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quarta-feira, 9 de março de 2016

Mãe Sinha é equede no Terreiro Casa Branca, primeira casa de candomblé aberta em Salvador, tombada pelo Iphan em 1986. --- Mother Sinha is equede in Terreiro White House, first open Candomblé house in Salvador, listed by IPHAN in 1986

Equede Sinha fala em livro sobre seu importante papel na Casa Branca

Além do texto da Equede Sinha, o livro tem um farto material gráfico, incluindo fotos inéditas e de acervo.


Gersonice Azevedo Brandão nasceu dentro do Terreiro Casa Branca, em 16 de dezembro de 1945. Filha daquele lugar, Sinha, como é hoje conhecida, passou a ser também uma espécie de grande mãe por ali.

“Eu sou uma equede. E uma equede é uma mãe. Então, não me vejo em outra função dentro do axé. Porque eu sou mãe. E não sei mais separar a mãe genética da mãe religiosa”, diz Mãe Sinha, no livro Equede - A Mãe de Todos.

Mãe Sinha é equede no Terreiro Casa Branca, primeira casa de candomblé
aberta em Salvador, tombada pelo Iphan em 1986 (Foto: Dadá Jaques/Divulgação)


A equede é uma das principais administradoras de um terreiro. Mãe Sinha diz que seu dia a dia, no axé, é como a de uma mãe, que, numa casa, é a primeira a acordar e última a dormir. Nos dias de festa, então, o trabalho é mais intenso: “Sou responsável por deixar tudo preparado. Então, vou à feira, faço compras, ajudo a arrumar a casa. Preparamos tudo para o líder”.

É Mãe Sinha que está sempre ao lado de Mãe Tatá de Oxum, ialorixá da Casa Branca, especialmente antes dela incorporar uma divindade. A equede tem, entre outras funções, o papel de preparar a roupa de Mãe Tatá para os rituais. Bem como a responsabilidade de zelar por ela durante o transe.

Memória
Sinha diz que decidiu escrever o livro para preservar a sua memória e a do terreiro, onde passou toda a vida: “A gente vai esquecendo umas coisas... e tem muita coisa que a gente não quer esquecer, né? Muita coisa que quero deixar para os mais novos e para os meus netos”, justifica.

Para concluir o livro, ela contou com a pesquisa do jornalista Alexandre Lyrio e do designer e fotógrafo Dadá Jaques, ambos da equipe do CORREIO.

“Embora seja uma autobiografia, há um mundo inteiro por trás da história dela. Não é só a vida de uma pessoa, mas de muitas pessoas”, diz Dadá. O designer aponta ainda outra virtude do livro: “Não é uma visão de alguém de fora do candomblé. Não é uma visão de um pesquisador ou de um antropólogo, mas de alguém que vem do terreiro”.

Já Lyrio, que também é editor da publicação, diz que se preocupou em preservar a linguagem original da biografada: “É um texto falado dela e que vai interessar mesmo àqueles que não são iniciados no candomblé. O texto dela é simples para quem é da religião, mas muito rico. E meu papel foi deixá-lo acessível a todos os leitores”.


Fotos
Além do texto da Equede Sinha, o livro tem um farto material gráfico, com mais de 200 fotos, incluindo algumas inéditas (de Dadá Jaques) e outras de acervos como o da Fundação Pierre Verger e do próprio terreiro.

As imagens mostram os diversos ambientes da Casa Branca, incluindo a cozinha do axé, definida no livro como “o melhor lugar da casa”.

“Não se faz nada no candomblé sem comida e bebida. A cozinha é o coração da casa de todo axé. É ali que, além de fazer as comidas dos orixás, se faz também a comida dos ‘pecadores’, como costumo brincar”, diz Sinha.

Há também registros da vida pessoal da religiosa, como uma foto ainda bebê, no colo da mãe, Maria da Conceição. Vovó Conceição, como se tornou conhecida, chegou à Casa Branca aos 27 anos, oito antes do nascimento de Sinha.

“Minha mãe entrou para o candomblé por causa de problemas de saúde. Ela não se tratou pela medicina tradicional. Alguém sugeriu que ela precisava se cuidar espiritualmente”, lembra Sinha. Conceição curou-se e, finalmente, pôde ter filhos. Acabou passando os 54 anos seguintes frequentando a Casa Branca.

E Sinha seguiu o destino da mãe: está no terreiro há 70 anos. “Sou filha de Xangô e de Iansã. Recebi meu icomojadê aos 7 anos de idade”, diz a equede. Icomojadê é o primeiro ritual a que se é submetido no axé.

Sincretismo
No livro, Mãe Sinha dá demonstrações que o candomblé pode conviver harmonicamente com outras religiões, como escreve no texto Quando o Amém Vira Axé: “A tradicional missa de Oxóssi acontece na Igreja do Rosário dos Pretos. Missa do povo de santo em igreja católica só podia ser diferente, né? E é. É quando o amém vira axé”.

