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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O CARNAVAL SOB O OLHAR DE DEBRET, Rio de Janeiro, Brasil. (1816 a 1831) --- CARNIVAL UNDER DEBRET LOOK, Rio de Janeiro, Brazil. (1816-1831)


O CARNAVAL SOB O OLHAR DE DEBRET, Rio de Janeiro, Brasil. (1816 a 1831)   ---  


Durante os quinze anos de sua permanência no Brasil (1816 a 1831), o pintor francês Jean-Baptiste Debret registrou cenas da vida cotidiana entre as quais o carnaval no Rio de Janeiro. Em cartas enviadas a Paris e no livro que escreveu mais tarde – Viagem pitoresca e histórica ao Brasil – ilustrado com 220 gravuras em 151 pranchas, fez descrições pormenorizadas sobre os acontecimentos que presenciou. Selecionamos abaixo, os comentários de Debret sobre o carnaval que ele viu nas ruas da Corte, em 1823. 



O carnaval no Rio de Janeiro 
“O carnaval no Rio e em todas as províncias do Brasil não lembra, em geral, nem os bailes nem os cordões barulhentos de mascarados que, na Europa, comparecem a pé ou de carro nas ruas mais frequentadas, nem as corridas de cavalos xucros, tão comuns na Itália. Os únicos preparativos do carnaval brasileiro consistem na fabricação dos limões-de-cheiro, atividade que ocupa toda a família do pequeno capitalista, da viúva pobre, da negra livre que se reúne a duas ou três amigas, e finalmente das negras das casas ricas, e todas, com dois meses de antecedência e à força de economias, procuram constituir sua provisão de cera. O limão-de-cheiro, único objeto dos divertimentos do carnaval, é um simulacro de laranja, frágil invólucro de cera de um quarto de linha [meio milímetro] de espessura e cuja transparência permite ver-se o volume de água que contém. A cor varia do branco ao vermelho e do amarelo ao verde; o tamanho é o de uma laranja comum; vende-se por um vintém, e os menores a dez réis. 


Escrava vende limões-de-cheiro em seu tabuleiro. 


Cena de Carnaval, detalhe, Debret, 1823. 

A fabricação consiste simplesmente em pegar uma laranja verde de tamanho médio, cujo caule é substituído por um pedacinho de madeira de 10 a15 cm que serve de cabo, e mergulhá-la na cera derretida. Operada essa imersão, retira-se o fruto ligeiramente coberto de cera e mergulha-se em água fria, a fim de que se revista de uma película de um quarto de linha de espessura, bastante resistente, entretanto. Parte-se em seguida esse molde, ainda elástico, a fim de retirar a laranja, e, aproximando-se as partes cortadas, solda-se o molde de novo com cera quente, tendo-se o cuidado de deixar a abertura formada pelo pedaço de madeira para a introdução da água perfumada com que deve ser enchido o limão-de-cheiro. O perfume de canela, que se exala de todas as casas do Rio de Janeiro durante os dois dias anteriores ao carnaval, revela a operação, fonte dos prazeres esperados. 


Para o brasileiro, portanto, o carnaval se reduz aos três dias gordos, que se iniciam no domingo às 5 horas da manhã, entre as alegres manifestações dos negros, já espalhados nas ruas a fim de providenciarem o abastecimento de água e comestíveis de seus senhores, reunidos nos mercados ou em torno dos chafarizes das vendas. Vemo-los aí, cheios de alegria e saúde, mas donos de pouco dinheiro, satisfazerem sua loucura inocente com a água gratuita e o polvilho barato que lhes custa cinco réis.” 



