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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Museu Nacional da Guiné-Bissau - Fenómeno natural ou ocasional? Artistas da Guiné-Bissau pedem mais dinheiro para a Cultura

Os participantes na Conferência Nacional da Cultura da Guiné-Bissau pediram ao Governo um aumento das verbas para o setor da cultura e a construção de museus num país onde não há nenhum destes equipamentos.



O encontro, que juntou músicos, artistas das diversas artes e académicos, decorreu sob o lema "Cultura ao serviço da Nação", tendo visado, entre outros, produzir recomendações ao Governo para melhorar o setor.

Entre elas, destacam-se o apelo para o reforço da dotação orçamental para a Cultura, a construção de museus - o país não tem nenhum -, o ensino da cultura guineense nas escolas públicas e a institucionalização do Carnaval.

No encerramento do encontro, no sábado, primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, exortou os "fazedores da cultura" a trabalharem para que esta ajude a desenvolver a economia do país.

O primeiro-ministro começou por agradecer a iniciativa, realizada 18 anos depois da última conferência do género, mas sublinhou ser "um exercício complicado" falar da cultura "num país onde não existe um único museu".

Para Domingos Simões Pereira, "não basta apenas" exigir o aumento da dotação orçamental do Estado para o setor, é também importante "pensar na indústria da cultura" integrada na economia.

"Ela tem que ser economicamente rentável e autossuficiente, o que significa que temos que nos preparar para consumir cultura", observou Simões Pereira.

O facto de as recomendações e os demais documentos produzidos na conferência terem sido projetadas em telas e não impressos em papel, mereceu um elogio do primeiro-ministro guineense que vê na iniciativa "uma preocupação" dos conferencistas com a ecologia.

A Conferência Nacional da Cultura guineense realizou-se na cidade de Cacheu, norte do país, durante três dias.

fonte: @edisoinmariotti #edisonmariotti
http://www.dnoticias.pt/actualidade/5-sentidos/530128-num-pais-sem-um-unico-museu-artistas-da-guine-bissau-pedem-mais-dinhei


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Museu Nacional da Guiné-Bissau - Fenómeno natural ou ocasional?


Recordemos a Constituição. O Artigo 17. o da Lei Fundamental que orienta a política da Guiné-Bissau diz que é imperativo fundamental do Estado criar e promover as condições favoráveis à preservação da identidade cultural, como suporte da consciência e dignidade nacionais e factor estimulante do desenvolvimento harmonioso da sociedade. O Estado preserva e defende o Património Cultural do Povo, cuja valorização deve servir o progresso e a salvaguarda da dignidade humana. «Aliás, Cabral já dizia que, para que a cultura possa desempenhar o papel importante que lhe cabe no desenvolvimento sócio-económico do País, este deve saber preservar os valores culturais positivos de cada grupo social bem definido, de cada categoria social, realizando a confluência desses valores, dando-lhes uma dimensão nacional».


Então, como compreender a criação do primeiro Museu Nacional, apenas depois de 14 anos de existência como Estado soberano?


A compreensão deste facto só será possível se fizermos uma pequena retrospectiva no tempo e virmos as etapas percorridas até à sua criação. Com a proclamação da independência política e transferência do poder, foram desaparecendo paulatinamente peças e colecções do ex-Museu da Guiné Portuguesa que se instalara no Edifício do actual Ministério dos Negócios Estrangeiros.


As colecções que deviam ser transferidas para o recém-criado INIC (Instituto Nacional de Investigação Científica) no actual Ministério do Trabalho, foram ficando pelo caminho em mãos desconhecidas. Pouco tempo depois, nova transladação das colecções para o actual Liceu Regional I e consequentemente nova fuga e por último com a extinção do INIC e criação do INEP em Dezembro de 1984, termina a fase de grandes transferências. O que não se conseguiu desviar chegou às nossas mãos no Complexo Escolar 14 de Novembro.


Sob tutela da Direcção-Geral da Cultura é criado, nos fins de 1985, um Projecto de Museu que posteriormente seria denominado Comissão Instaladora do Museu Nacional.


Esta Comissão Instaladora, sem meios que lhe permitissem desenvolver grandes trabalhos, foi consentindo sacrifícios para finalmente ver os frutos do seu trabalho árduo. Foram praticamente 3 anos de experiência, na tentativa de se mostrar a imagem de alguns aspectos da cultura material guinenese. Não obstante a série de dificuldades, a Comissão conheceu momentos felizes que se traduziram na realização de Exposições Temporárias em Bissau e no Interior do País assim como Exposições em Dakar, Banjul e Ziguinchor como forma de incrementação de relações profissionais entre países e instituições congéneres da Sub-Região.


Finalmente, a 25 de Maio aparece o 1º Museu na Guiné-Bissau, com uma dúzia de peças herdadas do antigo Museu e com o fruto das expedições etnográficas realizadas pela equipa que trabalhou ao longo dos 3 anos.

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