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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Clicar aqui para ler artigo série 3/7 - A linguagem cinemática: uma nova linguagem? O conteúdo parte para uma abordagem histórica sobre o uso inicial do videoteipe pelas artes plásticas, sua legitimação por grandes museus e seu posterior desdobramento para outras formas de arte englobadas sob o nome de arte-comunicação.

Nos anos 80 do séc. recém-findo, verifica-se um crescimento inimaginável no uso de subsídios eletrônicos na produção de obras de arte que passam a se utilizar da retransmissão, como o fax e o videotexto, e a generalização do uso de computadores, com os primeiros trabalhos em multimídia, web art e com a utilização de fractais. 



A posição do artista é a de adequar essas novas tecnologias a uma perspectiva inovadora, fazendo-as trabalhar a favor de suas ideias estéticas e contra o determinismo tecnológico A revolução da arte na época do virtual não é apenas uma nova maneira de fazer arte, mas uma utilização revolucionária das ferramentas digitais para continuar a se fazer arte. Certamente isso não é apenas um detalhe, essa prática da arte com novos instrumentos produzirá, quer o artista queira, quer não, uma revolução nas modalidades de execução, recepção e apreciação da arte. (SOULAGES, 2005, p. 19).

Essa apropriação pelo artista do computador, designada inicialmente de computer art, redesenha uma nova classe de artistas, aqueles que acumulam ao talento artístico um domínio tecnológico. Em um sentido mais amplo, embora seja mais genericamente utilizada para referir-se a trabalhos realizados no âmbito das artes visuais, a computer art pode também abranger a computer music e a literatura assistida por computador.

Um artista plástico brasileiro ocupa um lugar de destaque entre os realizadores da computer art: Waldemar Cordeiro, que passa a incorporar imagens digitais ao seu trabalho. Conhecido nacional e internacionalmente por sua produção no campo da arte concreta, Cordeiro dá uma dimensão crítica e social à computer art.

Os computadores passam a ser cada vez mais requisitados na produção artística. A expansão da memória do computador permite o armazenamento e a recuperação aleatória de dados de forma não linear. Ao permitir a recuperação interativa dos dados audiovisuais armazenados, cria a possibilidade para que o sujeito receptor efetue parte de seus potenciais. 

Eles consentem que o processo de leitura seja definido pelo usuário ao longo de um universo de dados em que todos os elementos encontram-se presentes em sua memória de forma simultânea, favorecendo uma arte de combinatórias. 

Em 1982, Nelson Max criou uma paisagem tridimensional gerada em computador (Carla’s Island), que podia ser manipulada pela audiência durante a sua exibição. O computador, inicialmente desenvolvido apenas como ferramenta para a produção e o tratamento de imagens (com o desenvolvimento dos sistemas de paint systems e de programas de modelagem e animação 3-D), num segundo momento, passa a ser o próprio suporte de exibição do trabalho. O artista agora se utiliza dos recursos interativos proporcionados pela tecnologia digital, ocasionando a incorporação criativa da resposta do espectador à obra de arte.

O setor mais recente dentro do campo das artes eletrônicas é o da web art, uma fusão da arte-comunicação com a arte digital. Inicialmente, a arte-comunicação utilizou recursos não digitais, como o fax e o telefone, e, posteriormente, semidigitais como o e-mail, o slow-scan TV, ou o videotexto para estabelecer comunicação. 

Agora, as artes digitais suportam o conceito de arte-comunicação, qualificação endossada por Julio Plaza Gonzalez em seu texto Arte e interatividade: autor-obra-recepção, que também a denomina de “arte de participação” ou “arte permutacional”, relacionando-a diretamente às questões da recepção e da participação ativa do espectador na obra de arte, o que exige, segundo ele, uma “expansão das noções de arte, de criação e também de estética”. (PLAZA GONZALEZ, 2003, p. 9).

Consequentemente, na convergência entre comunicação, arte e tecnologia, encontram-se novas formas de recepção, novas formas de percepção e novas formas de abordagem estética.



fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti
produção bibliográfica de Giselle Gubernikoff

Giselle Gubernikoff
Possui o 1o. Ano de Jornalismo pela Fundação Armando Álvares Penteado (1971), graduação em Artes/Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (1976), mestre em Artes/ Cinema pela Universidade de São Paulo (1985), doutora em Artes/ Cinema pela Universidade de São Paulo (1992), livre-docência em Ciências da Comunicação/ Publicidade pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo(2000). Professora Titular pela ECA USP em Artes Visuais/Multimídia e Intermídia na especialização Fotografia, Cinema e Vídeo (2002). Atualmente é professora titular do Departamento de Artes Visuais da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Audiovisual/ Cinema, com ênfase em Produção, Roteiro e Direção Cinematográficos, atuando principalmente nos seguintes temas: mídias digitais e novas tecnologias de comunicação, linguagem cinematográfica, produção audiovisual, cinema publicitário, representação feminina, cinema brasileiro, cinema e consciência cultural e museologia e mídias digitais.
(Texto informado pelo autor)


Continuação: dia 21/07/2015 as 12h00min série 4/7 

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