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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Museu tipográfico que contou com apoio da UFMG inaugurado em Diamantina

Único do gênero no Brasil, o museu é resultado do projeto Memória do Pão de Santo Antônio. A nova instituição abriga 80 anos da memória da tipografia e da atividade jornalística mineira e brasileira.


O evento de inauguração terá início às 10h, na antiga tipografia de jornais da Associação do Pão de Santo Antônio, oficina que resistiu aos modos de impressão industriais, ao longo do século 20, até 1990. Na ocasião, será posta em funcionamento a antiga máquina impressora parisiense, trazida para o Brasil no século 19 e que foi responsável pela impressão dos jornais Pão de Santo Antônio e Voz de Diamantina. Os tradicionais periódicos diamantinenses circularam durante quase 100 anos, registrando momentos importantes da história do país, com olhar local.



Além da solenidade de abertura, haverá um café da manhã, um encontro com tipógrafos, o lançamento do catálogo e do site do museu, assim como a publicação do Jornal Tipográfico Pão de Santo Antônio, dedicado à memória da imprensa tipográfica, que será impresso na antiga máquina impressora do Museu, agora restaurada. O evento de inauguração será aberto ao público. O museu vai funcionar de quarta a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h. 

Meios de produção
Algumas iniciativas tentam preservar, no Brasil, os rastros de um patrimônio em grande parte perdido: o Museu da Imprensa, criado há 30 anos na Imprensa Nacional, em Brasília; as atividades pedagógicas e editoriais desenvolvidas pelo Museu Vivo Memória Gráfica, no Centro Cultural UFMG, e o recém-criado Ateliê Tipográfico, espaço de produção e visitação vinculado ao Centro Editorial e Gráfico da Universidade Federal de Goiás.

“O Museu Tipografia Pão de Santo Antônio é único do gênero no Brasil pelo fato de unir os meios de produção próprios da tipografia (máquinas, ferramentas e práticas da cultura do impresso) e os jornais impressos saídos dos prelos de sua oficina, ao longo do século 19”, ressalta a professora Ana Utsch, do Curso de Conservação e Restauro da Escola de Belas Artes da UFMG.

A pesquisadora lembra que grande parte dos objetos que constituem a história da cultura impressa é cotidianamente negligenciada. Máquinas impressoras, prelos, matrizes, clichês, mobiliário diversificado, ferramentas específicas, cavaletes, gavetas e outros objetos, por não terem estatuto patrimonial definido, são tratados como lixo e sucata. “Portanto, são espaços como esses que colaboram para a afirmação de uma dimensão patrimonial dos equipamentos e das técnicas, expandindo a noção de patrimônio gráfico”, explica Ana Utsch.

Acervo
O novo espaço é composto por máquinas impressoras, cavaletes tipográficos, mobiliário, clichês e outras ferramentas, que se juntam a quase quatro mil exemplares dos jornais ali redigidos e impressos por mais de 80 anos.

O museu tem proposta pautada também no presente. Depois de minuciosa restauração, os equipamentos remanescentes da antiga tipografia foram reativados, e, por meio de ações educativas e editoriais, o visitante tem a oportunidade de vivenciar o patrimônio gráfico em movimento: máquinas e técnicas do passado são manuseadas por homens e mulheres do presente. O museu tem ainda uma dimensão viva e ativa do patrimônio gráfico, ampliando suas ações de diálogo com a comunidade a partir do desenvolvimento de publicações, oficinas abertas e uma hemeroteca física e digital.

Projeto
Contemplado pelo Programa Petrobras Cultural e contando com apoio da UFMG, o projeto Memória do Pão de Santo Antônio nasceu com o objetivo de resgatar mais de 80 anos de memória da tipografia e da atividade jornalística mineira e brasileira através da preservação dos acervos museológico e documental da Associação do Pão de Santo Antônio.

No edifício que abriga, desde 1901, a Associação do Pão de Santo Antônio funcionou uma oficina de tipografia onde foram impressos os jornais Pão de Santo Antônio e A Voz de Diamantina, entre 1906 e 1990. Esse registro quase se perdeu com o passar dos anos. Até dois anos atrás, jornais e equipamentos da antiga técnica de composição e impressão, como cavaletes tipográficos de madeira, tipos, ornamentos de chumbo, clichês, matrizes de xilogravura, que testemunham um período histórico relevante da produção jornalística local e nacional, encontravam-se ameaçados pelas precárias condições de conservação e guarda.

Em 2001, a pedido da Associação do Pão de Santo Antônio, a então diretora de Ação Cultural da UFMG, Sônia Queiroz, solicitou diagnóstico sobre o estado de conservação dos acervos ao Museu Vivo Memória Gráfica da UFMG, coordenado pela professora e pesquisadora Ana Utsch. Realizado pela restauradora Janes Mendes Pinto, ex-aluna do curso de Conservação-Restauração da UFMG, o diagnóstico listou as potencialidades do acervo.

Constatou-se, então, a necessidade de se elaborar um projeto para recuperar o patrimônio gráfico e documental. “É surpreendente a capacidade de sobrevivência de uma tecnologia de composição e impressão suplantada pela fotocomposição, pelo offset e pelas novas tecnologias digitais”, comenta Ana Utsch, referindo-se ao fato de a prática ter resistido até 1990 concomitantemente a processos essencialmente industriais.

Ela reuniu e coordenou equipe de restauradores, designers, historiadores e museógrafos. Ao longo de dois anos, eles se dedicaram diariamente ao projeto com a finalidade de conservar, restaurar e reabilitar a antiga tipografia. Também foram restaurados e digitalizados quatro mil exemplares dos dois periódicos, publicados nesse longo período, com apoio da Divisão de Coleções Especiais da Biblioteca Universitária da UFMG, que hoje hospeda o acervo eletrônico vinculado ao site do Museu. Neste mês, o projeto se conclui com a inauguração do Museu Tipografia Pão de Santo Antônio e com o lançamento das publicações.

O museu fica na Praça Professor José Augusto Neves, 171, bairro Rio Grande, em Diamantina. O telefone é (38) 3531-3861.

fonte: @edisonmariotti #edisonmariotti http://www.museutipografia.com.br/

(Com assessoria de imprensa do projeto Memória Pão de Santo Antonio)

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