A guerra de limões-de-cheiro Continua Debret, descrevendo como se brincava o carnaval no Brasil: “Com água e polvilho, o negro, nesse dia, exerce impunemente nas negras que encontra toda a tirania de suas bobagens grosseiras (…). Um tanto envergonhada, a pobre negra entregadora, vestida voluntariamente com sua pior roupa volta para casa com o colo inundado e o resto do vestido com as marcas das mãos imundas do negro que lhe lambuzou de branco o rosto e os cabelos. (…) Nesses dias de alegria, os mais bagunceiros, embora sempre respeitosos para com os brancos, reúnem-se depois do jantar nas praias e nas praças, em torno dos chafarizes, a fim de se inundarem de água, mutuamente, ou de nela mergulharem uns aos outros por brincadeira (…). Quanto às negras, somente se encontram velhas e pobres nas ruas, com o seu tabuleiro à cabeça, cheio de limões-de-cheiro vendidos em benefício dos fabricantes. Muitos negros de todas as idades são empregados nesse comércio, até a hora da ave-maria, quando se suspendem os divertimentos. 


Carnaval na Rua do Ouvidor (detalhe), de Ângelo Agostini, 1884. 


Sessenta anos depois da cena pintada por Debret, a folia com água e limões-de-cheiro continuava nas ruas. Vi, durante a minha permanência, alguns grupos de negros mascarados e fantasiados de velhos europeus lhes imitavam muito jeitosamente os gestos, ao cumprimentarem à direita e à esquerda as pessoas instaladas nos balcões; eram escoltados por alguns músicos, também de cor e igualmente fantasiados. Mas os prazeres do carnaval são também animados e compartilhados por um terço da população branca brasileira, isto é, a geração de meia-idade, ansiosa por abusar alegremente, todas suas forças e habilidade, consumindo em enorme quantidade os limões-de-cheiro disponíveis. Domingo depois do almoço, o vendeiro procura provocar o vizinho da frente com incidentes insignificantes, a fim de atraí-lo à rua e jogar-lhe o primeiro limão ao rosto. Alguns jovens franceses, empregados no comércio, passeiam como se fossem sentinelas avançadas, armados de limões, e aproveitam a oportunidade para inundar uma senhora, também francesa, ocupada no fundo da loja semifechada. Veem-se também jovens negociantes ingleses, consagrando de bom grado a um quarto de hora de brincadeira lícita, passar com orgulho e arrogância, acompanhados por um negro vendedor de limões, cujo tabuleiro esvaziam pouco a pouco, jogando os limões às pessoas que nem sequer conhecem. Alguns gritos, entrecortados de gargalhadas, revelam ao locatário do primeiro andar, cujo cômodo da frente já foi esvaziado de seus móveis, por precaução, que chegou a hora de abrir as janelas, ou para evitar que se quebrem os vidros ou para se preparar ele próprio para a batalha de limões. (…) Durante mais de três horas, vê-se grande quantidade desses projéteis cruzando-se de todos os lados nas ruas da cidade e estourando contra um rosto, um olho ou um colo. O banho decorrente, de mais ou menos um copo de água aromática, suporta-se agradavelmente, em vista do calor extremo da estação. É natural que, após semelhante combate, todo grupo de um balcão, molhado como ao sair de um banho, se retire para mudar de roupa; mas logo volta com o mesmo entusiasmo. E uma moça sempre se orgulha do grande número de vestidos que lhe molharam nesses dias gloriosos para seus dotes de habilidade. Se a batalha de limões, graças a essa familiaridade espontânea tolerada durante três dias seguidos, se torna muitas vezes a causa de novas relações entre beligerantes, é ela, por outro lado, motivo de isolamento para as pessoas tranquilas, que se fecham em casa e não ousam sair à janela.” 


Leitura da imagem “Cena de Carnaval” 
Cena de Carnaval, Debret, aquarela sobre papel, 18 x 23 cm, 1823. 

Debret explica a cena que ele pintou em aquarela sobre papel: “A cena se passa à porta de uma venda, instalada como de costume numa esquina. A negra sacrifica tudo ao equilíbrio de seu cesto, já repleto de provisões que traz para seus senhores, enquanto o moleque, de seringa de lata na mão, joga um jato de água que a inunda e provoca um último acidente nessa catástrofe carnavalesca. Sentada à porta da venda, uma negra mais velha ainda, vendedora de limões e de polvilho, já enlambuzada, com seu tabuleiro nos joelhos, segura o dinheiro dos limões pagos adiantado, que um negrinho, tatuado voluntariamente com barro amarelo, escolhe, como campeão entusiasta das lutas em perspectiva. Perto deste e da porta pequena da venda, outro negro, orgulhoso da linha vermelha traçada na testa, adquire um pacote de polvilho a um pequeno vendedor de 9 a 10 anos; em cima, uma negra dispõe-se a vingar com um limão o punhado de polvilho que lhe recobre a face e parte do olho; ao lado da mesma porta, outro negro, grotescamente tatuado, está de tocaia. O vendeiro, tendo retirado precipitadamente todos os comestíveis que de costume expõe à sua porta, deixou tão-somente garrafas cobertas de palha trançada, abanadores e vassouras. 

