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quinta-feira, 24 de março de 2016

Chilena Patricia Claro homenageia a água em mostra no Museu Nacional, Brasil.

Artista manipula reflexos de água por meio de múltiplas linguagens, como fotografia, pintura e videoinstalação. Exibição abre nesta quarta (23/3) e segue até 24 de abril


Nesta terça (22/3), data em que se comemora o Dia Mundial da Água, chega à cidade uma exposição que lida com o líquido de maneiras abstratas e experimentais. Na mostra “Formas d’Água – Integração por Dispersão”, a chilena Patricia Claro parte de reflexos na água para criar fotografias, gravuras, pinturas e videoinstalações. A mostra abre nesta terça (22/3), às 19h30, no Museu Nacional, e entra em cartaz na quarta (23/3).


Da fotografia à imagem abstrata
Os procedimentos de Patricia trabalham mais com os reflexos da água e as diversas condições que influenciam na luminosidade, como atmosfera e estação do ano, do que o líquido em si. “Primeiro, você acredita que é uma fotografia, quando na verdade é uma pintura. E, depois, percebe que aquela paisagem retratada não existe”, resume o paulista Rafael Raddi, curador da mostra.

Desde cedo, Patricia teve ligação com a pintura. Ela transfere esse interesse pictórico para o início de seu processo, ao fotografar os reflexos de luz na água. “A fotografia proporciona o milésimo de segundo no momento da captação”, explica. As variações da luz ressurgem como camadas de tinta na pintura e ganham efeito multimídia quando a artista elabora video instalações, narradas com apoio da trilha sonora do conterrâneo compositor de trilhas sonoras Max Zegers.

Todos os componentes sujeitos à reflexão interessam à obra da artista. “Ela busca a refração da luz nas fontes de água e ecossistemas aquíferos. Outro interesse é sobre como esse fenômeno se comunica com as sombras das árvores, das pedras, da madeira embaixo d’água, dos igarapés”, descreve Raddi.

Montagem mutante
Na primeira passagem pelo Brasil, Patricia começa por Brasília e depois segue para Campinas (SP), Campo Grande (MS), Belém (PA). Em 2017, encerra o circuito ao visitar Rio de Janeiro (RJ), Campina Grande (PB), Florianópolis (SC) e Foz de Iguaçu (PR). A exposição assume diversas formas a cada nova montagem.

Em cada praça, a curadoria perpassa diferentes processos criativos. Patricia fará residência nos locais de exibição, compondo trabalhos específicos que dialogam com diferentes percepções sobre a água. Raddi explica o subtema de Brasília, “Integração por Dispersão”, que revisita as origens da capital por meio da Missão Cruls e dos paralelos de Dom Bosco, padroeiro da capital.

“Há também o Parque Ecológico das Águas Emendadas e a conexão entre as bacias do Amazonas, São Francisco e Paraná. E o fato de Brasília integrar várias correntes culturais”, analisa o curador. “A capital foi criada para integrar os país, mas a água ao mesmo tempo se dispersa. Ela integra dispersando”, continua.

De 23/3 a 24/3. Terça a domingo, das 9h às 18h30. No Museu Nacional Honestino Guimarães (Esplanada dos Ministérios, Conjunto Cultural da República, 3324-0559). Entrada franca. Classificação indicativa livre.









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