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domingo, 8 de novembro de 2015

Cientistas descobrem fósseis de animais mais antigos que os dinossauros no Piaui, Brasil

Cientistas descreveram a descoberta novas espécies de anfíbios e um réptil no Nordeste brasileiro, mais especificamente no Piauí, no Maranhão e no Tocantins. Os fósseis encontrados possuem aproximadamente 278 milhões de anos, correspondendo ao período Permiano, referente ao final da era paleozoica, sendo mais antigo que os dinossauros.


A pesquisa faz parte do projeto “Prospecção paleontológica na Bacia do Parnaíba: Revelando um novo ecossistema permiano nos trópicos do Gonduana” e é desenvolvida pelo paleontólogo da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Juan Carlos Cisneros, juntamente com mais cinco cientistas estrangeiros.

Os fósseis foram encontrados na região da Bacia do Parnaíba, local já conhecido dos paleontólogos pelos achados históricos de troncos petrificados. Muitos destes troncos afloram dentro da cidade de Teresina, onde há uma verdadeira floresta fóssil às margens do Rio Poti.

Juan Carlos Cisneros (foto abaixo) explica que as primeiras duas espécies encontradas foram de anfíbios carnívoros arcaicos. A primeira delas, Timonya anneae, era um pequeno anfíbio inteiramente aquático com presas e guelras, e um aspecto que lembraria uma mistura entre uma salamandra aquática e uma enguia. Seu nome homenageia o município de Timon, no Maranhão, onde foi descoberta.



A segunda espécie é Procuhy nazariensis, um anfíbio cujo nome na língua timbira - nativa do Maranhão, Piauí e Tocantins - significa "sapo de fogo", faz homenagem ao município de Nazária, no Piauí. Contudo, Procuhy nazariensis não morava no fogo, vivia submerso na água. Seu nome vem da formação geológica Pedra de Fogo na qual foi encontrado (a formação tem esse nome pela presencia de sílex, uma rocha usada para produzir fogo). Embora ambas as espécies fossem parentes distantes dos anfíbios modernos, elas não eram verdadeiras salamandras nem sapos, mas membros de um grupo extinto que era comum no Período Permiano.

A terceira espécie é um anfíbio do tamanho de um pequeno jacaré, cujos parentes mais próximos viveram vinte milhões de anos depois no Paraná e na África do Sul. A outra é uma espécie de réptil com aspecto de lagartixa que até agora só tinha sido encontrada na América do Norte.

Segundo Juan Carlos Cisneros, até agora, tinha-se pouca informação sobre os animais que habitaram o hemisfério sul, e a pesquisa intitulada “Nova fauna permiana do Gondwana tropical”, estudo publicado na revista Nature Communications no último dia 05 de Novembro, foi desenvolvido como forma de ajudar a preencher esta lacuna geográfica de 278 milhões de anos e revelar como os animais se dispersaram nas regiões do antigo supercontinente, Pangeia.


O Paleontólogo explica sobre a ocorrência de um réptil registrado apenas na América do Norte que foi encontrado durante as escavações realizadas no nordeste brasileiro. "O primeiro réptil encontrado aqui na região dessa idade, é precisamente uma espécie que já era conhecida na América do Norte, precisamente nos estados do Texas e de Oklahoma nos Estados Unidos. Isso significa que a fauna do Piauí tinha uma relação, uma conexão com a fauna daquela região. Hoje em dia parece estranho, mas temos que lembrar que naquela época os continentes estavam unidos, formando o que a gente conhecia como a pangeia. Realmente não é tão difícil que os animais pudessem habitar uma área compartilhada entre os Estados Unidos e o Brasil", disse.

Os fósseis da era paleozoica eram conhecidos unicamente na América do Norte e na Europa, essa é a primeira fauna desta idade encontrada no hemisfério sul. Segundo Juan Cisneros, o fato destas espécies terem sido registradas no Nordeste do Brasil complementa um panorama regional de como era a bacia do Parnaíba naquela época e ajudam os paleontólogos a terem um panorama sobre como estes animais se dispersaram durante o Permiano e como colonizaram novas regiões da Pangeia. “A descoberta preenche uma lacuna do conhecimento na paleontologia mundial sobre a era paleozoica", destaca o paleontólogo.

Os fósseis encontrados no Piauí viajaram pelo mundo, alguns deles estiveram nos Estados Unidos, onde passaram por tratamento de conservação e limpeza, outros deles estiveram na Europa, onde foram tomografados. Especialistas técnicos da Argentina vieram várias vezes em Teresina, ao laboratório da UFPI para fazer a limpeza dos fósseis, inclusive para realização de mini-cursos. “Então essa pesquisa tem sido muito pra nós no sentido de estabelecer firmemente uma nova linha de pesquisa no Piauí e na Universidade Federal do Piauí", comemora Juan Carlos Cisneros.

Os estudo foi financiado pelos seguintes órgãos: Negaunee Foundation, The Grainger Foundation, The Field Museum, Conselho Nacional para a Ciência e Tecnologia, National Geographic Committee for Research and Exploration, Universidad de Buenos Aires Ciencia y Técnica, Sofja Kovalevskaja Award of the Alexander von Humboldt Foundation, e Natural History Museum of London. A equipe de pesquisa inclui cientistas da Universidade Federal do Piauí, Universidad de Buenos Aires (Argentina), Iziko South African Museum e University of Witwatersrand (África do Sul), Natural History Museum (Reino Unido), Museum für Naturkunde and Humboldt-Universität (Alemanha), e Field Museum e Saint Xavier University (EUA).



http://www.portalodia.com/noticias/piaui/cientistas-descobrem-fosseis-de-animais-mais-antigos-que-os-dinossauros-no-pi-252187.html

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