Cena de carnaval (detalhe), Debret, 1823. No fundo do quadro podem-se observar famílias tomadas da loucura do momento, uma vendedora ambulante de limões, negros lutando e um pacífico cidadão escondido atrás de seu guarda-chuva aberto e que circula por entre restos de limões de cera. A ave-maria impõe uma trégua e algumas rondas policiais acabam por implantar a paz.” Origem do carnaval O carnaval presenciado por Debret era chamado, então, de entrudo. Fora introduzido no Brasil pelos portugueses, provavelmente no século XVI, mas sua origem remonta à Idade Média e designava uma série de brincadeiras que variavam de aldeia em aldeia. 



Para outros estudiosos, a história do carnaval é ainda mais antiga e está associada às Saturnais romanas, festas pagãs em honra a Saturno, e realizadas em dezembro. Durante as Saturnais, os escravos ocupavam o lugar dos senhores, satirizavam-nos e comportavam-se como homens livres. Talvez isso explique o fato do carnaval ser uma provocação à ordem instituída. 

Outros autores ligam a origem do Carnaval às Dionisíacas ou Bacanais, festas realizadas na Grécia e em Roma antiga em honra a Dionísio ou Baco, deus do vinho. Estas festividades incluíam manifestações de euforia com danças, provocações, cortejos musicais e encenações. Seja como for, o carnaval brasileiro está diretamente ligado ao entrudo medieval. Uma das obras mais antigas e características alusiva a essa festa popular é o quadro de Pieter Bruegel, o Velho, intitulado Luta entre o Carnaval e a Quaresma (1599). O quadro está dividido em duas partes representando respectivamente, o carnaval e a quaresma. 


A parte central e à esquerda, simboliza todos os excessos próprios do carnaval: música, jogos, bebidas, comida, desordem e euforia. A metade oposta, à direita, representa a austeridade da quaresma, período de renúncia, penitência e recolhimento. Luta entre o carnaval e a quaresma”, Pieter Bruegel, 1599, 118 x 164 cm, Kunsthistorisches Museum de Viena O entrudo no Brasil Brincava-se o entrudo dentro das casas senhoriais em que os jovens lançavam entre si limões-de-cheiro, como registrou o pintor inglês Augustus Earle, em sua segunda passagem ao Brasil, em 1822. Até mesmo o imperador D. Pedro II participou da brincadeira, conforme noticiado pelo jornal Gazetinha, de 1882. 



Mas a folia maior acontecia nas ruas das cidades envolvendo escravos e forros. O conteúdo dos limões-de-cheiro variava de água de chafarizes, a café, groselha, tinta, lama e até mesmo urina. O lançamento de polvilho ou outro tipo de pó completava a molhadeira. Jogos durante o entrudo no Rio de Janeiro, aquarela, Augustus Earle, 1822. A partir de 1830, a brincadeira passou a sofrer críticas por parte de alguns setores da população levando a repressões policiais e a proibições legais. A festa da rua, popular e negra começou a ser vista como uma manifestação grosseira e perigosa. 



Em meados de 1840, um grupo teatro italiano organizou no teatro São Januário, no Rio de Janeiro, “um carnaval veneziano de máscaras”. Inaugurava-se uma nova fase do carnaval brasileiro, separando os festejos da sociedade branca do entrudo dos negros. Clubes privados passaram a organizar o carnaval para seus sócios. Lojas da Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro, anunciavam a venda de fantasias e máscaras. Entre elas, ganhou popularidade as dos personagens da commedia dell’arte italiana – Pierrô, Arlequim e Colombina – que acabaram se incorporando ao folclore urbano e literário nacional. Depois de algumas tentativas de coibir o entrudo, ele foi proibido em 1854. Mesmo assim, continuou sendo realizado, porém em menor escala. 

