand out in the village?

I studied Geography at the University of the State of Amazonas. I finished in 2006. It was difficult because the year I entered college was when my grandmother died. I got married and started working as a radio announcer. The radio gave me support not only so I could keep up but also recite my poems.

What is the greatest prejudice suffered by the Indians?

The first is to say that the Indian who lives in the city is no longer indigenous, that is a descendant, that has been characterized. There is no face of an Indian, but an identity, an affirmation that makes us belonging to a people. The use of headdress or earring does not mean that I'm fantasizing about India, which I hear a lot. Feathers have references. Headdress represents the empowerment of the nation. When I use my headdress at a debate table, I take our voice and our struggle. And so a new scenario opens up, in which the role of indigenous women is not limited to caring for the home, the countryside and the children. It begins to enter into politics and into the arts, among other things.

What other changes do you notice in indigenous women living in villages?

There are women cacique, tuxaua (leader in the village) and those who graduate in law or architecture and those who do masters and doctorates. We need power and knowledge to maintain our resistance.





https://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/marcia-wayna-kambeba-geografa-abre-se-um-novo-papel-para-mulher-indigena-21566839

Cultura não é o que entra pelos olhos e ouvidos,
mas o que modifica o jeito de olhar e ouvir. 
A cultura e o amor devem estar juntos.

Vamos compartilhar.

Culture is not what enters the eyes and ears, 

but what modifies the way of looking and hearing.





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Poeta, cantora e compositora amazonense, participa no Rio de Janeiro, Brasil,  de evento que tem a poesia como tema.

Márcia Wayna Kambeba, geógrafa: "Abre-se um novo papel para a mulher indígena"


“Pertenço à etnia Omágua Kambeba. Nasci numa aldeia Tikuna, no Alto Solimões, no Amazonas, onde minha avó era professora. Atualmente, moro no Pará. Faço poesias que falam sobre a identidade dos povos indígenas. Sou uma das 564 poetas presentes na exposição Poesia Agora, na Caixa Cultural, que acontece até 6 de agosto.”

O meu trabalho é litero-musical. Faço composições em tupi e em português. Escrevo poesias que trazem um olhar ambiental, geográfico, indígena e cultural voltado para a valorização da cultura e da informação sobre os povos indígenas. Como vivem, onde vivem, como estão? E como querem ser conhecidos e compreendidos? Através da poesia, temos a chance de conversar e informar nosso leitor, não só o público adulto, mas também o infanto-juvenil. Atualmente, meus poemas estão em várias escolas. Também escrevo contos poéticos que rimam do início ao fim, com música no meio. Aposto muito na educação. Sou mestra em Geografia Cultural, a primeira do meu povo.

Como surgiu o interesse pelas histórias e pela poesia?

Isso vem desde muito cedo. Na nossa aldeia, minha avó ensinava às crianças. Ela ficou lá por 40 anos. Convivi com os Tikuna até quase os 9 anos e aprendi muito com eles. Lembro de minha avó escrevendo poesias, compondo músicas, e ela acabou criando em mim essa referência cultural e de ativista. Minha avó exercia uma luta pela valorização do povo indígena e da mulher, funcionava como uma pajé. Vi muitas curas sendo feitas por ela com ervas da mata. Lembro de crescer debaixo da rede dela, que sempre fumava cachimbo. E de ouvir suas histórias sobre o boto Matinta. Na aldeia, ainda hoje procuramos manter essas referências para as crianças.

E a música, como surgiu na sua vida?

Tudo na aldeia é música. Para tudo nós cantamos. É uma forma de louvar... e de respeitar os momentos tristes. Tenho parceiros nessa caminhada. Um deles é o Edu Toledo, que compõe comigo. Faço as letras em tupi e ele dá a melodia. Juntos, temos parceria com Paulo Cesar Feital, Robertinho Silva e músicos internacionais.

Quais os desafios que você enfrentou para se formar e se destacar na aldeia?

Cursei Geografia na Universidade do Estado Amazonas. Terminei em 2006. Foi difícil porque no ano em que entrei na universidade foi quando minha avó morreu. Casei e comecei a trabalhar como locutora de rádio. A rádio me deu suporte não só para que eu pudesse me manter, mas também recitar meus poemas.

Qual o maior preconceito sofrido pelos índios?

O primeiro é dizer que o indígena que vive na cidade não é mais indígena, que é descendente, que se descaracterizou. Não existe uma cara de índio, mas uma identidade, uma afirmação que nos torna pertencentes a um povo. O fato de usar cocar ou brinco não quer dizer que eu estou me fantasiando de índia, o que escuto muito por aí. As penas têm referências. O cocar representa o empoderamento da nação. Quando uso meu cocar em uma mesa de debates, levo nossa voz e nossa luta. E, assim abre-se um novo cenário, em que o papel da mulher indígena não se resume a cuidar do lar, da roça e dos filhos. Ela começa a entrar para a política e para as artes, entre outras coisas.

Que outras mudanças você percebe nas mulheres indígenas que vivem em aldeias?

Há mulher cacique, tuxaua (líder na aldeia) e aquelas que se formam em Direito ou em Arquitetura e as que fazem mestrado e doutorado.Precisamos de poder e do conhecimento para manter nossa resistência.