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sábado, 3 de outubro de 2015

“Ernest Hemingway: Between Two Wars” é a primeira grande exposição sobre a vida do escritor. Para ver até 31 de Janeiro, na Morgan Library Museum, em Nova Iorque.

Nem todos temos a capacidade de “deitar isso cá para fora”. E aqui não falamos apenas de más memórias. Há quem guarde mesmo tudo: são aqueles que vulgarmente conhecemos como acumuladores compulsivos, que não conseguem ver-se livres de nada porque estabelecem relações afectivas com tudo o que é objecto e memória. 



Não estranhe este início de texto, é óbvio que Ernest Hemingway não vivia entre teias de aranha e um sortido de objectos a cheirar a mofo – até porque seria escandaloso que ninguém o tivesse descoberto até agora – mas que o autor norte-americano foi guardando no bolso vários objectos que lhe dizem alguma coisa, lá isso foi. Tanto assim que a Morgan Library Museum, em parceria com a John F. Kennedy Presidential Library and Museum, decidiu organizar a maior e mais significativa exposição em torno do autor, partindo destes artefactos, pedaços de história que agora podem ser vistos. Coisa possível muito por culpa de John F. Kennedy.



Quando Hemingway morreu em 1961, o então presidente – enorme fã do autor – ajudou a viúva Mary Hemingway a ir a Cuba buscar os pertences do marido, gesto que mais tarde a faria oferecer grande parte do arquivo à John F. Kennedy Presidential Library, em Boston – que acolhe a exposição a partir de Março. Para já, “Ernest Hemingway: Between Two Wars”, fica na Morgan, Nova Iorque, até 31 de Janeiro de 2016. Ainda vai a tempo. Sim, é longe, bem sabemos, mas nunca se sabe se não vai dar lá um salto nos próximos meses. Se assim for, fica a dica.

Manuscritos, cartas, fotografias, rascunhos, primeiras edições, bilhetes para touradas, antigos passaportes, tudo quanto seja elemento capaz de traçar um perfil, tudo quanto estimule a nossa imaginação face ao que só lemos e nunca conhecemos de facto sobre Hemingway, um dos grandes escritores americanos e um dos maiores ícones culturais do século XX. 

Aliás, é precisamente esse o foco desta mostra, entender o homem que escreveu obras tão intemporais como “O Velho e o Mar” (1952), “O Sol Nasce Sempre (Fiesta)” (1926) ou “Por Quem os Sinos Dobram” (1940). Para isso, Declan Kiely, curador da exposição, organizou uma viagem rara, com as Grandes Guerras – onde Hemingway quis estar – como separadores. 

Na primeira imagem, escolhida como cartaz e símbolo de boas-vindas para o visitante, um jovem Ernest posa para o retrato de muletas, quando recuperava, em Milão, dos ferimentos de guerra. Estávamos em 1918, no final do conflito onde marcou presença como voluntário da Cruz Vermelha na frente italiana. Depois disso, os anos 20, o tempo em que Hemingway escolheu fazer escala em Paris, tempo em que não havia volta a dar no que à condição de escritor diz respeito. Conheceu F. Scott Fitzgerald, James Joyce, Pablo Picasso, Joan Miró, entre outros, num ambiente que o faria, nas duas décadas seguintes, publicar cinco romances, dois trabalhos de não-ficção e cinco colecções de contos. 

Após Paris, sempre Paris – frase de bolso inventada agora. A capital francesa foi o capítulo que antecedeu a ida de Hemingway para Key West, na Florida, e, posteriormente, para Havana, Cuba, onde viveria com Martha Gellhorn, a sua terceira mulher. Anos sabáticos sabem bem a toda a gente, mesmo para um autor que nunca experiencia o nove-às--cinco da função pública. O casal esticava as pernas na altura entre o sucesso de “O Adeus às Armas” (1929) e “Ter e Não ter” (1937). 

O estatuto de estrela-rock em versão literária já estava alcançado, de tal maneira que a etapa seguinte é na Segunda Guerra Mundial, que Hemingway cobre, jornalisticamente, para a revista norte--americana “Collier’s”. Foi aí que explicou aos seus leitores: “Tenho febre de guerra como se de sarampo se tratasse”. Alguma coragem havia de ter, sobretudo depois da experiência na Primeira Guerra Mundial, de onde não saiu ileso. Nesta secção da exposição pode ver-se um visto de guerra para a Europa, o documento que o permitiu cobrir a Segunda Guerra, assinado por altos cargos dos Aliados. É nestes pequenos pedaços de papel que podemos encontrar Hemingway.

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.ionline.pt/413961

Cultura e conhecimento são ingredientes essenciais para a sociedade.

Um comentário:


  1. Uma Paris dos anos 20 sob a ótica de Ernerst Hemingway. Uma história autobiográfica recheada com alguns perfis conhecidos — F. Scott Fitzgerald, Ezra Pound, Gertrude Stein, James Joyce — que contribuíram para o aprendizado de um escritor jovem adulto que largara sua carreira de jornalista. Tinha vida financeira pobre, que o deixava de estômago vazio para apreciar melhor as obras de arte nos museus e que o fazia pegar livros emprestados na Shakespeare & Company. Usufruiu de uma juventude abraçada ao ofício da escrita, que encontrou na Cidade da Luz o ambiente de confluência intelectual e artística daquela época. Um passeio duradouro pelas ruas, cafés e amizades parisienses. Enfim, um livro finalizado por um Hemingway de 60 anos, pouco antes de sua morte. A leitura de uma Paris inesquecível para o autor, para os leitores, e para Woddy Allen, que o usou como inspiração para Meia-Noite em Paris. Texto de Luiz Teodozio. Excelente. obrigata, Edison Mariotti.

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