A mesma Igreja do Rosário dos Pretos é cenário de outras demonstrações do sincretismo. Ali, acontecem missas promovidas pelo povo santo dedicadas à santos católicos: São Jorge, São Miguel, São Pedro e São Jerônimo.

Embora reconheça que o candomblé ainda seja alvo de preconceito e intolerância, Mãe Sinha diz que hoje a sociedade aceita sua religião com menos resistência: “Atualmente, temos mais consciência de nossa identidade. Sabemos que temos os mesmos direitos de todos os outros”.

Ela lembra que há poucas décadas crianças não podiam frequentar os terreiros: “Achavam que o candomblé era prejudicial aos meninos. Para funcionar, um terreiro precisava de autorização policial. Por todas essas dificuldades, o terreiro tornou-se um espaço de resistência”, diz.








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A cultura é o único antídoto que existe contra a ausência de amor.

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--in via tradutor do google
Mother Sinha is equede in Terreiro White House, first open Candomblé house in Salvador, listed by IPHAN in 1986

Equede Sinha speaks in book about his role in White House

In addition to the text of equede Sinha, the book has a rich graphic material, including unpublished photos and acquis

Gersonice Azevedo Brandão was born in the Terreiro White House on December 16, 1945. Daughter of that place, Sinha, as is now known, has also become a kind of great mother there.

"I'm a equede. And equede is a mother. So I do not see myself in another function within the ax. Because I'm a mother. And I do not know separate the genetic mother's religious mother, "says Mother Sinha in equede book - The Mother of All.

Mother Sinha is equede in Terreiro White House, the first house of Candomblé
opened in Salvador, listed by IPHAN in 1986 (Photo: Dada Jaques / Handout)

The equede is one of the main managers of a yard. Mother Sinha says her day to day, the ax, is like a mother, who, in a house is the first to wake up and last to bed. On feast days, so the work is more intense: "I am responsible for leaving everything ready. So I'm going to the fair, go shopping, help to clean the house. We have prepared everything for the leader. "

It is Mother Sinha who is always beside Mother Tatá of Oshun, the White House ialorixá, especially before it incorporate a deity. The equede has, among other functions, the role of preparing the Mother Tatá clothing for the rituals. And the responsibility to care for them during the trance.

Memory
Sinha says he decided to write the book to preserve their memory and the yard, where he spent all his life: "We will forget some things ... and have a lot that we do not want to forget, right? A lot I want to leave for the younger and my grandchildren, "he explains.

To complete the book, she had to research the journalist Alexandre Lyrio and designer and photographer Dada Jaques, both of MAIL staff.

"While it is an autobiography, there is a whole world behind her story. Not only is the life of a person, but of many people, "says Dada. The designer also shows another view of the book: "It is a vision of someone from outside the Candomblé. It is a vision of a researcher or an anthropologist, but someone coming from the yard. "

Already Lyrio, who is also editor of the publication, said bothered to preserve the original language of biographee: "It's a spoken text her and that will even interest those who are not initiated in Candomblé. Her text is simple for anyone who is of religion, but very rich. And my role was to leave it accessible to all readers. "

Photos
In addition to the text of equede Sinha, the book has a rich graphics, with over 200 photos, including some unpublished (Dada Jaques) and other collections as the Pierre Verger Foundation and own yard.

The images show the various environments of the White House, including the kitchen ax defined in the book as "the best place in the house."

"Nothing is done in Candomblé without food and drink. The kitchen is the heart of the home of every ax. It is there that, in addition to the meals of the Orishas, ​​it also makes the food of sinners', as I usually play, "says Sinha.

There are also records of personal religious life, as a still photo baby in the mother's lap, Maria da Conceição. Grandma Conception, as it became known, came to the White House after 27 years, eight before the birth of Sinha.

"My mother came to Candomblé because of health problems. She was not treated by traditional medicine. Someone suggested that she needed to care spiritually, "recalls Sinha. Conception healed up and finally could have children. Just passing the 54 following years attending the White House.

And Sinha followed the mother's fate: it is in the yard for 70 years. "I am the daughter of Shango and Iansa. I received my icomojadê to 7 years old, "says equede. Icomojadê is the first ritual to which it is submitted to the ax.

Syncretism
In the book, Mother Sinha gives demonstrations to Candomblé can live in harmony with other religions, as he writes in the text when the Amen Vira Axe: "The traditional Oxóssi Mass takes place in the Rosary of the Black Church. Mass of the holy people in the Catholic Church could only be different, right? And is. That's when the Amen turns ax. "

The same Church of the Rosary of the Blacks is setting other syncretism statements. There happen masses promoted by the holy people dedicated to Catholic saints: St. George, St. Michael, St. Peter and St. Jerome.

While acknowledging that Candomblé is still the target of prejudice and intolerance, Mother Sinha says that today society accepts their religion with less resistance, "Currently, we have more awareness of our identity. We know we have the same rights as all others. "

She remembers that a few decades ago children could not attend the religious communities: "They thought that Candomblé was harmful to children. To run a yard needed police permission. For all these difficulties, the yard has become a space of resistance, "he says.

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