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sábado, 14 de março de 2015

Esporte e publicidade disputam seu próprio jogo em um museu argentino - "É o primeiro, com certeza, e talvez o único museu de marketing esportivo do mundo",

A primeira publicidade no futebol, uma camisa do River Plate com as cores do Boca Juniors e um tênis de handebol gigante são alguns dos tesouros guardados no museu de marketing esportivo que, no coração de Buenos Aires, conta o "jogo das marcas".

"É o primeiro, com certeza, e talvez o único museu de marketing esportivo do mundo", afirmou Claudio Destéfano, jornalista criador do "Templo del otro partido" (Templo do outro jogo), à Agência Efe.

Na instalação, está exposta, por exemplo, a primeira camisa de futebol do mundo com publicidade. O mítico uniforme com o patrocínio do licor Jagermeister, utilizado pelo clube alemão Eintracht Braunschweig em 1977, está ao alcance do visitante que quiser tocá-la, tirar fotos e vestí-la, assim como as outras 1,7 mil camisetas que existem no museu.

A sala tem mais de 15 mil objetos históricos, de vários esportes, que vão desde camisas de Lionel Messi e jogos tabuleiro com o rosto de Diego Maradona, até peças insólitas como um tênis de quase meio metro, do jogador argentino de handebol Jorge González.

"Tudo o que tenho, camisas e peças, têm que ser históricas ou ter alguma história", garantiu o jornalista.

Destéfano contou que a ideia por trás do "templo", que abriu suas portas há quatro anos, é que empresários e atletas vejam "o outro jogo", o das marcas.

Entre seus tesouros, o colecionador guarda a peça com que Argentina estreou no campo do marketing esportivo, em 1967, quando o Boca Juniors levou, pela primeira vez, uma peça de uniforme com logotipo, no caso, do refrigerante Crush.

"O Boca entrava em campo, tirava a foto, retirava a blusa e, por baixo, estava a camisa azul e dourada", relatou Destéfano, que confessou ser um torcedor fanático do clube argentino, ao ponto de ter o estádio La Bombonera, para realizar seu próprio casamento.

Entre os tesouros dos quais tem mais cuidado, o jornalista e empresário fala de uma camisa que não se destaca por sua publicidade, mas por ser "a camisa mais importante da história do Boca", uma peça improvisada para uma partida em 1984, quando viram que alguém tinha roubado o vestiário da equipe.

"Tiveram que pintar os números nas camisas, ou seja, era quase uma obra de Van Gogh o que os jogadores utilizaram, que desbotava porque estavam pintadas com uma caneta hidrográfica", afirmou Destéfano, enquanto exibia o número 11 utilizado nesse jogo.

Além das peças históricas, no museu também se pode ver como, através do design das camisas de futebol, cada país tem suas particularidades ao escolher sua indumentária esportiva.

"Os mexicanos têm camisetas que parecem macacões de automobilismo, cheias de publicidade", disse o jornalista, que os diferenciou, por exemplo, dos uruguaios, que são "muitíssimo mais sóbrios".

Os clubes colombianos, por sua vez, costumam ter muitas propagandas de cerveja em suas camisas. Segundo o jornalista, o Nacional de Medellín chegou a ser apelidado de "sacola de supermercado" quando tinha a Nike como distribuidora de material esportivo.

Na lista de singularidades, a Argentina também tem algo especial. Segundo Destéfano, isso não ocorre em muitos países do mundo e tem a ver com o fato de os patrocinadores terem o costume de apoiar equipes rivais ao mesmo tempo.

"Há muita rivalidade entre cidades e esta faz com que a marca esteja com os dois ou fora dos dois", afirmou o jornalista, que especificou o caso dos grandes clássicos argentinos.

"Muitas marcas patrocinaram Boca e River simultaneamente", disse e enumerou mais casos como "Rosario Central e Newell's Old Boys, em Rosário; Talleres e Belgrano, em Córdoba; e Colón e Unión, em Santa Fé".

Essas mesmas rivalidades esportivas deram lugar a histórias insólitas, como a de um clube de Córdoba, no centro da Argentina, que em 1927 uniu os dois protagonistas do clássico mais importante do futebol argentino em uma mesma camisa.

"Se chama Clube Atlético Biblioteca River Plate, existe ainda e tem as cores do Boca e o nome do River", contou o jornalista, que acrescentou que o clube foi criado por torcedores de Boca e River, que, ao não chegarem a um acordo, decidiram no cara e coroa, com um grupo escolhendo o nome e o outro, as cores.

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://esportes.terra.com.br/futebol/esporte-e-publicidade-disputam-seu-proprio-jogo-em-um-museu-argentino,5f9ff7e66730c410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

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