Listen to the text.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Livro de escritora inglesa vai revelar 75 peças nunca expostas por museus de todo o mundo


RIO - Quem nunca imaginou o que há por trás das paredes das paredes de museus, em locais onde só pesquisadores e curadores podem circular? Peças raras, objetos frágeis, exemplares únicos de esqueletos de grandes dinossauros? "Tudo isso e um pouco mais" é a resposta da escritora inglesa Molly Oldfield, que resolveu matar a curiosidade e deu um passo além: entrou nos acervos "secretos" das instituições e está escrevendo um livro sobre 75 preciosidades nunca expostas pelos museus mais importantes do mundo.
"Molly Oldfield's Secret Museum" ("O museu secreto de Molly Oldfield") já tem previsão de publicação na Inglaterra - março do ano que vem - e também está em fase de negociação com editoras brasileiras para chegar às nossas livrarias por um motivo curioso: em meio às suas andanças por museus de todo o planeta, Molly passou por quatro cidades brasileiras e incluiu doze peças de acervos do país nas páginas do livro.
Estão no livro obras dos museu de Arte Sacra, Afro-Brasileiro e da Fundação Jorge Amado, em Salvador; do museu de Zoologia, de Arte de São Paulo (MASP) e do Museu de Arte Contemporânea, em São Paulo; dos museus Nacional, na Quinta da Boa Vista, Histórico Nacional, Carmem Miranda e Internacional de Arte Naïf, no Rio; e do Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Apesar de fazer mistério quanto às obras que escolheu, Molly conta que tipo de peças procurou:
- Cada objeto escolhido tem uma história interessante e é raro por várias razões: muito grande, muito frágil, sensível à luz, risco de explosão... Em outros casos, eles poderiam até ter entrado em exposição mas nunca houve uma oportunidade. Por fim, há peças únicas, que precisam ser estudadas e, por isso, é melhor que fiquem em laboratórios, como alguns esqueletos de dinossauros - explica a escritora, em conversa por e-mail com o GLOBO, direto de Cambridge, na Inglaterra. - Para chegar até as peças, precisei contar com a coragem e um pouco de cara de pau. No Museu de História Natural de Londres, por exemplo, só consegui ver o acervo interno de peixes da instituição depois de dar em troca ingressos para que os curadores vissem as gravações do "QI", programa de perguntas e respostas de que eu participo na BBC.
Como a obra ainda não terminou de ser escrita, já que Molly ainda precisa concluir suas visitas a Amsterdã, Veneza, Estocolmo e alguns países asiáticos, as peças escolhidas ainda estão envoltas em mistério. No entanto, quando perguntada sobre as peças brasileiras, a escritora deixa escapar uma das escolhas: um conjunto de seis telas sem título, pintadas pelo pintor naïf R. Ozias, que retratam, em capítulos, a vinda de escravos da África para o Brasil. As obras estão no Museu Internacional de Arte Naïf, no Cosme Velho, desde que foram pintadas, em 2005.
- Quando cheguei ao Rio, em 2011, o museu estava fechado, mas mesmo assim tentei entrar em contato com a família Finkelstein, que administra o espaço. Expliquei que queria algo especial, nunca visto pelo público e eles me apresentaram as telas. Logo me apaixonei - conta a escritora.
As pinturas foram criadas por estímulo de Lucien Finkelstein, o fundador do museu, que planejava expô-las no aniversário de 120 anos da abolição da escravidão, em 2008. No entanto, Lucien morreu neste mesmo ano e as telas nunca foram exibidas. Até hoje, só a família Finkelstein e parentes de Ozias viram as pinturas.

fonte:

Nenhum comentário:

Postar um comentário