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sábado, 20 de junho de 2015

Museu do Sambaqui vai reabrir neste mês mesmo com recomendação do Iphan para mudança imediata de endereço.

A última grande enchente registrada em Joinville, em março deste ano, deixou um rastro maior do que o fechamento temporário do Museu Arqueológico de Sambaqui de Joinville (Masj). O fato foi o gatilho para reativar uma antiga discussão sobre a mudança de endereço da unidade.



Mudança de endereço do museu é uma discussão antigaFoto: Leo Munhoz / Agencia RBS
Rafaela Mazzaro

Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), realocar o acervo que poderia ser danificado novamente por futuras enchentes e recuperar os estragos causados pela água não bastam. Em laudo elaborado no mês passado pelo órgão federal, que tem corresponsabilidade pelo acervo arqueológico, é necessária a transferência imediata de todos os serviços do atual imóvel.

A Fundação Cultural de Joinville, no entanto, mantém os planos de reabrir a exposição ao público ainda neste mês. O local começou a receber pintura nova nesta semana e, até o dia 20, devem ser instaladas novas divisórias de vidro temperado no lugar dos nichos que ficaram encharcados. O acervo alcançado pela enchente foi guardado em uma sala do Centreventos Cau Hansen.

As medidas não são consideradas suficientes, de acordo com a análise feita pelo Iphan. O documento conclui que as condições atuais do imóvel "não atendem de forma nenhuma as necessidades de conservação e preservação do patrimônio arqueológico e museológico do museu".

O laudo destaca ainda o risco que atinge também os funcionários, por conta da situação de insalubridade, já identificada em 2012 e que resultou na interdição do imóvel pelaVigilância Sanitária.

— A mudança, ao menos temporária, é uma recomendação emergencial, em face dos problemas que são graves, que colocam em risco o acervo e que não serão completamente sanados a curto prazo, tendo em vista as questões estruturais da edificação como um todo — explica a chefe da divisão técnica do Iphan-SC, Maria Regina Weissheimer.

De acordo com a coordenadora do museu, Roberta Meyer Miranda, a única grande medida de melhoria no imóvel, e que deve posta em prática nas próximas semanas, é a abertura de seis janelas - duas no laboratório e quatro no setor educativo.

A obra, que promete amenizar a falta de ventilação da construção da década de 1970, já foi autorizada pela Comissão do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural do Município (Comphan), já que se trata de uma Unidade de Interesse de Preservação (UIP). Para Maria Regina, a obra não seria suficiente para garantir a segurança do acervo.

— Há a possibilidade de desenvolvimento de um projeto com vistas à solução dos problemas identificados, o que ensejaria não apenas uma reforma na edificação, mas o agenciamento de toda a área externa, visando resolver definitivamente o problema das enchentes periódicas e o encharcamento do terreno. Desconheço, no entanto, a existência de um projeto dessa envergadura — defende a especialista.



Instituto indicou dois locais

A coordenação do museu e a gerente de patrimônio da FCJ, Anne Elise Rosa Soto, devem marcar em breve uma reunião com o Iphan para tentar uma negociação e discutir o futuro do local.

O instituto chegou a indicar dois imóveis para a transferência do acervo e do atendimento ao público: o Palacete Niemeyer e a antiga sede da Secretaria de Habitação, ao lado do Arquivo Histórico de Joinville.

A primeira opção já chegou a ser utilizada pela equipe durante a interdição de 2012 e é considerada pequena para comportar as mais de 40 mil peças que compõem o acervo.

— Nosso objetivo é reativar o museu e o laboratório e reposicionar o Masj no cenário internacional — afirma a coordenadora, que reforça que os trabalhos internos não pararam durante os meses em que o museu ficou fechado. A equipe continuou atendendo às escolas com material didático itinerante. 

O Masj figura como um dos primeiros museus voltados especificamente para a arqueologia regional, diferentemente dos museus de história natural, que abrigam outros tipos de coleções, inclusive as de arqueologia, de acordo com o doutor em arqueologia Diego Lemos Ribeiro, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

O especialista também destaca que o museu de Joinville é um dos primeiros cujo edifício foi projetado especificamente para este fim.

Pioneirismo em atuação na comunidade
* Por Pedro Paulo Funari, doutor em arqueologia e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Os indígenas foram, durante séculos, desprezados. A partir do século 20, contudo, houve crescente reconhecimento da importância dos indígenas para o Brasil. Uma parte importante desse patrimônio indígena está nos sambaquis, imensos concheiros que se estendem por todo o Brasil, em particular na costa.

O Museu de Sambaqui de Joinville foi criado no contexto da luta pelo reconhecimento dos direitos humanos, pela defesa de diversidade e dos índios. Nas suas décadas de funcionamento, o Masj foi pioneiro em atividades de atuação com a comunidade, além de se destacar na pesquisa científica, na qualificação de seus quadros e na defesa da liberdade. Este patrimônio é relevante para todos os que se importam com os direitos humanos no Brasil.

Masj sempre se reinventa
* Diego Lemos Ribeiro, doutor em arqueologia e coordenador do curso de museologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

São incontáveis as ações que o museu vem promovendo com os mais diversos públicos, levando para o sociedade os resultados das pesquisas que são desenvolvidas pela equipe.

Desde o início de suas atividades, ainda na década de 1970, os profissionais do museu preocuparam-se em preservar o patrimônio arqueológico dentro (in-situ) e fora (ex-situ) do museu, algo que podemos considerar como de vanguarda.

Lamentavelmente, boa parte dos museus continua funcionando de forma endógena, alheio ao que acontece em seu entorno. O Masj, historicamente, não. Com o passar do tempo, sobretudo na década de 1990, a instituição ganhou novo fôlego.

Houve a contratação de profissionais qualificados para atuarem sobretudo no campo da arqueologia, da educação e da museologia, em um trabalho fortemente interdisciplinar - muitos deles ainda estão ativos até hoje.

Apesar de todos os percalços - instabilidades políticas do município, inundações, falta de recursos - o Masj sempre renasce e se reinventa, tendo como caminho possível a criatividade! É impressionante a capacidade inventiva dos profissionais do museu.

Porém, a criatividade sem recursos e infraestrutura não se basta. É ingrata, injusta. Se fossem injetados recursos - e não me refiro apenas ao financeiro - o céu é o limite para a equipe. Acredite.


fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti
http://diariocatarinense.clicrbs.com.br/sc/noticia/2015/06/museu-do-sambaqui-vai-reabrir-neste-mes-mesmo-com-recomendacao-do-iphan-para-mudanca-imediata-de-endereco-4778929.html

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