Ainda na década de 1880, o entrudo anárquico ocorria nas ruas centrais da corte, como registrou Ângelo Agostini, enquanto nos salões aristocráticos brincava-se o carnaval organizado da elite imperial. “Os bailes carnavalescos de salão – privatizando um divertimento público para os sócios dos clubes e os que podiam adquirir ingresso – haviam se tornado a marca de distinção, coisa de gente fina. Em oposição ao “entrudo moleque”, festa pública para o grande público, evento de rua e alvo designado das cacetadas da polícia.


 (ALENCASTRO: 1997, p.53.) Para saber mais ALENCASTRO, Luiz Felipe de. Vida privada e ordem privada no Império. In: ALENCASTRO, Luiz Felipe de (org.). História da vida privada no Brasil: Império. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. ARAÚJO, Hiram. Carnaval: seis milênios de história. Rio de Janeiro: Gryphus, 2003. DEBRET, Jean-Baptiste. Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, 1816-1831. São Paulo: Melhoramentos, 1971. FERREIRA, Felipe. Inventando carnavais: surgimento do carnaval carioca no século XIX e outras questões carnavalescas. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005. FERREIRA, Felipe. O livro de ouro do carnaval brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. MORAES, Eneida de. História do carnaval carioca. Rio de Janeiro: 1987. PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. O Carnaval das Letras. São Paulo: Unicamp, 2015. PINHEIRO, Marlene Soares. Sob o signo do carnaval. São Paulo: Annablume, 1995. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.




fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti


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--in via tradutor do google

CARNIVAL UNDER DEBRET LOOK, Rio de Janeiro, Brazil. (1816-1831) ---


During the fifteen years of his stay in Brazil (1816-1831), the French painter Jean-Baptiste Debret recorded scenes of everyday life including the carnival in Rio de Janeiro. In letters sent to Paris and the book he wrote later - picturesque and historic trip to Brazil - illustrated with 220 prints on 151 boards, made detailed descriptions of the events he witnessed. Selected below, the comments of Debret on the carnival that he saw in the streets of the Court in 1823.

The carnival in Rio de Janeiro
"Carnival in Rio and all the provinces of Brazil do not remember, in general, nor the dances or the noisy strings of masked that in Europe, appeared on foot or by car on the busiest streets, or races xucros horses, so common in Italy. The only preparations of the Brazilian carnival consist of the manufacture of lemons-of-smell, activity that fills the small capitalist family, the poor widow, the free black woman who meets two or three friends, and finally the black of rich houses, and all, with two months in advance and the strength of economies, seeking constitute a provision of wax. Lemon-de-scented, single object of carnival amusements, is a mock orange, fragile shell wax an online room [half a millimeter] thick and whose transparency allows you to see the volume of water it contains. The color varies from white to red and yellow to green; It is the size of an ordinary orange; It is sold for a penny, and the smallest ten reis.

Slave sells lemons-smell on your board.

Carnival scene, detail, Debret, 1823.

The production is simply to get a green orange medium size, whose stem is replaced by a piece of wood 10 to 15 cm serving cable, and dip it into the melted wax. Operated this immersion, withdraws slightly covered fruit wax and is immersed in cold water, so it is of a film of a thick line room, very tough, however. Part was then this mold, yet elastic in order to remove the orange and approaching the cut pieces, welded to the new mold with hot wax, taking care to leave the opening formed by piece timber for introducing scented water that must be filled-of-lemon smell. The cinnamon scent that exudes all the houses of Rio de Janeiro during the two days before the carnival, reveals the operation, the source of the expected pleasures.

For the Brazilian, so the carnival comes down to the three fat days, beginning on Sunday at 5 am, between the joyful manifestations of blacks, already scattered in the streets in order from offering the supply of water and edible of their masters gathered in the markets or around the fountains of sales. We see them there, full of joy and health, but owners of little money, satisfy their innocent madness with free water and cheap flour that costs five reis them. "

The war lemons-to-smell still Debret, describing as playing the carnival in Brazil: "With water and flour, the black on that day exercises with impunity in black finding all the tyranny of their gross nonsense (...). Somewhat embarrassed, the black poor delivery girl, dressed voluntarily with their worst clothes back home with flooded lap and the rest of the dress with the marks of the filthy hands of black that white smeared her face and hair. (...) In these days of joy, the most unruly, though always respectful to the whites, gather after dinner on the beaches and in the streets, around the fountains in order to flood water, each other, or it immerse each other for fun (...). As for black only are old and poor street, with its board to the head, full of lemons-to-smelling sold for the benefit of manufacturers. Many blacks of all ages are employed in this trade, until the hour of Ave Maria, when discontinuing the amusements.

Carnival in Ouvidor Street (detail), Angelo Agostini, 1884.

Sixty years after the scene painted by Debret, the revelry with water and lemons-to-smell was still in the streets. I saw during my stay, some masked black groups and European old costumes imitated them very handily gestures, to greet right and left people installed in branches; were escorted by some musicians also color and also costumed. But the carnival pleasures are also excited and shared by one third of the white population, that is, the generation of middle-aged eager to abuse happily, all his strength and skill, consuming an enormous amount the-lemons-smelling available . Sunday after lunch, the landlord seeks to provoke the front neighbor with insignificant incidents in order to lure him into the street and throw him the first lemon to the face. Some young French people employed in the trade, stroll as if they were scouts, armed lemons, and take the opportunity to flood a lady, also French, occupied the semi-closed Store background. They find themselves too young English merchants, consecrating willingly to a lawful play of quarter of an hour passed with pride and arrogance, accompanied by a black seller lemons, whose board little Empty bit, throwing lemons people do not even They know. Some cries, interspersed with laughter, reveal the tenant of the first floor, whose room in the front has been emptied of its furnishings, as a precaution, it is time to open the windows, or to avoid breaking the glass or to prepare it himself for battle lemons. (...) For more than three hours, you see lots of these projectiles crossing from all sides on the streets and bursting against a face, an eye or neck. The bath resulting in more or less a glass of water aromatic supports up nicely in view of the extreme heat of the station. 

It is natural that after such combat, every group from a balcony, wet as when leaving a room, to withdraw to change clothes; but soon back with the same enthusiasm. And a girl always takes pride in the large number of dresses that you watered those glorious days for their skill endowments. If the battle lemons, thanks to this spontaneous familiarity tolerated for three days straight, often becomes the cause of new relations between belligerents, is she, on the other hand, insulation reason for the quiet people who close at home and they dare not go out the window. "



Reading the image "Carnival Scene"
Carnival scene, Debret, watercolor on paper, 18 x 23 cm, 1823.

Debret explains the scene he painted in watercolor on paper: "The scene takes place outside a sale, located as usual in a corner. The black sacrifices everything to balance your cart, already filled with provisions that brings to their masters, while the boy, tin syringe in hand, plays a jet of water that floods and causes an accident that last carnival catastrophe. Sitting at the door of the sale, an older black yet, selling lemons and flour, as enlambuzada, with his tray on his knees, holding the money from paid lemons advance, a black boy, tattooed voluntarily with yellow clay, singles, as champion enthusiast prospective fights. Nearby and the small port of the sale, the other black, proud of the red line drawn on the forehead, get a dust pack a small seller 9-10 years; on top, a black is willing to avenge the flour with a lemon handful of covering his face and part of the eye; side of the same door, the other black, grotesquely tattooed, is lurking. The landlord, having hastily removed all edible habit of bringing up to your door, left merely covered with straw braided bottles, shakers and brooms.

carnival scene (detail), Debret, 1823. As part of the background can be seen families taken from the madness of the moment, a peddler of lemons, black fighting and a peaceful citizen hiding behind his open umbrella and circulates between remnants of wax lemons. The Hail Mary imposes a truce and some police patrols eventually deploy peace. "Carnival Origin The carnival attended by Debret was called then of Shrovetide. It was introduced in Brazil by the Portuguese, probably in the sixteenth century, but its origin dates back to the Middle Ages and designated a number of games ranging from village to village.

For other scholars, the history of the carnival is even older and is associated with the Roman Saturnalia, pagan feasts in honor of Saturn, and held in December. During the Saturnalia slaves occupied the place of lords, satirized us and behaved like free men. Perhaps this explains the fact that the carnival is a challenge to the established order.

Other authors link the origin of Carnival to Dionysia or Bacchanals, parties held in Greece and ancient Rome in honor of Dionysus or Bacchus, god of wine. These festivities included euphoria of events with dancing, teasing, musical parades and performances. Anyway, the Brazilian carnival is directly linked to the medieval Shrovetide. One of the oldest works and allusive features to this popular festival is Pieter Bruegel frame the Elder titled Fight between Carnival and Lent (1599). The table is divided into two parts representing respectively, Carnival and Lent.

The central part and left, symbolizes all Carnival own excesses: music, games, drinks, food, disorder and euphoria. The opposite half, right, is the austerity of Lent, waiver period, penance and meditation. Fight Between Carnival and Lent "Pieter Bruegel, 1599, 118 x 164 cm Kunsthistorisches Museum Vienna The Shrovetide in Brazil it played up the Shrovetide in the manor houses where young people threw each other lemons-of-smell, as recorded English painter Augustus Earle, in his second stint in Brazil in 1822. even the emperor D. Pedro II attended the game, as reported by the newspaper Gazetinha, 1882.

But the biggest revelry happening on the streets of cities involving slaves and freed slaves. The content of the odor--lemons varied water fountains, coffee, blackcurrant, ink, mud and even urine. The launch of flour or other powder completed the molhadeira. Games during Shrovetide in Rio de Janeiro, watercolor, Augustus Earle, 1822. From 1830, the game has come under criticism from some sectors of the population leading to police repression and legal prohibitions. The feast of the street, popular black and began to be seen as a rough and dangerous manifestation.

In mid 1840, an Italian theater group organized the San Gennaro theater in Rio de Janeiro, "a Venetian carnival masks." Inaugurated to a new phase of the Brazilian carnival, separating the celebration of white society of the black Shrovetide. private clubs began to organize the carnival for its members. Stores Ombudsman Street, in Rio de Janeiro, announced the sale of costumes and masks. Among them, won the popularity of the characters from the Italian commedia dell'arte - Pierrot, Harlequin and Columbine - which ended up incorporating the urban and national literary folklore. After a few attempts to curb the Shrovetide, it was banned in 1854. Even so, he continued to be held, but on a smaller scale.

Even in the 1880s, the anarchic Shrovetide took place in the central streets of the court, as recorded Angelo Agostini, whereas in aristocratic salons played up the carnival organized the imperial elite. "The carnival ballroom of - privatizing a public fun for club members and those who could gain entry - had become a mark of distinction, fine people thing. As opposed to "Shrovetide kid," public festival for the general public, street event and designated target of police clubbing.

 (ALENCASTRO: 1997, p.53.) To learn more ALENCASTRO, Luiz Felipe. privacy and private order in the Empire. In: ALENCASTRO, Luiz Felipe de (ed.). History of Private Life in Brazil: Empire. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Araujo, Hiram. Carnival: six millennia of history. Rio de Janeiro: Gryphus, 2003. DEBRET, Jean-Baptiste. picturesque and historic trip to Brazil, from 1816 to 1831. Sao Paulo: Improvements, 1971. FERREIRA, Felipe. Inventing carnivals: rise of the Rio carnival in the nineteenth and other carnival issues. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005. FERREIRA, Felipe. The Golden Book of the Brazilian carnival. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004. MORAES, Eneida of. History of Rio's Carnival. Rio de Janeiro: 1987. PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. The Carnival of Letters. Sao Paulo: Unicamp, 2015. Pinheiro, Marlene Soares. Under the sign of the carnival. Sao Paulo: Annablume, 1995. Schwarcz, Lilia Moritz. The Emperor beards. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.


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